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Resenha: Iron Maiden - Piece Of Mind (1983)

Por: Tiago Meneses

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Cada passo parece ser bem pensado, porém, um disco previsível e sem surpresas
3
25/04/2018

Seus três lançamentos anteriores já haviam dado ao Iron Maiden o título de um dos líderes do movimento NWOBHM. O primeiro passo para uma nova abordagem na música da banda se deu com a adição de Bruce Dickinson nos vocais, fato que substituiu os (também ótimos) rosnados punks de Di'Anno e trouxe uma linha mais técnica, polida e que subia facilmente sobre os trabalhos instrumentais estrondosos. Mas em Piece of Mind é que a banda mostra ao mundo a conclusão de sua formação clássica, Nicko McBrain agora é o novo baterista. Através do seu kit inventivo, porém simples, conseguiria completar de maneira incrível as linhas de baixo nervosas de Steve Harris como nenhum baterista anterior pudesse fazer. 

Sei que falar de Iron Maiden nunca é fácil, principalmente se em meio à opinião estiver algo que vai num desacordo com a maioria, mas Piece of Mind apesar de ser novamente um disco de músicas sólidas de metal, não parece existir uma grande progressão, a banda parece tímida e não querendo se aventurar (como ocorreu no disco anterior, The Number of the Beast). Em resumo, soa como se a banda estivesse lançado um monte de músicas do mesmo estilo, e com isso, apesar de ter como resultado um bom álbum, não é essencial como outros trabalhos do grupo. 

A faixa de abertura é “Where Eagles Dare” e Nicko McBrain já anuncia logo nos primeiros segundos que ele é o novo baterista, continuando com um grande desempenho durante toda a música. Bruce canta extremamente bem e o riff principalmente do meio da música costuma agarrar o ouvinte sem deixar que ele vá embora. 

“Revelations” começa lentamente, mas sempre com alguns riffs de guitarra pincelando sua estrutura melódica. Então que antes mesmo dos dois minutos ganha um ataque instrumental com mais energia, mas logo volta pra seção melódica do começo, isto chega a se repetir novamente, mas desta vez o momento mais enérgico é mais duradouro com direito a solo de guitarra. Bruce novamente apresenta mais um grande desempenho em sua voz poderosa. Às vezes sinto falta de alguns ganchos nessa música, de qualquer forma é uma boa criação. 

“Flight of Icarus” foi um dos singles do álbum na época. Possui um refrão bastante interessante e sempre imagino estádios lotados cantando junto. Steve Harris faz um trabalho de baixo que é o destaque da música. No mais os demais instrumentos são apenas ok, guitarra base ou solo, bateria, tudo não chega a cativar. Mesmo que eu não a ache uma música ruim, muito pelo contrário, ela é boa, a considero um pouco superestimada (apesar de não gostar de usar esse tipo de palavra, foi a que me veio em mente agora)

“Die With Your Boots On” é uma música que começa prometendo ser um dos destaques do álbum trazendo uma boa energia e riffs legais. A profecia até se cumpre, pena que no sentido negativo de destaque. O refrão da música é muito chato, a empolgação inicial fica rapidamente morna e sequer uma boa passagem instrumental (exceto um solo feijão com arroz e sem muita inspiração) aparece para salvar o pior momento do disco. 

Confesso que já enjoei um pouco de “The Tropper”, mas isso não pode ser utilizado pra falar dela aqui, tenho que esquecer isso. O riff principal e a melodia da música são de fato espetaculares, e nos shows da banda é um dos momentos mais empolgantes. O que posso dizer aqui é que sinto um pouco de falta de um refrão na música, já que não tem (a não ser os Ooh, ooh, ooh...mas me refiro a refrão com palavras mesmo). De qualquer forma um hino memorável e de execução impecável. Momento mais inspirado do álbum. 

“Still Life” tem um começo atmosférico bem interessante com uma conversar entre todos os instrumentos de corda e alguns tímidos pratos de fundo, Bruce então decide se juntar ao “diálogo”, sendo a estrela do “debate”. A música então ganha mais força com os riffs de guitarra repetindo a serenidade do início, mas agora com mais peso, a bateria e baixo fazem uma boa cozinha. Apesar de parecer com aquelas músicas que não chegam a lugar algum, consegue ser ao menos agradável. 

“Quest for Fire” tem um começo um tanto decepcionante ou mesmo broxante, explico, os instrumentos todos tocados ao mesmo tempo parece preparar o ouvinte pra uma canção nervosa, selvagem e veloz, mas de repente a cadência fica média, Bruce canta uns falsetes que soam estranhos e não parecem lhe cair bem. No final das contas é uma música até boa, mas que não possui nenhum tipo de característica marcante ou interessante. 

“Sun and Steel” tem um começo bastante enérgico, mas sem muita originalidade fazendo parecer que já ouvi isso em alguns lugares. O refrão eu acho bastante fraco (pra não dizer que é brega). Mas dentro de tudo o que o álbum apresentou ela preenche bem, além de possuir um bom solo de guitarra que consegue elevar um pouco mais sua qualidade. 

“To Tame a Land” é a faixa que fecha o disco. Tem um começo calmo que inicialmente me faz lembrar “Hallowed Be Thy Name”. Se isso era pra ser um final épico, com todo o respeito, este é o mais insensato da carreira da banda. A introdução da música embora seja eficaz, rapidamente se dissolve em um riff com influência meio árabe e sem muita imaginação. Bastante arrastada, tem um interlúdio no meio antes de um solo de guitarra que não consegue colocar energia na música que estava carente disto. 

Infelizmente após um dos seus maiores clássicos que é The Number of the Beast, a banda teve que regredir um pouco antes de voltar a pegar voos mais altos. Piece Of Mind no final das contas é um bom disco, onde cada passo dele parece ser bem pensado, porém, extremamente previsível. Para os mais fieis fãs da banda é um disco que agrada do começo ao fim, problema é quando outra pessoa fora dessa bolha o pega pra ouvi-lo. Considero um disco acima da média, ou melhor dizendo e como está aqui no site, acima da categoria mediano, ou seja, bom e nada mais. 

Cada passo parece ser bem pensado, porém, um disco previsível e sem surpresas
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25/04/2018

Seus três lançamentos anteriores já haviam dado ao Iron Maiden o título de um dos líderes do movimento NWOBHM. O primeiro passo para uma nova abordagem na música da banda se deu com a adição de Bruce Dickinson nos vocais, fato que substituiu os (também ótimos) rosnados punks de Di'Anno e trouxe uma linha mais técnica, polida e que subia facilmente sobre os trabalhos instrumentais estrondosos. Mas em Piece of Mind é que a banda mostra ao mundo a conclusão de sua formação clássica, Nicko McBrain agora é o novo baterista. Através do seu kit inventivo, porém simples, conseguiria completar de maneira incrível as linhas de baixo nervosas de Steve Harris como nenhum baterista anterior pudesse fazer. 

Sei que falar de Iron Maiden nunca é fácil, principalmente se em meio à opinião estiver algo que vai num desacordo com a maioria, mas Piece of Mind apesar de ser novamente um disco de músicas sólidas de metal, não parece existir uma grande progressão, a banda parece tímida e não querendo se aventurar (como ocorreu no disco anterior, The Number of the Beast). Em resumo, soa como se a banda estivesse lançado um monte de músicas do mesmo estilo, e com isso, apesar de ter como resultado um bom álbum, não é essencial como outros trabalhos do grupo. 

A faixa de abertura é “Where Eagles Dare” e Nicko McBrain já anuncia logo nos primeiros segundos que ele é o novo baterista, continuando com um grande desempenho durante toda a música. Bruce canta extremamente bem e o riff principalmente do meio da música costuma agarrar o ouvinte sem deixar que ele vá embora. 

“Revelations” começa lentamente, mas sempre com alguns riffs de guitarra pincelando sua estrutura melódica. Então que antes mesmo dos dois minutos ganha um ataque instrumental com mais energia, mas logo volta pra seção melódica do começo, isto chega a se repetir novamente, mas desta vez o momento mais enérgico é mais duradouro com direito a solo de guitarra. Bruce novamente apresenta mais um grande desempenho em sua voz poderosa. Às vezes sinto falta de alguns ganchos nessa música, de qualquer forma é uma boa criação. 

“Flight of Icarus” foi um dos singles do álbum na época. Possui um refrão bastante interessante e sempre imagino estádios lotados cantando junto. Steve Harris faz um trabalho de baixo que é o destaque da música. No mais os demais instrumentos são apenas ok, guitarra base ou solo, bateria, tudo não chega a cativar. Mesmo que eu não a ache uma música ruim, muito pelo contrário, ela é boa, a considero um pouco superestimada (apesar de não gostar de usar esse tipo de palavra, foi a que me veio em mente agora)

“Die With Your Boots On” é uma música que começa prometendo ser um dos destaques do álbum trazendo uma boa energia e riffs legais. A profecia até se cumpre, pena que no sentido negativo de destaque. O refrão da música é muito chato, a empolgação inicial fica rapidamente morna e sequer uma boa passagem instrumental (exceto um solo feijão com arroz e sem muita inspiração) aparece para salvar o pior momento do disco. 

Confesso que já enjoei um pouco de “The Tropper”, mas isso não pode ser utilizado pra falar dela aqui, tenho que esquecer isso. O riff principal e a melodia da música são de fato espetaculares, e nos shows da banda é um dos momentos mais empolgantes. O que posso dizer aqui é que sinto um pouco de falta de um refrão na música, já que não tem (a não ser os Ooh, ooh, ooh...mas me refiro a refrão com palavras mesmo). De qualquer forma um hino memorável e de execução impecável. Momento mais inspirado do álbum. 

“Still Life” tem um começo atmosférico bem interessante com uma conversar entre todos os instrumentos de corda e alguns tímidos pratos de fundo, Bruce então decide se juntar ao “diálogo”, sendo a estrela do “debate”. A música então ganha mais força com os riffs de guitarra repetindo a serenidade do início, mas agora com mais peso, a bateria e baixo fazem uma boa cozinha. Apesar de parecer com aquelas músicas que não chegam a lugar algum, consegue ser ao menos agradável. 

“Quest for Fire” tem um começo um tanto decepcionante ou mesmo broxante, explico, os instrumentos todos tocados ao mesmo tempo parece preparar o ouvinte pra uma canção nervosa, selvagem e veloz, mas de repente a cadência fica média, Bruce canta uns falsetes que soam estranhos e não parecem lhe cair bem. No final das contas é uma música até boa, mas que não possui nenhum tipo de característica marcante ou interessante. 

“Sun and Steel” tem um começo bastante enérgico, mas sem muita originalidade fazendo parecer que já ouvi isso em alguns lugares. O refrão eu acho bastante fraco (pra não dizer que é brega). Mas dentro de tudo o que o álbum apresentou ela preenche bem, além de possuir um bom solo de guitarra que consegue elevar um pouco mais sua qualidade. 

“To Tame a Land” é a faixa que fecha o disco. Tem um começo calmo que inicialmente me faz lembrar “Hallowed Be Thy Name”. Se isso era pra ser um final épico, com todo o respeito, este é o mais insensato da carreira da banda. A introdução da música embora seja eficaz, rapidamente se dissolve em um riff com influência meio árabe e sem muita imaginação. Bastante arrastada, tem um interlúdio no meio antes de um solo de guitarra que não consegue colocar energia na música que estava carente disto. 

Infelizmente após um dos seus maiores clássicos que é The Number of the Beast, a banda teve que regredir um pouco antes de voltar a pegar voos mais altos. Piece Of Mind no final das contas é um bom disco, onde cada passo dele parece ser bem pensado, porém, extremamente previsível. Para os mais fieis fãs da banda é um disco que agrada do começo ao fim, problema é quando outra pessoa fora dessa bolha o pega pra ouvi-lo. Considero um disco acima da média, ou melhor dizendo e como está aqui no site, acima da categoria mediano, ou seja, bom e nada mais. 

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