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    Biglietto Per L'Inferno

    5 Por: Tiago Meneses

Resenha: Biglietto per l'inferno - Biglietto Per L'Inferno (1974)

Por: Tiago Meneses

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Um coquetel de energias musicas e poéticas compostas de maneira espontâneas.
5
21/03/2018

Esse é um disco clássico do rock progressivo italiano que por muitos anos eu apenas o conheci pela sua capa e comentários de inúmeras pessoas, demorou até que eu de fato sentasse, colocasse meu fone e lhe desse a devida e merecida atenção. Lembro bem a surpresa que eu senti, aquela musicalidade obscura e cheia de dramaticidade, era por tanto, exatamente o tipo de som que eu procurava naquele momento. Algumas pessoas tem o péssimo hábito de comparar qualquer uso de flauta com o Jethro Tull, como se aquele instrumento fosse um patrimônio exclusivo deles. Não consigo notar qualquer conexão entre o som da Biglietto Per L'Inferno e o dos apresentados pelos ingleses ou com o prog folk em geral. Já a ideia lírica do disco constrói uma obra conceitual com temas relacionados ao suicídio. 

O disco começa através de, “Ansia”, faixa que possui uma linha que liga momentos de hard rock com arpejos encantadores. Tem uma estrutura extremamente bem elaborada e versátil. Mesmo quando os momentos mais melódicos da música faz o ouvinte lembrar da sonoridade clássica do progressivo da terra da bota, as súbitas explosões forçam também uma ida a um território mais pesado. Uma abertura que já encaminha o ouvinte a um reino estranho, sombrio e elusivo que Claudio Canali às vezes descreve com sarcasmo e amargura.

“Confessione” é um verdadeiro manifesto do grupo, onde nota-se facilmente um sarcasmo não muito oculto contra a autoridade religiosa. Após uma curta introdução a capela, a faixa fica mais frenética e vibrante com um uso massivo de guitarra distorcida em uma seção rítmica poderosa, sendo interrompida apenas pelas seções vocais e uma incrível pausa instrumental  em que a interação entre teclado, coros e piano é de tirar o fôlego. O final também impressiona, com todos os instrumentos, com destaque para a flauta atacando nossos sentidos. 

“Una Strana Regina” começa de maneira mais melódica e suave que as faixas anteriores, mas sem deixar de manter sua força através de um moog constante. Esse é um daqueles momentos que tendem a existir uma comparação com Jethro Tull, mas sinceramente, não consigo identificar algo que valha isso, nem mesmo a flauta, pois considero uma performance bem diferente da Ian Anderson. A música então salta de um melódico para uma linha pesada e constante. Mais um momento excelente do disco. 

“Il Nevare” é uma música dramática, com explosões súbitas que mostra bastante poder e força, porém, sempre mantendo um clima claustrofóbico e doloroso. Sempre tenho a ideia de que quando uma banda consegue transmitir um forte sentimento musical ao ouvinte, sua missão está muito bem cumprida. Claudio Canali consegue transmitir bastante desespero através de seus gritos que lembram David Byron, a guitarra pesada  de Marco Mainetti e a dupla de Giuseppe (Banfi e Cossa) nos teclados também ajudam a manter o ambiente de terror na música. 

O disco termina de forma apoteótica através de “L'Amico Suicida”, uma faixa extremamente dramática e de letras autobiográficas, inspirada pelo suicídio de um colega de quarto de Claudio Canali durante o serviço militar. Os vocais de Canali são obscuros e cheios de comoção, a música flui de maneira poderosa, melancólica e majestosa em sua tristeza ao longo dos seus mais de treze minutos de duração. Seu começo de efeito comovente ganha em seguida uma seção frenética e confusa, mas depois é cortada de repente, à medida que a seção vocal é apoiada por acordes de piano fúnebre. Definitivamente uma música que transmite tristeza, raiva, frustração entre outros em uma interpretação poderosamente emocional. Facilmente o melhor momento do álbum e um dos grandes feitos da escola italiana de rock progressivo. Um épico absoluto. 

Considero na verdade este o ÚNICO lançamento oficial da banda. Um disco que se trata de um incrível coquetel de energias musicas e poéticas compostas de maneira espontâneas. Ainda que o ouvinte escute ecos de algumas bandas como o já mencionado Jethro Tull, é impossível negar que o que prevalece é o estilo próprio moldado pelos músicos, enquanto que as letras desenham algumas reflexões amargas sobre a hipocrisia do mundo através de várias mudanças de humor.

Um coquetel de energias musicas e poéticas compostas de maneira espontâneas.
5
21/03/2018

Esse é um disco clássico do rock progressivo italiano que por muitos anos eu apenas o conheci pela sua capa e comentários de inúmeras pessoas, demorou até que eu de fato sentasse, colocasse meu fone e lhe desse a devida e merecida atenção. Lembro bem a surpresa que eu senti, aquela musicalidade obscura e cheia de dramaticidade, era por tanto, exatamente o tipo de som que eu procurava naquele momento. Algumas pessoas tem o péssimo hábito de comparar qualquer uso de flauta com o Jethro Tull, como se aquele instrumento fosse um patrimônio exclusivo deles. Não consigo notar qualquer conexão entre o som da Biglietto Per L'Inferno e o dos apresentados pelos ingleses ou com o prog folk em geral. Já a ideia lírica do disco constrói uma obra conceitual com temas relacionados ao suicídio. 

O disco começa através de, “Ansia”, faixa que possui uma linha que liga momentos de hard rock com arpejos encantadores. Tem uma estrutura extremamente bem elaborada e versátil. Mesmo quando os momentos mais melódicos da música faz o ouvinte lembrar da sonoridade clássica do progressivo da terra da bota, as súbitas explosões forçam também uma ida a um território mais pesado. Uma abertura que já encaminha o ouvinte a um reino estranho, sombrio e elusivo que Claudio Canali às vezes descreve com sarcasmo e amargura.

“Confessione” é um verdadeiro manifesto do grupo, onde nota-se facilmente um sarcasmo não muito oculto contra a autoridade religiosa. Após uma curta introdução a capela, a faixa fica mais frenética e vibrante com um uso massivo de guitarra distorcida em uma seção rítmica poderosa, sendo interrompida apenas pelas seções vocais e uma incrível pausa instrumental  em que a interação entre teclado, coros e piano é de tirar o fôlego. O final também impressiona, com todos os instrumentos, com destaque para a flauta atacando nossos sentidos. 

“Una Strana Regina” começa de maneira mais melódica e suave que as faixas anteriores, mas sem deixar de manter sua força através de um moog constante. Esse é um daqueles momentos que tendem a existir uma comparação com Jethro Tull, mas sinceramente, não consigo identificar algo que valha isso, nem mesmo a flauta, pois considero uma performance bem diferente da Ian Anderson. A música então salta de um melódico para uma linha pesada e constante. Mais um momento excelente do disco. 

“Il Nevare” é uma música dramática, com explosões súbitas que mostra bastante poder e força, porém, sempre mantendo um clima claustrofóbico e doloroso. Sempre tenho a ideia de que quando uma banda consegue transmitir um forte sentimento musical ao ouvinte, sua missão está muito bem cumprida. Claudio Canali consegue transmitir bastante desespero através de seus gritos que lembram David Byron, a guitarra pesada  de Marco Mainetti e a dupla de Giuseppe (Banfi e Cossa) nos teclados também ajudam a manter o ambiente de terror na música. 

O disco termina de forma apoteótica através de “L'Amico Suicida”, uma faixa extremamente dramática e de letras autobiográficas, inspirada pelo suicídio de um colega de quarto de Claudio Canali durante o serviço militar. Os vocais de Canali são obscuros e cheios de comoção, a música flui de maneira poderosa, melancólica e majestosa em sua tristeza ao longo dos seus mais de treze minutos de duração. Seu começo de efeito comovente ganha em seguida uma seção frenética e confusa, mas depois é cortada de repente, à medida que a seção vocal é apoiada por acordes de piano fúnebre. Definitivamente uma música que transmite tristeza, raiva, frustração entre outros em uma interpretação poderosamente emocional. Facilmente o melhor momento do álbum e um dos grandes feitos da escola italiana de rock progressivo. Um épico absoluto. 

Considero na verdade este o ÚNICO lançamento oficial da banda. Um disco que se trata de um incrível coquetel de energias musicas e poéticas compostas de maneira espontâneas. Ainda que o ouvinte escute ecos de algumas bandas como o já mencionado Jethro Tull, é impossível negar que o que prevalece é o estilo próprio moldado pelos músicos, enquanto que as letras desenham algumas reflexões amargas sobre a hipocrisia do mundo através de várias mudanças de humor.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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