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Resenha: The Samurai Of Prog - Archiviarum (2018)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Archiviarum mantem a excelência dos discos anteriores da banda
4
09/05/2018

Sou um fã declarado de Marco Bernard a um bom tempo e a cada dia me torno ainda mais. Mas apesar de seu talento musical ser obviamente um dos motivos pra que eu sinta isso, o que me faz admirá-lo mais a cada ano é a sua vontade de estar sempre produzindo algo novo em algum dos seus vários projetos, onde o Samurai Of Prog atualmente é o que tem me agradado mais, ainda que, neste caso, devo deixar claro que as composições não são tão fresquinhas assim, Archiviarum na verdade é uma coleção de faixas feitas ao longo dos anos onde nenhuma delas esteve presente em qualquer um dos discos anteriores da banda (embora algumas não sejam completamente inéditas e inclusive estiveram em outros projetos que também contavam com membro fixo grupo) e dois covers,   

“Keep the Ball Rolling” é o carro abre alas deste desfile de excelentes músicas progressivas. Trata-se de uma faixa instrumental que desde o seu início já se mostra bastante dinâmica. Tem a sua principal orientação através de criativos trabalhos de órgão e uma atmosfera sonora com influência em bandas como Kansas, Camel e Emerson, Lake & Palmer. 

“Ahead of Fortune” é uma versão que foi editada e remixada a partir da música original escrita por Eduardo García Salueñas, e arranjada e cantada por Steve Unruh, integrante regular da Samurai Of Prog, a canção esteve presente no projeto Decameron - Ten Days in 100 Novellas - Part III. Possui uma cadência serena, bastante acústica e um excelente solo de violino no seu final. 

“La Obscuridad” possui ótimos duetos vocais em espanhol entre Steve Unruh e Michelle Young. A música é original do projeto Oceanic Legion e que foi formado por Carlos Lucena e Lalo Huber (ambos da banda argentina de rock progressivo, Nexus), além de Marco Bernard e Steve Unruh, apesar disso, trata-se de uma faixa inédita. Uma música de meio tempo e muito bem cadenciada através de ótimos arranjos com destaque paras as linhas de sintetizadores, órgão e guitarra elétrica. Apesar de amar as músicas longas da banda, está acho que quase dez minutos foram um pouco demais, mas de qualquer forma, uma excelente faixa. 

“Cristalli” é o momento rock progressivo italiano do disco. Michele Mutti, tecladista da banda La Torre dell'Alchimista, além de obviamente, tocar na faixa, também foi o compositor. Stefano Galifi da Museo Rosenbach é quem canta. Novamente uma música de batidas mais suaves, destaque para os trabalhos belíssimos de flauta, um excelente solo de guitarra no meio e ótimas linhas durante toda a música. Como de costume no progressivo italiano, os vocais possuem uma grande carga emocional. 

“Elitropia” é uma música instrumental que sacode novamente o disco após momentos mais serenos. A música trata-se de um mix para a música dos italianos Latte e Miele e que também teve participação de Marco e Steve. Oliviero Lacagnina tecladista da banda italiana faz a sua participação aqui e eu não duvidaria que ele foi o principal compositor, afinal, os teclados são o que há de mais interessante na música, muitas vezes em umas linhas meio circenses eles ditam o humor da música. 

“The Sleeping Lover” é a outra música que pertence ao projeto Oceanic Legion, mas ao contrário da “La Obscuridad”, esta não é inédita e já podia ser ouvida no disco Decameron - Ten Days in 100 Novellas - Part II. Acho que ao chegar aqui o ouvinte já percebeu que o disco possui uma atmosfera bastante tranquila e as músicas na maioria das vezes são em tempos médios. Contém grandes trabalhos de teclado e flauta. Pouco antes da sua metade apresenta uma queda de “pressão” e segue serenamente até entrar no momento mais pesado da música, solo enérgico de guitarra, linhas sólidas e fortes de baixo, teclados lacrimejantes e bateria vigorosa. Após isso regressa ao seu ritmo principal até chegar ao fim. 

“From This Window” é a faixa mais longa do disco e única que passa dos dez minutos. Conta com a participação de Kerry Shacklett e que eu chamo de “Keith Emerson dos tempos modernos” (não que ele seja uma cópia da lenda inglesa, muito pelo contrário, tem muita personalidade e estilo, isso que faço é uma maneira de elevar seu nome de alguma maneira). Certamente a música mais sinfônica do álbum e que conta com algumas intrincadas passagens em staccato. Guitarra e teclado são os que brilham constantemente, mas o fazem sobre uma cozinha extremamente bem construída. 

Acho que quando você pega a lista das músicas deste disco e ver o nome “Ice”, se você for um amante de rock progressivo, a primeira coisa que vem em mente deve ser, “olha só, o mesmo nome da música do Camel”, porém, não são musicas homônimas, mas a mesma, um cover muito bem acabado por sinal. A ideia da banda em tocar esta música já vinha a um tempo (provavelmente teria aparecido em algum dos discos anteriores) e eles queriam inclusive que Guy Leblanc (tecladista do Camel a partir de 2000 e que fez participação nos dois primeiros álbuns da Samurai Of Prog) participasse, mas infelizmente ele faleceu em 2015. Não creio que precise uma descrição deste clássico, porém, seria uma heresia não enaltecer o solo de sax sublime de Marek Arnold, um dos melhores no instrumento quando o assunto é rock progressivo. 

Se você acompanha a história musical da banda, neste momento do disco já deve está se perguntando sobre algo tradicional e que até agora não apareceu, pois tenha calma, a faixa “Predawn” é onde David Myers faz sua apresentação solo de piano. O disco fecha com mais um cover, “Heroes”, de David Bowie. Sinceramente, adoro David Bowie, esta música e a versão não ficou ruim, porém, mesmo assim é o motivo que me faz dizer que o álbum não ficou perfeito, ela traz um anticlímax súbito nada legal após um piano sereno que terminaria perfeitamente a obra. 

Antes de concluir, deve ter ficado meio estranho eu falar o nome do Marco Bernard no início em tom de grande admiração e praticamente não citá-lo na resenha, mas ele aqui é bem isso mesmo, um arquiteto por trás de tudo, sem muito alarde, mas bastante substancial para o acabamento musical através de ideias que vão além de “somente” suas linhas de baixo consistentes. Archiviarum mantem a excelência dos discos anteriores da banda e apresenta uma qualidade maravilhosa, onde mais uma vez unem perfeitamente as influências do progressivo dos anos setenta aos toques da escola moderna. Apesar do final desnecessário, um item necessário em qualquer lista dos grandes álbuns de rock progressivo de 2018. 

Archiviarum mantem a excelência dos discos anteriores da banda
4
09/05/2018

Sou um fã declarado de Marco Bernard a um bom tempo e a cada dia me torno ainda mais. Mas apesar de seu talento musical ser obviamente um dos motivos pra que eu sinta isso, o que me faz admirá-lo mais a cada ano é a sua vontade de estar sempre produzindo algo novo em algum dos seus vários projetos, onde o Samurai Of Prog atualmente é o que tem me agradado mais, ainda que, neste caso, devo deixar claro que as composições não são tão fresquinhas assim, Archiviarum na verdade é uma coleção de faixas feitas ao longo dos anos onde nenhuma delas esteve presente em qualquer um dos discos anteriores da banda (embora algumas não sejam completamente inéditas e inclusive estiveram em outros projetos que também contavam com membro fixo grupo) e dois covers,   

“Keep the Ball Rolling” é o carro abre alas deste desfile de excelentes músicas progressivas. Trata-se de uma faixa instrumental que desde o seu início já se mostra bastante dinâmica. Tem a sua principal orientação através de criativos trabalhos de órgão e uma atmosfera sonora com influência em bandas como Kansas, Camel e Emerson, Lake & Palmer. 

“Ahead of Fortune” é uma versão que foi editada e remixada a partir da música original escrita por Eduardo García Salueñas, e arranjada e cantada por Steve Unruh, integrante regular da Samurai Of Prog, a canção esteve presente no projeto Decameron - Ten Days in 100 Novellas - Part III. Possui uma cadência serena, bastante acústica e um excelente solo de violino no seu final. 

“La Obscuridad” possui ótimos duetos vocais em espanhol entre Steve Unruh e Michelle Young. A música é original do projeto Oceanic Legion e que foi formado por Carlos Lucena e Lalo Huber (ambos da banda argentina de rock progressivo, Nexus), além de Marco Bernard e Steve Unruh, apesar disso, trata-se de uma faixa inédita. Uma música de meio tempo e muito bem cadenciada através de ótimos arranjos com destaque paras as linhas de sintetizadores, órgão e guitarra elétrica. Apesar de amar as músicas longas da banda, está acho que quase dez minutos foram um pouco demais, mas de qualquer forma, uma excelente faixa. 

“Cristalli” é o momento rock progressivo italiano do disco. Michele Mutti, tecladista da banda La Torre dell'Alchimista, além de obviamente, tocar na faixa, também foi o compositor. Stefano Galifi da Museo Rosenbach é quem canta. Novamente uma música de batidas mais suaves, destaque para os trabalhos belíssimos de flauta, um excelente solo de guitarra no meio e ótimas linhas durante toda a música. Como de costume no progressivo italiano, os vocais possuem uma grande carga emocional. 

“Elitropia” é uma música instrumental que sacode novamente o disco após momentos mais serenos. A música trata-se de um mix para a música dos italianos Latte e Miele e que também teve participação de Marco e Steve. Oliviero Lacagnina tecladista da banda italiana faz a sua participação aqui e eu não duvidaria que ele foi o principal compositor, afinal, os teclados são o que há de mais interessante na música, muitas vezes em umas linhas meio circenses eles ditam o humor da música. 

“The Sleeping Lover” é a outra música que pertence ao projeto Oceanic Legion, mas ao contrário da “La Obscuridad”, esta não é inédita e já podia ser ouvida no disco Decameron - Ten Days in 100 Novellas - Part II. Acho que ao chegar aqui o ouvinte já percebeu que o disco possui uma atmosfera bastante tranquila e as músicas na maioria das vezes são em tempos médios. Contém grandes trabalhos de teclado e flauta. Pouco antes da sua metade apresenta uma queda de “pressão” e segue serenamente até entrar no momento mais pesado da música, solo enérgico de guitarra, linhas sólidas e fortes de baixo, teclados lacrimejantes e bateria vigorosa. Após isso regressa ao seu ritmo principal até chegar ao fim. 

“From This Window” é a faixa mais longa do disco e única que passa dos dez minutos. Conta com a participação de Kerry Shacklett e que eu chamo de “Keith Emerson dos tempos modernos” (não que ele seja uma cópia da lenda inglesa, muito pelo contrário, tem muita personalidade e estilo, isso que faço é uma maneira de elevar seu nome de alguma maneira). Certamente a música mais sinfônica do álbum e que conta com algumas intrincadas passagens em staccato. Guitarra e teclado são os que brilham constantemente, mas o fazem sobre uma cozinha extremamente bem construída. 

Acho que quando você pega a lista das músicas deste disco e ver o nome “Ice”, se você for um amante de rock progressivo, a primeira coisa que vem em mente deve ser, “olha só, o mesmo nome da música do Camel”, porém, não são musicas homônimas, mas a mesma, um cover muito bem acabado por sinal. A ideia da banda em tocar esta música já vinha a um tempo (provavelmente teria aparecido em algum dos discos anteriores) e eles queriam inclusive que Guy Leblanc (tecladista do Camel a partir de 2000 e que fez participação nos dois primeiros álbuns da Samurai Of Prog) participasse, mas infelizmente ele faleceu em 2015. Não creio que precise uma descrição deste clássico, porém, seria uma heresia não enaltecer o solo de sax sublime de Marek Arnold, um dos melhores no instrumento quando o assunto é rock progressivo. 

Se você acompanha a história musical da banda, neste momento do disco já deve está se perguntando sobre algo tradicional e que até agora não apareceu, pois tenha calma, a faixa “Predawn” é onde David Myers faz sua apresentação solo de piano. O disco fecha com mais um cover, “Heroes”, de David Bowie. Sinceramente, adoro David Bowie, esta música e a versão não ficou ruim, porém, mesmo assim é o motivo que me faz dizer que o álbum não ficou perfeito, ela traz um anticlímax súbito nada legal após um piano sereno que terminaria perfeitamente a obra. 

Antes de concluir, deve ter ficado meio estranho eu falar o nome do Marco Bernard no início em tom de grande admiração e praticamente não citá-lo na resenha, mas ele aqui é bem isso mesmo, um arquiteto por trás de tudo, sem muito alarde, mas bastante substancial para o acabamento musical através de ideias que vão além de “somente” suas linhas de baixo consistentes. Archiviarum mantem a excelência dos discos anteriores da banda e apresenta uma qualidade maravilhosa, onde mais uma vez unem perfeitamente as influências do progressivo dos anos setenta aos toques da escola moderna. Apesar do final desnecessário, um item necessário em qualquer lista dos grandes álbuns de rock progressivo de 2018. 

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