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Resenha: Genesis - From Genesis To Revelation (1969)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Album Cover
No início era imitação dos Bee Gees
1.5
11/09/2017

A história do GENESIS começou em 1967. Na exclusiva escola privada Charterhouse, em Surrey, membros de 2 bandas se juntaram. Anthony Philips (guitarra) e Mike Rutherford (baixo) vieram da THE ANON; Peter Gabriel (vocais), Tony Banks (teclados) e Chris Stewart (bateria) eram da GARDEN WALL. Àquela altura, o grupo sequer tinha um nome. Apenas compunham e tocavam em festas na escola ou pequenos outros locais. 

Em um festival em Charterhouse, foram descobertos pelo produtor Jonathan King, ex-aluno, que colocou os adolescentes sob suas asas. O nome GENESIS foi ideia dele, que justificou-a como sendo o começo de uma sonoridade, de uma nova era. Ansiosos para agradar o padrinho, Gabriel e sua turma aceitaram o nome de sobretons religiosos. Uma das ideias de King fora Gabriel’s Angels...

A vontade de permanecer nas boas graças do produtor era tanta que ao gravarem seu primeiro compacto, lançado em fevereiro de 1968, o GENESIS soou como um pastiche da banda favorita de King, os BEE GEES. A despeito de serem contratados pela mesma gravadora dos Stones, a Decca, Silent Sun passou despercebida, assim como o single seguinte, A Winter’s Tale, que saiu em maio.

Apesar da falta de sucesso, a gravadora apostou na gravação de um álbum. A mando de King, Chris Stewart foi demitido, sob a alegação de ser tecnicamente deficiente. Recebeu um cheque de 300 libras e foi torrar o dinheiro. Mais tarde, mudou-se para a Espanha, onde se tornou fazendeiro e escritor. Em seu lugar, entrou o baterista John Silver.

Enquanto gravavam o álbum de estreia, os adolescentes do Genesis ainda conciliavam seus estudos secundários com a incipiente carreira musical. Conta-se que Peter Gabriel tomava sucessivos banhos gelados pra alcançar as notas mais agudas.

Inseguros e incapazes de tomarem as rédeas criativas, o repertório de From Genesis to Revelation (março/1969) foi composto pelos garotos, mas, produzido por Jonathan King. Resultado: o primeiro álbum do GENESIS fica a meio caminho entre os BEE GEES e o THE MOODY BLUES. King inundou as faixas com cordas e orquestração melosa. Gabriel imitando os vocais dos Gibb não ajuda muito no quesito originalidade. Embora perceba-se que eles possuíam um bom sentido de melodia e algumas boas ideias (soterradas pelos arranjos de King), o disco de estreia não tem nada a ver com o que produziriam cerca de um ano mais tarde, quando do lançamento do segundo álbum.

O nome da banda e do álbum - pretensioso (Do Genesis ao Apocalipse!) e longe de refletir o escopo do material - aliado a algumas letras e títulos com teor religioso, jogaram o disco pro setor gospel. Como culpar os lojistas, com canções chamadas The Serpent ou letras que diziam “esse homem pecou”? Escondido dos fãs de música pop, From Genesis to Revelation vendeu 650 cópias somente. Depois que o grupo tornou-se conhecido, o álbum foi relançado por diferentes selos, com distintas capas e chegou a entrar na parada norte-americana, em 1974, na altíssima posição 170. Ao longo das reedições, versões demo e material “perdido” apareceram de modo esparso. O primeiro Box-set da banda, lançado em 1998, reúne todo o material. Mas, é só pra fãs muito roxos.

Há canções lindas em From Genesis to Revelation, mas soam iguais demais. Embora curto, é um álbum que enjoa ouvir de uma vez só. Quando se ouve no fone de ouvido, piora um pouco: por um fone sai a parte “psicodélica” e do outro a parte orquestrada, que homogeneíza tudo. Para ouvir individualmente, minhas favoritas são Silent Sun, In Hiding e Am I Very Wrong. A forma de compor e a sonoridade do piano de Tony Banks já estão bastante bem delineadas, embora soterradas pelas cordas beegeesianas.

Gabriel e seus anjos libertaram-se da influência sacarínica de Jonathan King, mas o produtor não pode ser desmerecido na história do grupo, uma vez que foi através dele que tiveram sua primeira chance. O poder de Jonathan era tanto naquele primeiro ano genesiano, que os direitos autorais de From Genesis to Revelation continuam dele. Mas, os garotos mandaram-no passear e assumiram o controle de sua carreira, numa transformação poucas vezes tão radical no mundo pop/rock. O GENESIS de Trespass – que traria a deslumbrante viagem progressiva nervosa de The Knife – parecia outra banda.

Jonathan King continuou seu caminho no pop inglês em meio a sucessos e escândalos. Sucessos de gosto duvidoso é verdade e atitudes mais duvidosas ainda. Criticou o Live Aid, lançou single pedindo que a neoliberal Margaret Thatcher permanecesse no poder e acusou os PET SHOP BOYS de plágio, em It’s a Sin (perdeu e teve que indenizar Neil Tennant e Chris Lowe). Em 2001, acusado de pedofilia, King foi condenado a diversos anos na cadeia por transar com garotos entre 14 e 16 anos.

No início era imitação dos Bee Gees
1.5
11/09/2017

A história do GENESIS começou em 1967. Na exclusiva escola privada Charterhouse, em Surrey, membros de 2 bandas se juntaram. Anthony Philips (guitarra) e Mike Rutherford (baixo) vieram da THE ANON; Peter Gabriel (vocais), Tony Banks (teclados) e Chris Stewart (bateria) eram da GARDEN WALL. Àquela altura, o grupo sequer tinha um nome. Apenas compunham e tocavam em festas na escola ou pequenos outros locais. 

Em um festival em Charterhouse, foram descobertos pelo produtor Jonathan King, ex-aluno, que colocou os adolescentes sob suas asas. O nome GENESIS foi ideia dele, que justificou-a como sendo o começo de uma sonoridade, de uma nova era. Ansiosos para agradar o padrinho, Gabriel e sua turma aceitaram o nome de sobretons religiosos. Uma das ideias de King fora Gabriel’s Angels...

A vontade de permanecer nas boas graças do produtor era tanta que ao gravarem seu primeiro compacto, lançado em fevereiro de 1968, o GENESIS soou como um pastiche da banda favorita de King, os BEE GEES. A despeito de serem contratados pela mesma gravadora dos Stones, a Decca, Silent Sun passou despercebida, assim como o single seguinte, A Winter’s Tale, que saiu em maio.

Apesar da falta de sucesso, a gravadora apostou na gravação de um álbum. A mando de King, Chris Stewart foi demitido, sob a alegação de ser tecnicamente deficiente. Recebeu um cheque de 300 libras e foi torrar o dinheiro. Mais tarde, mudou-se para a Espanha, onde se tornou fazendeiro e escritor. Em seu lugar, entrou o baterista John Silver.

Enquanto gravavam o álbum de estreia, os adolescentes do Genesis ainda conciliavam seus estudos secundários com a incipiente carreira musical. Conta-se que Peter Gabriel tomava sucessivos banhos gelados pra alcançar as notas mais agudas.

Inseguros e incapazes de tomarem as rédeas criativas, o repertório de From Genesis to Revelation (março/1969) foi composto pelos garotos, mas, produzido por Jonathan King. Resultado: o primeiro álbum do GENESIS fica a meio caminho entre os BEE GEES e o THE MOODY BLUES. King inundou as faixas com cordas e orquestração melosa. Gabriel imitando os vocais dos Gibb não ajuda muito no quesito originalidade. Embora perceba-se que eles possuíam um bom sentido de melodia e algumas boas ideias (soterradas pelos arranjos de King), o disco de estreia não tem nada a ver com o que produziriam cerca de um ano mais tarde, quando do lançamento do segundo álbum.

O nome da banda e do álbum - pretensioso (Do Genesis ao Apocalipse!) e longe de refletir o escopo do material - aliado a algumas letras e títulos com teor religioso, jogaram o disco pro setor gospel. Como culpar os lojistas, com canções chamadas The Serpent ou letras que diziam “esse homem pecou”? Escondido dos fãs de música pop, From Genesis to Revelation vendeu 650 cópias somente. Depois que o grupo tornou-se conhecido, o álbum foi relançado por diferentes selos, com distintas capas e chegou a entrar na parada norte-americana, em 1974, na altíssima posição 170. Ao longo das reedições, versões demo e material “perdido” apareceram de modo esparso. O primeiro Box-set da banda, lançado em 1998, reúne todo o material. Mas, é só pra fãs muito roxos.

Há canções lindas em From Genesis to Revelation, mas soam iguais demais. Embora curto, é um álbum que enjoa ouvir de uma vez só. Quando se ouve no fone de ouvido, piora um pouco: por um fone sai a parte “psicodélica” e do outro a parte orquestrada, que homogeneíza tudo. Para ouvir individualmente, minhas favoritas são Silent Sun, In Hiding e Am I Very Wrong. A forma de compor e a sonoridade do piano de Tony Banks já estão bastante bem delineadas, embora soterradas pelas cordas beegeesianas.

Gabriel e seus anjos libertaram-se da influência sacarínica de Jonathan King, mas o produtor não pode ser desmerecido na história do grupo, uma vez que foi através dele que tiveram sua primeira chance. O poder de Jonathan era tanto naquele primeiro ano genesiano, que os direitos autorais de From Genesis to Revelation continuam dele. Mas, os garotos mandaram-no passear e assumiram o controle de sua carreira, numa transformação poucas vezes tão radical no mundo pop/rock. O GENESIS de Trespass – que traria a deslumbrante viagem progressiva nervosa de The Knife – parecia outra banda.

Jonathan King continuou seu caminho no pop inglês em meio a sucessos e escândalos. Sucessos de gosto duvidoso é verdade e atitudes mais duvidosas ainda. Criticou o Live Aid, lançou single pedindo que a neoliberal Margaret Thatcher permanecesse no poder e acusou os PET SHOP BOYS de plágio, em It’s a Sin (perdeu e teve que indenizar Neil Tennant e Chris Lowe). Em 2001, acusado de pedofilia, King foi condenado a diversos anos na cadeia por transar com garotos entre 14 e 16 anos.

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