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Resenha: Mike Oldfield - Ommadawn (1975)

Por: Tiago Meneses

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O Olimpo da genialidade de Oldfield.
5
10/04/2018

Um disco extremamente especial, onde tudo o que Mike Oldfield aprendeu em seus dois trabalhos anteriores, é reunido de uma maneira que e os superam, apresentando uma obra-prima muito bem elaborada, dramática, comovente e perfeitamente executada. Lembro-me sentindo bastante vergonha por um dia tê-lo chamado de “o cara da música do Exorcista”, como se sua obra se resumisse apenas a isso, quanta inocência da minha parte, ou seria blasfêmia? Não sei, o que eu sei é que com o passar dos anos não passei a apenas ouvir a sua música, mas estuda-la. 

Sinceramente, às vezes acho difícil de acreditar que Ommadawn foi gravado no ano de 1975, as coisas pareciam estarem pelo menos vinte anos a frente do seu tempo, uma produção bastante limpa, uma ideia revolucionária na mistura da música pop, clássica, progressiva e étnica, além do uso de infinitos instrumentos que juntos chegam a um resultado musical soberbo. Quando uso o termo revolucionário, a quem ache que estou exagerando, tudo bem, mas a de se concordar que se trata de algo pelo menos corajoso, sua ideia de uma música em cada lado do disco não era inédita, mas ele nunca mais conseguiria ser tão preciso como aqui. 

“Ommadawn Part 1” começa em um tom hipnótico, misterioso e relaxante. Baixo, guitarra e koto, com sons graves de órgão junto de um coro mais contido. A atmosfera criada é típica para uma meditação. Vai progredindo cada vez mais com uma perfeição absoluta em termos de ritmo, estrutura e musicalidade, então que através de um som maciço de um gongo, a melodia enigmática começa a também ganhar vida. Começa a seguir por um caminho onde a influência na música barroca (Bach e Vivaldi) é nítida. Apesar de Mike Oldfiled já ter mostrado que não precisa necessariamente de outros músicos em seus discos pra que tudo corra bem, aqui o acréscimo de um número maior de integrantes que nos seus discos anteriores deu uma roupagem diferente e melhor. Por volta do meio de sua viagem, a música parece “reiniciar” com uma nova corrente suave que traz à lembrança uma sensação de serenidade através de movimentos vibrantes e uma nova reviravolta que faz com que mude o tema principal. A guitarra que entra nesse instante não é menos que estupenda, transbordando energia, confiança, superação e trazendo uma sensação edificante no ouvinte. Percussões africanas agora lideram a música, transformando o caminho que resta em uma estrada cheia de incerteza, mas que faz apenas com que sejamos abraçados novamente pelo tema inicial através de umas batidas de baixo, coros em tom desesperado, golpes gritantes de guitarra e um clangor assustador de sinos tubulares. Que música mais sensacional, “somente” isso já valeria o disco, mas tem mais. 

“Ommadawn Part 2” não é uma música menos genial (embora a maioria das pessoas costumam acha-la um pouco abaixo da primeira). Novamente o começo é assombroso de uma maneira maravilhosa, algumas guitarras elétricas superdimensionadas dedilham e vibram em uníssono, dando uma sensação de peso insondável. A música é cortada por flautas em notas suaves que a fazem ir desaparecendo lentamente e sossegadas. Violões começam a vagar livre e calmamente, então que um dos mais belos trabalhos de gaita de foles que já ouvi na vida fortalece a música com longas e preguiçosas notas, antes que a música se direcione para um caminho mais doloroso, onde um violão acústico acompanha a flauta estabelecendo um clima menos alto astral. Como aconteceu no final do primeiro lado, uma bateria africana dá o ritmo à música de maneira enérgica e servindo como um ótimo tapete para que um excelente solo de guitarra desfile por cima, alguns segundos de silêncio, e uma melodia encantadora de violão aparece, a voz sempre frágil de Oldfield fala os primeiros versos de “On Horseback” (faixa contida no final de” Ommadawn part 2”), onde relata sobre coisas simples do cotidiano que ele gosta de fazer como beber cerveja, comer queijo, apenas sentir o cheiro de uma brisa ou andar a cavalo. Possui um sentimento até mesmo infantil, principalmente pelo coro de crianças que lideram o último refrão, mas apesar de um final menos retumbante que a música apresentada no resto do álbum, a paixão com que Oldfield comanda os instrumentos continua fortíssima. 

Um disco profundo e poderoso. Se você não conhece esse disco e procura uma música progressiva sinfônica, melódica, de atmosfera pacífica e emocional, não existe outro álbum que eu recomendaria a você antes deste. Ommadawn mais do que apenas uma obra-prima na prateleira, com o tempo pode se tornar um membro da família tamanha a interação e conexão na alma do ouvinte que ele tem o poder de exercer. O Olimpo da genialidade de Oldfield. 

O Olimpo da genialidade de Oldfield.
5
10/04/2018

Um disco extremamente especial, onde tudo o que Mike Oldfield aprendeu em seus dois trabalhos anteriores, é reunido de uma maneira que e os superam, apresentando uma obra-prima muito bem elaborada, dramática, comovente e perfeitamente executada. Lembro-me sentindo bastante vergonha por um dia tê-lo chamado de “o cara da música do Exorcista”, como se sua obra se resumisse apenas a isso, quanta inocência da minha parte, ou seria blasfêmia? Não sei, o que eu sei é que com o passar dos anos não passei a apenas ouvir a sua música, mas estuda-la. 

Sinceramente, às vezes acho difícil de acreditar que Ommadawn foi gravado no ano de 1975, as coisas pareciam estarem pelo menos vinte anos a frente do seu tempo, uma produção bastante limpa, uma ideia revolucionária na mistura da música pop, clássica, progressiva e étnica, além do uso de infinitos instrumentos que juntos chegam a um resultado musical soberbo. Quando uso o termo revolucionário, a quem ache que estou exagerando, tudo bem, mas a de se concordar que se trata de algo pelo menos corajoso, sua ideia de uma música em cada lado do disco não era inédita, mas ele nunca mais conseguiria ser tão preciso como aqui. 

“Ommadawn Part 1” começa em um tom hipnótico, misterioso e relaxante. Baixo, guitarra e koto, com sons graves de órgão junto de um coro mais contido. A atmosfera criada é típica para uma meditação. Vai progredindo cada vez mais com uma perfeição absoluta em termos de ritmo, estrutura e musicalidade, então que através de um som maciço de um gongo, a melodia enigmática começa a também ganhar vida. Começa a seguir por um caminho onde a influência na música barroca (Bach e Vivaldi) é nítida. Apesar de Mike Oldfiled já ter mostrado que não precisa necessariamente de outros músicos em seus discos pra que tudo corra bem, aqui o acréscimo de um número maior de integrantes que nos seus discos anteriores deu uma roupagem diferente e melhor. Por volta do meio de sua viagem, a música parece “reiniciar” com uma nova corrente suave que traz à lembrança uma sensação de serenidade através de movimentos vibrantes e uma nova reviravolta que faz com que mude o tema principal. A guitarra que entra nesse instante não é menos que estupenda, transbordando energia, confiança, superação e trazendo uma sensação edificante no ouvinte. Percussões africanas agora lideram a música, transformando o caminho que resta em uma estrada cheia de incerteza, mas que faz apenas com que sejamos abraçados novamente pelo tema inicial através de umas batidas de baixo, coros em tom desesperado, golpes gritantes de guitarra e um clangor assustador de sinos tubulares. Que música mais sensacional, “somente” isso já valeria o disco, mas tem mais. 

“Ommadawn Part 2” não é uma música menos genial (embora a maioria das pessoas costumam acha-la um pouco abaixo da primeira). Novamente o começo é assombroso de uma maneira maravilhosa, algumas guitarras elétricas superdimensionadas dedilham e vibram em uníssono, dando uma sensação de peso insondável. A música é cortada por flautas em notas suaves que a fazem ir desaparecendo lentamente e sossegadas. Violões começam a vagar livre e calmamente, então que um dos mais belos trabalhos de gaita de foles que já ouvi na vida fortalece a música com longas e preguiçosas notas, antes que a música se direcione para um caminho mais doloroso, onde um violão acústico acompanha a flauta estabelecendo um clima menos alto astral. Como aconteceu no final do primeiro lado, uma bateria africana dá o ritmo à música de maneira enérgica e servindo como um ótimo tapete para que um excelente solo de guitarra desfile por cima, alguns segundos de silêncio, e uma melodia encantadora de violão aparece, a voz sempre frágil de Oldfield fala os primeiros versos de “On Horseback” (faixa contida no final de” Ommadawn part 2”), onde relata sobre coisas simples do cotidiano que ele gosta de fazer como beber cerveja, comer queijo, apenas sentir o cheiro de uma brisa ou andar a cavalo. Possui um sentimento até mesmo infantil, principalmente pelo coro de crianças que lideram o último refrão, mas apesar de um final menos retumbante que a música apresentada no resto do álbum, a paixão com que Oldfield comanda os instrumentos continua fortíssima. 

Um disco profundo e poderoso. Se você não conhece esse disco e procura uma música progressiva sinfônica, melódica, de atmosfera pacífica e emocional, não existe outro álbum que eu recomendaria a você antes deste. Ommadawn mais do que apenas uma obra-prima na prateleira, com o tempo pode se tornar um membro da família tamanha a interação e conexão na alma do ouvinte que ele tem o poder de exercer. O Olimpo da genialidade de Oldfield. 

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