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Resenha: Gentle Giant - Free Hand (1975)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Um exemplo de perfeição do primeiro ao último acorde.
5
03/04/2018

Escrever sobre o Gentle Giant é sempre um desafio prazeroso. Free Hand é mais uma obra-prima da banda, trazendo a sua já conhecida interação complexa entre os músicos e que juntos criam uma imagem musical fascinante. Se você é um amante de rock progressivo esse disco não pode ser visto como uma peça menos do que essencial e obrigatória na sua coleção. Se você começou a ouvir rock progressivo por agora, esse disco certamente é uma dos melhores pontos de partida que você pode imaginar caso queira entender a essência do gênero, e mesmo que não lhe pegue logo de cara, escute novamente. Gentle Giant é uma banda que inspirou inúmeras bandas ao redor do mundo, mas nunca nenhuma banda conseguiu soar parecido com eles. Sua música pode ser complexa e até um pouco “assustadora” em muitos casos, esse disco mostra isso, mas a realidade é que se trata de uma música que nem sempre agarra o ouvinte na primeira tentativa, mas tem a tendência de sempre crescer a cada audição. 

Free Hand de certa forma mostra um passo distinto da banda em relação ao seu som, tendo aqui uma atmosfera mais hard rock, digamos assim, algo diferente do que foi apresentado em seus discos anteriores, onde a música era mais suave (mais acústica). Esta linha musical da banda fez com que eles atingissem o seu ápice comercial. Derek Shulman sempre teve uma excelente voz, mas nunca soou como um típico cantor de rock como acontece neste disco. As harmonias vocais seguem sendo um dos grandes atrativos da banda, embora estejam menos complexas. A instrumentação é menos aventureira, porém, sem perder a sua complexidade e profundidade. 

"Just the Same” é a música que começa o disco através de um excelente piano solo, seguido pela introdução de guitarra antes de ganhar mais força em uma ótima linha vocal e instrumental vanguardista. Te uma sonoridade relativamente discreta na abertura e fica contínua em seu interlúdio com um teclado bastante espacial e atmosférico e umas “brincadeiras” de guitarra que edificam a música. Torna-se bastante intrincada através de suas harmonias de teclado e saxofone, deixando-a com uma aura jazzística. 

“On Reflection” começa de uma maneira que podemos dizer que é uma das maiores características da banda, trazendo uma polifonia vocal a capela inspirada na música renascentista, percussão e vibrafone incrementam mais ainda a abertura.  Existe uma variação na parte instrumental entre o acústico e o elétrico. De repente apresenta um vocal que se desprende do coro e segue solitariamente acompanhado de discretas pinceladas de teclado, violino e flauta, também se nota alguns elementos encontrados nos trovadores medievais. A entrada de uma bateria muito dinâmica leva a música para um final brilhante. Uma faixa com a qualidade de composição muito bem estruturada e de primeira grandeza. 

“Free Hand” é mais um trabalho muito diversificado, apresentando umas melodias estranhas e sonoridade divertida. O começo é através de um trabalho harmonioso combinado entre sons de teclados e guitarra, além de criativas linhas de baixo. Impressionante como o Gentle Giant consegue fazer música complexa e ainda assim muito cativante e espirituosa. Durante o seu interlúdio existe uma sonoridade bem típica da banda. Apesar de intrincada a música conseguiu manter muito bem harmonizado todos os vários instrumentos utilizados. O disco segue extremamente perfeito. 

"Time To Kill" tem certa semelhança com a faixa anterior, sendo bastante agitada em um ritmo complexo e jazzístico, além de apresentar ritmos e melodias dinâmicas. Começa com uma boa harmonia de baixo, teclado e bateria em uma melodia simples. Flui muito bem tendo novamente uma linha vocal maravilhosa. Em algumas transições têm uma sonoridade mais silenciosa. 

“His Last Voyage” começa com um humor vanguardista, ótimas linhas de baixo e um vibrafone tocado maravilhosamente bem, seguido por um lindíssmo violão e a linha vocal belíssima de Kerry Minnear, tudo em um tempo relativamente lento. A bateria então também entra na música que segue fluindo muito bem, o piano ao fundo tem um estilo bastante jazzístico. O trabalho de guitarra mostra o quanto Gary Green era um músico subestimado, que solo mais maravilhoso, tem como companhia um órgão de sonoridade complexa. A música então retorna para o seu ritmo original, novamente com os lindos vocais de Kerry. 

“Talybont” é uma música curta e instrumental. Caso eu pintasse cada uma das músicas deste disco com cores que simbolizassem o humor da sua sonoridade, certamente essa aqui seria a mais colorida de todas. Teclado, clavinete e madeiras são quem dominam a música, mas sempre bem acompanhados de uma ótima percussão e baixo. Tem uma grande influência na música clássica. 

“Mobile” finaliza o disco e já começa de maneira bastante forte e criativa com o bom uso de teclado, violão e violino. Novamente a banda demonstra um enorme talento em compor uma música complexa e de harmonia perfeita. Às vezes cada um dos instrumentos parece querer seguir caminhos diferentes, mas no final das contas sempre acabam se encontrando num ponto comum e se conciliando em uma harmonia consistente. 

Uma obra-prima altamente recomendada. Um disco onde todas as faixas se destacam o fazendo um exemplo de perfeição do primeiro ao último acorde. Talvez um admirador novato de rock progressivo possa achar um pouco de problema com a complexidade elevada encontrada nestas músicas, mas não tem porque se preocupar, pois ele ganha facilmente o coração do ouvinte após algumas escutas. 

Um exemplo de perfeição do primeiro ao último acorde.
5
03/04/2018

Escrever sobre o Gentle Giant é sempre um desafio prazeroso. Free Hand é mais uma obra-prima da banda, trazendo a sua já conhecida interação complexa entre os músicos e que juntos criam uma imagem musical fascinante. Se você é um amante de rock progressivo esse disco não pode ser visto como uma peça menos do que essencial e obrigatória na sua coleção. Se você começou a ouvir rock progressivo por agora, esse disco certamente é uma dos melhores pontos de partida que você pode imaginar caso queira entender a essência do gênero, e mesmo que não lhe pegue logo de cara, escute novamente. Gentle Giant é uma banda que inspirou inúmeras bandas ao redor do mundo, mas nunca nenhuma banda conseguiu soar parecido com eles. Sua música pode ser complexa e até um pouco “assustadora” em muitos casos, esse disco mostra isso, mas a realidade é que se trata de uma música que nem sempre agarra o ouvinte na primeira tentativa, mas tem a tendência de sempre crescer a cada audição. 

Free Hand de certa forma mostra um passo distinto da banda em relação ao seu som, tendo aqui uma atmosfera mais hard rock, digamos assim, algo diferente do que foi apresentado em seus discos anteriores, onde a música era mais suave (mais acústica). Esta linha musical da banda fez com que eles atingissem o seu ápice comercial. Derek Shulman sempre teve uma excelente voz, mas nunca soou como um típico cantor de rock como acontece neste disco. As harmonias vocais seguem sendo um dos grandes atrativos da banda, embora estejam menos complexas. A instrumentação é menos aventureira, porém, sem perder a sua complexidade e profundidade. 

"Just the Same” é a música que começa o disco através de um excelente piano solo, seguido pela introdução de guitarra antes de ganhar mais força em uma ótima linha vocal e instrumental vanguardista. Te uma sonoridade relativamente discreta na abertura e fica contínua em seu interlúdio com um teclado bastante espacial e atmosférico e umas “brincadeiras” de guitarra que edificam a música. Torna-se bastante intrincada através de suas harmonias de teclado e saxofone, deixando-a com uma aura jazzística. 

“On Reflection” começa de uma maneira que podemos dizer que é uma das maiores características da banda, trazendo uma polifonia vocal a capela inspirada na música renascentista, percussão e vibrafone incrementam mais ainda a abertura.  Existe uma variação na parte instrumental entre o acústico e o elétrico. De repente apresenta um vocal que se desprende do coro e segue solitariamente acompanhado de discretas pinceladas de teclado, violino e flauta, também se nota alguns elementos encontrados nos trovadores medievais. A entrada de uma bateria muito dinâmica leva a música para um final brilhante. Uma faixa com a qualidade de composição muito bem estruturada e de primeira grandeza. 

“Free Hand” é mais um trabalho muito diversificado, apresentando umas melodias estranhas e sonoridade divertida. O começo é através de um trabalho harmonioso combinado entre sons de teclados e guitarra, além de criativas linhas de baixo. Impressionante como o Gentle Giant consegue fazer música complexa e ainda assim muito cativante e espirituosa. Durante o seu interlúdio existe uma sonoridade bem típica da banda. Apesar de intrincada a música conseguiu manter muito bem harmonizado todos os vários instrumentos utilizados. O disco segue extremamente perfeito. 

"Time To Kill" tem certa semelhança com a faixa anterior, sendo bastante agitada em um ritmo complexo e jazzístico, além de apresentar ritmos e melodias dinâmicas. Começa com uma boa harmonia de baixo, teclado e bateria em uma melodia simples. Flui muito bem tendo novamente uma linha vocal maravilhosa. Em algumas transições têm uma sonoridade mais silenciosa. 

“His Last Voyage” começa com um humor vanguardista, ótimas linhas de baixo e um vibrafone tocado maravilhosamente bem, seguido por um lindíssmo violão e a linha vocal belíssima de Kerry Minnear, tudo em um tempo relativamente lento. A bateria então também entra na música que segue fluindo muito bem, o piano ao fundo tem um estilo bastante jazzístico. O trabalho de guitarra mostra o quanto Gary Green era um músico subestimado, que solo mais maravilhoso, tem como companhia um órgão de sonoridade complexa. A música então retorna para o seu ritmo original, novamente com os lindos vocais de Kerry. 

“Talybont” é uma música curta e instrumental. Caso eu pintasse cada uma das músicas deste disco com cores que simbolizassem o humor da sua sonoridade, certamente essa aqui seria a mais colorida de todas. Teclado, clavinete e madeiras são quem dominam a música, mas sempre bem acompanhados de uma ótima percussão e baixo. Tem uma grande influência na música clássica. 

“Mobile” finaliza o disco e já começa de maneira bastante forte e criativa com o bom uso de teclado, violão e violino. Novamente a banda demonstra um enorme talento em compor uma música complexa e de harmonia perfeita. Às vezes cada um dos instrumentos parece querer seguir caminhos diferentes, mas no final das contas sempre acabam se encontrando num ponto comum e se conciliando em uma harmonia consistente. 

Uma obra-prima altamente recomendada. Um disco onde todas as faixas se destacam o fazendo um exemplo de perfeição do primeiro ao último acorde. Talvez um admirador novato de rock progressivo possa achar um pouco de problema com a complexidade elevada encontrada nestas músicas, mas não tem porque se preocupar, pois ele ganha facilmente o coração do ouvinte após algumas escutas. 

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