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Resenha: Van Der Graaf Generator - The Least We Can Do Is Wave To Each Other (1970)

Por: Tiago Meneses

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O primeiro grande disco da Van der Graaf Generator
4.5
18/04/2018

Costumo dizer (na verdade muitas pessoas dizem o mesmo) que The Aerosol Grey Machine é um disco solo de Peter Hammill, pois todas as composições foram feitas sob sua direção. A partir do segundo álbum da banda, The Least We Can Do Is Wave To Each Other, as coisas mudaram radicalmente de direção. Todos os membros trouxeram boas e criativas ideias para o novo disco, onde finalmente houve de fato a estreia “real” da banda. De certa forma essa evolução na sonoridade me faz lembrar o que aconteceu com o Genesis em relação à maturidade atingida no seu segundo disco. Fique claro que não estou comparado musicalmente, mesmo porque são bandas completamente diferentes, mas sim, falando em um ponto de vista histórico onde é inegável que existem algumas similaridades. 

O título do álbum foi baseado em uma frase do britânico John Minton, um pintor e ilustrador de paisagens, retratos e figuras, bem como designer teatral e que cometeu suicídio aos trinta e nove anos em 1957. A partir deste disco a banda estabeleceu o seu estilo através de influências mais progressivas e uma sonoridade no geral excelente. A bateria está muito boa e o trabalho de órgão às vezes é incrível, as partes de guitarra no geral são simples, mas isso não chega a ser um problema, David Jackson toca o saxofone de uma maneira inovadora, seus momentos no disco é uma espécie de estranheza fantástica. Peter Hammill embora pareça soar melhor em discos posteriores, aqui já demonstra toda a peculiaridade de sua voz, usando-a de maneira incrível em linhas intensivas. 

“Darkness (11/11)” é uma faixa que considero perfeita para ser a abertura deste disco. Começa com alguns ventos soprando forte, enquanto baixa e címbalos também se juntam. Em seguida vocais, saxofone e bateria a deixam com um som completo. Possui belíssimas melodias que podem levar um pouco de tempo pra crescer no ouvinte. Tem ótimas letras e carrega uma magia que consegue soar obscura e ao mesmo tempo com um brilho intenso. O solo final de saxofone é excelente. 

“Refugees” é uma das baladas mais bonitas e emocionais do rock progressivo. Excelente começo através de uma combinação entre flauta e violoncelo, vocais em falsete, órgão que sinaliza para a bateria começar, tudo feito com bastante cuidado. Uma faixa sobre sair de casa e ir morar em outro lugar, uma obra bastante pessoal escrita por Peter Hammill. Lindíssima. 

“White Hammer” possui letras interessantes sobre a Inquisição Espanhola e uma atmosfera sombria por toda a sua extensão. A influência de Jackson com o seu saxofone certamente é bastante perceptível nesta faixa. O baixo é pulsante, o trabalho de órgão é poderoso, mas certamente o maior destaque é o solo final de saxofone, ele deixa os dois minutos finais de música algo não menos que assustador e perturbador. 

“Whatever Would Robert Have Said?” é uma faixa bastante esquisita e de letras estranhas. Provavelmente a faixa menos acessível do disco, bastante experimental e inicialmente indicada somente a ouvintes mais familiarizados com o som da banda. Apesar de no começo soar meio descontraída, vai ficando mais selvagem e progressiva, é a música onde mais existe um trabalho de guitarra, com destaque para o executado na parte final. 

“Out Of My Book” é mais uma balada do disco e novamente trazendo consigo letras pessoas de Peter Hammill. O trabalho instrumental traz bastante simplicidade, mas também grande eficácia, principalmente o violão. O órgão também cria uma parede sonora muito interessante para a faixa. O vocal de Hammill é brilhante e extremamente sentimental. Um momento do álbum sem muita pompa, mas bem agradável. 

“After The Flood” é a faixa mais longa e a que finaliza o disco. Não é tão agressiva, mas muito bonita. Provavelmente o Gentle Giant a pegou como inspiração para algumas de suas criações. Começa com uma ambientação mais doce e que lentamente evolui para um som mais debilitante, quase perturbador, onde a supremacia parece estar em disputa entre flauta e saxofone. A parte instrumental no meio da faixa é pura loucura, mas a realidade é que se trata de uma faixa que consegue cativar do começo ao fim. 

The Least We Can Do Is Wave To Each Other é certamente o primeiro grande disco da Van der Graaf Generator, apresentando tudo o que fez a banda ser conhecida. Letras complexas, bonitas em temas às vezes obscuros, a linda, singular e original voz de Hammill, sons fantásticos de teclados, incríveis trabalhos de saxofone e flauta, bateria forte e criativa, além de sólidas linhas de baixo. 

O primeiro grande disco da Van der Graaf Generator
4.5
18/04/2018

Costumo dizer (na verdade muitas pessoas dizem o mesmo) que The Aerosol Grey Machine é um disco solo de Peter Hammill, pois todas as composições foram feitas sob sua direção. A partir do segundo álbum da banda, The Least We Can Do Is Wave To Each Other, as coisas mudaram radicalmente de direção. Todos os membros trouxeram boas e criativas ideias para o novo disco, onde finalmente houve de fato a estreia “real” da banda. De certa forma essa evolução na sonoridade me faz lembrar o que aconteceu com o Genesis em relação à maturidade atingida no seu segundo disco. Fique claro que não estou comparado musicalmente, mesmo porque são bandas completamente diferentes, mas sim, falando em um ponto de vista histórico onde é inegável que existem algumas similaridades. 

O título do álbum foi baseado em uma frase do britânico John Minton, um pintor e ilustrador de paisagens, retratos e figuras, bem como designer teatral e que cometeu suicídio aos trinta e nove anos em 1957. A partir deste disco a banda estabeleceu o seu estilo através de influências mais progressivas e uma sonoridade no geral excelente. A bateria está muito boa e o trabalho de órgão às vezes é incrível, as partes de guitarra no geral são simples, mas isso não chega a ser um problema, David Jackson toca o saxofone de uma maneira inovadora, seus momentos no disco é uma espécie de estranheza fantástica. Peter Hammill embora pareça soar melhor em discos posteriores, aqui já demonstra toda a peculiaridade de sua voz, usando-a de maneira incrível em linhas intensivas. 

“Darkness (11/11)” é uma faixa que considero perfeita para ser a abertura deste disco. Começa com alguns ventos soprando forte, enquanto baixa e címbalos também se juntam. Em seguida vocais, saxofone e bateria a deixam com um som completo. Possui belíssimas melodias que podem levar um pouco de tempo pra crescer no ouvinte. Tem ótimas letras e carrega uma magia que consegue soar obscura e ao mesmo tempo com um brilho intenso. O solo final de saxofone é excelente. 

“Refugees” é uma das baladas mais bonitas e emocionais do rock progressivo. Excelente começo através de uma combinação entre flauta e violoncelo, vocais em falsete, órgão que sinaliza para a bateria começar, tudo feito com bastante cuidado. Uma faixa sobre sair de casa e ir morar em outro lugar, uma obra bastante pessoal escrita por Peter Hammill. Lindíssima. 

“White Hammer” possui letras interessantes sobre a Inquisição Espanhola e uma atmosfera sombria por toda a sua extensão. A influência de Jackson com o seu saxofone certamente é bastante perceptível nesta faixa. O baixo é pulsante, o trabalho de órgão é poderoso, mas certamente o maior destaque é o solo final de saxofone, ele deixa os dois minutos finais de música algo não menos que assustador e perturbador. 

“Whatever Would Robert Have Said?” é uma faixa bastante esquisita e de letras estranhas. Provavelmente a faixa menos acessível do disco, bastante experimental e inicialmente indicada somente a ouvintes mais familiarizados com o som da banda. Apesar de no começo soar meio descontraída, vai ficando mais selvagem e progressiva, é a música onde mais existe um trabalho de guitarra, com destaque para o executado na parte final. 

“Out Of My Book” é mais uma balada do disco e novamente trazendo consigo letras pessoas de Peter Hammill. O trabalho instrumental traz bastante simplicidade, mas também grande eficácia, principalmente o violão. O órgão também cria uma parede sonora muito interessante para a faixa. O vocal de Hammill é brilhante e extremamente sentimental. Um momento do álbum sem muita pompa, mas bem agradável. 

“After The Flood” é a faixa mais longa e a que finaliza o disco. Não é tão agressiva, mas muito bonita. Provavelmente o Gentle Giant a pegou como inspiração para algumas de suas criações. Começa com uma ambientação mais doce e que lentamente evolui para um som mais debilitante, quase perturbador, onde a supremacia parece estar em disputa entre flauta e saxofone. A parte instrumental no meio da faixa é pura loucura, mas a realidade é que se trata de uma faixa que consegue cativar do começo ao fim. 

The Least We Can Do Is Wave To Each Other é certamente o primeiro grande disco da Van der Graaf Generator, apresentando tudo o que fez a banda ser conhecida. Letras complexas, bonitas em temas às vezes obscuros, a linda, singular e original voz de Hammill, sons fantásticos de teclados, incríveis trabalhos de saxofone e flauta, bateria forte e criativa, além de sólidas linhas de baixo. 

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