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Resenha: Hatfield and the North - The Rotters' Club (1975)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Música muito bem trabalhada e equilibrada.
4.5
04/04/2018

Uma banda de curta duração e apenas dois discos lançados, mas certamente dois discos bastante valiosos. Já deixei minhas impressões sobre o seu primeiro disco em uma resenha aqui mesmo no site, agora é a vez de falar sobre o não menos excelente, The Rotters' Club. Novamente não se trata apenas de uma reunião de músicos extraordinários, mas a música é muito bem trabalhada e equilibrada. Com uma sonoridade que vai desde um fusion furioso encontrado em trabalhos da Soft Machine até linhas suaves e bem-humoradas vistas na Caravan, a Hatfield and the North consegue infundir tudo com suas personalidades musicais distintas. 

“Share it” é a faixa que dá início ao disco, uma música bastante agradável e bem executada. Certamente o trabalho de teclado (que inclui um ótimo e inspirado solo) é o que dá mais a cara da cena de Canterbury à canção. “Lounging There Trying” tem como o seu maior trunfo a guitarra de Phil Miller, que embora não chega a ser fascinante, é um tempero essencial dentro da paleta sonora da música. Destaque também para os obbligatos de Dave Stewart que eleva a qualidade da música. 

“(Big) John Wayne Socks Psychology On The Jaw” e “Chaos At The Greasy Spoon” são dois interlúdios. A primeira apresenta uma sonoridade agradável e de um forte trabalho de teclados por cima da bateria, os dois principais instrumentos dessa parte. A segunda tem uma bateria mais técnica, com trompa e guitarra fuzz. 

“The Yes / No Interlude” possui um excelente trabalho de guitarra principalmente nos seus dois primeiros minutos. Há também uma explosão de trompete e bateria em blast beat (ou metranca). Bastante complexa e intensa às vezes é difícil de acompanha-la e entende-la. Após os cinco minutos a sonoridade fica bastante jazzística. A influência de Dave Stewart no disco se faz bastante presente nesta música. Sem dúvida um dos momentos de destaque do disco. 

“Fitter Stoke Has A Bath” tem uma sonoridade suave e belíssima, além de possuir uns vocais descontraídos. O refrão é bastante melódico e o trabalho de flauta um verdadeiro deleite. Após uma linha melódica liderada por boas vocalizações, entra um ótimo solo de guitarra que deixa a música com um ar menos sereno e um pouco mais tempestuoso, mas ainda assim sem perder sua doçura. A melodia final transporta a música para um cenário mais obscuro. 

Engraçado que ouvir Jethro Tull, uma banda que eu gosto bastante, nunca me fez ter vontade de querer tocar flauta, mas quando ouvi “Didn't Matter Anyway” pela primeira vez, tive essa vontade despertada em mim. A banda nunca teve em suas letras seu maior trunfo, mas aqui até isto joga a seu favor, Richard Sinclair de maneira emotiva e muito bonita fala em tom de despedida sobre alguém que por enquanto estará apenas em seus sonhos. Uma música maravilhosa e viciante. 

“Underdub”  é uma ótima faixa instrumental e que também pode servir como um aquecimento para o épico que fecha o disco. O trabalho uníssono entre flauta e órgão é simplesmente incrível. Eu imagino esta faixa tocando tranquilamente em algum restaurante ou bar mais requintado. 

O disco chega ao fim através do épico, “Mumps”, e seus mais de vinte minutos da mais alta qualidade musical. Seu começo é através de umas belas vocalizações femininas das Northettes e alguns pianos ocasionais de apoio, até que por volta dos dois minutos em um aumento súbito de intensidade é acrescido guitarra distorcida, piano elétrico, ótima linha de baixo e uma bateria bastante sólida. Tudo nesta música é soberbo, seus riffs incríveis, belas melodias e harmonias que necessitam mais de uma audição para que seja absorvida e entendida por completo. As letras são meio sem sentidos conhecidas somente como “Alphabet Song”, mas acho até a maneira como elas são encaixadas na música a dão um corpo harmônico muito bem desenhado. Os trabalhos vocais das Northettes no geral marcam transições musicais, fazendo com que a faixa tenha um antes e depois de suas vocalizações, sendo num deles um momento extremamente carismático. Além de excelentes solos de guitarra e teclado, também possui  um ótimo solo de saxofone por volta dos treze minutos e quarenta de música, este muito bem acompanhado por uma guitarra de fundo. Outro ponto de destaque é o riff que entra na música a poucos minutos do seu final e que possui uma qualidade sublime. Um épico sensacional, basicamente instrumental e que certamente merece está no rol de grandes épicos da história do rock progressivo. 

Assim como aconteceu com o seu disco de estreia, em The Rotters' Club a banda produziu um álbum onde a paixão talvez não aconteça depois da primeira audição, mas não existe dúvida que se trata de um grande exemplo do que é o rock progressivo. 

Música muito bem trabalhada e equilibrada.
4.5
04/04/2018

Uma banda de curta duração e apenas dois discos lançados, mas certamente dois discos bastante valiosos. Já deixei minhas impressões sobre o seu primeiro disco em uma resenha aqui mesmo no site, agora é a vez de falar sobre o não menos excelente, The Rotters' Club. Novamente não se trata apenas de uma reunião de músicos extraordinários, mas a música é muito bem trabalhada e equilibrada. Com uma sonoridade que vai desde um fusion furioso encontrado em trabalhos da Soft Machine até linhas suaves e bem-humoradas vistas na Caravan, a Hatfield and the North consegue infundir tudo com suas personalidades musicais distintas. 

“Share it” é a faixa que dá início ao disco, uma música bastante agradável e bem executada. Certamente o trabalho de teclado (que inclui um ótimo e inspirado solo) é o que dá mais a cara da cena de Canterbury à canção. “Lounging There Trying” tem como o seu maior trunfo a guitarra de Phil Miller, que embora não chega a ser fascinante, é um tempero essencial dentro da paleta sonora da música. Destaque também para os obbligatos de Dave Stewart que eleva a qualidade da música. 

“(Big) John Wayne Socks Psychology On The Jaw” e “Chaos At The Greasy Spoon” são dois interlúdios. A primeira apresenta uma sonoridade agradável e de um forte trabalho de teclados por cima da bateria, os dois principais instrumentos dessa parte. A segunda tem uma bateria mais técnica, com trompa e guitarra fuzz. 

“The Yes / No Interlude” possui um excelente trabalho de guitarra principalmente nos seus dois primeiros minutos. Há também uma explosão de trompete e bateria em blast beat (ou metranca). Bastante complexa e intensa às vezes é difícil de acompanha-la e entende-la. Após os cinco minutos a sonoridade fica bastante jazzística. A influência de Dave Stewart no disco se faz bastante presente nesta música. Sem dúvida um dos momentos de destaque do disco. 

“Fitter Stoke Has A Bath” tem uma sonoridade suave e belíssima, além de possuir uns vocais descontraídos. O refrão é bastante melódico e o trabalho de flauta um verdadeiro deleite. Após uma linha melódica liderada por boas vocalizações, entra um ótimo solo de guitarra que deixa a música com um ar menos sereno e um pouco mais tempestuoso, mas ainda assim sem perder sua doçura. A melodia final transporta a música para um cenário mais obscuro. 

Engraçado que ouvir Jethro Tull, uma banda que eu gosto bastante, nunca me fez ter vontade de querer tocar flauta, mas quando ouvi “Didn't Matter Anyway” pela primeira vez, tive essa vontade despertada em mim. A banda nunca teve em suas letras seu maior trunfo, mas aqui até isto joga a seu favor, Richard Sinclair de maneira emotiva e muito bonita fala em tom de despedida sobre alguém que por enquanto estará apenas em seus sonhos. Uma música maravilhosa e viciante. 

“Underdub”  é uma ótima faixa instrumental e que também pode servir como um aquecimento para o épico que fecha o disco. O trabalho uníssono entre flauta e órgão é simplesmente incrível. Eu imagino esta faixa tocando tranquilamente em algum restaurante ou bar mais requintado. 

O disco chega ao fim através do épico, “Mumps”, e seus mais de vinte minutos da mais alta qualidade musical. Seu começo é através de umas belas vocalizações femininas das Northettes e alguns pianos ocasionais de apoio, até que por volta dos dois minutos em um aumento súbito de intensidade é acrescido guitarra distorcida, piano elétrico, ótima linha de baixo e uma bateria bastante sólida. Tudo nesta música é soberbo, seus riffs incríveis, belas melodias e harmonias que necessitam mais de uma audição para que seja absorvida e entendida por completo. As letras são meio sem sentidos conhecidas somente como “Alphabet Song”, mas acho até a maneira como elas são encaixadas na música a dão um corpo harmônico muito bem desenhado. Os trabalhos vocais das Northettes no geral marcam transições musicais, fazendo com que a faixa tenha um antes e depois de suas vocalizações, sendo num deles um momento extremamente carismático. Além de excelentes solos de guitarra e teclado, também possui  um ótimo solo de saxofone por volta dos treze minutos e quarenta de música, este muito bem acompanhado por uma guitarra de fundo. Outro ponto de destaque é o riff que entra na música a poucos minutos do seu final e que possui uma qualidade sublime. Um épico sensacional, basicamente instrumental e que certamente merece está no rol de grandes épicos da história do rock progressivo. 

Assim como aconteceu com o seu disco de estreia, em The Rotters' Club a banda produziu um álbum onde a paixão talvez não aconteça depois da primeira audição, mas não existe dúvida que se trata de um grande exemplo do que é o rock progressivo. 

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