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    The Crazy World Of Arthur Brown

    5 Por: Tiago Meneses

Resenha: The Crazy World of Arthur Brown - The Crazy World Of Arthur Brown (1968)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 163

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Album Cover
Original, inteligente, revolucionário e altamente influente.
5
17/04/2018

Talvez nem de longe o restante de sua discografia possa ser vista com a mesma grandeza de sua estreia, mas é real também que mesmo este disco é bastante subestimado por tudo aquilo que ele representa dentro da música psicodélica britânica. Arthur Brown se encaixa no começo de vários estilos, sua dança lunática e seu uso de um chapéu com dois castiçais, sua auto proclamação de “deus do inferno”, tudo isso foram coisas que alteraram para sempre a percepção da música daquela época, além de claro, a criação da sua obra-prima chamada Crazy World of Arthur Brown. 

Possuía uma voz tão impressionante que era complicado traçar um paralelo com alguma outra, nem ele mesmo era capaz de controla-la por muitas vezes, era como se o vocalista se transformasse em outra pessoa, em outra criatura. De qualquer forma, essa era a sua marca registrada, ser uma espécie de animal selvagem fora de controle. 

Mesmo assim é sempre bom destacar que o álbum não tem apenas a voz de Arthur Brown como atrativo. Vincent Crane a esta altura já carregava consigo a fama do tecladista mais selvagem e barulhento do mundo. Na bateria, Drachen Theaker era um baterista de jazz de bastante talento e que havia rejeitado uma audição com Jimi Hendrix para se juntar a Arthur Brown. Sean Nicholas era um excelente baixista conhecido pelos seus trabalhos nos estúdios britânicos. O time realmente era devastador. 

“Prelude-Nightmare” é a faixa de abertura desta maravilha. Começa de maneira suave e sinfônica, mas logo ganha uma agressividade com liderança do órgão e a voz de Brown, além de uma bateria selvagem e baixo preciso. Um cartão de apresentação simplesmente sensacional. As utilizações de trompas também dão um bom efeito para a música que é espetacular. 

“Fanfare-Fire Poem” tem uma melodia fervorosa por trás de uma narração que vai servir como introdução para a faixa seguinte. Arthur Brown aqui parece está brincando como as palavras do livro do apocalipse. Tudo parece seguir sob o controle até que chega um final matador com uma excelente cacofonia. 

“Fire” é a música mais conhecida do disco, sendo tocada até mesmo por Emerson, Lake & Palmer. Trata-se de uma faixa incrível, não seria exagero dizer que Vincent Crane estava dando uma aula gratuita até mesmo ao Deep Purple em como forçar o hammond ao limite. Os vocais vão de baixos até momentos mais fervorosos, a melodia é um R&B mas com tempero extra, mudanças abruptas e andamento inesperado. Sensacional.  

“Come And Buy” a princípio serve para que o ouvinte volta a respirar normalmente, muito bem ritmada, um violino acrescenta um toque de mistério, mas o senhor Brown parece não conseguir parar de brincar com a versatilidade de sua voz. Uma música bastante bonita e muito progressiva antes mesmo do progressivo existir. No final a música eleva-se a outro estágio e além de Brown, Vincent ganha um pouco mais de liberdade e “agride” o ouvinte com um novo ataque matador de órgão. 

"Time/Confusion" é uma música de atmosfera onírica e quase assustadora. Possui raízes na música clássica, embora seja bastante difícil de identificar em qual peça exatamente. A partir de sua metade se transforma em uma balada jazzy poderosa com vocais provocantes. Impressionante como o disco parece ir melhorando conforme as faixas vão passando. Vale ressaltar o trabalho de Teaker na bateria que mais parece um metrônomo humano. Há um momento de narração que é arrepiante. 

“I Put a Spell on You" é um clássico de Screamin Jay Hawkins. Uma versão única e provavelmente a com mais atitude entre todas as versões já feitas até hoje. A interpretação de Arthur é sensacional e o hammond de Crane consegue colocar uma energia absurda na canção.

“Spontaneous Apple Creation” é uma música um tanto esquisita e insana. Bastante experimental e de atmosfera arrepiante, uma bateria jazzística, sons e narrações que a ajudam a deixar tudo mais louco ainda. Difícil explicar, apenas escute. 

Em “Rest Cure” pela primeira vez a banda parece fazer um som mais previsível com a cara do final dos anos 60. Não existe algo necessariamente a se destacar ou criticar, um momento morno do disco, mas de qualquer maneira serve para o ouvinte recuperar um pouco o fôlego novamente. 

“I've Got Money” é um momento extremamente jazzístico do disco. Bateria e baixo fazem um trabalho bastante íntegro e consistente, mas novamente o destaque instrumental fica por conta do piano e órgão de Crane, um verdadeiro deleite. Os vocais de Brown também são sensacionais, principalmente os gritos. 

“Child Of My Kingdom” é a faixa que fecha o disco. Que maneira mais incrível de fechar um disco, uma das melhores músicas de sempre com base de piano. A música transita por vários estilos como blues e o jazz, uma faixa bastante imprevisível e atraente, possui alguns assobios uníssonos que também são destaque. Uma daquelas músicas que merecem 100% de atenção do ouvinte. 

Um disco extremamente original, feito com inteligência, revolucionário e altamente influente para infinitas obras que viriam, por tanto, a frente do seu tempo, além de não possuir um momento de fraqueza que seja. Não ter esse disco não deixa você apenas sem uma obra-prima musical do começo ao fim, mas sem um pedaço da história da música psicodélica. Extremamente avançado para os já longínquos anos do final dos anos 60. 

Original, inteligente, revolucionário e altamente influente.
5
17/04/2018

Talvez nem de longe o restante de sua discografia possa ser vista com a mesma grandeza de sua estreia, mas é real também que mesmo este disco é bastante subestimado por tudo aquilo que ele representa dentro da música psicodélica britânica. Arthur Brown se encaixa no começo de vários estilos, sua dança lunática e seu uso de um chapéu com dois castiçais, sua auto proclamação de “deus do inferno”, tudo isso foram coisas que alteraram para sempre a percepção da música daquela época, além de claro, a criação da sua obra-prima chamada Crazy World of Arthur Brown. 

Possuía uma voz tão impressionante que era complicado traçar um paralelo com alguma outra, nem ele mesmo era capaz de controla-la por muitas vezes, era como se o vocalista se transformasse em outra pessoa, em outra criatura. De qualquer forma, essa era a sua marca registrada, ser uma espécie de animal selvagem fora de controle. 

Mesmo assim é sempre bom destacar que o álbum não tem apenas a voz de Arthur Brown como atrativo. Vincent Crane a esta altura já carregava consigo a fama do tecladista mais selvagem e barulhento do mundo. Na bateria, Drachen Theaker era um baterista de jazz de bastante talento e que havia rejeitado uma audição com Jimi Hendrix para se juntar a Arthur Brown. Sean Nicholas era um excelente baixista conhecido pelos seus trabalhos nos estúdios britânicos. O time realmente era devastador. 

“Prelude-Nightmare” é a faixa de abertura desta maravilha. Começa de maneira suave e sinfônica, mas logo ganha uma agressividade com liderança do órgão e a voz de Brown, além de uma bateria selvagem e baixo preciso. Um cartão de apresentação simplesmente sensacional. As utilizações de trompas também dão um bom efeito para a música que é espetacular. 

“Fanfare-Fire Poem” tem uma melodia fervorosa por trás de uma narração que vai servir como introdução para a faixa seguinte. Arthur Brown aqui parece está brincando como as palavras do livro do apocalipse. Tudo parece seguir sob o controle até que chega um final matador com uma excelente cacofonia. 

“Fire” é a música mais conhecida do disco, sendo tocada até mesmo por Emerson, Lake & Palmer. Trata-se de uma faixa incrível, não seria exagero dizer que Vincent Crane estava dando uma aula gratuita até mesmo ao Deep Purple em como forçar o hammond ao limite. Os vocais vão de baixos até momentos mais fervorosos, a melodia é um R&B mas com tempero extra, mudanças abruptas e andamento inesperado. Sensacional.  

“Come And Buy” a princípio serve para que o ouvinte volta a respirar normalmente, muito bem ritmada, um violino acrescenta um toque de mistério, mas o senhor Brown parece não conseguir parar de brincar com a versatilidade de sua voz. Uma música bastante bonita e muito progressiva antes mesmo do progressivo existir. No final a música eleva-se a outro estágio e além de Brown, Vincent ganha um pouco mais de liberdade e “agride” o ouvinte com um novo ataque matador de órgão. 

"Time/Confusion" é uma música de atmosfera onírica e quase assustadora. Possui raízes na música clássica, embora seja bastante difícil de identificar em qual peça exatamente. A partir de sua metade se transforma em uma balada jazzy poderosa com vocais provocantes. Impressionante como o disco parece ir melhorando conforme as faixas vão passando. Vale ressaltar o trabalho de Teaker na bateria que mais parece um metrônomo humano. Há um momento de narração que é arrepiante. 

“I Put a Spell on You" é um clássico de Screamin Jay Hawkins. Uma versão única e provavelmente a com mais atitude entre todas as versões já feitas até hoje. A interpretação de Arthur é sensacional e o hammond de Crane consegue colocar uma energia absurda na canção.

“Spontaneous Apple Creation” é uma música um tanto esquisita e insana. Bastante experimental e de atmosfera arrepiante, uma bateria jazzística, sons e narrações que a ajudam a deixar tudo mais louco ainda. Difícil explicar, apenas escute. 

Em “Rest Cure” pela primeira vez a banda parece fazer um som mais previsível com a cara do final dos anos 60. Não existe algo necessariamente a se destacar ou criticar, um momento morno do disco, mas de qualquer maneira serve para o ouvinte recuperar um pouco o fôlego novamente. 

“I've Got Money” é um momento extremamente jazzístico do disco. Bateria e baixo fazem um trabalho bastante íntegro e consistente, mas novamente o destaque instrumental fica por conta do piano e órgão de Crane, um verdadeiro deleite. Os vocais de Brown também são sensacionais, principalmente os gritos. 

“Child Of My Kingdom” é a faixa que fecha o disco. Que maneira mais incrível de fechar um disco, uma das melhores músicas de sempre com base de piano. A música transita por vários estilos como blues e o jazz, uma faixa bastante imprevisível e atraente, possui alguns assobios uníssonos que também são destaque. Uma daquelas músicas que merecem 100% de atenção do ouvinte. 

Um disco extremamente original, feito com inteligência, revolucionário e altamente influente para infinitas obras que viriam, por tanto, a frente do seu tempo, além de não possuir um momento de fraqueza que seja. Não ter esse disco não deixa você apenas sem uma obra-prima musical do começo ao fim, mas sem um pedaço da história da música psicodélica. Extremamente avançado para os já longínquos anos do final dos anos 60. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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