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Resenha: Milton Nascimento - Clube da Esquina (1972)

Por: Tiago Meneses

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Uma das heranças mais valiosas da história da música brasileira.
5
25/04/2018

O que alguém pode esperar de um disco liderado por Milton Nascimento e Lô Borges no auge de seus poderes criativos?

Denominada como Clube da Esquina, uma gangue de mineiros simplesmente povoaram o resto do Brasil com sua música de sensibilidade ímpar e que englobavam diversos assuntos nas suas letras, sempre interpretados com muito amor e paixão, além de ser instrumentalmente tocante. Difícil cravar um nome quando o assunto é o mais belo disco da história da música brasileira, mas se eu estiver pressionado a fazer isso sem pensar muito, com certeza este será o primeiro nome que me vem à mente.

Impressionante como ouvir esse álbum mais de quarenta e cinco anos desde o seu lançamento, ainda é surpreendente pela maneira estilisticamente dinâmica e auto confiante que ele soa através de toda a sua miscelânea musical que inclui tropicália, mpb, bossa nova, música psicodélica, jazz, soul e rock and roll ao melhor estilo dos Beatles. São tantas ideias que inclusive só poderia resultar em um álbum duplo.

O grupo tece uma tapeceira audaciosa de gêneros e composições artesanais que ainda que fossem compostas hoje, poderiam ser vistas como a frente do seu tempo. Muitas dessas composições vagam livremente e sem restrições entre diversos elementos de tal forma que acabamos sendo sempre surpreendidos por transformações drásticas dentro de uma única faixa.

Maravilhosamente bem texturizado, Clube da Esquina é inegavelmente um daqueles discos que não apenas pode, mas deve ser chamado de obra-prima e que para que o seu apreço seja de maneira mais plena deve ser feito do começo ao fim, faixa a faixa sem que nenhum segundo seja passado despercebido.

Se algum dia eu conversando com um estrangeiro tivesse que responder sobre do que se trata Clube da Esquina em questão de gênero musical, não saberia responder. Uma música como “Trem de Doido” certamente é um rock com influência psicodélica, porém com um vocal bastante doce ao invés de ácido. Já a música “Dos Cruces” (música escrita pelo compositor espanhol Carmelo Larrea) carrega uma aura da música espanhola, não necessariamente só pelos vocais, mas também pela maneira com que o violão casa com o vocal. “O Trem Azul” traz consigo algumas incursões jazzísticas, mas a realidade mesmo é que a maioria do disco (principalmente na época) não mostra nada do que o ouvinte possa ter escutado antes. 

“Um Girassol da cor do seu Cabelo” consegue desafiar todos os tipos de convenções harmônicas, mas sem deixar de soar maravilhosa. “Cravo e Canela” possui um ritmo de difícil compreensão, mas bastante gostoso de ouvir. 

Sempre bom lembrar também as faixas em que outros grandes artistas criaram suas versões, Elis Regina deu uma nova roupa para as faixas "Cais" e "Nada Será Como Antes", enquanto que o mestre Tom Jobim o fez para “O Trem Azul”, um dos maiores nomes do jazz americano, Wayne Shorter regravou “Lilia”, fato que também pode ter servido para que alguns admiradores de jazz tivessem a curiosidade de conhecer este disco. 

Clube da Esquina é um disco que possui uma excelência na sua consistência, em suas composições, arranjos, performances e produção.  Trata-se de uma das heranças mais valiosas da história da música brasileira. 

Uma das heranças mais valiosas da história da música brasileira.
5
25/04/2018

O que alguém pode esperar de um disco liderado por Milton Nascimento e Lô Borges no auge de seus poderes criativos?

Denominada como Clube da Esquina, uma gangue de mineiros simplesmente povoaram o resto do Brasil com sua música de sensibilidade ímpar e que englobavam diversos assuntos nas suas letras, sempre interpretados com muito amor e paixão, além de ser instrumentalmente tocante. Difícil cravar um nome quando o assunto é o mais belo disco da história da música brasileira, mas se eu estiver pressionado a fazer isso sem pensar muito, com certeza este será o primeiro nome que me vem à mente.

Impressionante como ouvir esse álbum mais de quarenta e cinco anos desde o seu lançamento, ainda é surpreendente pela maneira estilisticamente dinâmica e auto confiante que ele soa através de toda a sua miscelânea musical que inclui tropicália, mpb, bossa nova, música psicodélica, jazz, soul e rock and roll ao melhor estilo dos Beatles. São tantas ideias que inclusive só poderia resultar em um álbum duplo.

O grupo tece uma tapeceira audaciosa de gêneros e composições artesanais que ainda que fossem compostas hoje, poderiam ser vistas como a frente do seu tempo. Muitas dessas composições vagam livremente e sem restrições entre diversos elementos de tal forma que acabamos sendo sempre surpreendidos por transformações drásticas dentro de uma única faixa.

Maravilhosamente bem texturizado, Clube da Esquina é inegavelmente um daqueles discos que não apenas pode, mas deve ser chamado de obra-prima e que para que o seu apreço seja de maneira mais plena deve ser feito do começo ao fim, faixa a faixa sem que nenhum segundo seja passado despercebido.

Se algum dia eu conversando com um estrangeiro tivesse que responder sobre do que se trata Clube da Esquina em questão de gênero musical, não saberia responder. Uma música como “Trem de Doido” certamente é um rock com influência psicodélica, porém com um vocal bastante doce ao invés de ácido. Já a música “Dos Cruces” (música escrita pelo compositor espanhol Carmelo Larrea) carrega uma aura da música espanhola, não necessariamente só pelos vocais, mas também pela maneira com que o violão casa com o vocal. “O Trem Azul” traz consigo algumas incursões jazzísticas, mas a realidade mesmo é que a maioria do disco (principalmente na época) não mostra nada do que o ouvinte possa ter escutado antes. 

“Um Girassol da cor do seu Cabelo” consegue desafiar todos os tipos de convenções harmônicas, mas sem deixar de soar maravilhosa. “Cravo e Canela” possui um ritmo de difícil compreensão, mas bastante gostoso de ouvir. 

Sempre bom lembrar também as faixas em que outros grandes artistas criaram suas versões, Elis Regina deu uma nova roupa para as faixas "Cais" e "Nada Será Como Antes", enquanto que o mestre Tom Jobim o fez para “O Trem Azul”, um dos maiores nomes do jazz americano, Wayne Shorter regravou “Lilia”, fato que também pode ter servido para que alguns admiradores de jazz tivessem a curiosidade de conhecer este disco. 

Clube da Esquina é um disco que possui uma excelência na sua consistência, em suas composições, arranjos, performances e produção.  Trata-se de uma das heranças mais valiosas da história da música brasileira. 

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