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    Liege & Lief (1969)

    4.5 Por: Tiago Meneses

Resenha: Fairport Convention - Liege & Lief (1969)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Uma reunião fortuita, mas com um profundo efeito sobre todos os envolvidos.
4.5
21/03/2018

Terceiro álbum da banda lançado em 1969, porém, nesse pequeno intervalo, ainda houve espaço para a tragédia automobilística que levou o baterista Martin Lamble, sendo esse substituído por Dave Mattacks. Também foi adicionado no line-up permanente da banda o talentoso Dave Swarbrick e que havia participado de três faixas do disco anterior, Unhalfbricking. 

Para gravar este disco a banda alugou uma casa de campo em Hampshire, Inglaterra, onde eles também moraram juntos. O resultado disso foi um disco onde a banda pareceu finalmente ter encontrado a sua verdadeira identidade, gravando aquele que é sem dúvida, uma obra essencial na história do folk rock. De certa forma, a necessidade de encontrar uma nova direção veio devido ao efeito que a morte de Lamble causou a todos os demais membros da banda. A banda estava inclusive resistindo em tocar músicas que associavam a ele, na medida em que até pensavam em se separarem. A música encontrada em Leige & Lief está enraizada na música folclórica tradicional britânica e os resíduos de influências americanas passam longe.

O disco abre com “Come All Ye”, uma faixa claramente destinada a se tornar uma das favoritas ao vivo, oferecendo ao público a oportunidade de participar do refrão de maneira bastante forte. “Reynardine” é a primeira faixa das cinco peças tradicionais arranjadas pela banda. Tem um estilo meio celta esparso, focado na voz pura de Denny, possui resultados atmosféricos e emocionais. 

"Matty Groves" não é apenas o destaque do álbum, mas certamente um dos destaques de toda a carreira da banda. A primeira metade da música trata-se de uma balada tradicional originária no norte da Inglaterra que descreve um encontro adúltero entre um homem e uma mulher que termina quando o marido descobre o caso e mata sua esposa. Após contada a história, a banda adiciona um maravilhoso passeio instrumental. Uma música magnifica que combina muito bem a música folclórica simples com um arranjo ambicioso. 

A composição de despedida de Richard Thompson, “Farewell Farewell”, desacelera o álbum para uma balada curta muito bem interpretada e executada pela banda, um som do tipo de encontramos em trabalhos solo de Denny. “The Deserter” é uma música que oferece um contraste impressionante entre os vocais puros de Denny e um arranjo instrumental surpreendentemente pesado. No “Medley : The Lark In The Morning/ Rakish Paddy/ Foxhunter's Jig /Toss The Feathers” , Dave Swarbrick tem a chance de demonstrar toda a sua versatilidade e magnifico talento em seu violino. Em maravilhosos quatro minutos são mostrados toda a essência da banda. 

“Tam Lin” é mais um excelente conto folclórico épico com excelente arranjo mesclando o rock e o bluesy. O disco chega ao fim através de “Crazy Man Michael”, uma música bastante requintada. Conta a história de um homem aparentemente louco que erroneamente mata a sua namorada. Sandy Denny se entrega sem muita dramaticidade à canção, mas ainda assim a faixa possui uma grande carga emocional. 

Em resumo, um disco esplêndido de folk rock que fez com a banda descobrissem o que eles fazem de melhor, transformar canções tradicionais em belíssimas peças contemporâneas realizadas com bastante confiança. Um disco que foi apenas uma reunião fortuita, um breve interlúdio, mas sem dúvida alguma com um profundo efeito sobre todos os que compartilharam esse encontro. 

Uma reunião fortuita, mas com um profundo efeito sobre todos os envolvidos.
4.5
21/03/2018

Terceiro álbum da banda lançado em 1969, porém, nesse pequeno intervalo, ainda houve espaço para a tragédia automobilística que levou o baterista Martin Lamble, sendo esse substituído por Dave Mattacks. Também foi adicionado no line-up permanente da banda o talentoso Dave Swarbrick e que havia participado de três faixas do disco anterior, Unhalfbricking. 

Para gravar este disco a banda alugou uma casa de campo em Hampshire, Inglaterra, onde eles também moraram juntos. O resultado disso foi um disco onde a banda pareceu finalmente ter encontrado a sua verdadeira identidade, gravando aquele que é sem dúvida, uma obra essencial na história do folk rock. De certa forma, a necessidade de encontrar uma nova direção veio devido ao efeito que a morte de Lamble causou a todos os demais membros da banda. A banda estava inclusive resistindo em tocar músicas que associavam a ele, na medida em que até pensavam em se separarem. A música encontrada em Leige & Lief está enraizada na música folclórica tradicional britânica e os resíduos de influências americanas passam longe.

O disco abre com “Come All Ye”, uma faixa claramente destinada a se tornar uma das favoritas ao vivo, oferecendo ao público a oportunidade de participar do refrão de maneira bastante forte. “Reynardine” é a primeira faixa das cinco peças tradicionais arranjadas pela banda. Tem um estilo meio celta esparso, focado na voz pura de Denny, possui resultados atmosféricos e emocionais. 

"Matty Groves" não é apenas o destaque do álbum, mas certamente um dos destaques de toda a carreira da banda. A primeira metade da música trata-se de uma balada tradicional originária no norte da Inglaterra que descreve um encontro adúltero entre um homem e uma mulher que termina quando o marido descobre o caso e mata sua esposa. Após contada a história, a banda adiciona um maravilhoso passeio instrumental. Uma música magnifica que combina muito bem a música folclórica simples com um arranjo ambicioso. 

A composição de despedida de Richard Thompson, “Farewell Farewell”, desacelera o álbum para uma balada curta muito bem interpretada e executada pela banda, um som do tipo de encontramos em trabalhos solo de Denny. “The Deserter” é uma música que oferece um contraste impressionante entre os vocais puros de Denny e um arranjo instrumental surpreendentemente pesado. No “Medley : The Lark In The Morning/ Rakish Paddy/ Foxhunter's Jig /Toss The Feathers” , Dave Swarbrick tem a chance de demonstrar toda a sua versatilidade e magnifico talento em seu violino. Em maravilhosos quatro minutos são mostrados toda a essência da banda. 

“Tam Lin” é mais um excelente conto folclórico épico com excelente arranjo mesclando o rock e o bluesy. O disco chega ao fim através de “Crazy Man Michael”, uma música bastante requintada. Conta a história de um homem aparentemente louco que erroneamente mata a sua namorada. Sandy Denny se entrega sem muita dramaticidade à canção, mas ainda assim a faixa possui uma grande carga emocional. 

Em resumo, um disco esplêndido de folk rock que fez com a banda descobrissem o que eles fazem de melhor, transformar canções tradicionais em belíssimas peças contemporâneas realizadas com bastante confiança. Um disco que foi apenas uma reunião fortuita, um breve interlúdio, mas sem dúvida alguma com um profundo efeito sobre todos os que compartilharam esse encontro. 

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