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Resenha: Genesis - Duke (1980)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Album Cover
Caindo de boca no pop
3.5
09/04/2018

Depois do inspirador êxito de And Then There Were Three (veja link para a resenha, após esta matéria), o Genesis deu um tempo. Mike Rutherford e Tony Banks lançaram álbuns-solo. Phil Collins participou de projetos de outros artistas e tentou, sem sucesso, juntar os pedaços de seu casamento. Chegou a sair do Genesis para viver no Canadá, mas, quando viu que a relação com Andrea estava falida, voltou para a Inglaterra e para a banda. A história da traição de sua primeira esposa – sempre contada na versão Collins – tematizaria canções por décadas. Nunca um chifre rendeu tanto $$$ na música pop

Entre outubro e dezembro de 1979, os genesianos voavam para Estocolmo para gravar no Polar Studios. Em março de 1980, saiu Duke, consolidação da influência popeira de Phil Collins sobre a complicação progressiva de Mike e Tony. Quantitativamente, Duke ainda é dominado por composições de Banks-Rutherford, mas seu resultado comercial implicaria no predomínio de Phil nos anos vindouros.

Duke representa salto vital na gênese do Genesis oitentista, mais pop, agressivo, e que deixou as outras bandas prog comendo poeira. Supertramp virou pop também, mas na metade da década já não era nada comercialmente. O Yes praticamente idem. Genesis foi a única banda prog que popeou e permaneceu soberana nas paradas até os anos 90. E sempre foi malhada por isso.

O álbum mistura pop e prog em doses bastante eficazes. A ideia inicial de compor longa suíte ao estilo de Supper’s Ready foi abortada e as partes divididas e espalhadas pelo disco. Percebe-se a ligação entre algumas faixas pelas referências melódicas e pela repetição da letra de Guide Vocal no fim da viagem instrumental de Duke’s Travels.

Para conhecedores dos estilos de cada um dos três integrantes da banda não é difícil perceber que o desespero dedilhado de Alone Tonight é puro Mike Rutherford e que o fatalismo pessimista da outonal Heathaze é de Tony Banks. Quem mais aconselharia o ouvinte a jogar comida aos patos, caso encontrasse alguém pescando num rio seco, porque crente de que há água? É mais fácil isso, do que tentar convencê-lo do contrário.

A parcela pop de Duke abriu as portas de um público novo. Misunderstanding – contribuição de Collins, influenciada pelo chifre e pelos Beach Boys – estourou nos EUA. Turn It On Again – vibrante, meio rock de arena, típico produto 80’s – também, e virou clássico nos shows. A canção não é de Phil, mas foi ele quem deu o conselho de Midas enquanto ensaiavam: aumentar a velocidade da batida. O sucesso de vendas certamente elevou a influência do baterista; afinal, quem quereria remar contra a favorável maré das caixas registradoras?

Collins está totalmente à vontade nos vocais, embora a produção de David Hentschel, às vezes, faz a voz soar um pouco remota. O que funcionou bem em And Then There Were Three não repetiu o efeito em Duke.

Dando adeus ao Mellotron, aos longos solos de teclado e às filigranas de Selling England By the Pound, Duke levou o Genesis ao topo das paradas britânicas pela primeira vez. O grupo repetiria a façanha até os anos 90, abrangendo um público que muitas vezes desconhecia sua fase progressiva clássica, a não ser pelos resquícios ouvidos/vistos em shows.

No ano seguinte, 1981, o álbum-solo de estreia de Phil Collins estouraria nos dois lados do Atlântico, tornando-o um dos superstars mais atípicos da história do pop (baixinho, careca, trintão, quase sempre acima do peso e com barriguinha e cara de papai classe-média). Ele assumiria de vez a liderança do Genesis e a popice seguiria desenfreada. Muitos fãs antigos ficaram pelo caminho, mas a banda abria-se para um novo mundo, no início da década dos yuppies.

Caindo de boca no pop
3.5
09/04/2018

Depois do inspirador êxito de And Then There Were Three (veja link para a resenha, após esta matéria), o Genesis deu um tempo. Mike Rutherford e Tony Banks lançaram álbuns-solo. Phil Collins participou de projetos de outros artistas e tentou, sem sucesso, juntar os pedaços de seu casamento. Chegou a sair do Genesis para viver no Canadá, mas, quando viu que a relação com Andrea estava falida, voltou para a Inglaterra e para a banda. A história da traição de sua primeira esposa – sempre contada na versão Collins – tematizaria canções por décadas. Nunca um chifre rendeu tanto $$$ na música pop

Entre outubro e dezembro de 1979, os genesianos voavam para Estocolmo para gravar no Polar Studios. Em março de 1980, saiu Duke, consolidação da influência popeira de Phil Collins sobre a complicação progressiva de Mike e Tony. Quantitativamente, Duke ainda é dominado por composições de Banks-Rutherford, mas seu resultado comercial implicaria no predomínio de Phil nos anos vindouros.

Duke representa salto vital na gênese do Genesis oitentista, mais pop, agressivo, e que deixou as outras bandas prog comendo poeira. Supertramp virou pop também, mas na metade da década já não era nada comercialmente. O Yes praticamente idem. Genesis foi a única banda prog que popeou e permaneceu soberana nas paradas até os anos 90. E sempre foi malhada por isso.

O álbum mistura pop e prog em doses bastante eficazes. A ideia inicial de compor longa suíte ao estilo de Supper’s Ready foi abortada e as partes divididas e espalhadas pelo disco. Percebe-se a ligação entre algumas faixas pelas referências melódicas e pela repetição da letra de Guide Vocal no fim da viagem instrumental de Duke’s Travels.

Para conhecedores dos estilos de cada um dos três integrantes da banda não é difícil perceber que o desespero dedilhado de Alone Tonight é puro Mike Rutherford e que o fatalismo pessimista da outonal Heathaze é de Tony Banks. Quem mais aconselharia o ouvinte a jogar comida aos patos, caso encontrasse alguém pescando num rio seco, porque crente de que há água? É mais fácil isso, do que tentar convencê-lo do contrário.

A parcela pop de Duke abriu as portas de um público novo. Misunderstanding – contribuição de Collins, influenciada pelo chifre e pelos Beach Boys – estourou nos EUA. Turn It On Again – vibrante, meio rock de arena, típico produto 80’s – também, e virou clássico nos shows. A canção não é de Phil, mas foi ele quem deu o conselho de Midas enquanto ensaiavam: aumentar a velocidade da batida. O sucesso de vendas certamente elevou a influência do baterista; afinal, quem quereria remar contra a favorável maré das caixas registradoras?

Collins está totalmente à vontade nos vocais, embora a produção de David Hentschel, às vezes, faz a voz soar um pouco remota. O que funcionou bem em And Then There Were Three não repetiu o efeito em Duke.

Dando adeus ao Mellotron, aos longos solos de teclado e às filigranas de Selling England By the Pound, Duke levou o Genesis ao topo das paradas britânicas pela primeira vez. O grupo repetiria a façanha até os anos 90, abrangendo um público que muitas vezes desconhecia sua fase progressiva clássica, a não ser pelos resquícios ouvidos/vistos em shows.

No ano seguinte, 1981, o álbum-solo de estreia de Phil Collins estouraria nos dois lados do Atlântico, tornando-o um dos superstars mais atípicos da história do pop (baixinho, careca, trintão, quase sempre acima do peso e com barriguinha e cara de papai classe-média). Ele assumiria de vez a liderança do Genesis e a popice seguiria desenfreada. Muitos fãs antigos ficaram pelo caminho, mas a banda abria-se para um novo mundo, no início da década dos yuppies.

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