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Resenha: O Terço - Criaturas da Noite (1974)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 75

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Um marco definitivo dentro de toda a paisagem do rock progressivo brasileiro
5
13/04/2018

Se em seus dois primeiros discos a banda fez um rock mais orientado com no máximo algumas influências progressivas encontradas principalmente em O Terço II, em Criaturas da Noite eles deram um salto enorme, produzindo aquele que é certamente um dos (para muitos o mais) importantes álbuns de rock progressivo sinfônico do Brasil ou mesmo de todo o continente sul-americano. Não sei exatamente se é por uma questão de eu ser fã, mas a entrada de Flávio Venturini no grupo como um tecladista fixo me pareceu o que de mais fez diferença para que a banda atingisse um resultado musical tão mais requintado. O músico compôs três faixas em parceria, sendo uma delas a faixa título, além de compor sozinho o destaque do disco, 1974, que também viria a ser um dos maiores clássicos da banda. 

O disco começa com “Hey Amigo” através de um baixo marcante que logo ganha à companhia substancial de bateria e órgão antes se completar de vez com um trabalho de guitarra que é sensacional. Um rock and roll dançante e cheio de energia com direito a um solo de guitarra maravilhoso no final. Um começo direto e reto. 

“Queimada” mostra um lado mais folk da banda pela primeira vez. As vozes são belíssimas e uma completa a outra perfeitamente. Violas e violão são basicamente o que a música tem a oferecer em instrumentos, mas tocados de uma maneira belíssima e por músicos que entendem bem do assunto. Uma leve percussão ainda pincela a música ao fundo na sua parte final. 

“Pano de Fundo” começa com uma sonoridade meio Black Sabbath (principalmente pela atmosfera mais obscura), porém os vocais dão outro tipo de humor pra música a deixando mais alegre. O solo final de guitarra é uma maravilha, em um ritmo influenciado claramente pela música do Santana. 

“Ponto Final” é uma música maravilhosa, começa com uma linda estrutura de piano que é construída ao lado de um coral bastante sutil. Os sintetizadores são um recheio perfeito, baixo e bateria fazem apenas uma cama confortável e sólida, a guitarra distorcida coloca um pouco mais de fulgor na música. O piano clássico lembra os utilizados na escola progressiva italiana tamanha a sua emotividade. 

“Volte na Próxima Semana” é a faixa mais pesada do disco. Um rock and roll puro com ótimos riffs de guitarra, solos marcantes, linhas de baixo nervosas, bateria poderosas, um trabalho de órgão pungente, além de vocais altamente hard rock. Aquele tipo de música pra se ouvir no volume máximo. 

“Criaturas da Noite” apresenta um vocal ao piano feito por Venturini enriquecido pela orquestração do grande mestre Rogério Duprat. Uma canção simples e extremamente bela, daquelas que mais do que ouvir, conseguimos senti-la tocar em nosso coração devido a sua carga emocional. 

Como esse disco é bom de ouvir, “Jogo das Pedras” tem uma melodia inicial muito agradável e do tipo que dar uma vontade instantânea de querer tocar ao violão. Novamente apresenta vocais muito bem estruturados, agora falando sobre as incertezas da vida. Sérgio faz mais um excelente solo de guitarra, certamente um dos melhores de sua carreira. 

“1974” pode não ser exatamente a música preferida entre todos os ouvintes deste disco, mas é inegável que se trata de sua música mais progressiva. Começa com um piano delicado e sentimental. A música é mais de doze minutos de um rock progressivo sinfônico instrumental (apesar de ter algumas vocalizações) de primeira grandeza. Sejam as partes mais serenas ou mais enérgicas, todas no final das contas possuem uma grande delicadeza. Bateria e baixo conseguem sempre colocar a massa necessária nas paredes sonoras, enquanto que as tintas de guitarra e teclado pintam em cores vibrantes e variadas cada segundo da música. Uma verdadeira obra-prima atemporal. Não sei exatamente qual o grau de popularidade que esta música tem fora do Brasil, mas todo amante do rock progressivo clássico tem por obrigação ouvir isso pelo menos uma vez. 

Após chegar ao fim o disco consegue deixar no ouvinte uma mistura de sensações, algo entre alegria e tristeza. Tudo bem que o disco não está isento de certas falhas, mas é muito pouco pelo marco definitivo dentro de toda a paisagem do rock progressivo brasileiro que ele representa. Uma obra-prima incontestável. 

Um marco definitivo dentro de toda a paisagem do rock progressivo brasileiro
5
13/04/2018

Se em seus dois primeiros discos a banda fez um rock mais orientado com no máximo algumas influências progressivas encontradas principalmente em O Terço II, em Criaturas da Noite eles deram um salto enorme, produzindo aquele que é certamente um dos (para muitos o mais) importantes álbuns de rock progressivo sinfônico do Brasil ou mesmo de todo o continente sul-americano. Não sei exatamente se é por uma questão de eu ser fã, mas a entrada de Flávio Venturini no grupo como um tecladista fixo me pareceu o que de mais fez diferença para que a banda atingisse um resultado musical tão mais requintado. O músico compôs três faixas em parceria, sendo uma delas a faixa título, além de compor sozinho o destaque do disco, 1974, que também viria a ser um dos maiores clássicos da banda. 

O disco começa com “Hey Amigo” através de um baixo marcante que logo ganha à companhia substancial de bateria e órgão antes se completar de vez com um trabalho de guitarra que é sensacional. Um rock and roll dançante e cheio de energia com direito a um solo de guitarra maravilhoso no final. Um começo direto e reto. 

“Queimada” mostra um lado mais folk da banda pela primeira vez. As vozes são belíssimas e uma completa a outra perfeitamente. Violas e violão são basicamente o que a música tem a oferecer em instrumentos, mas tocados de uma maneira belíssima e por músicos que entendem bem do assunto. Uma leve percussão ainda pincela a música ao fundo na sua parte final. 

“Pano de Fundo” começa com uma sonoridade meio Black Sabbath (principalmente pela atmosfera mais obscura), porém os vocais dão outro tipo de humor pra música a deixando mais alegre. O solo final de guitarra é uma maravilha, em um ritmo influenciado claramente pela música do Santana. 

“Ponto Final” é uma música maravilhosa, começa com uma linda estrutura de piano que é construída ao lado de um coral bastante sutil. Os sintetizadores são um recheio perfeito, baixo e bateria fazem apenas uma cama confortável e sólida, a guitarra distorcida coloca um pouco mais de fulgor na música. O piano clássico lembra os utilizados na escola progressiva italiana tamanha a sua emotividade. 

“Volte na Próxima Semana” é a faixa mais pesada do disco. Um rock and roll puro com ótimos riffs de guitarra, solos marcantes, linhas de baixo nervosas, bateria poderosas, um trabalho de órgão pungente, além de vocais altamente hard rock. Aquele tipo de música pra se ouvir no volume máximo. 

“Criaturas da Noite” apresenta um vocal ao piano feito por Venturini enriquecido pela orquestração do grande mestre Rogério Duprat. Uma canção simples e extremamente bela, daquelas que mais do que ouvir, conseguimos senti-la tocar em nosso coração devido a sua carga emocional. 

Como esse disco é bom de ouvir, “Jogo das Pedras” tem uma melodia inicial muito agradável e do tipo que dar uma vontade instantânea de querer tocar ao violão. Novamente apresenta vocais muito bem estruturados, agora falando sobre as incertezas da vida. Sérgio faz mais um excelente solo de guitarra, certamente um dos melhores de sua carreira. 

“1974” pode não ser exatamente a música preferida entre todos os ouvintes deste disco, mas é inegável que se trata de sua música mais progressiva. Começa com um piano delicado e sentimental. A música é mais de doze minutos de um rock progressivo sinfônico instrumental (apesar de ter algumas vocalizações) de primeira grandeza. Sejam as partes mais serenas ou mais enérgicas, todas no final das contas possuem uma grande delicadeza. Bateria e baixo conseguem sempre colocar a massa necessária nas paredes sonoras, enquanto que as tintas de guitarra e teclado pintam em cores vibrantes e variadas cada segundo da música. Uma verdadeira obra-prima atemporal. Não sei exatamente qual o grau de popularidade que esta música tem fora do Brasil, mas todo amante do rock progressivo clássico tem por obrigação ouvir isso pelo menos uma vez. 

Após chegar ao fim o disco consegue deixar no ouvinte uma mistura de sensações, algo entre alegria e tristeza. Tudo bem que o disco não está isento de certas falhas, mas é muito pouco pelo marco definitivo dentro de toda a paisagem do rock progressivo brasileiro que ele representa. Uma obra-prima incontestável. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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