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Resenha: Acqua Fragile - Acqua Fragile (1973)

Por: Tiago Meneses

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Italiano só os músicos, no mais, uma cópia mal feita da escola prog inglesa
2
26/04/2018

Baseado no que já postei por aqui no site em relação ao rock progressivo italiano, não é difícil de perceber a minha paixão pela música feita naquele país. Sempre que vou ouvir algo vindo da terra da bota já o faço com um sorriso no rosto e o coração em compassos animados por antecipação pelo que está por vir. Mas infelizmente, às vezes a gente pode se desapontar e foi exatamente o que me aconteceu ao escutar este disco autointitulado da Acqua Fragile. Em muitos momentos não se nota apenas uma influência, mas uma verdadeira emulação de sonoridades ouvida em bandas como Genesis, Gentle Giant e etc. Bernardo Lanzetti (que também chegaria a emprestar sua voz para a Premiata Forneria Marconi) usa de um vibrato alto que o deixa com a voz de Peter Gabriel misturado com Roger Chapman, mas no fim sem o brilho de nenhum dos dois. Pra vocês verem que muito antes das bandas de neo progressivo incomodarem fãs mais ortodoxos do estilo com esse tipo de semelhança, em 1973 já existia coisas do tipo. 

Devo confessar que quando comecei a ouvir este disco pela primeira vez, de fato ele inicialmente me chamou atenção, tudo estava soando bastante agradável e cativante, me fazendo lembrar do Genesis nos seus melhores momentos (que acontecia naquela mesma época), mas infelizmente as coisas começaram e me soar como um déjà vu, mas não do tipo que me fazia apenas ter a impressão de ter escutado algo parecido antes, neste caso eu tinha a total certeza da cópia que eu ouvia. Deixei de ouvir simples influências pra perceber verdadeiras cópias, seja em passagens instrumentais quanto nos vocais. Provavelmente a ascendência que os grupos ingleses teve sobre músicos italianos foi tão forte que alguns (como os da Acqua Fragile) simplesmente não conseguiram se espelhar e ao mesmo tempo criar sua própria identidade. Outro fator que me decepcionou muito foi em relação à ideia da banda em cantar em inglês, deixando de lado a sua língua nativa mesmo ela sendo bastante rica, seguindo em um caminho contrário a outras grandes bandas tão representativas e que se tornaram lendas do progressivo italiano como Premiata Forneria Marconi, Banco Del Mutuo Soccorso e Le Orme. Cantando em sua própria língua, não acredito que se tornariam grandes como as citadas acima, por exemplo, mas teria ao menos a chance de demonstrar um pouco mais de originalidade e possuir uma identidade mais forte. 

Quando olhamos para as letras apresentadas, nem mesmo elas refletem algo de dentro da extensa cultura italiana, algum personagem, algum acontecimento, enfim, nadinha. O inglês de Bernardo não é nenhum pouco bom, soa meio falso (pra não dizer horrível), fazendo com que nunca pareça estar agindo naturalmente.  As letras do disco são ruins, assim como suas frases. Já que queriam criar um disco em inglês, creio que com outra pessoa nos vocais o resultado poderia ser melhor. “Morning Comes” começa até bem, mas cai em muitos dos problemas já citados e existentes no disco, se tornando um tanto ingênua e amadora. “Comic Strips” tem grande (até demais) inspiração em Gentle Giant, mas com resultado bastante ruim e nem de perto com a mesma qualidade da banda que os espelharam. Eu diria que “Song From A Picture” e “Going Out” podem ser consideradas o destaque e soaria melhor ainda se não fosse o trabalho falho de Lanzetti (sim, acho que já deu pra perceber que eu não consigo gostar dele). As outras três músicas do disco são do tipo que saem de qualquer lugar com direção a lugar nenhum, enfim, apenas preenchem o álbum. 

Mas apesar disco tudo, não digo que todo o disco é dispensável, pois ainda se pode encontrar um bom trabalho de baixo por parte Franz Dondi, além das ideias de guitarra que tiveram algumas ótimas colaborações e fazem com que o disco aumente um pouco a sua qualidade (MUITO pouco). Mas no geral, qualquer coleção de rock progressivo italiana estará completa mesmo se não tiver este disco, mesmo porque de italiano ele só tem mesmo a nacionalidade dos integrantes. Tinha um bom tempo que eu não escutava este álbum, o fiz agora duas vezes seguidas pra fazer esta resenha. Resenha feita, ele vai voltar pra gaveta onde voltará a ficar esquecido por muitos anos.

Italiano só os músicos, no mais, uma cópia mal feita da escola prog inglesa
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26/04/2018

Baseado no que já postei por aqui no site em relação ao rock progressivo italiano, não é difícil de perceber a minha paixão pela música feita naquele país. Sempre que vou ouvir algo vindo da terra da bota já o faço com um sorriso no rosto e o coração em compassos animados por antecipação pelo que está por vir. Mas infelizmente, às vezes a gente pode se desapontar e foi exatamente o que me aconteceu ao escutar este disco autointitulado da Acqua Fragile. Em muitos momentos não se nota apenas uma influência, mas uma verdadeira emulação de sonoridades ouvida em bandas como Genesis, Gentle Giant e etc. Bernardo Lanzetti (que também chegaria a emprestar sua voz para a Premiata Forneria Marconi) usa de um vibrato alto que o deixa com a voz de Peter Gabriel misturado com Roger Chapman, mas no fim sem o brilho de nenhum dos dois. Pra vocês verem que muito antes das bandas de neo progressivo incomodarem fãs mais ortodoxos do estilo com esse tipo de semelhança, em 1973 já existia coisas do tipo. 

Devo confessar que quando comecei a ouvir este disco pela primeira vez, de fato ele inicialmente me chamou atenção, tudo estava soando bastante agradável e cativante, me fazendo lembrar do Genesis nos seus melhores momentos (que acontecia naquela mesma época), mas infelizmente as coisas começaram e me soar como um déjà vu, mas não do tipo que me fazia apenas ter a impressão de ter escutado algo parecido antes, neste caso eu tinha a total certeza da cópia que eu ouvia. Deixei de ouvir simples influências pra perceber verdadeiras cópias, seja em passagens instrumentais quanto nos vocais. Provavelmente a ascendência que os grupos ingleses teve sobre músicos italianos foi tão forte que alguns (como os da Acqua Fragile) simplesmente não conseguiram se espelhar e ao mesmo tempo criar sua própria identidade. Outro fator que me decepcionou muito foi em relação à ideia da banda em cantar em inglês, deixando de lado a sua língua nativa mesmo ela sendo bastante rica, seguindo em um caminho contrário a outras grandes bandas tão representativas e que se tornaram lendas do progressivo italiano como Premiata Forneria Marconi, Banco Del Mutuo Soccorso e Le Orme. Cantando em sua própria língua, não acredito que se tornariam grandes como as citadas acima, por exemplo, mas teria ao menos a chance de demonstrar um pouco mais de originalidade e possuir uma identidade mais forte. 

Quando olhamos para as letras apresentadas, nem mesmo elas refletem algo de dentro da extensa cultura italiana, algum personagem, algum acontecimento, enfim, nadinha. O inglês de Bernardo não é nenhum pouco bom, soa meio falso (pra não dizer horrível), fazendo com que nunca pareça estar agindo naturalmente.  As letras do disco são ruins, assim como suas frases. Já que queriam criar um disco em inglês, creio que com outra pessoa nos vocais o resultado poderia ser melhor. “Morning Comes” começa até bem, mas cai em muitos dos problemas já citados e existentes no disco, se tornando um tanto ingênua e amadora. “Comic Strips” tem grande (até demais) inspiração em Gentle Giant, mas com resultado bastante ruim e nem de perto com a mesma qualidade da banda que os espelharam. Eu diria que “Song From A Picture” e “Going Out” podem ser consideradas o destaque e soaria melhor ainda se não fosse o trabalho falho de Lanzetti (sim, acho que já deu pra perceber que eu não consigo gostar dele). As outras três músicas do disco são do tipo que saem de qualquer lugar com direção a lugar nenhum, enfim, apenas preenchem o álbum. 

Mas apesar disco tudo, não digo que todo o disco é dispensável, pois ainda se pode encontrar um bom trabalho de baixo por parte Franz Dondi, além das ideias de guitarra que tiveram algumas ótimas colaborações e fazem com que o disco aumente um pouco a sua qualidade (MUITO pouco). Mas no geral, qualquer coleção de rock progressivo italiana estará completa mesmo se não tiver este disco, mesmo porque de italiano ele só tem mesmo a nacionalidade dos integrantes. Tinha um bom tempo que eu não escutava este álbum, o fiz agora duas vezes seguidas pra fazer esta resenha. Resenha feita, ele vai voltar pra gaveta onde voltará a ficar esquecido por muitos anos.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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