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Resenha: King Crimson - Red (1974)

Por: Tiago Meneses

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Músicos em excelente fase criando um dos maiores feitos da banda
5
28/04/2018

Primeiramente eu respiro fundo, passo as duas mãos no rosto e por último me pergunto: O que eu posso falar de um álbum como este?

Red é uma das maiores obras-primas da história do rock progressivo. Trata-se de um trabalho bastante consistente, de musicalidade ótima, Fripp novamente toca guitarra de uma maneira única, Bruford como sempre usa sua bateria de uma maneira tecnicamente perfeita e Wetton com seu baixo pesado e sólido completa tudo. Os arranjos em si não bastante simples, mas por outro lado também são muito surpreendentes, as harmonias são maravilhosas, além de mostrar ótimas linhas melódicas que fazem deste disco um item não menos que obrigatório em qualquer coleção de rock progressivo que se preze.  Sem dúvida alguma, um disco essencial da primeira encarnação da banda.

A banda nunca havia lançado um disco relativamente sombrio igual Red. O King Crimson agora se tratava de um trio com uma fusão entre os músicos que era absolutamente perfeita, sem contar que eles também tiveram a colaboração de muitos dos ex membros da banda. 

A maravilhosa viagem proposta por este disco começa através da faixa homônima. Totalmente instrumental, começa com a guitarra de Fripp em primeiro plano de maneira estridente. Trata-se de uma daquelas músicas que começam e terminam com uma enorme energia. A guitarra segue sempre em uma espécie de verso e refrão, possui uma atmosfera, assustadora e de mistério mais no meio, as linhas de baixo são sensacionais e a bateria de Bruford é tocada com precisão cirúrgica. De certa forma está faixa é inclusive simples, mas mesmo assim, muito progressiva e maravilhosamente boa de ouvir. 

“Fallen Angel” faz com que o álbum tenha uma mudança total de ritmo, dando a ele um ar bem mais leve e bonito. Wetton como sempre presenteia o ouvinte com um desempenho vocal maravilhoso, com destaque para o refrão que é bastante emotivo. Alguns trabalhos de saxofone engrandecem a música. No meio a serenidade corriqueira dá lugar a uma parte mais explosiva antes de depois retornar a linha serena inicial, porém, novamente guitarra, baixo, bateria e saxofone se juntam para criarem uma atmosfera enérgica e que agora vai ficar até o fim da música. 

“One More Red Nightmare” de cara já mostra um trabalho de bateria sensacional de Bill Bruford e que vai permanecer por toda a música. Possui uma aura jazzística onde o uso de saxofone faz com que isso seja ainda mais evidenciado. Fripp faz um trabalho de guitarra magnifico enquanto Wetton e Bruford criam uma seção rítmica quase groove. Traz no seu final um solo de saxofone incrível. 

“Providence” é uma música que eu devo admitir que eu não consegui digeri inicialmente, não consegui entender do que se tratava. Com o tempo pude perceber que se tratava de uma composição dodecafônica, foi cada vez ficando mais do meu agrado. Diferente das demais, ela não é um tipo de musica que foi pensada, mas sim, trata-se de uma improvisação. Possui alguns congestionamentos cheios de ruídos experimentais por parte de todos os instrumentistas, uma atmosfera às vezes perturbadora, enfim, uma música verdadeiramente assustadora. 

“Starless” é um tipo de música que sinceramente eu não sei exatamente como definir ou descrever a sua perfeição. Robert Fripp utiliza o mellotron de maneira absolutamente impressionante. Os vocais de Wetton certamente estão entre um dos melhores de sua carreira. A música toda não é do tipo em que apesar de ter uma emoção intensa, ela vai chegando somente aos poucos, aqui realmente o coração do ouvinte é tocado de maneira instantânea. Fripp faz solo de guitarra com apenas uma nota sem deixar de ser genial. Bruford na bateria toca de maneira não menos que perfeita. Mas não é apenas os três músicos da banda que merecem elogios, todos os convidados tem participação crucial para que esta faixa chegasse ao resultado de uma das maiores obras-primas da história do rock progressivo, sendo Mel Collins  no saxofone soprano e Ian McDonald no saxofone alto muito importantes também. Se tudo até o momento estava sendo extremamente belo, “Starless” conseguiu transcender isso, fazendo com que eu não conseguisse achar adjetivos que a definisse como merece. 

Que o King Crimson passou por muitas mudanças é algo que todos estão carecas de saber, mas o trio Fripp, Bruford e Wetton sem sombra de dúvidas foi à formação mais unificada e inovadora. Fripp parecia estar em uma de suas melhores fases em tocar e compor, Bill Bruford estava focado em crescer ainda mais como baterista começando até um curso e John Wetton estava destruindo tudo no baixo. Com os músicos em momentos tão bons assim, certamente que Red não deixaria de ser um dos maiores (para mim o maior) feitos da banda. 

Músicos em excelente fase criando um dos maiores feitos da banda
5
28/04/2018

Primeiramente eu respiro fundo, passo as duas mãos no rosto e por último me pergunto: O que eu posso falar de um álbum como este?

Red é uma das maiores obras-primas da história do rock progressivo. Trata-se de um trabalho bastante consistente, de musicalidade ótima, Fripp novamente toca guitarra de uma maneira única, Bruford como sempre usa sua bateria de uma maneira tecnicamente perfeita e Wetton com seu baixo pesado e sólido completa tudo. Os arranjos em si não bastante simples, mas por outro lado também são muito surpreendentes, as harmonias são maravilhosas, além de mostrar ótimas linhas melódicas que fazem deste disco um item não menos que obrigatório em qualquer coleção de rock progressivo que se preze.  Sem dúvida alguma, um disco essencial da primeira encarnação da banda.

A banda nunca havia lançado um disco relativamente sombrio igual Red. O King Crimson agora se tratava de um trio com uma fusão entre os músicos que era absolutamente perfeita, sem contar que eles também tiveram a colaboração de muitos dos ex membros da banda. 

A maravilhosa viagem proposta por este disco começa através da faixa homônima. Totalmente instrumental, começa com a guitarra de Fripp em primeiro plano de maneira estridente. Trata-se de uma daquelas músicas que começam e terminam com uma enorme energia. A guitarra segue sempre em uma espécie de verso e refrão, possui uma atmosfera, assustadora e de mistério mais no meio, as linhas de baixo são sensacionais e a bateria de Bruford é tocada com precisão cirúrgica. De certa forma está faixa é inclusive simples, mas mesmo assim, muito progressiva e maravilhosamente boa de ouvir. 

“Fallen Angel” faz com que o álbum tenha uma mudança total de ritmo, dando a ele um ar bem mais leve e bonito. Wetton como sempre presenteia o ouvinte com um desempenho vocal maravilhoso, com destaque para o refrão que é bastante emotivo. Alguns trabalhos de saxofone engrandecem a música. No meio a serenidade corriqueira dá lugar a uma parte mais explosiva antes de depois retornar a linha serena inicial, porém, novamente guitarra, baixo, bateria e saxofone se juntam para criarem uma atmosfera enérgica e que agora vai ficar até o fim da música. 

“One More Red Nightmare” de cara já mostra um trabalho de bateria sensacional de Bill Bruford e que vai permanecer por toda a música. Possui uma aura jazzística onde o uso de saxofone faz com que isso seja ainda mais evidenciado. Fripp faz um trabalho de guitarra magnifico enquanto Wetton e Bruford criam uma seção rítmica quase groove. Traz no seu final um solo de saxofone incrível. 

“Providence” é uma música que eu devo admitir que eu não consegui digeri inicialmente, não consegui entender do que se tratava. Com o tempo pude perceber que se tratava de uma composição dodecafônica, foi cada vez ficando mais do meu agrado. Diferente das demais, ela não é um tipo de musica que foi pensada, mas sim, trata-se de uma improvisação. Possui alguns congestionamentos cheios de ruídos experimentais por parte de todos os instrumentistas, uma atmosfera às vezes perturbadora, enfim, uma música verdadeiramente assustadora. 

“Starless” é um tipo de música que sinceramente eu não sei exatamente como definir ou descrever a sua perfeição. Robert Fripp utiliza o mellotron de maneira absolutamente impressionante. Os vocais de Wetton certamente estão entre um dos melhores de sua carreira. A música toda não é do tipo em que apesar de ter uma emoção intensa, ela vai chegando somente aos poucos, aqui realmente o coração do ouvinte é tocado de maneira instantânea. Fripp faz solo de guitarra com apenas uma nota sem deixar de ser genial. Bruford na bateria toca de maneira não menos que perfeita. Mas não é apenas os três músicos da banda que merecem elogios, todos os convidados tem participação crucial para que esta faixa chegasse ao resultado de uma das maiores obras-primas da história do rock progressivo, sendo Mel Collins  no saxofone soprano e Ian McDonald no saxofone alto muito importantes também. Se tudo até o momento estava sendo extremamente belo, “Starless” conseguiu transcender isso, fazendo com que eu não conseguisse achar adjetivos que a definisse como merece. 

Que o King Crimson passou por muitas mudanças é algo que todos estão carecas de saber, mas o trio Fripp, Bruford e Wetton sem sombra de dúvidas foi à formação mais unificada e inovadora. Fripp parecia estar em uma de suas melhores fases em tocar e compor, Bill Bruford estava focado em crescer ainda mais como baterista começando até um curso e John Wetton estava destruindo tudo no baixo. Com os músicos em momentos tão bons assim, certamente que Red não deixaria de ser um dos maiores (para mim o maior) feitos da banda. 

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