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Resenha: The Allman Brothers Band - At Fillmore East (1971)

Por: Tiago Meneses

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Um show histórico e que vai ser lembrado por toda a eternidade.
5
23/04/2018

No ano de 1971, após já terem lançado dois ótimos álbuns de estúdio, The Allman Brothers Band e  Idlewild South, e aproveitando a excelente reputação como uma das melhores bandas americanas da época, decidiram lançar esse que é considerado por muitos como um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos. Em At Filmore East, o grupo mostra porque sempre impressiona quando sobe em cima de um palco, sendo difícil pensar em outra banda com o tamanho poder de improvisação,

Agora falando um pouco sobre o que acho desse álbum. Bom, também sou uma das pessoas que sempre colocou esse como um dos melhores registros ao vivo da história, não vejo ponto fraco, uma apresentação impecável. O show se inicia com dois clássicos do blues, "Statesboro Blues” e “Done Somebody Wrong", por sinal duas músicas que na época eram executadas por infinitos artistas, baseado nisso qualquer um pode afirmar, “ah então essas versões da Allman Brothers Band devem ser apenas mais duas em meio a um monte que já havia aparecido”, claro que não, trata-se de duas versões perfeitas, encharcadas de feeling e uma demonstração sublime da facilidade e agilidade que a banda tinha em trabalhar a sua instrumentação, fazendo com que tudo o que pode ser esperar de um blues esteja aqui e de forma magistral.

A terceira faixa é a não menos clássica que as duas anteriores, “Stormy Monday”. Novamente genialidade da banda mais uma vez se evidencia e o que poderia ser apenas uma nova versão jogada ao vento do excelente blues originalmente composto por T.Bone Walker, nas mãos da trupe dos irmãos Allman virou um momento mais do que viajante, com impressionantes passagens de guitarras feitas sobre um órgão elétrico, onde juntos projetam um dos momentos mais incríveis do disco, em uma sonoridade bastante requintada e bastante envolvente, sem falar no solo de guitarra de Duane.

Em “You Don't Love Me” dá gosto de vê a interação entre  Duane e Betts, principalmente pela maneira que os solos se entrelaçam tão naturalmente. Uma música intensa tocada com uma naturalidade impressionante, o destaque mais uma vez vai pra Duane, mostrando porque ainda hoje é considerado um dos mestres no uso do Slide. Logo em seguida vem "Hot 'Lanta", uma faixa curta, como se a banda estivesse mais interessada em criar uma ponte para as duas ultimas, mesmo assim mostram mais uma vez uma excelente qualidade instrumental.

"In Memory Elizabeth Reed" é uma das minhas musicas instrumentais favoritas de sempre, a versão de estúdio já é ótima, a desse álbum é difícil achar palavras que a classifique com o devido merecimento, um trabalho de feeling e elegância melódica fora de série, talvez aqui seja o ápice da banda em termos de produzir uma sonoridade extremamente fina, sem exageros, podendo o ouvinte comparar o que ali é produzido com monstros do jazz como John Coltrane ou Miles Davis em seus melhores momentos. Cunho de curiosidade, essa faixa foi composta quando a banda ainda era anônima para o resto do mundo, e que muitas vezes tocavam violão no cemitério. Por ser um som instrumental e visto como praticamente uma simples "jam", ficavam sem ideia pra escolha do nome, então que decidiram fazer uma homenagem à mulher que estava enterrada no túmulo que era sempre usado pra suas reuniões, e que se chamava, Elizabeth Reed.

O show encerra com a clássica "Whipping Post", o baixo nervoso de Barry Oakley dá o cartão de visita, uma faixa que igualmente as demais do show, traz passagens de guitarras maravilhosas, combinadas por Duane e Dickey. Aqui Gregg Allman além de mostrar bastante competência no seu órgão elétrico, confirma que também é excelente vocalista, pra mim o branco da voz mais negra da história do rock, ao passo que a cozinha providencia uma âncora rítmica a um só tempo deslumbrante e metronômico.

Sem dúvida um disco que é de difícil descrição, pois a expressividade artística que encontramos aqui não é algo fácil de encontrar em outro lugar. Um show histórico e que vai ser lembrado por toda a eternidade. 

Um show histórico e que vai ser lembrado por toda a eternidade.
5
23/04/2018

No ano de 1971, após já terem lançado dois ótimos álbuns de estúdio, The Allman Brothers Band e  Idlewild South, e aproveitando a excelente reputação como uma das melhores bandas americanas da época, decidiram lançar esse que é considerado por muitos como um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos. Em At Filmore East, o grupo mostra porque sempre impressiona quando sobe em cima de um palco, sendo difícil pensar em outra banda com o tamanho poder de improvisação,

Agora falando um pouco sobre o que acho desse álbum. Bom, também sou uma das pessoas que sempre colocou esse como um dos melhores registros ao vivo da história, não vejo ponto fraco, uma apresentação impecável. O show se inicia com dois clássicos do blues, "Statesboro Blues” e “Done Somebody Wrong", por sinal duas músicas que na época eram executadas por infinitos artistas, baseado nisso qualquer um pode afirmar, “ah então essas versões da Allman Brothers Band devem ser apenas mais duas em meio a um monte que já havia aparecido”, claro que não, trata-se de duas versões perfeitas, encharcadas de feeling e uma demonstração sublime da facilidade e agilidade que a banda tinha em trabalhar a sua instrumentação, fazendo com que tudo o que pode ser esperar de um blues esteja aqui e de forma magistral.

A terceira faixa é a não menos clássica que as duas anteriores, “Stormy Monday”. Novamente genialidade da banda mais uma vez se evidencia e o que poderia ser apenas uma nova versão jogada ao vento do excelente blues originalmente composto por T.Bone Walker, nas mãos da trupe dos irmãos Allman virou um momento mais do que viajante, com impressionantes passagens de guitarras feitas sobre um órgão elétrico, onde juntos projetam um dos momentos mais incríveis do disco, em uma sonoridade bastante requintada e bastante envolvente, sem falar no solo de guitarra de Duane.

Em “You Don't Love Me” dá gosto de vê a interação entre  Duane e Betts, principalmente pela maneira que os solos se entrelaçam tão naturalmente. Uma música intensa tocada com uma naturalidade impressionante, o destaque mais uma vez vai pra Duane, mostrando porque ainda hoje é considerado um dos mestres no uso do Slide. Logo em seguida vem "Hot 'Lanta", uma faixa curta, como se a banda estivesse mais interessada em criar uma ponte para as duas ultimas, mesmo assim mostram mais uma vez uma excelente qualidade instrumental.

"In Memory Elizabeth Reed" é uma das minhas musicas instrumentais favoritas de sempre, a versão de estúdio já é ótima, a desse álbum é difícil achar palavras que a classifique com o devido merecimento, um trabalho de feeling e elegância melódica fora de série, talvez aqui seja o ápice da banda em termos de produzir uma sonoridade extremamente fina, sem exageros, podendo o ouvinte comparar o que ali é produzido com monstros do jazz como John Coltrane ou Miles Davis em seus melhores momentos. Cunho de curiosidade, essa faixa foi composta quando a banda ainda era anônima para o resto do mundo, e que muitas vezes tocavam violão no cemitério. Por ser um som instrumental e visto como praticamente uma simples "jam", ficavam sem ideia pra escolha do nome, então que decidiram fazer uma homenagem à mulher que estava enterrada no túmulo que era sempre usado pra suas reuniões, e que se chamava, Elizabeth Reed.

O show encerra com a clássica "Whipping Post", o baixo nervoso de Barry Oakley dá o cartão de visita, uma faixa que igualmente as demais do show, traz passagens de guitarras maravilhosas, combinadas por Duane e Dickey. Aqui Gregg Allman além de mostrar bastante competência no seu órgão elétrico, confirma que também é excelente vocalista, pra mim o branco da voz mais negra da história do rock, ao passo que a cozinha providencia uma âncora rítmica a um só tempo deslumbrante e metronômico.

Sem dúvida um disco que é de difícil descrição, pois a expressividade artística que encontramos aqui não é algo fácil de encontrar em outro lugar. Um show histórico e que vai ser lembrado por toda a eternidade. 

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