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Resenha: Iron Maiden - Seventh Son Of A Seventh Son (1988)

Por: Tiago Meneses

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O Iron Maiden no ápice da sua realização artística
5
30/04/2018

Seventh of a Seventh Son é o meu disco preferido do Iron Maiden. Coincidência ou não também se trata do seu trabalho mais progressivo. Costumo sentir nele em alguns momentos uma sensação sombria e pesada com umas pinceladas até mesmo góticas (mesmo que alguns venham a achar isso um exagero). Às vezes é bom deixar claro que eu não me considero de fato um fã da banda, mas reconheço que as audições de algumas de suas obras são obrigatórias. 

Um clássico conceitual baseado de uma forma alternativa no romance Seventh Son escrito por Orson Scott Card e o primeiro da série de contos The Tales of Alvin Make (estou escrevendo os nomes  em inglês porque parece que não chegaram a ser lançados no Brasil, qualquer coisa só alguém me corrigir). Um disco recheado de músicas que possuem múltiplas mudanças de tempo, arranjos complexos e algumas excelentes quebras de guitarra. Existe uma grande qualidade de passagens com sintetizadores tocados por Harris e Smith (que muitos fãs mais puristas de metal costumam não aprovar muito) que dão uma sensação muito mais progressiva ao álbum. As letras estão bastante presas ao tema do cataclismo apocalíptico, conteúdo temático bíblico. Vale lembrar também que o numero sete é um número bastante importante na bíblia. Mas devo admitir que apesar de gostar demais do álbum musicalmente falando, nunca tentei me aprofundar nas letras (embora eu as entenda e veja de fato que são muito bem feitas) para adquirir um grande conhecimento em cima do seu conceito. 

Foi na turnê deste disco que a banda encabeçou o festival Monster of Rock pela primeira vez, festival que ocorreu de forma até então inédita em Donington Park naquele Agosto de 1988. A banda tocou para a maior multidão da história do festival. 

Sobre a capa e parafraseando (mais ou menos) o nome de uma música dos Engenheiros do Havaí do álbum Ouça o que Eu Digo, Não Ouça Ninguém, chamada “Variações sobre um mesmo tema”, o Iron sempre teve em suas capas uma espécie de variações sobre o mesmo Eddie, onde o Eddie aqui apresentado na capa de Seventh of a Seventh Son tem influências de desenhos surrealistas em seus traços. 

Mas até o momento só estou enrolando e enrolando, mas cadê as músicas que é o mais importante do disco? Pois bem, o álbum começa através de “Moonchild”, com uma boa introdução vocal de Bruce tendo ao fundo algumas notas de violão. A banda então começa a adicionar mais força musical como quem escala uma montanha, onde o pico é uma levada bastante elaborada através de guitarras avassaladoras, bateria frenética, linhas cavalares de baixo, além de vocais técnicos e empolgantes. Um início de disco poderoso, mas sem abusar de solos ou pompas desnecessárias, tudo é extremamente coerente. 

“Infinite Dreams” não possui o mesmo frenesi da faixa anterior, mais lenta e com letras obscuras, começa de maneira suave e melódica através de uma introdução muito bonita de guitarra e que serve como uma simples ponta para uma seção rítmica bastante sólida e um Bruce afiado mostrando que não é apenas um vocalista, mas alguém que consegue levar a banda pelo caminho que quiser através da conhecida versatilidade de sua voz. Na parte central a música se torna mais enérgica e ganha velocidade através de mudanças súbitas e muito dramáticas, em resumo, mais uma música que é fantástica do começo ao fim. 

"Can I Play With Madness" começa de uma maneira diferente, ao invés de ser algo silencioso que vai ganhando mais itens para que se torne uma música mais encorpada, logo de cara batemos de frente com o refrão, algo inclusive que não é muito do estilo da banda em fazer. A música tem uma atmosfera bastante otimista, uma sonoridade polida, produção impecável e belas harmonias de guitarras gêmeas. Apesar de tudo isso, confesso que o ar meio de rock de arena faz com que seja a música que menos gosto, mas já deixo claro que isso não é o suficiente para impedir que um álbum deste receba a nota máxima. 

Em "The Evil That Men Do" a banda retorna a sua sonoridade clássica, digamos assim. Adoro a maneira como Nicko McBrain trabalha nesta música, ao mesmo tempo que eu o imagino estar tocando bateria com uma naturalidade de quem apenas brinca com o instrumento, eu escuto algo bastante técnico e destruidor. A banda cria aqui estruturas complexas e novamente mudanças repentinas, deixando o ouvinte sempre impressionado. O solo principal de guitarra é outro destaque (mas o que não é destaque aqui né?), virtuosidade e destreza da lendária dupla Smith e Murray. 

Agora é a vez do épico e faixa título do disco, “Seventh Son of a Seventh Son”. Devo dizer antes de qualquer coisa e com todo respeito aos amantes deste disco e de heavy metal, aqui você escuta um maravilhoso rock progressivo antes de qualquer coisa (claro que existem boas pinceladas de metal também). Existe uma verdadeira infinidade de voltas e reviravoltas dentro da estrutura musical, há partes de cantos mais tranquilos e linhas instrumentais de pura serenidade, assim como também é encontrado ritmos mais acelerados que dão os temperos característicos do metal na música. Não colocaria nenhum dos músicos como destaque, as coisas funcionam perfeitamente justamente porque cada um está desempenhando seu papel perfeitamente, nada está fora de lugar, a estrutura é certamente tão coerente quanto a de grandes clássicos do rock progressivo. Os vocais vão sempre crescendo conforme a música vai ficando mais tensa. Mais ou menos na parte central da música o clima fica bastante misterioso com uma narração que explica o tema principal da música. Então que a faixa começa a crescer em intensidade através dos teclados que seguem a bateria que nesse momento trabalha como um verdadeiro metrônomo humano. Guitarras anunciam um novo clímax e a música regressa agora com alguns solos de guitarra matadores, a parte final instrumental desta música me causa arrepios mesmo anos e anos depois de tê-la ouvido pela primeira vez. Nada menos do que extraordinário. 

“The Prophecy” começa com aquele ar de balada, mas a banda só engana o ouvinte por alguns segundos mesmo, pois logo uma mudança mostra que novamente será uma faixa bastante enérgica. Confesso que não é uma música das mais fáceis de descrever sua melodia, além de que as mudanças de ritmos aqui conseguem ser ainda mais radicais. O seu final é extremamente belo, de maneira acústica através de um violão muito bem tocado, onde nem o mesmo o uso de Fade Out (algo que não costumo gostar) tirou o seu brilho. 

“The Clairvoyant” inicia com o baixo de Steve Harris tocando algumas notas isoladamente até ir recebendo a companhia dos demais instrumentos. Considero uma das minhas preferidas do disco. Iron Maiden realmente é uma banda diferenciada das demais consideradas do mesmo estilo, só perceber aqui as estruturas e atmosferas utilizadas e ver o quanto são diferentes (e pra mim superiores) a todas as bandas de metal vindas do mesmo movimento e época, onde elas parecem preferir definir o seu estilo na virtuosidade individual dos seus músicos, algo bem diferente do Iron. Mais uma vez a banda executa excelentes mudanças e pausas incríveis. Mais um momento sublime do disco. 

“Only the Good Die Young” é a faixa que termina o disco e que também podemos notar um tipo de sonoridade das mais comuns da banda, com isso, também uma canção bastante popularmente conhecida. As guitarras são impressionantes como de costume, as linhas de baixo criativas e fortes, a bateria de McBrain é um verdadeiro petardo e sempre alucinante. Os vocais lembram os mesmos do começo do disco no sentido técnico e o quanto são empolgantes. Um jeito maravilhoso de encerrar um disco sensacional. 

Considero Seventh Son of a Seventh Son sem dúvida alguma o ápice da banda quando a ideia é mostrar musicalidade, complexidade e realização artística. Um verdadeiro exemplo do que é fechar com chave de ouro o período mais clássico de uma banda, as composições são inteligentes e mais dinâmicas do que nunca. A banda mostra claramente que eles têm algo a mais em mente do que simplesmente impressionar o ouvinte com solos incríveis de guitarra e vocais estratosféricos. Liricamente o disco também compensa ser apreciado. O uso de sintetizadores também foi uma boa e abriu novos caminhos para o som da banda. Enfim, um clássico absoluto. 

O Iron Maiden no ápice da sua realização artística
5
30/04/2018

Seventh of a Seventh Son é o meu disco preferido do Iron Maiden. Coincidência ou não também se trata do seu trabalho mais progressivo. Costumo sentir nele em alguns momentos uma sensação sombria e pesada com umas pinceladas até mesmo góticas (mesmo que alguns venham a achar isso um exagero). Às vezes é bom deixar claro que eu não me considero de fato um fã da banda, mas reconheço que as audições de algumas de suas obras são obrigatórias. 

Um clássico conceitual baseado de uma forma alternativa no romance Seventh Son escrito por Orson Scott Card e o primeiro da série de contos The Tales of Alvin Make (estou escrevendo os nomes  em inglês porque parece que não chegaram a ser lançados no Brasil, qualquer coisa só alguém me corrigir). Um disco recheado de músicas que possuem múltiplas mudanças de tempo, arranjos complexos e algumas excelentes quebras de guitarra. Existe uma grande qualidade de passagens com sintetizadores tocados por Harris e Smith (que muitos fãs mais puristas de metal costumam não aprovar muito) que dão uma sensação muito mais progressiva ao álbum. As letras estão bastante presas ao tema do cataclismo apocalíptico, conteúdo temático bíblico. Vale lembrar também que o numero sete é um número bastante importante na bíblia. Mas devo admitir que apesar de gostar demais do álbum musicalmente falando, nunca tentei me aprofundar nas letras (embora eu as entenda e veja de fato que são muito bem feitas) para adquirir um grande conhecimento em cima do seu conceito. 

Foi na turnê deste disco que a banda encabeçou o festival Monster of Rock pela primeira vez, festival que ocorreu de forma até então inédita em Donington Park naquele Agosto de 1988. A banda tocou para a maior multidão da história do festival. 

Sobre a capa e parafraseando (mais ou menos) o nome de uma música dos Engenheiros do Havaí do álbum Ouça o que Eu Digo, Não Ouça Ninguém, chamada “Variações sobre um mesmo tema”, o Iron sempre teve em suas capas uma espécie de variações sobre o mesmo Eddie, onde o Eddie aqui apresentado na capa de Seventh of a Seventh Son tem influências de desenhos surrealistas em seus traços. 

Mas até o momento só estou enrolando e enrolando, mas cadê as músicas que é o mais importante do disco? Pois bem, o álbum começa através de “Moonchild”, com uma boa introdução vocal de Bruce tendo ao fundo algumas notas de violão. A banda então começa a adicionar mais força musical como quem escala uma montanha, onde o pico é uma levada bastante elaborada através de guitarras avassaladoras, bateria frenética, linhas cavalares de baixo, além de vocais técnicos e empolgantes. Um início de disco poderoso, mas sem abusar de solos ou pompas desnecessárias, tudo é extremamente coerente. 

“Infinite Dreams” não possui o mesmo frenesi da faixa anterior, mais lenta e com letras obscuras, começa de maneira suave e melódica através de uma introdução muito bonita de guitarra e que serve como uma simples ponta para uma seção rítmica bastante sólida e um Bruce afiado mostrando que não é apenas um vocalista, mas alguém que consegue levar a banda pelo caminho que quiser através da conhecida versatilidade de sua voz. Na parte central a música se torna mais enérgica e ganha velocidade através de mudanças súbitas e muito dramáticas, em resumo, mais uma música que é fantástica do começo ao fim. 

"Can I Play With Madness" começa de uma maneira diferente, ao invés de ser algo silencioso que vai ganhando mais itens para que se torne uma música mais encorpada, logo de cara batemos de frente com o refrão, algo inclusive que não é muito do estilo da banda em fazer. A música tem uma atmosfera bastante otimista, uma sonoridade polida, produção impecável e belas harmonias de guitarras gêmeas. Apesar de tudo isso, confesso que o ar meio de rock de arena faz com que seja a música que menos gosto, mas já deixo claro que isso não é o suficiente para impedir que um álbum deste receba a nota máxima. 

Em "The Evil That Men Do" a banda retorna a sua sonoridade clássica, digamos assim. Adoro a maneira como Nicko McBrain trabalha nesta música, ao mesmo tempo que eu o imagino estar tocando bateria com uma naturalidade de quem apenas brinca com o instrumento, eu escuto algo bastante técnico e destruidor. A banda cria aqui estruturas complexas e novamente mudanças repentinas, deixando o ouvinte sempre impressionado. O solo principal de guitarra é outro destaque (mas o que não é destaque aqui né?), virtuosidade e destreza da lendária dupla Smith e Murray. 

Agora é a vez do épico e faixa título do disco, “Seventh Son of a Seventh Son”. Devo dizer antes de qualquer coisa e com todo respeito aos amantes deste disco e de heavy metal, aqui você escuta um maravilhoso rock progressivo antes de qualquer coisa (claro que existem boas pinceladas de metal também). Existe uma verdadeira infinidade de voltas e reviravoltas dentro da estrutura musical, há partes de cantos mais tranquilos e linhas instrumentais de pura serenidade, assim como também é encontrado ritmos mais acelerados que dão os temperos característicos do metal na música. Não colocaria nenhum dos músicos como destaque, as coisas funcionam perfeitamente justamente porque cada um está desempenhando seu papel perfeitamente, nada está fora de lugar, a estrutura é certamente tão coerente quanto a de grandes clássicos do rock progressivo. Os vocais vão sempre crescendo conforme a música vai ficando mais tensa. Mais ou menos na parte central da música o clima fica bastante misterioso com uma narração que explica o tema principal da música. Então que a faixa começa a crescer em intensidade através dos teclados que seguem a bateria que nesse momento trabalha como um verdadeiro metrônomo humano. Guitarras anunciam um novo clímax e a música regressa agora com alguns solos de guitarra matadores, a parte final instrumental desta música me causa arrepios mesmo anos e anos depois de tê-la ouvido pela primeira vez. Nada menos do que extraordinário. 

“The Prophecy” começa com aquele ar de balada, mas a banda só engana o ouvinte por alguns segundos mesmo, pois logo uma mudança mostra que novamente será uma faixa bastante enérgica. Confesso que não é uma música das mais fáceis de descrever sua melodia, além de que as mudanças de ritmos aqui conseguem ser ainda mais radicais. O seu final é extremamente belo, de maneira acústica através de um violão muito bem tocado, onde nem o mesmo o uso de Fade Out (algo que não costumo gostar) tirou o seu brilho. 

“The Clairvoyant” inicia com o baixo de Steve Harris tocando algumas notas isoladamente até ir recebendo a companhia dos demais instrumentos. Considero uma das minhas preferidas do disco. Iron Maiden realmente é uma banda diferenciada das demais consideradas do mesmo estilo, só perceber aqui as estruturas e atmosferas utilizadas e ver o quanto são diferentes (e pra mim superiores) a todas as bandas de metal vindas do mesmo movimento e época, onde elas parecem preferir definir o seu estilo na virtuosidade individual dos seus músicos, algo bem diferente do Iron. Mais uma vez a banda executa excelentes mudanças e pausas incríveis. Mais um momento sublime do disco. 

“Only the Good Die Young” é a faixa que termina o disco e que também podemos notar um tipo de sonoridade das mais comuns da banda, com isso, também uma canção bastante popularmente conhecida. As guitarras são impressionantes como de costume, as linhas de baixo criativas e fortes, a bateria de McBrain é um verdadeiro petardo e sempre alucinante. Os vocais lembram os mesmos do começo do disco no sentido técnico e o quanto são empolgantes. Um jeito maravilhoso de encerrar um disco sensacional. 

Considero Seventh Son of a Seventh Son sem dúvida alguma o ápice da banda quando a ideia é mostrar musicalidade, complexidade e realização artística. Um verdadeiro exemplo do que é fechar com chave de ouro o período mais clássico de uma banda, as composições são inteligentes e mais dinâmicas do que nunca. A banda mostra claramente que eles têm algo a mais em mente do que simplesmente impressionar o ouvinte com solos incríveis de guitarra e vocais estratosféricos. Liricamente o disco também compensa ser apreciado. O uso de sintetizadores também foi uma boa e abriu novos caminhos para o som da banda. Enfim, um clássico absoluto. 

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