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Resenha: The Soft Machine - Bundles (1975)

Por: Tiago Meneses

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Jazz rock de ótima qualidade e empolgante.
4
19/04/2018

Soft Machine tem uma característica que faz com que dificilmente o ouvinte se sinta entediado com o seu som, afinal, parece que sempre existe algo novo acontecendo. Após o lançamento do bom Seven a banda retornou dois anos depois com um novo trabalho de estúdio e trazendo boas surpresas, um novo membro foi adicionado e seu nome é Allan Holdsworth, guitarrista que faria sua fama de maneira solo mais tarde. Apesar de guitarra não ser exatamente um nome que as pessoas assimilam ao Soft Machine, aqui as coisas aconteceram um pouco diferente, o guitarrista é quem mais brilha no palco de uma banda que lhe deu total liberdade de mostrar todo o seu talento. Bundles é um disco dirigido por guitarras onde os demais instrumentos ficam mais ou menos atrás da profusão das guitarras de Holdsworth. 

“Hazard Profile Part 1” já começa mostrando-se como um dos destaques e o quanto houve uma espécie de revolução no som da banda. O riff de guitarra repetido também é bastante agressivo. Um solo de guitarra então a estabiliza, Allan Holdsworth mostra uma união entre o seu desempenho solo e acordes progressivos. A banda produz aqui um jazz rock de primeira grandeza do começo ao fim. Teclados, baixo e bateria também desempenham seus papeis de forma muito boa, criando um tapete de luxo para a guitarra de Holdsworth caminhas por cima. 

“Hazard Profile Part 2” é mais curta e tranquila. Começa com uma melodia ao piano belíssima, se junta a ela um violão, criando uma relação onde um completa o outro de maneira soberba. A melodia muda de fluxo, mas sem perder a sua suavidade. “Hazard Profile Part 3 tem apenas trinta e três segundos, mas possui uma melodia com órgão e sustentação na guitarra que são impressionantes, serve como introdução para a parte 4. 

“Hazard Profile Part 4” traz consigo uma atmosfera meio de blues rock criada pela agressividade do riff de guitarra, a repetição e o ritmo constante estão conectados com a parte 5. “Hazard Profile Part 5” começa de uma maneira bastante enérgica, bateria (principalmente) e baixo fazem uma cozinha sólida e consistente, a melodia do sintetizador possui boa originalidade e garante o fluxo da música. Novamente Holdsworth tem um desempenho matador. 

“Gone Sailing” é um solo de violão de menos de um minuto. Holdsworth fez boas escolhas de harmonia e harmônicos. Uma música simples, serena, bonita e que pode ser vista novamente como um interlúdio para a próxima faixa. “Bundles” soa de uma maneira parecida com músicas futuras de Holdsworth em melodia e composição. Possui um forte padrão melódico, as linhas de baixo são fervorosas, bateria com bastante veemência e trabalhos de guitarra novamente do tipo que saem faísca. Esta faixa é do tipo que dá ao ouvinte aquela sensação de improvisação. 

“Land Of The Bag Snake” possui um trabalho de guitarra maravilhoso sobre um ritmo intenso, os solos melódicos de Holdsworth são verdadeiros deleites e mostram o motivo do seu nome ter se tornado tão especial para a música. Os pratos tilintam, bumbo impulsiona o movimento da música, linhas de baixo novamente se destacam. O ritmo de John Marshall é maravilhoso, sendo que em determinado momento faz com que o ouvinte lembre-se de passagens mais jazzísticas do King Crimson com Bill Bruford na bateria. 

“The Man Who Waved At Trains” desacelera as coisas no disco mais uma vez. Possui um intricado trabalho de bateria e teclado, então que sax e oboé se unem a esta faixa descontraída, agradável e relaxante. “Peff” emenda com a faixa anterior e é uma espécie de meio termo dentro do som da banda. Uma faixa bastante técnica e que se intensifica ainda mais com a entrada do saxofone que cresce a cada momento, chegando a ficar distorcido em alguns pontos. 

“Four Gongs Two Drums” é um solo de bateria de John Marshall muito bem feito e que ele evita ficar muito arrastado e se alongar demais, deixando assim com que o resultado final não se torne enjoativo e desnecessário. “The Floating World” é a faixa que fecha o disco. Começa dando ao ouvinte uma sensação de estar planando, bastante diferente do resto do álbum, provavelmente Karl Jenkins quis deixar a sua marca de líder da banda. O convidado, Ray Warleigh, também ajuda bastante na sonoridade atmosférica da música com o seu toque especial de flauta. Confesso que a princípio eu achei longa demais, principalmente para fechar um disco tão enérgico, mas depois acostumei, o chamado gosto adquirido. 

Um disco de uma produção poderosa e orgânica e que combina bastante com a música apresentada. No geral um jazz rock de ótima qualidade e empolgante, ainda que não se trate de um disco memorável, inovador ou cativante, como por exemplo, os três primeiros da banda. Apesar de ser um álbum da Soft Machine e a banda ser conhecida por obras marcantes da cena Canterbury, Bundles é mais indicado a amantes de jazz rock/fusion do que do movimento em questão. 

Jazz rock de ótima qualidade e empolgante.
4
19/04/2018

Soft Machine tem uma característica que faz com que dificilmente o ouvinte se sinta entediado com o seu som, afinal, parece que sempre existe algo novo acontecendo. Após o lançamento do bom Seven a banda retornou dois anos depois com um novo trabalho de estúdio e trazendo boas surpresas, um novo membro foi adicionado e seu nome é Allan Holdsworth, guitarrista que faria sua fama de maneira solo mais tarde. Apesar de guitarra não ser exatamente um nome que as pessoas assimilam ao Soft Machine, aqui as coisas aconteceram um pouco diferente, o guitarrista é quem mais brilha no palco de uma banda que lhe deu total liberdade de mostrar todo o seu talento. Bundles é um disco dirigido por guitarras onde os demais instrumentos ficam mais ou menos atrás da profusão das guitarras de Holdsworth. 

“Hazard Profile Part 1” já começa mostrando-se como um dos destaques e o quanto houve uma espécie de revolução no som da banda. O riff de guitarra repetido também é bastante agressivo. Um solo de guitarra então a estabiliza, Allan Holdsworth mostra uma união entre o seu desempenho solo e acordes progressivos. A banda produz aqui um jazz rock de primeira grandeza do começo ao fim. Teclados, baixo e bateria também desempenham seus papeis de forma muito boa, criando um tapete de luxo para a guitarra de Holdsworth caminhas por cima. 

“Hazard Profile Part 2” é mais curta e tranquila. Começa com uma melodia ao piano belíssima, se junta a ela um violão, criando uma relação onde um completa o outro de maneira soberba. A melodia muda de fluxo, mas sem perder a sua suavidade. “Hazard Profile Part 3 tem apenas trinta e três segundos, mas possui uma melodia com órgão e sustentação na guitarra que são impressionantes, serve como introdução para a parte 4. 

“Hazard Profile Part 4” traz consigo uma atmosfera meio de blues rock criada pela agressividade do riff de guitarra, a repetição e o ritmo constante estão conectados com a parte 5. “Hazard Profile Part 5” começa de uma maneira bastante enérgica, bateria (principalmente) e baixo fazem uma cozinha sólida e consistente, a melodia do sintetizador possui boa originalidade e garante o fluxo da música. Novamente Holdsworth tem um desempenho matador. 

“Gone Sailing” é um solo de violão de menos de um minuto. Holdsworth fez boas escolhas de harmonia e harmônicos. Uma música simples, serena, bonita e que pode ser vista novamente como um interlúdio para a próxima faixa. “Bundles” soa de uma maneira parecida com músicas futuras de Holdsworth em melodia e composição. Possui um forte padrão melódico, as linhas de baixo são fervorosas, bateria com bastante veemência e trabalhos de guitarra novamente do tipo que saem faísca. Esta faixa é do tipo que dá ao ouvinte aquela sensação de improvisação. 

“Land Of The Bag Snake” possui um trabalho de guitarra maravilhoso sobre um ritmo intenso, os solos melódicos de Holdsworth são verdadeiros deleites e mostram o motivo do seu nome ter se tornado tão especial para a música. Os pratos tilintam, bumbo impulsiona o movimento da música, linhas de baixo novamente se destacam. O ritmo de John Marshall é maravilhoso, sendo que em determinado momento faz com que o ouvinte lembre-se de passagens mais jazzísticas do King Crimson com Bill Bruford na bateria. 

“The Man Who Waved At Trains” desacelera as coisas no disco mais uma vez. Possui um intricado trabalho de bateria e teclado, então que sax e oboé se unem a esta faixa descontraída, agradável e relaxante. “Peff” emenda com a faixa anterior e é uma espécie de meio termo dentro do som da banda. Uma faixa bastante técnica e que se intensifica ainda mais com a entrada do saxofone que cresce a cada momento, chegando a ficar distorcido em alguns pontos. 

“Four Gongs Two Drums” é um solo de bateria de John Marshall muito bem feito e que ele evita ficar muito arrastado e se alongar demais, deixando assim com que o resultado final não se torne enjoativo e desnecessário. “The Floating World” é a faixa que fecha o disco. Começa dando ao ouvinte uma sensação de estar planando, bastante diferente do resto do álbum, provavelmente Karl Jenkins quis deixar a sua marca de líder da banda. O convidado, Ray Warleigh, também ajuda bastante na sonoridade atmosférica da música com o seu toque especial de flauta. Confesso que a princípio eu achei longa demais, principalmente para fechar um disco tão enérgico, mas depois acostumei, o chamado gosto adquirido. 

Um disco de uma produção poderosa e orgânica e que combina bastante com a música apresentada. No geral um jazz rock de ótima qualidade e empolgante, ainda que não se trate de um disco memorável, inovador ou cativante, como por exemplo, os três primeiros da banda. Apesar de ser um álbum da Soft Machine e a banda ser conhecida por obras marcantes da cena Canterbury, Bundles é mais indicado a amantes de jazz rock/fusion do que do movimento em questão. 

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