Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Maxophone - Maxophone (1975)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 265

Compartilhar:

Facebook Twitter
User Photo
Album Cover
Bela mistura de múltiplos instrumentos utilizados em proporções equilibradas
5
28/03/2018

O cenário do rock progressivo italiano dos anos 70 não é apenas muito grande, mas também brilhante. Ainda que muitas bandas tenham tido a chance de demonstrar seu potencial em apenas um disco, sendo as chamadas “one shot bands”, muitas dessas bandas aproveitaram bem seus momentos e eternizaram obras simplesmente sensacionais, onde a banda Maxophone através do seu disco homônimo faz parte desse time. 

A banda foi formada em 1972 por seis jovens que conseguiram misturar um leque enorme de estilos de uma maneira bastante pessoal. Uma música muito bem executada e rica em ideias. Na composição das letras do disco eles tiveram ajuda de amigos para descrever em palavras o que eles estavam transmitindo em notas. Suas músicas é uma mistura cativante de rock sinfônico, música clássica, swing, jazz e música tradicional italiana, tudo feito com um cardápio de instrumentos que é um prato cheio para fãs de rock progressivo como harpa, trompa, guitarras clássicas, saxofone, flauta, piano, teclados, órgãos, clarinete, trompete, vibrafone, quarteto de cordas, guitarra elétrica, baixo, bateria e percussão. 

O disco tem início através da faixa, “C'È Un Paese Al Mondo”, com linhas suaves e agradáveis de piano, mudando em seguida para outro ritmo muito bem cadenciado agora também por baixo, bateria e guitarra, tudo fica sereno novamente enquanto prepara o ouvinte para a entrada dos bons vocais de Alberto Ravasini. As letras são bem evocativas e desenham imagem de um país que é perfeito. Clarinete então recebe um espaço na música, sendo seguido por trompete, uma bela guitarra ganha corpo antes do retorno dos vocais. Logo em sua primeira faixa a banda deixa claro o tipo de complexidade que o ouvinte vai encontrar durante todo o disco.  

“Fase” é uma música instrumental onde os membros da banda aproveitam para demonstrar seus talentos e musicalidades, trazendo uma mistura muito bem balanceada em algumas de suas influências como o jazz, rock e a música clássica. A introdução é mais pesada que na faixa anterior. Possui um ótimo saxofone mesclado a um humor sonoro sinfônico e progressivo, então que o vibrafone “estoura” na música de maneira maravilhosa, delicada e precisa antes que o bom riff de guitarra elétrica retorne. Trompa, flauta, guitarras, enfim, tudo tem seu lugar ao sol em determinado momento, sempre encaixado de maneira precisa e belíssima. 

“Al Mancato Compleanno Di Una Farfalla” tem uma lindíssima introdução de guitarra clássica de atmosfera romântica, então que uma flauta se junta ao som, antes que de maneira suave apareçam os primeiros vocais. A segunda parte da música é diferente, começa com uma sonoridade enérgica de teclado sinfônico de grande personalidade, deixando a música mais forte, os demais instrumentos também crescem bastante nesta parte. 

“Elzeviro” tem o início através de um órgão e vocais desesperados desenhando a imagem de um ataque na rua por razões políticas. Na verdade a letra fala sobre confrontos políticos que ocorreram pelas ruas italianas durante a década de 70. A musicalidade cresce com ênfase para os riffs de guitarra que lembram grandes guitarristas do gênero. O órgão também merece destaque pelo corpo dado durante quase toda a música. Mais para o meio a faixa o som fica mais hard, digamos assim, com um solo de guitarra maravilhoso até suavizar-se com a entrada dos vocais. A música ainda eleva-se mais uma vez com destaque agora pra uma flauta muito bem executada. 

“Mercanti Di Pazzie” é simplesmente maravilhosa. A Introdução na harpa é tirada da obra “Sonata per arpa “ gravada originalmente por Paul Hindemith em 1939. É uma música bastante evocativa e leva o ouvinte a um clima sonhador e de paz. As letras eu confesso que não parecem sequer fazer sentido, mas de qualquer maneira, musicalmente é belíssima. 

Sem perder a qualidade em momento algum, o disco chega ao fim através de “Antiche Conclusioni Negre”, sua faixa mais longa. Já começa de maneira enérgica e com uma sonoridade bastante alegre. Claro que como é característica da banda a música tem as suas mudanças, alguns momentos mais serenos, outros mais pesados com excelente uso principalmente de teclados e baixo. Mas não se pode deixar de destacar o solo de saxofone. A letra é um tributo a música negra. 

Maxophone produziu aqui uma verdadeira obra de arte e eu continuo a considera-la uma banda “one shot” independente do lançamento de 2017. A música tem uma estrutura forte em sua composição, tem ótima musicalidade e uma bela mistura de múltiplos instrumentos utilizados em proporções equilibradas, nenhum se destaca. O disco possui duas versões sendo uma delas em inglês, mas se quiser realmente sentir a música do álbum, escute a italiana.

Bela mistura de múltiplos instrumentos utilizados em proporções equilibradas
5
28/03/2018

O cenário do rock progressivo italiano dos anos 70 não é apenas muito grande, mas também brilhante. Ainda que muitas bandas tenham tido a chance de demonstrar seu potencial em apenas um disco, sendo as chamadas “one shot bands”, muitas dessas bandas aproveitaram bem seus momentos e eternizaram obras simplesmente sensacionais, onde a banda Maxophone através do seu disco homônimo faz parte desse time. 

A banda foi formada em 1972 por seis jovens que conseguiram misturar um leque enorme de estilos de uma maneira bastante pessoal. Uma música muito bem executada e rica em ideias. Na composição das letras do disco eles tiveram ajuda de amigos para descrever em palavras o que eles estavam transmitindo em notas. Suas músicas é uma mistura cativante de rock sinfônico, música clássica, swing, jazz e música tradicional italiana, tudo feito com um cardápio de instrumentos que é um prato cheio para fãs de rock progressivo como harpa, trompa, guitarras clássicas, saxofone, flauta, piano, teclados, órgãos, clarinete, trompete, vibrafone, quarteto de cordas, guitarra elétrica, baixo, bateria e percussão. 

O disco tem início através da faixa, “C'È Un Paese Al Mondo”, com linhas suaves e agradáveis de piano, mudando em seguida para outro ritmo muito bem cadenciado agora também por baixo, bateria e guitarra, tudo fica sereno novamente enquanto prepara o ouvinte para a entrada dos bons vocais de Alberto Ravasini. As letras são bem evocativas e desenham imagem de um país que é perfeito. Clarinete então recebe um espaço na música, sendo seguido por trompete, uma bela guitarra ganha corpo antes do retorno dos vocais. Logo em sua primeira faixa a banda deixa claro o tipo de complexidade que o ouvinte vai encontrar durante todo o disco.  

“Fase” é uma música instrumental onde os membros da banda aproveitam para demonstrar seus talentos e musicalidades, trazendo uma mistura muito bem balanceada em algumas de suas influências como o jazz, rock e a música clássica. A introdução é mais pesada que na faixa anterior. Possui um ótimo saxofone mesclado a um humor sonoro sinfônico e progressivo, então que o vibrafone “estoura” na música de maneira maravilhosa, delicada e precisa antes que o bom riff de guitarra elétrica retorne. Trompa, flauta, guitarras, enfim, tudo tem seu lugar ao sol em determinado momento, sempre encaixado de maneira precisa e belíssima. 

“Al Mancato Compleanno Di Una Farfalla” tem uma lindíssima introdução de guitarra clássica de atmosfera romântica, então que uma flauta se junta ao som, antes que de maneira suave apareçam os primeiros vocais. A segunda parte da música é diferente, começa com uma sonoridade enérgica de teclado sinfônico de grande personalidade, deixando a música mais forte, os demais instrumentos também crescem bastante nesta parte. 

“Elzeviro” tem o início através de um órgão e vocais desesperados desenhando a imagem de um ataque na rua por razões políticas. Na verdade a letra fala sobre confrontos políticos que ocorreram pelas ruas italianas durante a década de 70. A musicalidade cresce com ênfase para os riffs de guitarra que lembram grandes guitarristas do gênero. O órgão também merece destaque pelo corpo dado durante quase toda a música. Mais para o meio a faixa o som fica mais hard, digamos assim, com um solo de guitarra maravilhoso até suavizar-se com a entrada dos vocais. A música ainda eleva-se mais uma vez com destaque agora pra uma flauta muito bem executada. 

“Mercanti Di Pazzie” é simplesmente maravilhosa. A Introdução na harpa é tirada da obra “Sonata per arpa “ gravada originalmente por Paul Hindemith em 1939. É uma música bastante evocativa e leva o ouvinte a um clima sonhador e de paz. As letras eu confesso que não parecem sequer fazer sentido, mas de qualquer maneira, musicalmente é belíssima. 

Sem perder a qualidade em momento algum, o disco chega ao fim através de “Antiche Conclusioni Negre”, sua faixa mais longa. Já começa de maneira enérgica e com uma sonoridade bastante alegre. Claro que como é característica da banda a música tem as suas mudanças, alguns momentos mais serenos, outros mais pesados com excelente uso principalmente de teclados e baixo. Mas não se pode deixar de destacar o solo de saxofone. A letra é um tributo a música negra. 

Maxophone produziu aqui uma verdadeira obra de arte e eu continuo a considera-la uma banda “one shot” independente do lançamento de 2017. A música tem uma estrutura forte em sua composição, tem ótima musicalidade e uma bela mistura de múltiplos instrumentos utilizados em proporções equilibradas, nenhum se destaca. O disco possui duas versões sendo uma delas em inglês, mas se quiser realmente sentir a música do álbum, escute a italiana.

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Wobbler - From Silence To Somewhere (2017)

Clássico instantâneo do prog sinfônico
5
Por: Roberto Rillo Bíscaro
06/06/2018
Album Cover

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase. (2015)

Sonoridade à sua maneira de ser distintiva e envolvente
4.5
Por: Tiago Meneses
06/10/2017
Album Cover

Yes - Heaven & Earth (2014)

Pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo.
1.5
Por: Tiago Meneses
04/10/2017