Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Emerson, Lake And Palmer - Trilogy (1972)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 158

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
O disco menos pomposo, mas ainda assim, o mais progressivo e clássico.
5
06/04/2018

Quando falo de Emerson, Lake & Palmer, dificilmente a minha preferência em relação aos seus primeiros quatro álbuns se mantém a mesma por muito tempo, o grupo tem nestes o seu apogeu criativo e faz com que eu pule de galho em galho acerca de minha opinião, nunca me mantendo preso a um deles o colocando a frente dos demais. Mas algo que realmente acontece aqui é que Trilogy parece ser o mais diferente. Claro que também existem suas semelhanças, não tem como fugir completamente, mas aqui as coisas parecem soar menos bombásticas, digamos assim, e de alguma forma, mais comedido, sem a intensidade encontrada nos outros álbuns (o que não quer dizer absolutamente nada, estou apenas fazendo uma observação). A própria capa do disco, uma fotografia retocada dos membros de lado olhando para um pôr-do-sol que se encontra na contracapa, parece dar um ar mais sereno e requintado, algo menos ousado que o encontrado em discos anteriores. Não quer dizer também que não existem alguns momentos pesados em Trilogy, mas também possui momentos mais amenos e estudados. Existe uma influência moderna da música clássica romântica russa nas teclas de Keith Emerson e que são atenuadas pela poderosa voz e ótimas linhas de baixo de Greg Lake, além de um Carl Palmer que parecia apenas evoluir em cada disco, em uma bateria mais precisa do que nunca. O disco também possui uma excelente produção, trazendo uma sonoridade muito boa, nítida e clara. 

O disco começa com “The Endless Enigma (Part 1)”, Emerson faz com que seu sintetizador soe mais ou menos com um pássaro noturno em tom misterioso. A bateria de Palmer é bastante tranquila. Então que também é apresentado algumas notas de pianos, mais sintetizador e por um breve instante, zukra (a gaita de foles da Líbia) até que a faixa fica mais enérgica e pesada com todos os três tocando juntos com bastante furor. Então que entra Lake com sua voz doce e as coisas se acalmam. Destaque também para o desempenho de Emerson no piano acústico, onde provavelmente ninguém consegue ser melhor do que ele. “Fugue” possui um piano Steinway não menos que maravilhoso, o baixo de Lake  ao fundo o apoia muito bem e Palmer adiciona alguns pequenos e agradáveis toques. “The Endless Enigma (Part 2)” começa de maneira forte, alguns sinos, sintetizadores e órgão distorcidos edificam a sonoridade da música. Possui uma melodia épica com Lake cantando de maneira bastante intensa. 

“From The Beginning” é uma balada lindíssima, minha preferida da banda. O violão de Greg Lake é mágico. 	Possui uma excelente melodia de atmosfera um pouco dark, os sintetizadores com assobios suaves complementam perfeitamente a música, assim como as sutis linhas de percussão. “The Sherriff” é uma faixa bastante divertida. Começa com um mini solo de bateria de Palmer antes que órgão e baixo também entrem na música. Mesmo sendo mais uma faixa curta, é ótima, trazendo excelentes harmonias, além de um piano honky donk de Emerson no final da faixa que impressiona. “Hoedown” é uma versão para a música de Aaron Copland e que se tornou um clássico do grupo, servindo por muito tempo como música de abertura dos concertos da banda. Um trabalho de tirar o fôlego, sintetizadores e órgão arrasadores, linhas sólidas de baixo e uma bateria poderosa. Empolgante e bastante envolvente do começo ao fim. 

“Trilogy” é uma das minhas músicas preferidas entre todas da banda. Começa de maneira suave através de um piano nítido, claro e com reminiscência ao estilo do pianista americano George Gershwin, Greg Lake também contribui para esse começo com o seu canto suave e melódico. A faixa então entra em uma seção instrumental animada por sintetizadores e órgãos bastante imponentes, além de linhas de baixo criativas e bateria inventiva com o uso de uma boa variedade de instrumentos de percussão. Quando o vocal retorna, a música segue em um fluxo contínuo e sólido, antes de entrar novamente em uma linha instrumental com sintetizadores avassaladores. “Living Sin” possui uma sonoridade pesada e sombria. Os vocais de Lake estão bem diferentes, mostrando-se em notas um tanto baixas em alguns pontos, já em outros de maneira gritada, ele canta notas mais altas que o comum. Lake é acompanhado novamente por um trabalho acentuado de sintetizador e órgão, bateria bastante criativa, além de criar umas conhecidas e sólidas linhas de baixo. Trata-se de uma composição muito bonita e melódica. “Abaddon's Bolero” é a faixa que finaliza o disco. Começa de forma bastante silenciosa e repetitiva por parte da bateria em uma sonoridade que me lembra uma marcha romana, Emerson então vai adicionando pouco a pouco camadas de sintetizadores e hammond, primeiro “flauta”, depois “trompete”. O baixo em linhas delicadas encapa bem o fundo enquanto a música vai se desenvolvendo de maneira lenta, porém segura. Emerson adiciona alguns sintetizadores que dão à música uma sensação meio malévola enquanto o “exército” parece seguir adiante sem temer nada nem ninguém. A faixa termina de forma abrupta. Uma peça musical bastante interessante e evocativa. 

A conclusão é que se trata de um disco brilhante, onde tudo nele cativa e possui a capacidade de deixar o ouvinte em transe. Muitas pessoas costumam citar os “excessos” como uma barreira pra apreciar a banda, mas Trilogy não segue esse mesmo caminho, é certamente o disco menos pomposo, mas ainda assim, o mais progressivo e clássico. 

O disco menos pomposo, mas ainda assim, o mais progressivo e clássico.
5
06/04/2018

Quando falo de Emerson, Lake & Palmer, dificilmente a minha preferência em relação aos seus primeiros quatro álbuns se mantém a mesma por muito tempo, o grupo tem nestes o seu apogeu criativo e faz com que eu pule de galho em galho acerca de minha opinião, nunca me mantendo preso a um deles o colocando a frente dos demais. Mas algo que realmente acontece aqui é que Trilogy parece ser o mais diferente. Claro que também existem suas semelhanças, não tem como fugir completamente, mas aqui as coisas parecem soar menos bombásticas, digamos assim, e de alguma forma, mais comedido, sem a intensidade encontrada nos outros álbuns (o que não quer dizer absolutamente nada, estou apenas fazendo uma observação). A própria capa do disco, uma fotografia retocada dos membros de lado olhando para um pôr-do-sol que se encontra na contracapa, parece dar um ar mais sereno e requintado, algo menos ousado que o encontrado em discos anteriores. Não quer dizer também que não existem alguns momentos pesados em Trilogy, mas também possui momentos mais amenos e estudados. Existe uma influência moderna da música clássica romântica russa nas teclas de Keith Emerson e que são atenuadas pela poderosa voz e ótimas linhas de baixo de Greg Lake, além de um Carl Palmer que parecia apenas evoluir em cada disco, em uma bateria mais precisa do que nunca. O disco também possui uma excelente produção, trazendo uma sonoridade muito boa, nítida e clara. 

O disco começa com “The Endless Enigma (Part 1)”, Emerson faz com que seu sintetizador soe mais ou menos com um pássaro noturno em tom misterioso. A bateria de Palmer é bastante tranquila. Então que também é apresentado algumas notas de pianos, mais sintetizador e por um breve instante, zukra (a gaita de foles da Líbia) até que a faixa fica mais enérgica e pesada com todos os três tocando juntos com bastante furor. Então que entra Lake com sua voz doce e as coisas se acalmam. Destaque também para o desempenho de Emerson no piano acústico, onde provavelmente ninguém consegue ser melhor do que ele. “Fugue” possui um piano Steinway não menos que maravilhoso, o baixo de Lake  ao fundo o apoia muito bem e Palmer adiciona alguns pequenos e agradáveis toques. “The Endless Enigma (Part 2)” começa de maneira forte, alguns sinos, sintetizadores e órgão distorcidos edificam a sonoridade da música. Possui uma melodia épica com Lake cantando de maneira bastante intensa. 

“From The Beginning” é uma balada lindíssima, minha preferida da banda. O violão de Greg Lake é mágico. 	Possui uma excelente melodia de atmosfera um pouco dark, os sintetizadores com assobios suaves complementam perfeitamente a música, assim como as sutis linhas de percussão. “The Sherriff” é uma faixa bastante divertida. Começa com um mini solo de bateria de Palmer antes que órgão e baixo também entrem na música. Mesmo sendo mais uma faixa curta, é ótima, trazendo excelentes harmonias, além de um piano honky donk de Emerson no final da faixa que impressiona. “Hoedown” é uma versão para a música de Aaron Copland e que se tornou um clássico do grupo, servindo por muito tempo como música de abertura dos concertos da banda. Um trabalho de tirar o fôlego, sintetizadores e órgão arrasadores, linhas sólidas de baixo e uma bateria poderosa. Empolgante e bastante envolvente do começo ao fim. 

“Trilogy” é uma das minhas músicas preferidas entre todas da banda. Começa de maneira suave através de um piano nítido, claro e com reminiscência ao estilo do pianista americano George Gershwin, Greg Lake também contribui para esse começo com o seu canto suave e melódico. A faixa então entra em uma seção instrumental animada por sintetizadores e órgãos bastante imponentes, além de linhas de baixo criativas e bateria inventiva com o uso de uma boa variedade de instrumentos de percussão. Quando o vocal retorna, a música segue em um fluxo contínuo e sólido, antes de entrar novamente em uma linha instrumental com sintetizadores avassaladores. “Living Sin” possui uma sonoridade pesada e sombria. Os vocais de Lake estão bem diferentes, mostrando-se em notas um tanto baixas em alguns pontos, já em outros de maneira gritada, ele canta notas mais altas que o comum. Lake é acompanhado novamente por um trabalho acentuado de sintetizador e órgão, bateria bastante criativa, além de criar umas conhecidas e sólidas linhas de baixo. Trata-se de uma composição muito bonita e melódica. “Abaddon's Bolero” é a faixa que finaliza o disco. Começa de forma bastante silenciosa e repetitiva por parte da bateria em uma sonoridade que me lembra uma marcha romana, Emerson então vai adicionando pouco a pouco camadas de sintetizadores e hammond, primeiro “flauta”, depois “trompete”. O baixo em linhas delicadas encapa bem o fundo enquanto a música vai se desenvolvendo de maneira lenta, porém segura. Emerson adiciona alguns sintetizadores que dão à música uma sensação meio malévola enquanto o “exército” parece seguir adiante sem temer nada nem ninguém. A faixa termina de forma abrupta. Uma peça musical bastante interessante e evocativa. 

A conclusão é que se trata de um disco brilhante, onde tudo nele cativa e possui a capacidade de deixar o ouvinte em transe. Muitas pessoas costumam citar os “excessos” como uma barreira pra apreciar a banda, mas Trilogy não segue esse mesmo caminho, é certamente o disco menos pomposo, mas ainda assim, o mais progressivo e clássico. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Emerson, Lake And Palmer

Album Cover

Emerson, Lake And Palmer - Brain Salad Surgery (1973)

Um disco perfeito do começo ao fim e que cada segundo vale a pena
5
Por: Tiago Meneses
02/08/2018
Album Cover

Emerson, Lake And Palmer - Works Volume 1 (1977)

Um esforço louvável de alguns momentos estros e outros descartáveis.
3
Por: Tiago Meneses
20/03/2018
Album Cover

Emerson, Lake And Palmer - Emerson, Lake And Palmer (1970)

Uma estreia poderosa
5
Por: Tiago Meneses
10/10/2017

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Taproban - Per Aspera Ad Astra (2017)

Prog italiano que homenageia vítimas da corrida espacial
3
Por: Roberto Rillo Bíscaro
25/05/2018
Album Cover

Triumvirat - Illusions On A Double Dimple (1974)

Mudança e superação
5
Por: Rafael Lemos
02/05/2018
Album Cover

Casa das Maquinas - Lar de Maravilhas (1974)

Instrumentação espacial e inventividade progressiva.
3.5
Por: Tiago Meneses
04/10/2017