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Resenha: Steve Hackett - Wuthering Nights: Live in Birmingham (2018)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Album Cover
Um mestre da guitarra em ao vivo irretocável
5
08/05/2018

“Aceita que dói menos” é um dos lugares-comuns do momento, mas que pode ser lema da carreira-solo de Steve Hackett. Ao invés de negar seu legado junto ao Genesis, o guitarrista tem reinventado as canções de seu passado setentista em álbuns e turnês muito bem-sucedidas, como seus Genesis Revisited.

Ano passado, Wind and Wuthering fez 40 anos. O álbum foi o último de Hackett com Banks-Collins-Rutherford e tem substanciais contribuições de Steve, então o inglês decidiu que generosa porção de seu show mais recente – cuja turnê passou por cidades brasileiras este ano – traria diversas faixas daquele trabalho, assim como clássicos ainda mais antigos. Isso, claro, sem esquecer de sua produção-solo que incluiu faixas de seu aclamado álbum do ano passado, The Night Siren.

Dia 26 de janeiro, a Inside Out Music colocou no mercado o CD/DVD/Blu-Ray Wuthering Nights: Live in Birmingham, registro de um show de maio de 2017, no Birmingham Symphony Hall. Esta resenha é sobre o CD duplo apenas.

O nível técnico e artístico é perfeito. Hackett está com feras entrosadas de tanto tocar junto: Roger King (teclados), Gary O'Toole (bateria e percussão), Rob Townsend (saxes/flautas), Nick Beggs (baixo e outras cordas). Jamais se poderia acusar Hackett de primadonismo; todos os instrumentistas têm chance de brilhar e a guitarra do Mestre resplandece, não porque precise forçar a barra por ser o chefe, mas, porque tem aquele diferencial que separa o bom músico do genial. Steve Hackett influenciou Eddie Van Halen, for Christ’s sake!.

O CD 1 é apanhadão da longa carreira-solo do ex-Genesis. Traz inescapáveis como Every Day, presente em tudo quanto é show e ao vivo e que não pode ter arranjos muito alterados: fãs esperam o delirante solo de Steve, tornando a faixa perfeita para abrir um álbum. Do catálogo perene ao vivo, digamos, há também a caravana centro-asiática de The Steppes, que forma bloco com bastantes inflexões orientais com canções de The Night Siren, como El Niño, Behind the Smoke e In The Skeleton Gallery. Não dá pra reduzir a diversidade dessas canções a apenas seus elementos “árabes”, mas há fio condutor entre elas, e Hackett enfileirá-las em enfiada de 4 deu senhora homogeneidade ao miolo desse CD. Dos álbuns Darktown (1999) e To Watch the Storms (2003) foram pinçadas Rise Again e Serpentine Song, respectivamente e para encerrar a primeira parte do espetáculo, Steve reviveu os quase 11 minutos de Shadow Of The Hierophant, de seu longínquo primeiro álbum, Voyage Of The Acolyte (1975), quando ainda era do Genesis. Amanda Lehmann preenche a vaga de voz, originalmente ocupada por Sally Oldfield, provavelmente a cantora mais injustiçada da música britânica.

O segundo CD foca no trabalho do Genesis. Para os vocais, entra Nad Sylvan, na estrada com Hackett há anos. Ainda há quem desperdice tempo e energia reclamando que Sylvan não se compara a Peter Gabriel ou Phil Collins. Cansativo isso. Não se trata do Genesis, mas de um de seus ex-membros homenageando-o, então, qual é o ponto para mimimizar? As vozes são parecidas, Nad tenta imitar, claro, mas é mais pra compor um clima, como o Yes faz quando contrata vocalistas-clones de Jon Anderson. Quase óbvio que nós fãs preferiremos Phil e/ou Peter, mas de que adianta reclamar de Sylvan, que, acima de tudo, faz ótimo trabalho dentro de seus limites de não ser Phil/Peter? Aceita que dói menos. Ou não ouça nada que não seja cantado por Gabriel/Collins, e pare de encher o saco!

Wuthering Nights é trocadilho com o clássico de Emily Brontë, que informou títulos em Wind & Wuthering. E como esse é o álbum homenageado, cinco de suas canções abrem a parte dedicada ao Genesis. Desde a manjada Afterglow, até as bem mais raras em ao vivo oficial, como Eleventh Earl Of Mar. Com arranjos o mais fiel possível aos originais – Hackett sabe que seu público é maduro; queremos o que nos embalou a juventude -, Wuthering Nights traz a subestimada One For The Vine e Inside and Out, que, vergonhosamente, ficou de fora de W&W e acabou sendo a única coisa que presta no EP Spot The Pigeon.

Fora do território de seu álbum-despedida do Genesis, há a versão delirante de Dance On a Vulcano; a máquina demolidora de The Musical Box e a melhor versão ao vivo oficial do solo magnífico de guitarra de Firth of Fifth.

Impecavelmente feito por um artista que entende visceralmente de Genesis e que tem carreira-solo monumental, além de perícia inconteste, Wuthering Nights: Live In Birmingham pode ser o melhor ao vivo de Hackett, que já lançou diversos.

Um mestre da guitarra em ao vivo irretocável
5
08/05/2018

“Aceita que dói menos” é um dos lugares-comuns do momento, mas que pode ser lema da carreira-solo de Steve Hackett. Ao invés de negar seu legado junto ao Genesis, o guitarrista tem reinventado as canções de seu passado setentista em álbuns e turnês muito bem-sucedidas, como seus Genesis Revisited.

Ano passado, Wind and Wuthering fez 40 anos. O álbum foi o último de Hackett com Banks-Collins-Rutherford e tem substanciais contribuições de Steve, então o inglês decidiu que generosa porção de seu show mais recente – cuja turnê passou por cidades brasileiras este ano – traria diversas faixas daquele trabalho, assim como clássicos ainda mais antigos. Isso, claro, sem esquecer de sua produção-solo que incluiu faixas de seu aclamado álbum do ano passado, The Night Siren.

Dia 26 de janeiro, a Inside Out Music colocou no mercado o CD/DVD/Blu-Ray Wuthering Nights: Live in Birmingham, registro de um show de maio de 2017, no Birmingham Symphony Hall. Esta resenha é sobre o CD duplo apenas.

O nível técnico e artístico é perfeito. Hackett está com feras entrosadas de tanto tocar junto: Roger King (teclados), Gary O'Toole (bateria e percussão), Rob Townsend (saxes/flautas), Nick Beggs (baixo e outras cordas). Jamais se poderia acusar Hackett de primadonismo; todos os instrumentistas têm chance de brilhar e a guitarra do Mestre resplandece, não porque precise forçar a barra por ser o chefe, mas, porque tem aquele diferencial que separa o bom músico do genial. Steve Hackett influenciou Eddie Van Halen, for Christ’s sake!.

O CD 1 é apanhadão da longa carreira-solo do ex-Genesis. Traz inescapáveis como Every Day, presente em tudo quanto é show e ao vivo e que não pode ter arranjos muito alterados: fãs esperam o delirante solo de Steve, tornando a faixa perfeita para abrir um álbum. Do catálogo perene ao vivo, digamos, há também a caravana centro-asiática de The Steppes, que forma bloco com bastantes inflexões orientais com canções de The Night Siren, como El Niño, Behind the Smoke e In The Skeleton Gallery. Não dá pra reduzir a diversidade dessas canções a apenas seus elementos “árabes”, mas há fio condutor entre elas, e Hackett enfileirá-las em enfiada de 4 deu senhora homogeneidade ao miolo desse CD. Dos álbuns Darktown (1999) e To Watch the Storms (2003) foram pinçadas Rise Again e Serpentine Song, respectivamente e para encerrar a primeira parte do espetáculo, Steve reviveu os quase 11 minutos de Shadow Of The Hierophant, de seu longínquo primeiro álbum, Voyage Of The Acolyte (1975), quando ainda era do Genesis. Amanda Lehmann preenche a vaga de voz, originalmente ocupada por Sally Oldfield, provavelmente a cantora mais injustiçada da música britânica.

O segundo CD foca no trabalho do Genesis. Para os vocais, entra Nad Sylvan, na estrada com Hackett há anos. Ainda há quem desperdice tempo e energia reclamando que Sylvan não se compara a Peter Gabriel ou Phil Collins. Cansativo isso. Não se trata do Genesis, mas de um de seus ex-membros homenageando-o, então, qual é o ponto para mimimizar? As vozes são parecidas, Nad tenta imitar, claro, mas é mais pra compor um clima, como o Yes faz quando contrata vocalistas-clones de Jon Anderson. Quase óbvio que nós fãs preferiremos Phil e/ou Peter, mas de que adianta reclamar de Sylvan, que, acima de tudo, faz ótimo trabalho dentro de seus limites de não ser Phil/Peter? Aceita que dói menos. Ou não ouça nada que não seja cantado por Gabriel/Collins, e pare de encher o saco!

Wuthering Nights é trocadilho com o clássico de Emily Brontë, que informou títulos em Wind & Wuthering. E como esse é o álbum homenageado, cinco de suas canções abrem a parte dedicada ao Genesis. Desde a manjada Afterglow, até as bem mais raras em ao vivo oficial, como Eleventh Earl Of Mar. Com arranjos o mais fiel possível aos originais – Hackett sabe que seu público é maduro; queremos o que nos embalou a juventude -, Wuthering Nights traz a subestimada One For The Vine e Inside and Out, que, vergonhosamente, ficou de fora de W&W e acabou sendo a única coisa que presta no EP Spot The Pigeon.

Fora do território de seu álbum-despedida do Genesis, há a versão delirante de Dance On a Vulcano; a máquina demolidora de The Musical Box e a melhor versão ao vivo oficial do solo magnífico de guitarra de Firth of Fifth.

Impecavelmente feito por um artista que entende visceralmente de Genesis e que tem carreira-solo monumental, além de perícia inconteste, Wuthering Nights: Live In Birmingham pode ser o melhor ao vivo de Hackett, que já lançou diversos.

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