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Resenha: Rush - A Farewell To Kings (1977)

Por: Tiago Meneses

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Uma mistura de ótimos riffs metálicos com pinceladas pop e progressiva.
5
21/04/2018

Com certeza que A Farewell To Kings foi um marco na longa e prolífica carreira do power trio canadense. Meu álbum preferido da banda por vários motivos pessoais, mas mesmo se eles não existissem não seria nada demais ter essa pérola como favorita. As cores progressivas que vinham marcando cada vez mais com intensidade a paisagem sonora da banda parecia ter atingido o seu ápice pela primeira vez. Começaram a misturar guitarras mais acústicas, sintetizadores, acrescentando maior quantidade de elementos sinfônicos, mudanças climáticas na sonoridade, muitas acelerações e dinâmica musical. Até mesmo Neil Peart que havia mostrado ótimas letras anteriormente conseguiu se superar aqui. 

Através de A Farewell To Kings a banda lançou uma de suas obras-primas inquestionáveis. Uma mistura de ótimos riffs metálicos com pinceladas pop e progressiva que é realmente fora de série e atrai a atenção de vários ouvintes e não somente dos amantes do rock progressivo. A voz de Lee é manipulada de uma maneira perfeita em vários seguimentos, seja evocativo, gritado ou pop, enquanto isso Lifeson e Peart mostram uma dinâmica simplesmente maravilhosa. 

A música abre alas do disco é a faixa homônima. Um trabalho de violão não menos do que lindo é executado junto a sintetizadores e vibrafone. Logo na abertura da primeira faixa já é definido a atmosfera geral que será encontrada no álbum. A música então ganha mais peso e flui em uma linha mais rock and roll, cada um dos músicos preenchem muito bem a sua lacuna sonora. A bateria sincopara de Peart junto as linhas de baixo maravilhosas e belíssimos trabalhos de guitarras proporcionam um verdadeiro deleite ao ouvinte. Lee segura a música com todo o poder do seu baixo, a bateria mantem o ritmo frenético antes que Lifeson faça um excelente solo de guitarra. Que música mais sensacional pra começar um disco incrível. 

“Xanadu” é a segunda faixa, começa com uma sonoridade ambiente e atmosférica, o sintetizador explora grandes paisagens sonoras, junto a eles congas, triângulos e sinos também ajudam a desenhar essa introdução que é essencial para o desenvolvimento desta excelente música. Lentamente a faixa vai ganhando corpo através principalmente de um trabalho de guitarra e bateria. Esta longa seção instrumental já faz com que o ouvinte esteja completamente envolvido. Uma passagem mais silenciosa anuncia os vocais de Geddy Lee, mas depois a banda acrescenta arranjos mais complexos. Um momento solo de sintetizador também serve para que haja um enriquecimento para as texturas da faixa. Uma das minhas músicas preferidas da banda. 

“Closer to the Heart” é um dos trabalhos radiofônicos da banda, uma música linda que começa ao violão e alguns toques de vibrafone. Até os seus momentos mais rock and roll possui uma doçura. Uma faixa curta, simples, mas extremamente eficaz, onde tudo funciona muito bem, apesar da sua simplicidade. “Cinderella Man" no começo pode soar simples, fácil e sem nada demais, mas acredite, se trata de uma música mais profunda do que se imagina. As letras parecem combinar bastante com a música e falam sobre um homem que é ridicularizado por algumas pessoas, mas depois encontra a sua vingança. Lifeson faz mais um excelente solo, desta vez com wah wah. 

“Madrigal” é mais uma música bastante curta e de sentimento profundo. Sintetizadores e guitarras são suaves e belíssimos, bateria simples e bem cadenciada, mas o destaque maior (sei que muitos torcem o nariz pra voz dele) é Lee, sua interpretação está realmente convincente, fazendo com que o ouvinte acredite que ele de fato é um matador de dragões que se sente cansado e que deseja voltar para casa e encontrar sua companheira. Uma canção de atmosfera relaxante e muito doce. 

"Cygnus X-1" é a última faixa do disco, se apoia fortemente no lado da ficção científica, contando uma história sobre um astronauta bastante corajoso que com a sua nave se joga em um buraco negro para descobrir o seu segredo. Após algumas sonoridades atmosféricas um baixo sinistro começa a fazer a introdução musical, sendo logo em seguida acompanhado no mesmo compasso pela bateria e guitarra. O riff de guitarra, linhas de baixo sólidas, sintetizadores viajantes e baterias enérgicas vão construindo uma das melhores introduções musicais já feitas. A voz de Lee então entra bastante calma, mas logo fica mais elevada junto dos demais instrumentos. Estruturalmente este épico compreende várias formas de música com uma combinação entre pontos altos e baixos. Existem segmentos em que a nuance atmosférica combina de maneira dinâmica com baixo e bateria. Os últimos acordes de guitarra são assustadores e fazem o ouvinte sentir os escombros flutuando no espaço. Impressionante como todas as vezes que escuto está música eu fico sem palavras. Mais do que uma música é uma viagem espacial, uma viagem dramática. 

Este disco é sublime, todos os membros estão em seus picos técnicos e criativos. A banda consegue fazer com que exista uma grande variação musical mesmo que o disco tenha apenas seis faixas, onde cada uma delas tem o seu próprio mérito. Certamente uma obra-prima inquestionável. 

Uma mistura de ótimos riffs metálicos com pinceladas pop e progressiva.
5
21/04/2018

Com certeza que A Farewell To Kings foi um marco na longa e prolífica carreira do power trio canadense. Meu álbum preferido da banda por vários motivos pessoais, mas mesmo se eles não existissem não seria nada demais ter essa pérola como favorita. As cores progressivas que vinham marcando cada vez mais com intensidade a paisagem sonora da banda parecia ter atingido o seu ápice pela primeira vez. Começaram a misturar guitarras mais acústicas, sintetizadores, acrescentando maior quantidade de elementos sinfônicos, mudanças climáticas na sonoridade, muitas acelerações e dinâmica musical. Até mesmo Neil Peart que havia mostrado ótimas letras anteriormente conseguiu se superar aqui. 

Através de A Farewell To Kings a banda lançou uma de suas obras-primas inquestionáveis. Uma mistura de ótimos riffs metálicos com pinceladas pop e progressiva que é realmente fora de série e atrai a atenção de vários ouvintes e não somente dos amantes do rock progressivo. A voz de Lee é manipulada de uma maneira perfeita em vários seguimentos, seja evocativo, gritado ou pop, enquanto isso Lifeson e Peart mostram uma dinâmica simplesmente maravilhosa. 

A música abre alas do disco é a faixa homônima. Um trabalho de violão não menos do que lindo é executado junto a sintetizadores e vibrafone. Logo na abertura da primeira faixa já é definido a atmosfera geral que será encontrada no álbum. A música então ganha mais peso e flui em uma linha mais rock and roll, cada um dos músicos preenchem muito bem a sua lacuna sonora. A bateria sincopara de Peart junto as linhas de baixo maravilhosas e belíssimos trabalhos de guitarras proporcionam um verdadeiro deleite ao ouvinte. Lee segura a música com todo o poder do seu baixo, a bateria mantem o ritmo frenético antes que Lifeson faça um excelente solo de guitarra. Que música mais sensacional pra começar um disco incrível. 

“Xanadu” é a segunda faixa, começa com uma sonoridade ambiente e atmosférica, o sintetizador explora grandes paisagens sonoras, junto a eles congas, triângulos e sinos também ajudam a desenhar essa introdução que é essencial para o desenvolvimento desta excelente música. Lentamente a faixa vai ganhando corpo através principalmente de um trabalho de guitarra e bateria. Esta longa seção instrumental já faz com que o ouvinte esteja completamente envolvido. Uma passagem mais silenciosa anuncia os vocais de Geddy Lee, mas depois a banda acrescenta arranjos mais complexos. Um momento solo de sintetizador também serve para que haja um enriquecimento para as texturas da faixa. Uma das minhas músicas preferidas da banda. 

“Closer to the Heart” é um dos trabalhos radiofônicos da banda, uma música linda que começa ao violão e alguns toques de vibrafone. Até os seus momentos mais rock and roll possui uma doçura. Uma faixa curta, simples, mas extremamente eficaz, onde tudo funciona muito bem, apesar da sua simplicidade. “Cinderella Man" no começo pode soar simples, fácil e sem nada demais, mas acredite, se trata de uma música mais profunda do que se imagina. As letras parecem combinar bastante com a música e falam sobre um homem que é ridicularizado por algumas pessoas, mas depois encontra a sua vingança. Lifeson faz mais um excelente solo, desta vez com wah wah. 

“Madrigal” é mais uma música bastante curta e de sentimento profundo. Sintetizadores e guitarras são suaves e belíssimos, bateria simples e bem cadenciada, mas o destaque maior (sei que muitos torcem o nariz pra voz dele) é Lee, sua interpretação está realmente convincente, fazendo com que o ouvinte acredite que ele de fato é um matador de dragões que se sente cansado e que deseja voltar para casa e encontrar sua companheira. Uma canção de atmosfera relaxante e muito doce. 

"Cygnus X-1" é a última faixa do disco, se apoia fortemente no lado da ficção científica, contando uma história sobre um astronauta bastante corajoso que com a sua nave se joga em um buraco negro para descobrir o seu segredo. Após algumas sonoridades atmosféricas um baixo sinistro começa a fazer a introdução musical, sendo logo em seguida acompanhado no mesmo compasso pela bateria e guitarra. O riff de guitarra, linhas de baixo sólidas, sintetizadores viajantes e baterias enérgicas vão construindo uma das melhores introduções musicais já feitas. A voz de Lee então entra bastante calma, mas logo fica mais elevada junto dos demais instrumentos. Estruturalmente este épico compreende várias formas de música com uma combinação entre pontos altos e baixos. Existem segmentos em que a nuance atmosférica combina de maneira dinâmica com baixo e bateria. Os últimos acordes de guitarra são assustadores e fazem o ouvinte sentir os escombros flutuando no espaço. Impressionante como todas as vezes que escuto está música eu fico sem palavras. Mais do que uma música é uma viagem espacial, uma viagem dramática. 

Este disco é sublime, todos os membros estão em seus picos técnicos e criativos. A banda consegue fazer com que exista uma grande variação musical mesmo que o disco tenha apenas seis faixas, onde cada uma delas tem o seu próprio mérito. Certamente uma obra-prima inquestionável. 

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