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    Joe Satriani

    5 Por: marcio chagas

Resenha: Joe Satriani - Joe Satriani (1995)

Por: marcio chagas

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Um disco diferente na discografia do guitarrista
5
06/05/2018

Joe Satriani nunca foi unanimidade entre os ouvintes de boa música. Muitos  acham que o músico  é um guitarrista fenomenal, enquanto outros acham ele simplesmente um  exibicionista que toca mil notas por segundo. Nem tanto nem tão pouco. Satriani surgiu no meio dos anos 80 na leva de guitarristas que tocavam super rápido e logo foram denominados Shred. Se no inicio realmente o músico tinha uma nítida preocupação em solar excessivamente rápido, é certo que ele também redesenhou os parâmetros da guitarra com seu aclamado CD “Surf With The Alien” de 1988. 
Desde então, o músico seguiu seu caminho sempre gravando trabalhos instrumentais com temas complexos, rápidos e tendo a guitarra como personagem principal. Porém, esqueça tudo que sabe de Joe Satriani ao escutar este CD, uma verdadeira pérola da música instrumental. Em 1994 Satriani provavelmente teve o desejo de fazer um álbum diferenciado, e para tanto chamou o acalmado produtor Glyn Johns. 

Um produtor que já havia trabalhado com lendas como Beatles, Rolling Stones, The Who, Bob Dylan e tantos outros estava acima do bem e do mal e tinha o direito de falar o que quisesse. E conta a lenda que Johns aceitou produzir o álbum desde que o guitarrista estivesse disposto a colocar o pé no freio e criar temas mais emocionais e com um apelo musical mais forte do que simplesmente dar aula de guitarra. Para conseguir seu objetivo, o produtor recrutou uma nova banda para acompanhar o músico no que seria seu novo trabalho: para o baixo foi chamado Nathan East, famoso por integrar a banda de Eric Clapton por longos anos; para bateria veio Manu Katché, um baterista de jazz que na época fazia parte da banda de apoio de Peter Gabriel;  e para a guitarra rítmica fora chamado Andy Fairweather Low, o maior guitarrista base de toda Inglaterra, famoso por seus trabalhos ao lado e Eric Clapton e o ex Pink Floyd Roger Waters. Sim, isto mesmo que você está lendo,  Glyn Johns teve o culhão de mandar chamar um guitarrista base para atuar no disco de Satriani, e ainda teria dito: “você sola bem, mas harmoniza muito mal suas bases, vou trazer um músico pra fazer isso...” 
Se a frase acima é verdade ou lenda eu realmente não sei, o fato é que nunca mais um trabalho do músico teve outro guitarrista base. Contando com este poderoso trio que toca praticamente em todo o disco (não participam em apenas três faixas), o grupo se enfiou no estúdio para compor e gravar aquele que até então seria o trabalho mais diferente do guitarrista.

O álbum abre com “Cool#9”, um tema  lento com  solos tranquilos sobre base eficiente.  Possui umas partes sincopadas de Katche e é a única música do álbum que aparece nos shows até os dias de hoje; “If” é  mais alegre . A banda soa coesa com boa base de baixo, Mostrando  que a banda não estava lá  apenas de coadjuvante; “Down, Down, Down”, como o título indica, é uma balada cool lentinha e minimalista, muito distante dos malabarismos sônicos de Satriani. Vai crescendo ao desenrolar da faixa e se transformando em um blues alucinante; 
A canção "Luminous Flesh Giants" é mais pra cima, boa integração de baixo/bateria e guitarra na cara, se parecendo muito com o que o músico já fazia anteriormente; "S.M.F."  é um blues de arrepiar; A faixa seguinte, “Look My Way” é a única com vocal do próprio Joe, um bluegrass com guitarras sujas e vocal abafado. Um tema dos mais  interessantes. Novamente os solos em nada lembram o estilo de Satriani. Atenção para “home”, uma balada midi tempo,  com boas guitarras e um trabalho de bateria diferenciado;
“MorocCan Sunset”  é uma canção  com bateria sincopada e guitarra sombria,  se encaixando em meio as nuances percussivas do tema. É outro tema que vai crescendo no seu desenrolar; “Killer Bee Bop” é uma das faixas mais complexas do álbum,  uma faixa  jazzística, com linha de baixo bem trimbrada e na frente, acompanhado de uma bateria quebrada  e uma guitarra esquizoide no melhor estilo King Crimson. O tema se desenvolve beirando ao free jazz, com nuances e mudanças bruscas de andamento; “Slow Down Blues”  como o nome indica, é  um blues lento, que vai gostando do tema, e crescendo lentamente. Uma das melhores composições do álbum e também uma das maiores. Nela Joe demonstra seus dotes na harmônica; "(You're) My World"  é outro tema introspectivo, que Satriani utiliza o pedal de wah wah para executar os solos; "Sittin' 'Round"   encerra o álbum, um tema arrastado, solado com notas esparsas, e em alguns momentos quase um blues.
 
De saldo final, Joe Satriani apresentou a o seu grande público um trabalho diferente, com temas menos velozes, mais emocionais e complexos. Um trabalho que destoa de sua discografia, tanto que  apenas a primeira faixa pode ser ouvida em seus shows.  O guitarrista nunca realizou outro trabalho parecido, e nem mesmo trabalhou novamente com a banda formada para gravar o álbum. Alguns fãs mais ortodoxos devem ter torcido o nariz, mas se você é adepto de boa música instrumental, este é um trabalho que não pode deixar de conhecer.

Um disco diferente na discografia do guitarrista
5
06/05/2018

Joe Satriani nunca foi unanimidade entre os ouvintes de boa música. Muitos  acham que o músico  é um guitarrista fenomenal, enquanto outros acham ele simplesmente um  exibicionista que toca mil notas por segundo. Nem tanto nem tão pouco. Satriani surgiu no meio dos anos 80 na leva de guitarristas que tocavam super rápido e logo foram denominados Shred. Se no inicio realmente o músico tinha uma nítida preocupação em solar excessivamente rápido, é certo que ele também redesenhou os parâmetros da guitarra com seu aclamado CD “Surf With The Alien” de 1988. 
Desde então, o músico seguiu seu caminho sempre gravando trabalhos instrumentais com temas complexos, rápidos e tendo a guitarra como personagem principal. Porém, esqueça tudo que sabe de Joe Satriani ao escutar este CD, uma verdadeira pérola da música instrumental. Em 1994 Satriani provavelmente teve o desejo de fazer um álbum diferenciado, e para tanto chamou o acalmado produtor Glyn Johns. 

Um produtor que já havia trabalhado com lendas como Beatles, Rolling Stones, The Who, Bob Dylan e tantos outros estava acima do bem e do mal e tinha o direito de falar o que quisesse. E conta a lenda que Johns aceitou produzir o álbum desde que o guitarrista estivesse disposto a colocar o pé no freio e criar temas mais emocionais e com um apelo musical mais forte do que simplesmente dar aula de guitarra. Para conseguir seu objetivo, o produtor recrutou uma nova banda para acompanhar o músico no que seria seu novo trabalho: para o baixo foi chamado Nathan East, famoso por integrar a banda de Eric Clapton por longos anos; para bateria veio Manu Katché, um baterista de jazz que na época fazia parte da banda de apoio de Peter Gabriel;  e para a guitarra rítmica fora chamado Andy Fairweather Low, o maior guitarrista base de toda Inglaterra, famoso por seus trabalhos ao lado e Eric Clapton e o ex Pink Floyd Roger Waters. Sim, isto mesmo que você está lendo,  Glyn Johns teve o culhão de mandar chamar um guitarrista base para atuar no disco de Satriani, e ainda teria dito: “você sola bem, mas harmoniza muito mal suas bases, vou trazer um músico pra fazer isso...” 
Se a frase acima é verdade ou lenda eu realmente não sei, o fato é que nunca mais um trabalho do músico teve outro guitarrista base. Contando com este poderoso trio que toca praticamente em todo o disco (não participam em apenas três faixas), o grupo se enfiou no estúdio para compor e gravar aquele que até então seria o trabalho mais diferente do guitarrista.

O álbum abre com “Cool#9”, um tema  lento com  solos tranquilos sobre base eficiente.  Possui umas partes sincopadas de Katche e é a única música do álbum que aparece nos shows até os dias de hoje; “If” é  mais alegre . A banda soa coesa com boa base de baixo, Mostrando  que a banda não estava lá  apenas de coadjuvante; “Down, Down, Down”, como o título indica, é uma balada cool lentinha e minimalista, muito distante dos malabarismos sônicos de Satriani. Vai crescendo ao desenrolar da faixa e se transformando em um blues alucinante; 
A canção "Luminous Flesh Giants" é mais pra cima, boa integração de baixo/bateria e guitarra na cara, se parecendo muito com o que o músico já fazia anteriormente; "S.M.F."  é um blues de arrepiar; A faixa seguinte, “Look My Way” é a única com vocal do próprio Joe, um bluegrass com guitarras sujas e vocal abafado. Um tema dos mais  interessantes. Novamente os solos em nada lembram o estilo de Satriani. Atenção para “home”, uma balada midi tempo,  com boas guitarras e um trabalho de bateria diferenciado;
“MorocCan Sunset”  é uma canção  com bateria sincopada e guitarra sombria,  se encaixando em meio as nuances percussivas do tema. É outro tema que vai crescendo no seu desenrolar; “Killer Bee Bop” é uma das faixas mais complexas do álbum,  uma faixa  jazzística, com linha de baixo bem trimbrada e na frente, acompanhado de uma bateria quebrada  e uma guitarra esquizoide no melhor estilo King Crimson. O tema se desenvolve beirando ao free jazz, com nuances e mudanças bruscas de andamento; “Slow Down Blues”  como o nome indica, é  um blues lento, que vai gostando do tema, e crescendo lentamente. Uma das melhores composições do álbum e também uma das maiores. Nela Joe demonstra seus dotes na harmônica; "(You're) My World"  é outro tema introspectivo, que Satriani utiliza o pedal de wah wah para executar os solos; "Sittin' 'Round"   encerra o álbum, um tema arrastado, solado com notas esparsas, e em alguns momentos quase um blues.
 
De saldo final, Joe Satriani apresentou a o seu grande público um trabalho diferente, com temas menos velozes, mais emocionais e complexos. Um trabalho que destoa de sua discografia, tanto que  apenas a primeira faixa pode ser ouvida em seus shows.  O guitarrista nunca realizou outro trabalho parecido, e nem mesmo trabalhou novamente com a banda formada para gravar o álbum. Alguns fãs mais ortodoxos devem ter torcido o nariz, mas se você é adepto de boa música instrumental, este é um trabalho que não pode deixar de conhecer.

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