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Resenha: George Harrison - All Things Must Pass (1970)

Por: André Luiz Paiz

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Aquele que muitos classificam como o melhor álbum de um ex-Beatle
5
25/04/2018

Durante as sessões de gravação para o álbum "Let It Be", em janeiro de 1970, os Beatles já estavam em ruínas. Conflitos internos e externos, diferenças de opiniões e qualquer discordância entre os membros causava atrito. Não dava mais. Aquela alegria e o sorriso sempre estampados no rosto de John, Paul, George e Ringo, já não mais existiam. George Harrison em específico, sempre sofreu, ofuscado pela sombra dos talentos de Lennon e McCartney. Raramente conseguia espaço para encaixar suas canções no tracklist final de um álbum. As vezes parecia justo, mas, em muitas outras não.

Quando "Abbey Road" - último álbum gravado pelos Beatles - foi lançado, algo interessante foi possível notar. Harrison havia atingido a excelência como compositor. Até certo ponto tardia, já que John e Paul conseguiram desenvolver este atributo muito antes. Emplacou algumas ótimas canções sim, como: "While My Guitar Gently Weeps", "Taxman", "For You Blue", etc. Mas, ao ouvir "Something" e "Here Comes The Sun", há a comprovação do que estou dizendo.

É claro que Harrison não compunha somente as músicas que entravam para os álbuns. Assim, com o término dos Beatles, seu acervo era enorme. Algumas ideias rejeitadas pelos ex-Beatles, combinadas com outras novas e algumas parcerias interessantes, permitiram Harrison registrar, ainda no mesmo ano, o seu primeiro álbum solo na era pós-Beatles. Aqui, vamos falar de "All Things Must Pass", um álbum duplo, LP triplo, considerado por muitos como o melhor álbum solo de um ex-Beatle.

"All Things Must Pass" traz uma atmosfera fantástica. George deixa um pouco de lado a sua forte influência indiana bastante explorada em alguns trabalhos dos Beatles, para focar em se expressar com sua guitarra e voz, fazendo uso de slides, violões e sintetizadores, em uma abordagem sensível e introspectiva. Com ele, uma constelação formada pelas brilhantes participações de Ringo Starr, Eric Clapton, Billy Preston, etc. É um álbum recheado de clássicos e que merece alguns destaques:

1. As colaborações com Bob Dylan. "I'd Have You Anytime" é fantástica, densa e bela, composta pelos dois. "If Not for You" é composta por Bob e a lançou em seu álbum "New Morning". A versão de Harrison é belíssima.
2. O hit "My Sweet Lord". Linda faixa, porém é inegável a semelhança com "He's So Fine", lançada pelo grupo The Chiffons em 1963. Conversaram na justiça, Harrison fez acordo e tudo certo.
3. "Wah-Wah". Não é das minhas favoritas, mas é curiosa por ter sido escrita por George após uma discussão com os demais ex-Beatles em uma das sessões de estúdio.
4. "Isn't It a Pity". Uma das mais belas e densas baladas de todos os tempos. 
5. "Behind That Locked Door", "Run of the Mill", "Beware of Darkness" e "Ballad of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)". Não tão conhecidas pela maioria, são quatro faixas indispensáveis para os seguidores das carreiras dos ex-Beatles.
6. A lindíssima "All Things Must Pass", faixa-título, indevidamente descartada pelos Beatles. Como isso foi possível? Enfim, jamais saberemos. Há inclusive alguns takes perdidos dela, um deles na série Anthology dos Beatles.

Você sabia que "All Things Must Pass" possui uma faixa lançada como bônus? Bom, assim Harrison a classificou. Não é somente uma faixa, mas um conjunto de canções. Uma jam. O lado três dos LPs consiste em algumas gravações das sessões de estúdio que George não queria descartar. Assim, as canções "Out of the Blue", "It's Johnny's Birthday", "Plug Me In", "I Remember Jeep" e "Thanks for the Pepperoni" são bônus e fazem parte da "Apple Jam".

Há diversos motivos que fazem este álbum indispensável em qualquer acervo. Além dos destaques que enumerei, as demais canções complementam a obra com estilo e classe. 
Com "All Things Must Pass", George se libertou, mostrou talento e criatividade. Enfim, pôde ser dono do próprio nariz.

Aquele que muitos classificam como o melhor álbum de um ex-Beatle
5
25/04/2018

Durante as sessões de gravação para o álbum "Let It Be", em janeiro de 1970, os Beatles já estavam em ruínas. Conflitos internos e externos, diferenças de opiniões e qualquer discordância entre os membros causava atrito. Não dava mais. Aquela alegria e o sorriso sempre estampados no rosto de John, Paul, George e Ringo, já não mais existiam. George Harrison em específico, sempre sofreu, ofuscado pela sombra dos talentos de Lennon e McCartney. Raramente conseguia espaço para encaixar suas canções no tracklist final de um álbum. As vezes parecia justo, mas, em muitas outras não.

Quando "Abbey Road" - último álbum gravado pelos Beatles - foi lançado, algo interessante foi possível notar. Harrison havia atingido a excelência como compositor. Até certo ponto tardia, já que John e Paul conseguiram desenvolver este atributo muito antes. Emplacou algumas ótimas canções sim, como: "While My Guitar Gently Weeps", "Taxman", "For You Blue", etc. Mas, ao ouvir "Something" e "Here Comes The Sun", há a comprovação do que estou dizendo.

É claro que Harrison não compunha somente as músicas que entravam para os álbuns. Assim, com o término dos Beatles, seu acervo era enorme. Algumas ideias rejeitadas pelos ex-Beatles, combinadas com outras novas e algumas parcerias interessantes, permitiram Harrison registrar, ainda no mesmo ano, o seu primeiro álbum solo na era pós-Beatles. Aqui, vamos falar de "All Things Must Pass", um álbum duplo, LP triplo, considerado por muitos como o melhor álbum solo de um ex-Beatle.

"All Things Must Pass" traz uma atmosfera fantástica. George deixa um pouco de lado a sua forte influência indiana bastante explorada em alguns trabalhos dos Beatles, para focar em se expressar com sua guitarra e voz, fazendo uso de slides, violões e sintetizadores, em uma abordagem sensível e introspectiva. Com ele, uma constelação formada pelas brilhantes participações de Ringo Starr, Eric Clapton, Billy Preston, etc. É um álbum recheado de clássicos e que merece alguns destaques:

1. As colaborações com Bob Dylan. "I'd Have You Anytime" é fantástica, densa e bela, composta pelos dois. "If Not for You" é composta por Bob e a lançou em seu álbum "New Morning". A versão de Harrison é belíssima.
2. O hit "My Sweet Lord". Linda faixa, porém é inegável a semelhança com "He's So Fine", lançada pelo grupo The Chiffons em 1963. Conversaram na justiça, Harrison fez acordo e tudo certo.
3. "Wah-Wah". Não é das minhas favoritas, mas é curiosa por ter sido escrita por George após uma discussão com os demais ex-Beatles em uma das sessões de estúdio.
4. "Isn't It a Pity". Uma das mais belas e densas baladas de todos os tempos. 
5. "Behind That Locked Door", "Run of the Mill", "Beware of Darkness" e "Ballad of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)". Não tão conhecidas pela maioria, são quatro faixas indispensáveis para os seguidores das carreiras dos ex-Beatles.
6. A lindíssima "All Things Must Pass", faixa-título, indevidamente descartada pelos Beatles. Como isso foi possível? Enfim, jamais saberemos. Há inclusive alguns takes perdidos dela, um deles na série Anthology dos Beatles.

Você sabia que "All Things Must Pass" possui uma faixa lançada como bônus? Bom, assim Harrison a classificou. Não é somente uma faixa, mas um conjunto de canções. Uma jam. O lado três dos LPs consiste em algumas gravações das sessões de estúdio que George não queria descartar. Assim, as canções "Out of the Blue", "It's Johnny's Birthday", "Plug Me In", "I Remember Jeep" e "Thanks for the Pepperoni" são bônus e fazem parte da "Apple Jam".

Há diversos motivos que fazem este álbum indispensável em qualquer acervo. Além dos destaques que enumerei, as demais canções complementam a obra com estilo e classe. 
Com "All Things Must Pass", George se libertou, mostrou talento e criatividade. Enfim, pôde ser dono do próprio nariz.

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