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Resenha: Phideaux - Number Seven (2009)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 163

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Album Cover
Fácil de ouvir e extremamente difícil de descrever.
5
30/03/2018

O que seria uma música elegante e sutil? Se algum dia lhe for feito essa pergunta e faltar palavras para explicar, diga apenas para que a pessoa escute este disco. Este disco é maravilhoso e é o tipo de experiência que cresce no ouvinte a cada audição. Cada vez novos detalhes são descobertos, seja algum instrumental em segundo plano ou algum elemento estrutural que ajuda unir o disco. Tenho uma regra pessoal de que alguém pra dar uma opinião em relação a um álbum desse tipo deveria ouvi-lo pelo menos cinco vezes. 

Number Seven é um disco conceitual onde o fio condutor é a luta (ilustrada na capa) pelo poder entre um arganaz e um lagostim representando certas forças contrárias em ação no mundo, mas é claro que as analogias provavelmente são infinitas, o livreto que acompanha o disco tem vinte páginas e mostra mais personagens. A música é uma verdadeira obra de arte que mistura de maneira perfeita o rock clássico com fibras celta, country, música clássica e psicodélica. Tudo é feito de uma maneira bastante madura, onde momentos melancólicos e outros mais alegres andam de mãos dadas perfeitamente sem deixar as coisas se perderem. 

O disco é dividido em três suítes. A primeira se chama “Dormouse Ensnared”. 

“Dormouse - A Theme“ é uma curta introdução executada de maneira acústica, apesar das influências em Genesis e Pink Floyd, tem também sua originalidade e um toque medieval incrível. “Waiting For The Axe To Fall” apresenta um contraste perfeito, é uma faixa vibrante, poderosa e rica, o piano é um deleite e os coros são na veia de Pink Floyd combinando perfeitamente com os vocais oníricos. O ouvinte não deve esperar mudanças radicais de ritmo, a ideia aqui neste movimento é de uma música de atmosfera densa e forte. “Hive Mind” com um piano bem ritmado e vocais em marcha marcam um momento de transição da suíte, o uso de diferentes teclas é simplesmente brilhante e preciso, além de inspirado na música barroca. Após metade da faixa há mudanças extremas e passagens poderosas, mostrando o que é o rock progressivo no seu melhor. “The Claws Of A Crayfish” obviamente é a continuação lógica de “Hive Mind”, porém a banda agora dá uma atenção maior ao drama e melancolia sobre a atmosfera sonhadora presente desde o início. A orquestração é impressionante e belíssima, literalmente de tirar o fôlego. Destaque também no desempenho do moog no meio da música. "My Sleeping Slave" finaliza de maneira perfeita a primeira parte do disco, um piano obscuro e o moog criam uma atmosfera delicada e perfeita, os vocais acrescentam novamente uma influência floydiana na música que é bastante dramática. 

A segunda suíte chama-se, “Dormouse Escapes”.

“Darkness At Noon” é anunciada através de um violão, uma introdução curta com influência folk, coro excelente e bons vocais, flui de maneira suave do começo ao fim, levando a um momento mais dramático, “Prequiem”, tema que possui teclados e guitarras elétricas lindíssimas bem ao estilo de David Gilmour. “Gift of the Flame” continua a manter uma atmosfera onírica com uma combinação entre guitarra elétrica e acústica, pela primeira vez é acrescentado um saxofone que dá uma sensação jazzística ao movimento. Então que vocais femininos trazem uma mudança repentina e ajudam a criar uma atmosfera mais alegre a música, dando um bom exemplo do que é o progressivo moderno. “Interview With A Dormouse” é um momento brilhante e pomposo, algo que a banda estava evitando até o momento, mas no fim das contas se transforma novamente em uma música de influência medieval e que se conecta ao movimento, “Thermonuclear Cheese”, depois de um canto as coisas se transformam em algo que flui entre o eletrônico e o sinfônico, além de um órgão barroco que adiciona uma pompa extra. “The Search For Terrestrial Life” é um momento estranho, com narração e uns vocais que soam como algo perto do new age e a música celta, talvez não seja tão empolgante como tudo o que foi visto até aqui, mas ainda assim é bastante coerente com a estrutura do álbum. “A Fistful Of Fortitude”  é que fecha a segunda suíte em um clima nostálgico, ao menos no começo, porque a medida que vai avançando, se torna mais alegre e melódica, finalizando novamente em um clima suave e de toque bastante agradável. 

A terceira suíte chama-se “Dormouse Enlightened”

“Love Theme From "Number Seven" começa com uma sonoridade intrigante e um solo de piano encantador, fantástico, então que um canto feminino assombra a música antes de toda a banda se juntar, permitindo que uma guitarra distorcida conduza a música por alguns instantes, se isso já não bastasse, o piano retoma o papel principal e guia a banda pra uma passagem frenética com tudo o que se pode imaginar. Que maneira fantástica de começar a terceira parte dessa odisseia. “Storia Senti” começa sem interrupção e com um piano sentimental, uma guitarra mais distante se une aos vocais poderosos em um trabalho muito bem elaborado que começa a se apagar, permitindo que a assim, haja algum reencontro, muito mais veloz e mais próximo do que podemos chamar de rock tradicional. A música então flui até o final de maneira suave, não antes de um piano e um par de explosões musicais. “Infinite Supply” tem um começo que pode remeter o ouvinte aos primeiros álbuns do Alan Parson’s Project, com pianos maravilhosos e lindos vocais, violino acrescenta uma nostalgia ao fundo, uma música que flui novamente muito bem, direta e sem surpresas. “Dormouse - An End” finaliza a suíte e o disco, mais um momento que faz lembrar algum material do Pink Floyd, sonoridade acústica e muito bem elaborada, sem muita pompa como quem simplesmente fecha a cortina com a certeza de que acabou de fornecer um verdadeiro espetáculo musical. 

Phideaux apresenta em Number Seven algo interessante, mostra que uma banda pode homenagear várias influências sem a necessidade de parecer um clone, pegando ideias antigas e as reciclando apenas de maneira superficial. Neste disco existe muita personalidade, seriedade e alma onde tudo é organizado de maneira especial, perfeccionista e evitando soar como clichê. Fácil de ouvir e extremamente difícil de descrever. 

Fácil de ouvir e extremamente difícil de descrever.
5
30/03/2018

O que seria uma música elegante e sutil? Se algum dia lhe for feito essa pergunta e faltar palavras para explicar, diga apenas para que a pessoa escute este disco. Este disco é maravilhoso e é o tipo de experiência que cresce no ouvinte a cada audição. Cada vez novos detalhes são descobertos, seja algum instrumental em segundo plano ou algum elemento estrutural que ajuda unir o disco. Tenho uma regra pessoal de que alguém pra dar uma opinião em relação a um álbum desse tipo deveria ouvi-lo pelo menos cinco vezes. 

Number Seven é um disco conceitual onde o fio condutor é a luta (ilustrada na capa) pelo poder entre um arganaz e um lagostim representando certas forças contrárias em ação no mundo, mas é claro que as analogias provavelmente são infinitas, o livreto que acompanha o disco tem vinte páginas e mostra mais personagens. A música é uma verdadeira obra de arte que mistura de maneira perfeita o rock clássico com fibras celta, country, música clássica e psicodélica. Tudo é feito de uma maneira bastante madura, onde momentos melancólicos e outros mais alegres andam de mãos dadas perfeitamente sem deixar as coisas se perderem. 

O disco é dividido em três suítes. A primeira se chama “Dormouse Ensnared”. 

“Dormouse - A Theme“ é uma curta introdução executada de maneira acústica, apesar das influências em Genesis e Pink Floyd, tem também sua originalidade e um toque medieval incrível. “Waiting For The Axe To Fall” apresenta um contraste perfeito, é uma faixa vibrante, poderosa e rica, o piano é um deleite e os coros são na veia de Pink Floyd combinando perfeitamente com os vocais oníricos. O ouvinte não deve esperar mudanças radicais de ritmo, a ideia aqui neste movimento é de uma música de atmosfera densa e forte. “Hive Mind” com um piano bem ritmado e vocais em marcha marcam um momento de transição da suíte, o uso de diferentes teclas é simplesmente brilhante e preciso, além de inspirado na música barroca. Após metade da faixa há mudanças extremas e passagens poderosas, mostrando o que é o rock progressivo no seu melhor. “The Claws Of A Crayfish” obviamente é a continuação lógica de “Hive Mind”, porém a banda agora dá uma atenção maior ao drama e melancolia sobre a atmosfera sonhadora presente desde o início. A orquestração é impressionante e belíssima, literalmente de tirar o fôlego. Destaque também no desempenho do moog no meio da música. "My Sleeping Slave" finaliza de maneira perfeita a primeira parte do disco, um piano obscuro e o moog criam uma atmosfera delicada e perfeita, os vocais acrescentam novamente uma influência floydiana na música que é bastante dramática. 

A segunda suíte chama-se, “Dormouse Escapes”.

“Darkness At Noon” é anunciada através de um violão, uma introdução curta com influência folk, coro excelente e bons vocais, flui de maneira suave do começo ao fim, levando a um momento mais dramático, “Prequiem”, tema que possui teclados e guitarras elétricas lindíssimas bem ao estilo de David Gilmour. “Gift of the Flame” continua a manter uma atmosfera onírica com uma combinação entre guitarra elétrica e acústica, pela primeira vez é acrescentado um saxofone que dá uma sensação jazzística ao movimento. Então que vocais femininos trazem uma mudança repentina e ajudam a criar uma atmosfera mais alegre a música, dando um bom exemplo do que é o progressivo moderno. “Interview With A Dormouse” é um momento brilhante e pomposo, algo que a banda estava evitando até o momento, mas no fim das contas se transforma novamente em uma música de influência medieval e que se conecta ao movimento, “Thermonuclear Cheese”, depois de um canto as coisas se transformam em algo que flui entre o eletrônico e o sinfônico, além de um órgão barroco que adiciona uma pompa extra. “The Search For Terrestrial Life” é um momento estranho, com narração e uns vocais que soam como algo perto do new age e a música celta, talvez não seja tão empolgante como tudo o que foi visto até aqui, mas ainda assim é bastante coerente com a estrutura do álbum. “A Fistful Of Fortitude”  é que fecha a segunda suíte em um clima nostálgico, ao menos no começo, porque a medida que vai avançando, se torna mais alegre e melódica, finalizando novamente em um clima suave e de toque bastante agradável. 

A terceira suíte chama-se “Dormouse Enlightened”

“Love Theme From "Number Seven" começa com uma sonoridade intrigante e um solo de piano encantador, fantástico, então que um canto feminino assombra a música antes de toda a banda se juntar, permitindo que uma guitarra distorcida conduza a música por alguns instantes, se isso já não bastasse, o piano retoma o papel principal e guia a banda pra uma passagem frenética com tudo o que se pode imaginar. Que maneira fantástica de começar a terceira parte dessa odisseia. “Storia Senti” começa sem interrupção e com um piano sentimental, uma guitarra mais distante se une aos vocais poderosos em um trabalho muito bem elaborado que começa a se apagar, permitindo que a assim, haja algum reencontro, muito mais veloz e mais próximo do que podemos chamar de rock tradicional. A música então flui até o final de maneira suave, não antes de um piano e um par de explosões musicais. “Infinite Supply” tem um começo que pode remeter o ouvinte aos primeiros álbuns do Alan Parson’s Project, com pianos maravilhosos e lindos vocais, violino acrescenta uma nostalgia ao fundo, uma música que flui novamente muito bem, direta e sem surpresas. “Dormouse - An End” finaliza a suíte e o disco, mais um momento que faz lembrar algum material do Pink Floyd, sonoridade acústica e muito bem elaborada, sem muita pompa como quem simplesmente fecha a cortina com a certeza de que acabou de fornecer um verdadeiro espetáculo musical. 

Phideaux apresenta em Number Seven algo interessante, mostra que uma banda pode homenagear várias influências sem a necessidade de parecer um clone, pegando ideias antigas e as reciclando apenas de maneira superficial. Neste disco existe muita personalidade, seriedade e alma onde tudo é organizado de maneira especial, perfeccionista e evitando soar como clichê. Fácil de ouvir e extremamente difícil de descrever. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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