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Resenha: Frank Zappa - Waka / Jawaka (1972)

Por: Tiago Meneses

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Uma representação substancial na vasta discografia de Zappa.
4
23/03/2018

Quando o assunto é Frank Zappa e a pessoa desconhece a sua obra, mas sabe da imensidão do seu ecletismo musical, é extremamente complicado saber por onde começar (caso não queira seguir a ordem cronológica), principalmente se o ouvinte não for eclético igual ao músico e nem sempre esteja disposto a se aventurar por todos os caminhos que sua música nos leva. 

Poderia escrever sobre outros discos de Zappa e que inclusive estão mais bem colocados na minha preferência, mas optei em falar antes de qualquer outro, sobre o que me fez ter de fato o primeiro contato com a sua esta longa obra, o disco Waka / Jawaka, lançado em 1972. 

Waka / Jawaka é um disco em meio a uma aparente trilogia, Hot Rats e The Grand Wazoo são os outros dois, possui partes bombásticas de orquestra, improvisações jazzísticas e algumas estranhezas musicais incomuns aos outros, mas comum a Zappa.  Musicalmente as coisas parecem ter menos direção e propósito, além das ideias instrumentais serem menos inventivas. Mas se discos como Hot Ratts e The Grand Wazoo forem grandes discos pra você, certamente Waka / Jawaka não terá dificuldade em soar igualmente agradável. 

Uma coisa que se nota aqui é que a guitarra às vezes parece um pouco menosprezada no decorrer do álbum. Claro que os solos de guitarra de Zappa estão presente, mas ele parece mais interessado em sentar e dirigir o álbum do que de certa forma soar como um protagonista. A sonoridade é novamente viajante com Zappa sabendo como sempre acionar vários desvios sonoros de cada um dos instrumentos. E olhem, instrumentos é o que não falta neste disco. Assim como havia acontecido em Hot Rats, novamente Frank importou inúmeros músicos talentosos de toda parte para preencher o álbum ao máximo. Posso estar enganado, talvez em termos de camadas sonoras esse seja o maior feito do músico, ao menos claro, que não levem em conta os com a Orquestra Sinfônica de Londres. 

O disco abre de maneira incrível através da maravilhosa “Big Swifty”, uma faixa onde Zappa certamente chega perto de grandes clássicos como Mwandishi de Herbie Hancock ou Bitches Brew de Miles Davis. Ele faz um trabalho extremamente confiável, em parte devido ao incrível baterista Ainsley Dunbar, músico sempre lembrado como um baterista de blues, mas é com Zappa que ele mostra seu verdadeiro talento. Big Swifty é uma jornada soberba nas arcadas do jazz-rock. Um épico que é o meu momento favorito no álbum, os metais são muito bem encaixados em uma peça de jazz muito bem construída com algumas peculiaridades de Zappa. Não chega a ser uma obra tão exploradora e dirigida por guitarras como acontece em Hot Ratts, mas ainda assim dá ao ouvinte uma sensação maravilhosa na qual dificilmente consegue-se encontrar qualquer tipo de falha. 

“Your Mouth” é uma faixa que possui alguns vocais meio estranhos dentro do padrão Zappa em uma melodia direta de blues rock com arranjos de metais. Possui coros femininos que ficaram muito bons. É uma música divertida, mas ainda assim um momento de pouca inspiração principalmente para o padrão de qualidade musical apresentado no resto do álbum. 

“It Just Might Be a One-Shot Deal” de certa forma tem uma aparência com a anterior, só que ela possui uma inclinação distintamente americana de blues. O meio da música tem uma parte instrumental bastante agradável com um solo de influência havaiana. Uma faixa muito boa e original que funciona como um excelente interlúdio. 

O disco chega ao fim com a faixa título, “Waka/Jawaka”. Tem uma estrutura diferente da que abriu o disco de maneira tão maravilhosa, não é tão genial, mas mesmo assim é uma música muito boa. Está repleta de lindas instrumentações e habilidades musicais habituais nas composições de Zappa. Começa com uma dominação dos instrumentos de sopro, possui uma sólida base de jazz, segue com um solo de sintetizador e outro de guitarra, a bateria segue em mudanças constantes e faz um solo maravilhoso. Chega a sua parte final em um desdobramento de instrumentos de sopro e uma aceleração instrumental. 

Em suma, se você gosta de jazz e particularmente a utilização de metais muito bem impostos ou qualquer coisa que Zappa faça, este é realmente um ótimo disco para conferir. Não é uma obra-prima como outros discos do músico, no entanto, tem uma representação substancial em sua vasta discografia. Só não espere ouvir uma guitarra quase em chamas como em Hot Rats, por exemplo, pois aqui a estrada musical leva a outro caminho. 

Uma representação substancial na vasta discografia de Zappa.
4
23/03/2018

Quando o assunto é Frank Zappa e a pessoa desconhece a sua obra, mas sabe da imensidão do seu ecletismo musical, é extremamente complicado saber por onde começar (caso não queira seguir a ordem cronológica), principalmente se o ouvinte não for eclético igual ao músico e nem sempre esteja disposto a se aventurar por todos os caminhos que sua música nos leva. 

Poderia escrever sobre outros discos de Zappa e que inclusive estão mais bem colocados na minha preferência, mas optei em falar antes de qualquer outro, sobre o que me fez ter de fato o primeiro contato com a sua esta longa obra, o disco Waka / Jawaka, lançado em 1972. 

Waka / Jawaka é um disco em meio a uma aparente trilogia, Hot Rats e The Grand Wazoo são os outros dois, possui partes bombásticas de orquestra, improvisações jazzísticas e algumas estranhezas musicais incomuns aos outros, mas comum a Zappa.  Musicalmente as coisas parecem ter menos direção e propósito, além das ideias instrumentais serem menos inventivas. Mas se discos como Hot Ratts e The Grand Wazoo forem grandes discos pra você, certamente Waka / Jawaka não terá dificuldade em soar igualmente agradável. 

Uma coisa que se nota aqui é que a guitarra às vezes parece um pouco menosprezada no decorrer do álbum. Claro que os solos de guitarra de Zappa estão presente, mas ele parece mais interessado em sentar e dirigir o álbum do que de certa forma soar como um protagonista. A sonoridade é novamente viajante com Zappa sabendo como sempre acionar vários desvios sonoros de cada um dos instrumentos. E olhem, instrumentos é o que não falta neste disco. Assim como havia acontecido em Hot Rats, novamente Frank importou inúmeros músicos talentosos de toda parte para preencher o álbum ao máximo. Posso estar enganado, talvez em termos de camadas sonoras esse seja o maior feito do músico, ao menos claro, que não levem em conta os com a Orquestra Sinfônica de Londres. 

O disco abre de maneira incrível através da maravilhosa “Big Swifty”, uma faixa onde Zappa certamente chega perto de grandes clássicos como Mwandishi de Herbie Hancock ou Bitches Brew de Miles Davis. Ele faz um trabalho extremamente confiável, em parte devido ao incrível baterista Ainsley Dunbar, músico sempre lembrado como um baterista de blues, mas é com Zappa que ele mostra seu verdadeiro talento. Big Swifty é uma jornada soberba nas arcadas do jazz-rock. Um épico que é o meu momento favorito no álbum, os metais são muito bem encaixados em uma peça de jazz muito bem construída com algumas peculiaridades de Zappa. Não chega a ser uma obra tão exploradora e dirigida por guitarras como acontece em Hot Ratts, mas ainda assim dá ao ouvinte uma sensação maravilhosa na qual dificilmente consegue-se encontrar qualquer tipo de falha. 

“Your Mouth” é uma faixa que possui alguns vocais meio estranhos dentro do padrão Zappa em uma melodia direta de blues rock com arranjos de metais. Possui coros femininos que ficaram muito bons. É uma música divertida, mas ainda assim um momento de pouca inspiração principalmente para o padrão de qualidade musical apresentado no resto do álbum. 

“It Just Might Be a One-Shot Deal” de certa forma tem uma aparência com a anterior, só que ela possui uma inclinação distintamente americana de blues. O meio da música tem uma parte instrumental bastante agradável com um solo de influência havaiana. Uma faixa muito boa e original que funciona como um excelente interlúdio. 

O disco chega ao fim com a faixa título, “Waka/Jawaka”. Tem uma estrutura diferente da que abriu o disco de maneira tão maravilhosa, não é tão genial, mas mesmo assim é uma música muito boa. Está repleta de lindas instrumentações e habilidades musicais habituais nas composições de Zappa. Começa com uma dominação dos instrumentos de sopro, possui uma sólida base de jazz, segue com um solo de sintetizador e outro de guitarra, a bateria segue em mudanças constantes e faz um solo maravilhoso. Chega a sua parte final em um desdobramento de instrumentos de sopro e uma aceleração instrumental. 

Em suma, se você gosta de jazz e particularmente a utilização de metais muito bem impostos ou qualquer coisa que Zappa faça, este é realmente um ótimo disco para conferir. Não é uma obra-prima como outros discos do músico, no entanto, tem uma representação substancial em sua vasta discografia. Só não espere ouvir uma guitarra quase em chamas como em Hot Rats, por exemplo, pois aqui a estrada musical leva a outro caminho. 

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