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Resenha: Kylie Minogue - Kylie Christmas (2015)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Acessos: 60

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Oportunidade desperdiçada
2.5
03/04/2018

Os dias de estrela pop de Kylie Minogue acabaram. Não adianta fã balzaquiano bater pezinho ou fazer biquinho, é fato. O fraco Kiss Me Once vendeu menos de 500 mil cópias mundialmente e em 2012, as versões orquestrais de seus sucessos em The Abbey Road Sessions já indicavam que a australiana estava sendo reempacotada para novo nicho de consumo. Embora não exclusividade de maduros adaptando-se a novas condições de mercado, álbum de canções natalinas faz parte desse processo e Minogue deu sua contribuição ao extenso filão com Kylie Christmas, lançado na primeira quinzena de novembro, de 2015.

A Deluxe Edition tem 16 canções, entre regravações e originais e no geral a performance vocal é boa, desde o tom alegre até o sapeca de quando pede coisas caras a Papai Noel. O pior momento é o dueto tecnologicamente fabricado com Frank Sinatra, em Santa Claus Is Coming to Town, onde ela soa meio acanhada quando canta junto com um Blue Eyes cuja voz parece vinda do além.

O grosso das regravações é de clássicos, como Winter Wonderland, Let It Snow e Have Yourself a Merry Little Christmas. Grande parte de Kylie Christmas soa como um filme natalino de Hollywood dos anos 40 ou 50. It’s The Most Wonderful Time of the Year abre tão otimistamente que dá até sensação de culpa não conseguir se sentir tão ansioso pelo Natal como o arranjo suplica. E é assim quase todo o tempo. Quando não é arranjo de big band, é roquinho tchap tchura cinquentista (I’m Gonna Be Warm This Winter) ou jazzinho sexy, como em Santa Baby, regravação do original de Eartha Kitt. Mas é meio estranho alguém pedir um conversível 1954, em pleno 2015. Aí um dos problemas do álbum: a qual nicho La Minogue quer pertencer? Quem cresceu ouvindo seus sucessos não se identifica tanto assim com flashback anos 50, afinal, para nós, oldies são as dos anos 80. E um 60tão/70ão trocará alguma das trocentas versões dos anos 40/50/60 dessas canções, por uma de Kylie? Duvido. E os jovens? Esses nem sabem do álbum; basta checar o Top Ten britânico.

Tenteando para ver qual lado seguir, a cantora vem com 3 covers oitentistas. Kylie é experiente vocalista e não faz feio no delicado arranjo para 2000 Miles, dos Pretenders. Only You, a maravilha do Yazoo, ficou linda ao piano e teria sido ainda melhor se não tivesse o cantar mortiço do apresentador de TV James Corden. Christmas Wrapping ficou mais anos 80 do que originalmente com o The Waitresses, que felizmente nunca foi grande no Brasil. Bonitinha, mas ordinária, a faixa tem Iggy Pop, mais babaca do que nunca. Ele já falara asneira no álbum da New Order (resenhado no Whiplash; veja link ao fim desta matéria) e pode ser encontrado em qualquer documentário sobre música que a BBC produza; está ficando meio constrangedor. Mas, vá lá, Xmas Wrapping vale como diversão para quando todo mundo estiver bêbado na festança. Talvez um álbum de covers dos anos 80 seja boa ideia para o futuro de Kylie.

Sendo Kylie Kylie, não poderia faltar novidade e essas vêm na forma de uma canção inédita de Chris Martin. Every Day’s Like Christmas é fofa até o talo e de presente, vem sem a voz do líder do Coldplay. A versão de luxo traz um dueto com a irmã Danii; 100 Degrees é Natal em ritmo de disco music. Pena que Kylie não deixou de lado esses anos 50 e não se jogou num Natal eletrônico, não necessariamente caretão como 100 Degrees, que, se não é ruim, podia ser mais, afinal tem as irmãs Minogue no vocal e elas sabem apimentar as pistas.

Quem sabe Kylie Christmas não aguentaria ouvidas repetidas e entraria para a História se tivesse sido um álbum de Natal electrodance? Do jeito que está, é gostoso de ouvir, mas em meados de janeiro de 2016 já estava esquecido.

Oportunidade desperdiçada
2.5
03/04/2018

Os dias de estrela pop de Kylie Minogue acabaram. Não adianta fã balzaquiano bater pezinho ou fazer biquinho, é fato. O fraco Kiss Me Once vendeu menos de 500 mil cópias mundialmente e em 2012, as versões orquestrais de seus sucessos em The Abbey Road Sessions já indicavam que a australiana estava sendo reempacotada para novo nicho de consumo. Embora não exclusividade de maduros adaptando-se a novas condições de mercado, álbum de canções natalinas faz parte desse processo e Minogue deu sua contribuição ao extenso filão com Kylie Christmas, lançado na primeira quinzena de novembro, de 2015.

A Deluxe Edition tem 16 canções, entre regravações e originais e no geral a performance vocal é boa, desde o tom alegre até o sapeca de quando pede coisas caras a Papai Noel. O pior momento é o dueto tecnologicamente fabricado com Frank Sinatra, em Santa Claus Is Coming to Town, onde ela soa meio acanhada quando canta junto com um Blue Eyes cuja voz parece vinda do além.

O grosso das regravações é de clássicos, como Winter Wonderland, Let It Snow e Have Yourself a Merry Little Christmas. Grande parte de Kylie Christmas soa como um filme natalino de Hollywood dos anos 40 ou 50. It’s The Most Wonderful Time of the Year abre tão otimistamente que dá até sensação de culpa não conseguir se sentir tão ansioso pelo Natal como o arranjo suplica. E é assim quase todo o tempo. Quando não é arranjo de big band, é roquinho tchap tchura cinquentista (I’m Gonna Be Warm This Winter) ou jazzinho sexy, como em Santa Baby, regravação do original de Eartha Kitt. Mas é meio estranho alguém pedir um conversível 1954, em pleno 2015. Aí um dos problemas do álbum: a qual nicho La Minogue quer pertencer? Quem cresceu ouvindo seus sucessos não se identifica tanto assim com flashback anos 50, afinal, para nós, oldies são as dos anos 80. E um 60tão/70ão trocará alguma das trocentas versões dos anos 40/50/60 dessas canções, por uma de Kylie? Duvido. E os jovens? Esses nem sabem do álbum; basta checar o Top Ten britânico.

Tenteando para ver qual lado seguir, a cantora vem com 3 covers oitentistas. Kylie é experiente vocalista e não faz feio no delicado arranjo para 2000 Miles, dos Pretenders. Only You, a maravilha do Yazoo, ficou linda ao piano e teria sido ainda melhor se não tivesse o cantar mortiço do apresentador de TV James Corden. Christmas Wrapping ficou mais anos 80 do que originalmente com o The Waitresses, que felizmente nunca foi grande no Brasil. Bonitinha, mas ordinária, a faixa tem Iggy Pop, mais babaca do que nunca. Ele já falara asneira no álbum da New Order (resenhado no Whiplash; veja link ao fim desta matéria) e pode ser encontrado em qualquer documentário sobre música que a BBC produza; está ficando meio constrangedor. Mas, vá lá, Xmas Wrapping vale como diversão para quando todo mundo estiver bêbado na festança. Talvez um álbum de covers dos anos 80 seja boa ideia para o futuro de Kylie.

Sendo Kylie Kylie, não poderia faltar novidade e essas vêm na forma de uma canção inédita de Chris Martin. Every Day’s Like Christmas é fofa até o talo e de presente, vem sem a voz do líder do Coldplay. A versão de luxo traz um dueto com a irmã Danii; 100 Degrees é Natal em ritmo de disco music. Pena que Kylie não deixou de lado esses anos 50 e não se jogou num Natal eletrônico, não necessariamente caretão como 100 Degrees, que, se não é ruim, podia ser mais, afinal tem as irmãs Minogue no vocal e elas sabem apimentar as pistas.

Quem sabe Kylie Christmas não aguentaria ouvidas repetidas e entraria para a História se tivesse sido um álbum de Natal electrodance? Do jeito que está, é gostoso de ouvir, mas em meados de janeiro de 2016 já estava esquecido.

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