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Resenha: Par Lindh Project - Mundus Incompertus (1997)

Por: Tiago Meneses

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Rock progressivo moderno sem perder o espírito dos anos 70.
5
20/03/2018

Se me perguntarem o que acho de Par Lindh Project, antes de qualquer coisa, minha resposta se resume apenas na palavra injustiçada. Acho estranho e até triste perceber o quão pouco reconhecimento o grupo parece receber, tendo em vista que produzem uma música perfeita do começo ao fim, adaptando-se em vários estilos da era clássica, sendo neste caso específico, o Barroco, além de adicionarem muito bem elementos sinfônicos e linhas mais pesadas em sua música. As habilidades musicais de Par Lindh no órgão são apoiadas por uma banda incrível que criam uma atmosfera maravilhosa no álbum, mas sempre tendo cuidado em manter a sobriedade da música, deixando com que a pompa seja encontrada no conjunto e não em performances individuais exageradas, onde nada se encontra fora do lugar. 

"Baroque Impression No. 1" abre o disco e em seus primeiros acordes de órgão já mostra uma banda impregnada pela música clássica de Bach e Vivaldi, por exemplo, mas depois cresce no ouvinte com a inclusão da guitarra quase metálica de Jocke Ramsell pra lembrarmos que o caminho aqui apesar do início Barroco, é o rock. Trabalhos primorosos de guitarra, passagens de violão, baixo com uma ruptura intrigante, violino dando um complemento perfeito, além de claro, o órgão nervoso de Par Lindh soando bastante enérgico, dinâmico e inventivo. Uma música onde cada nota é feita com precisão cirúrgica. 

A segunda faixa do álbum, "The Crimson Shield”, traz uma incrível carga emocional principalmente pelos vocais de Magdalena Hagberg (infelizmente falecida em 2007) que lembram a Annie Haslam do Renaissance, mas não simplesmente por serem femininos, mas pela própria linha da música e a forma que é feito o canto combinado. Possui também um trabalho de clavinete bastante agradável que é acentuado pelo mellotron. Linda música. 

A última é a faixa título do disco, um épico de mais de vinte e seis minutos. Uma composição extremamente maravilhosa e que em momento algum faz com que o ouvinte tenha um sentimento de tédio. Uma combinação incrível das características de gigantes do progressivo como King Crimson, Emerson Lake & Palmer e Van Der Graaf Generator colocadas com maestria em uma única composição. Começa com uma sonoridade leve através da sempre bela e agradável voz de Magdalena Hagberg, mas não demora muito pra mudar e mostrar várias outras facetas, levando o ouvinte do período Gótico para o Barroco em questão de segundos. A bateria de Nisse Bielfeld é o que mantém a integridade da música, o resto dos instrumentos pode vagar em qualquer lugar, mas Bielfeld sempre mantém a trilha como um metrônomo humano. É agressiva, dinâmica e sempre liderada por trabalhos impressionante de órgão e guitarra. Espere qualquer coisa desta música, solos de órgão em estilo gótico, passagens de jazz, violino dramático, guitarra frenética, baixo sólido, excelentes arranjos e mudanças radicais de direção, além de excelentes trabalhos de piano, moog e mellotron. Resumindo, uma verdadeira aula de rock progressivo. 

Muitas vezes já falaram de Par Lindh e sua semelhança com Keith Emerson, o que poderia tirar um pouco o brilho da sua obra, mas sinceramente, acho que existem muito poucas ligações. Emerson sempre foi conhecido pela sua pompa e maneira excessiva de tocar, Par Lindh é mais calmo e sóbrio, digamos assim, são dois gênios cada um da sua maneira. Um disco onde qualquer nota abaixo da máxima me transformaria em um injusto. Obrigatório a fãs de progressivo 70’s que procuram bandas de sons modernos sem perder o espírito dos anos dourados do gênero. 

Rock progressivo moderno sem perder o espírito dos anos 70.
5
20/03/2018

Se me perguntarem o que acho de Par Lindh Project, antes de qualquer coisa, minha resposta se resume apenas na palavra injustiçada. Acho estranho e até triste perceber o quão pouco reconhecimento o grupo parece receber, tendo em vista que produzem uma música perfeita do começo ao fim, adaptando-se em vários estilos da era clássica, sendo neste caso específico, o Barroco, além de adicionarem muito bem elementos sinfônicos e linhas mais pesadas em sua música. As habilidades musicais de Par Lindh no órgão são apoiadas por uma banda incrível que criam uma atmosfera maravilhosa no álbum, mas sempre tendo cuidado em manter a sobriedade da música, deixando com que a pompa seja encontrada no conjunto e não em performances individuais exageradas, onde nada se encontra fora do lugar. 

"Baroque Impression No. 1" abre o disco e em seus primeiros acordes de órgão já mostra uma banda impregnada pela música clássica de Bach e Vivaldi, por exemplo, mas depois cresce no ouvinte com a inclusão da guitarra quase metálica de Jocke Ramsell pra lembrarmos que o caminho aqui apesar do início Barroco, é o rock. Trabalhos primorosos de guitarra, passagens de violão, baixo com uma ruptura intrigante, violino dando um complemento perfeito, além de claro, o órgão nervoso de Par Lindh soando bastante enérgico, dinâmico e inventivo. Uma música onde cada nota é feita com precisão cirúrgica. 

A segunda faixa do álbum, "The Crimson Shield”, traz uma incrível carga emocional principalmente pelos vocais de Magdalena Hagberg (infelizmente falecida em 2007) que lembram a Annie Haslam do Renaissance, mas não simplesmente por serem femininos, mas pela própria linha da música e a forma que é feito o canto combinado. Possui também um trabalho de clavinete bastante agradável que é acentuado pelo mellotron. Linda música. 

A última é a faixa título do disco, um épico de mais de vinte e seis minutos. Uma composição extremamente maravilhosa e que em momento algum faz com que o ouvinte tenha um sentimento de tédio. Uma combinação incrível das características de gigantes do progressivo como King Crimson, Emerson Lake & Palmer e Van Der Graaf Generator colocadas com maestria em uma única composição. Começa com uma sonoridade leve através da sempre bela e agradável voz de Magdalena Hagberg, mas não demora muito pra mudar e mostrar várias outras facetas, levando o ouvinte do período Gótico para o Barroco em questão de segundos. A bateria de Nisse Bielfeld é o que mantém a integridade da música, o resto dos instrumentos pode vagar em qualquer lugar, mas Bielfeld sempre mantém a trilha como um metrônomo humano. É agressiva, dinâmica e sempre liderada por trabalhos impressionante de órgão e guitarra. Espere qualquer coisa desta música, solos de órgão em estilo gótico, passagens de jazz, violino dramático, guitarra frenética, baixo sólido, excelentes arranjos e mudanças radicais de direção, além de excelentes trabalhos de piano, moog e mellotron. Resumindo, uma verdadeira aula de rock progressivo. 

Muitas vezes já falaram de Par Lindh e sua semelhança com Keith Emerson, o que poderia tirar um pouco o brilho da sua obra, mas sinceramente, acho que existem muito poucas ligações. Emerson sempre foi conhecido pela sua pompa e maneira excessiva de tocar, Par Lindh é mais calmo e sóbrio, digamos assim, são dois gênios cada um da sua maneira. Um disco onde qualquer nota abaixo da máxima me transformaria em um injusto. Obrigatório a fãs de progressivo 70’s que procuram bandas de sons modernos sem perder o espírito dos anos dourados do gênero. 

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