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Resenha: Dire Straits - Alchemy: Dire Straits Live (1984)

Por: Tiago Meneses

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A banda em uma noite memorável
5
27/04/2018

Alchemy é o primeiro álbum oficial ao vivo da banda britânica Dire Straits, liderada pelo guitarrista e vocalista Mark Knopfler, o show foi gravado durante a Lover Over Gold Tour e apresentou um excelente setlist, tendo muitas vezes, músicas com versões que continham um teor de improvisações na medida certa e acabavam por deixar o trabalho final com uma cara muitas vezes ainda melhor.

Após a entrada do grupo e um simples “soar dos tambores” a banda é anunciada. Alchemy tem seu início através de “Once Upon a Time in the West”, faixa do segundo álbum da banda Communiqué, um início tímido de show, mas já ilustrando muito bem a proposta da banda, com uma duração que dobrava o seu tamanho original, a faixa começa com uma simples e curta atmosfera sonora criada pelo teclado de Alan Clark, o mesmo em seguida vem a receber a companhia das primeiras notas de Mark Knopfler que fazem uma espécie de ponte pra entrada do resto do grupo, “Once Upon a Time in the West” se apresenta de uma forma que parece um pouco mais rápida, Mark tocando de forma soberba, logo de cara nos faz ter a ideia que veremos um incrível espetáculo, o fato do tamanho das músicas estarem muitas vezes maiores, se devem muito a Mark e seus solos. 

O segundo passo da caminhada é dado em “Expresso Love”, faixa do álbum Making Moves, terceiro do grupo. Ao contrário do que aconteceu na introdução do show, aqui a banda optou por tentar manter-se mais fiel com a versão original de estúdio da faixa, "Expresso Love" é um pop rock bastante alegre, dançante e muito bem cadenciado, características marcantes na carreira da banda.

Chega a terceira faixa, considero essa uma das minhas baladas preferidas do grupo, “Romeo and Juliet”, faixa que também vem do Making Moves, tem início através do já conhecido violão expressando a serenata tocada por Romeo na música, ao fundo a banda se mantém apenas tímida fazendo uma cama de arranjo bem simples, porém lindos que só é interrompido nos refrãos da faixa, parte em que a música ganha mais força instrumental. 

Chegada à hora de “Lover Over Gold”, música do álbum homônimo, entrar em cena, confesso que embora goste bastante dessa versão, essa foi a única que não superou a de estúdio, mas ainda assim é muito bonita, cantada e tocada de forma bastante expressiva, o violão tem uma certa influência no estilo espanhol, destaques pro piano da faixa, e claro, pra mais um excelente solo de Mark.

A próxima faixa é mais uma do álbum Love Over Gold, trata-se de “Private Investigations”, outra que figura entre as minhas preferidas da banda. Novamente uma faixa em que a influência da música espanhola é nítida, “Private Investigations” tem um arranjo bastante triste e misterioso tanto por parte do violão quanto por parte do piano, instrumentos esses que mais uma vez são os carros chefe da música. Mais do que cantada, a música pode ser vista muito mais sobre a ótica de um declame. Alem disso conta com um final muito belo que se inicia com uma simples marcação 4/4 do baixo e umas variações do violão até que se inicia uma guitarra distorcida, dando início ao momento de mais tensão da música com a entrada de todos os instrumentos por alguns segundos, sendo rapidamente silenciado, o processo se repete mais uma vez e a faixa chega ao seu fim. Teria mais a falar sobre ela, mas deixa isso pra quando eu fizer a resenha do disco que a contém. 

A primeira parte do show tem o fim com uma música que dispensa qualquer tipo de comentário, creio que todos conhecem a faixa destaque do primeiro disco autointitulado, “Sultans of Swing”, que aqui se apresenta na que considero a melhor versão que ouvi até hoje, com um solo mais longo através uma bela improvisação, “Sultans of Swing” foi tocada de forma extremamente empolgante por todos os músicos, mas com um destaque pra Terry Williams que se soltou de forma incrível na bateria, quanto ao solo de Mark nessa faixa, falar dele é mais ou menos como chover no molhado. 

A segunda metade do show começa bem animada, “Two Young Lovers” e que não é de nenhum álbum de estúdio, da às caras com sua levada extremamente dançante tendo como base principal um piano envolvente, sem contar o sax que também segue a mesma linha, Mark em “Two Young Lovers” é “apenas” o intérprete, não soltando nenhum de seus solos na música, mas ainda assim, uma faixa que é bem característica da banda.

Na sequência de Alchemy, é a hora e a vez da maravilhosa "Tunnel Of Love", em suas versões ao vivo, o que a deixava bem maior era o fato que na sua introdução a banda tocava “Carousel Waltz”, música de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein composta pra um musical da Broadway chamado Carousel, para depois a iniciar de fato. “Tunnel of Love”, que inclusive é considerada por Knopfler, sua faixa preferida da banda, começa com um bonito órgão que me faz vir em mente uma ideia circense, logo é substituído por um piano que faz a introdução até chegar em uma parte mais rock ‘n’ roll da banda que segue por toda a música. Destaque também pra sua bela passagem instrumental final, iniciado com pequenas frases de guitarra Mark vai preparando o terreno até que a banda volta com força total enquanto ele executa aquele que é considerado um dos mais bonitos solos de sua carreira (onde ele mesmo tem este como preferido), por fim, ainda tem espaço pra um exímio solo de piano feito com muita propriedade por Alan Clark, pra que aí sim, chegue ao fim um dos grandes momentos da noite.

Após a faixa preferida de quem estava no palco, agora é a hora da faixa preferida deste que escreve a resenha, “Telegraph Road” não é apenas a minha faixa favorita entre o setlist do show, mas a minha maior paixão entre todas as músicas da banda. Tem seu início através de uma espécie de assobio, logo entra Mark e seu violão sobre uma atmosfera sonora bem simples proporcionada pelo teclado, aos poucos toda a banda vai se posicionando e a faixa vai ganhando mais corpo e assim vai se desenvolvendo, variando entre passagens mais enérgicas e momentos de calmaria sempre regada a ótimos solos de guitarra e pianos que em alguns momentos lembram a música clássica. Novamente é uma faixa que tem como um dos destaques, a sua passagem final, onde palmas acompanham a marcação de 4/4 da bateria, Mark vai criando na guitarra algumas simples frases até que os ânimos de todos os instrumentos vão aumentando, a banda agora entra com força total e assim permanece até o fim da faixa, tudo sob um solo de guitarra magnífico e totalmente inspirado que segue até que “Telegraph Road” chega ao seu fim.

O posto de penúltima faixa do álbum fica por conta de "Solid Rock", uma canção bem animada, com um ótimo solo, além de uma inclusão de Sax muito boa, é uma música bastante “redonda” e que se manteve assim no show, sem improvisação e executada de forma bem competente.

O fim do show é com uma música que foi carta marcada em muitos concertos do grupo e ainda hoje finaliza muitos dos shows de Mark Knopfler, “Going Home: Theme of the Local Hero” é totalmente instrumental, com início apenas com Mark e Clark, a sonoridade é uma linda linha de violão sobre um arranjo bastante melancólico de teclado, mas que logo tem a companhia do resto do grupo além de mais uma vez a inclusão de um Sax. Por fim, Mark faz o seu último solo de guitarra da noite. Um belo final de música para um belo show.

Certamente uma noite memorável, a banda já consagrada como uma das grandes do mundo. Alchemy serviu pra confirma esta ótima fase em que se encontravam. Detalhe,  já eram tudo isso e eles ainda não haviam lançado alguns dos seus maiores sucessos. 

A banda em uma noite memorável
5
27/04/2018

Alchemy é o primeiro álbum oficial ao vivo da banda britânica Dire Straits, liderada pelo guitarrista e vocalista Mark Knopfler, o show foi gravado durante a Lover Over Gold Tour e apresentou um excelente setlist, tendo muitas vezes, músicas com versões que continham um teor de improvisações na medida certa e acabavam por deixar o trabalho final com uma cara muitas vezes ainda melhor.

Após a entrada do grupo e um simples “soar dos tambores” a banda é anunciada. Alchemy tem seu início através de “Once Upon a Time in the West”, faixa do segundo álbum da banda Communiqué, um início tímido de show, mas já ilustrando muito bem a proposta da banda, com uma duração que dobrava o seu tamanho original, a faixa começa com uma simples e curta atmosfera sonora criada pelo teclado de Alan Clark, o mesmo em seguida vem a receber a companhia das primeiras notas de Mark Knopfler que fazem uma espécie de ponte pra entrada do resto do grupo, “Once Upon a Time in the West” se apresenta de uma forma que parece um pouco mais rápida, Mark tocando de forma soberba, logo de cara nos faz ter a ideia que veremos um incrível espetáculo, o fato do tamanho das músicas estarem muitas vezes maiores, se devem muito a Mark e seus solos. 

O segundo passo da caminhada é dado em “Expresso Love”, faixa do álbum Making Moves, terceiro do grupo. Ao contrário do que aconteceu na introdução do show, aqui a banda optou por tentar manter-se mais fiel com a versão original de estúdio da faixa, "Expresso Love" é um pop rock bastante alegre, dançante e muito bem cadenciado, características marcantes na carreira da banda.

Chega a terceira faixa, considero essa uma das minhas baladas preferidas do grupo, “Romeo and Juliet”, faixa que também vem do Making Moves, tem início através do já conhecido violão expressando a serenata tocada por Romeo na música, ao fundo a banda se mantém apenas tímida fazendo uma cama de arranjo bem simples, porém lindos que só é interrompido nos refrãos da faixa, parte em que a música ganha mais força instrumental. 

Chegada à hora de “Lover Over Gold”, música do álbum homônimo, entrar em cena, confesso que embora goste bastante dessa versão, essa foi a única que não superou a de estúdio, mas ainda assim é muito bonita, cantada e tocada de forma bastante expressiva, o violão tem uma certa influência no estilo espanhol, destaques pro piano da faixa, e claro, pra mais um excelente solo de Mark.

A próxima faixa é mais uma do álbum Love Over Gold, trata-se de “Private Investigations”, outra que figura entre as minhas preferidas da banda. Novamente uma faixa em que a influência da música espanhola é nítida, “Private Investigations” tem um arranjo bastante triste e misterioso tanto por parte do violão quanto por parte do piano, instrumentos esses que mais uma vez são os carros chefe da música. Mais do que cantada, a música pode ser vista muito mais sobre a ótica de um declame. Alem disso conta com um final muito belo que se inicia com uma simples marcação 4/4 do baixo e umas variações do violão até que se inicia uma guitarra distorcida, dando início ao momento de mais tensão da música com a entrada de todos os instrumentos por alguns segundos, sendo rapidamente silenciado, o processo se repete mais uma vez e a faixa chega ao seu fim. Teria mais a falar sobre ela, mas deixa isso pra quando eu fizer a resenha do disco que a contém. 

A primeira parte do show tem o fim com uma música que dispensa qualquer tipo de comentário, creio que todos conhecem a faixa destaque do primeiro disco autointitulado, “Sultans of Swing”, que aqui se apresenta na que considero a melhor versão que ouvi até hoje, com um solo mais longo através uma bela improvisação, “Sultans of Swing” foi tocada de forma extremamente empolgante por todos os músicos, mas com um destaque pra Terry Williams que se soltou de forma incrível na bateria, quanto ao solo de Mark nessa faixa, falar dele é mais ou menos como chover no molhado. 

A segunda metade do show começa bem animada, “Two Young Lovers” e que não é de nenhum álbum de estúdio, da às caras com sua levada extremamente dançante tendo como base principal um piano envolvente, sem contar o sax que também segue a mesma linha, Mark em “Two Young Lovers” é “apenas” o intérprete, não soltando nenhum de seus solos na música, mas ainda assim, uma faixa que é bem característica da banda.

Na sequência de Alchemy, é a hora e a vez da maravilhosa "Tunnel Of Love", em suas versões ao vivo, o que a deixava bem maior era o fato que na sua introdução a banda tocava “Carousel Waltz”, música de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein composta pra um musical da Broadway chamado Carousel, para depois a iniciar de fato. “Tunnel of Love”, que inclusive é considerada por Knopfler, sua faixa preferida da banda, começa com um bonito órgão que me faz vir em mente uma ideia circense, logo é substituído por um piano que faz a introdução até chegar em uma parte mais rock ‘n’ roll da banda que segue por toda a música. Destaque também pra sua bela passagem instrumental final, iniciado com pequenas frases de guitarra Mark vai preparando o terreno até que a banda volta com força total enquanto ele executa aquele que é considerado um dos mais bonitos solos de sua carreira (onde ele mesmo tem este como preferido), por fim, ainda tem espaço pra um exímio solo de piano feito com muita propriedade por Alan Clark, pra que aí sim, chegue ao fim um dos grandes momentos da noite.

Após a faixa preferida de quem estava no palco, agora é a hora da faixa preferida deste que escreve a resenha, “Telegraph Road” não é apenas a minha faixa favorita entre o setlist do show, mas a minha maior paixão entre todas as músicas da banda. Tem seu início através de uma espécie de assobio, logo entra Mark e seu violão sobre uma atmosfera sonora bem simples proporcionada pelo teclado, aos poucos toda a banda vai se posicionando e a faixa vai ganhando mais corpo e assim vai se desenvolvendo, variando entre passagens mais enérgicas e momentos de calmaria sempre regada a ótimos solos de guitarra e pianos que em alguns momentos lembram a música clássica. Novamente é uma faixa que tem como um dos destaques, a sua passagem final, onde palmas acompanham a marcação de 4/4 da bateria, Mark vai criando na guitarra algumas simples frases até que os ânimos de todos os instrumentos vão aumentando, a banda agora entra com força total e assim permanece até o fim da faixa, tudo sob um solo de guitarra magnífico e totalmente inspirado que segue até que “Telegraph Road” chega ao seu fim.

O posto de penúltima faixa do álbum fica por conta de "Solid Rock", uma canção bem animada, com um ótimo solo, além de uma inclusão de Sax muito boa, é uma música bastante “redonda” e que se manteve assim no show, sem improvisação e executada de forma bem competente.

O fim do show é com uma música que foi carta marcada em muitos concertos do grupo e ainda hoje finaliza muitos dos shows de Mark Knopfler, “Going Home: Theme of the Local Hero” é totalmente instrumental, com início apenas com Mark e Clark, a sonoridade é uma linda linha de violão sobre um arranjo bastante melancólico de teclado, mas que logo tem a companhia do resto do grupo além de mais uma vez a inclusão de um Sax. Por fim, Mark faz o seu último solo de guitarra da noite. Um belo final de música para um belo show.

Certamente uma noite memorável, a banda já consagrada como uma das grandes do mundo. Alchemy serviu pra confirma esta ótima fase em que se encontravam. Detalhe,  já eram tudo isso e eles ainda não haviam lançado alguns dos seus maiores sucessos. 

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