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Resenha: Murple - Io Sono Murple (1974)

Por: Tiago Meneses

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Não essencial a proggers em geral, mas a amantes da escola italiana.
3.5
22/03/2018

Este é um disco que se destaca como uma boa peça de rock progressivo italiano dos anos 70. Centrado em torno do teclado sinfônico e do trabalho de piano de Pier Carlo Zanco, este álbum combina todas as características do rock progressivo que fizeram desta uma região tão apreciada por esse gênero. 

O álbum possui duas longas suítes, uma em cada lado do disco e divididas em seis movimentos cada que contam a história triste do pinguim Murple que, para fugir do cotidiano imutável de sua vida, espontaneamente decidiu afastar-se do rebanho e do seu habitat. Mas infelizmente ele não terá tempo para desfrutar das maravilhas do mundo, pois será capturado pelo homem e forçado a viver primeiramente em um circo e em seguida em um zoológico, onde terminará os seus dias abraçado a um pequeno iceberg de plástico. A música como eu já disse, é focada principalmente em teclados extremamente inspirados, mas não posso deixar de mencionar que também apresenta guitarras temperamentais e uma cozinha segura que desenham muito bem o cenário da estória, dando assim uma sonoridade romântica como a encontrada na banda Locanda Delle Fate, mas com a proeza musical de uma Premiata Forneria Marconi, claro, salve as proporções.   

A suíte do lado A começa de maneira suave, mas logo após cerca de dois minutos de uma sonoridade bastante introspectiva, um solo de bateria leva a música a uma seção mais rock e com boa interação entre os instrumentos. As três primeiras partes, "Antartide", "Metamorfosi" e "Pathos" , possuem muitas mudanças de ritmo e humor e mostram que não há espaço para o tédio em um álbum onde padrões clássicos bastante inspirados são misturados com influências do rock de uma maneira pessoal e com uma grande musicalidade. Então que após os sete primeiros minutos, em “Senza un perché”, sobre delicadas notas de piano, os vocais aparecem pela primeira vez. As linhas melódicas são maravilhosas, mas devo confessar que o vocal apesar de em alguns momentos ter a carga emocional característica dos cantores italianos, eles são um pouco fracos, embora seja justificável pelo fato da banda não ter um vocalista de verdade e as partes vocais serem revezadas entre o guitarrista Pino Santamarià e o tecladista Pier Carlo Zanco. Depois que a música atinge cerca de dez minutos e meio um incrível coral dá início ao movimento, “Nessuna Scelta”, com notas notáveis  e padrões de teclados ao fundo e novamente mais umas boas linhas vocais. A seção que encerra a primeira parte do disco é a instrumental, “Murple Rock”, que tem como destaque um exímio trabalho de guitarra. 

A suíte encontrada no lado B começa com a belíssima, “Preludio e scherzo”, uma seção incrível de piano solo com grande inspiração clássica. Os vocais acontecem quase chegando aos três primeiros minutos de suíte em “Tra I filí”, faixa que na época inclusive foi a escolhida para ser o single promovendo o álbum, o que não quer dizer que seja a melhor música. De qualquer maneira, possui bom trabalho de guitarra, baixo e bateria sólidos, além de teclados que aumentam a carga emocional da música.  Tudo então muda para uma seção mais frenética, “Variazioni in 6/8", um movimento instrumental liderado por teclados vanguardista que lembram Banco Del Mutuo Soccorso, destaque também para o restante da banda que se mostra bastante afiada e técnica. Os vocais então regressam em “Fratello” e “Un mondo cosí”, porém, o melhor está nas passagens instrumentais, linhas de baixo em bastante destaque e de muito bom gosto, guitarras que preenchem bem os espaços, a bateria mesmo que não seja impressionante, captura bem a essência da música e teclados sinfônicos muito bem cadenciados. A instrumental final, "Antarplastic", é apenas uma pequena reprise da faixa de abertura, “Antartide”. 

Dentro da questão lírica e se comparado a tantos outros discos conceituais, Io Sono Murple se mostra de certa forma não tão inspirado e até meio ingênuo, porém, acho que essa inclusive foi à intenção da banda, afinal, o próprio tema caberia facilmente em um livro de história infantil. Não é um disco que eu considere que exista substância o suficiente para recomendar a qualquer amante de rock progressivo, mas dentro da escola italiana, mesmo não sendo exatamente um clássico como os produzidos por tantas outras bandas contemporâneas e conterrâneas, certamente é uma peça que agrega com grande valor qualquer coleção. Muito bom. 

Não essencial a proggers em geral, mas a amantes da escola italiana.
3.5
22/03/2018

Este é um disco que se destaca como uma boa peça de rock progressivo italiano dos anos 70. Centrado em torno do teclado sinfônico e do trabalho de piano de Pier Carlo Zanco, este álbum combina todas as características do rock progressivo que fizeram desta uma região tão apreciada por esse gênero. 

O álbum possui duas longas suítes, uma em cada lado do disco e divididas em seis movimentos cada que contam a história triste do pinguim Murple que, para fugir do cotidiano imutável de sua vida, espontaneamente decidiu afastar-se do rebanho e do seu habitat. Mas infelizmente ele não terá tempo para desfrutar das maravilhas do mundo, pois será capturado pelo homem e forçado a viver primeiramente em um circo e em seguida em um zoológico, onde terminará os seus dias abraçado a um pequeno iceberg de plástico. A música como eu já disse, é focada principalmente em teclados extremamente inspirados, mas não posso deixar de mencionar que também apresenta guitarras temperamentais e uma cozinha segura que desenham muito bem o cenário da estória, dando assim uma sonoridade romântica como a encontrada na banda Locanda Delle Fate, mas com a proeza musical de uma Premiata Forneria Marconi, claro, salve as proporções.   

A suíte do lado A começa de maneira suave, mas logo após cerca de dois minutos de uma sonoridade bastante introspectiva, um solo de bateria leva a música a uma seção mais rock e com boa interação entre os instrumentos. As três primeiras partes, "Antartide", "Metamorfosi" e "Pathos" , possuem muitas mudanças de ritmo e humor e mostram que não há espaço para o tédio em um álbum onde padrões clássicos bastante inspirados são misturados com influências do rock de uma maneira pessoal e com uma grande musicalidade. Então que após os sete primeiros minutos, em “Senza un perché”, sobre delicadas notas de piano, os vocais aparecem pela primeira vez. As linhas melódicas são maravilhosas, mas devo confessar que o vocal apesar de em alguns momentos ter a carga emocional característica dos cantores italianos, eles são um pouco fracos, embora seja justificável pelo fato da banda não ter um vocalista de verdade e as partes vocais serem revezadas entre o guitarrista Pino Santamarià e o tecladista Pier Carlo Zanco. Depois que a música atinge cerca de dez minutos e meio um incrível coral dá início ao movimento, “Nessuna Scelta”, com notas notáveis  e padrões de teclados ao fundo e novamente mais umas boas linhas vocais. A seção que encerra a primeira parte do disco é a instrumental, “Murple Rock”, que tem como destaque um exímio trabalho de guitarra. 

A suíte encontrada no lado B começa com a belíssima, “Preludio e scherzo”, uma seção incrível de piano solo com grande inspiração clássica. Os vocais acontecem quase chegando aos três primeiros minutos de suíte em “Tra I filí”, faixa que na época inclusive foi a escolhida para ser o single promovendo o álbum, o que não quer dizer que seja a melhor música. De qualquer maneira, possui bom trabalho de guitarra, baixo e bateria sólidos, além de teclados que aumentam a carga emocional da música.  Tudo então muda para uma seção mais frenética, “Variazioni in 6/8", um movimento instrumental liderado por teclados vanguardista que lembram Banco Del Mutuo Soccorso, destaque também para o restante da banda que se mostra bastante afiada e técnica. Os vocais então regressam em “Fratello” e “Un mondo cosí”, porém, o melhor está nas passagens instrumentais, linhas de baixo em bastante destaque e de muito bom gosto, guitarras que preenchem bem os espaços, a bateria mesmo que não seja impressionante, captura bem a essência da música e teclados sinfônicos muito bem cadenciados. A instrumental final, "Antarplastic", é apenas uma pequena reprise da faixa de abertura, “Antartide”. 

Dentro da questão lírica e se comparado a tantos outros discos conceituais, Io Sono Murple se mostra de certa forma não tão inspirado e até meio ingênuo, porém, acho que essa inclusive foi à intenção da banda, afinal, o próprio tema caberia facilmente em um livro de história infantil. Não é um disco que eu considere que exista substância o suficiente para recomendar a qualquer amante de rock progressivo, mas dentro da escola italiana, mesmo não sendo exatamente um clássico como os produzidos por tantas outras bandas contemporâneas e conterrâneas, certamente é uma peça que agrega com grande valor qualquer coleção. Muito bom. 

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