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Resenha: Paul McCartney - Tug Of War (1982)

Por: André Luiz Paiz

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Definitivamente o melhor registro solo de Paul McCartney
5
20/03/2018

Após aventurar-se com o lançamento de McCartney II, composto em sua maioria ainda na fase Wings, Paul McCartney estava determinado a se levantar após a tragédia ocorrida no Japão, em que foi preso por porte de maconha ao adentrar ao país para uma turnê dos Wings. Assim, com o fim do seu antigo grupo, estava pronto para levar adiante a sua carreira solo, agora em definitivo. Com excelente material em mãos, recrutou o grande produtor George Martin - o quinto Beatle - para trabalharem juntos mais uma vez. Além disso, vários convidados participaram das gravações e abrilhantaram ainda mais a qualidade do material aqui proposto.

Durante a produção de "Tug Of War", um fato triste e marcante para a história da música aconteceu: John Lennon acabava de ser assinado por um ser desprezível que se dizia fã, acabando de vez com qualquer possibilidade de reunião de uma das maiores bandas da história. A reação de Paul foi trancar-se em estúdio e concentrar suas emoções na produção do disco, compondo inclusive um tema em homenagem a John: a lindíssima balada "Here Today".

"Tug Of War" inicia com a faixa-título, que também soa como uma homenagem a John. É sabido que Lennon vivia batalhando e protestando contra guerras e disputas políticas. A faixa é linda e, na minha opinião, deveria ser incluída no setlist de Paul das turnês atuais. Começa acústica e alterna com belíssimas orquestrações.
"Take Away" traz a faceta pop de Paul que viria a ser explorada em grande quantidade na sua carreira solo. Um ótimo single. Aqui temos a participação do ex-Beatle Ringo Starr, assim como em "Wanderlust" e "Ballroom Dancing"
"Somebody Who Cares" é mais uma que deveria ser reproduzida ao vivo, naqueles momentos mais intimistas de Paul com o público. Uma peça acústica maravilhosa, que exibe todo o talento de Paul como compositor.
"What's That You're Doing?" parece ter sido remanescente de McCartney II. Nesta faixa, temos o brilhantismo de Stevie Wonder, que assina a composição em conjunto com Paul. Aqui é pop e eletrônico de excelente qualidade.
Como já mencionado, "Here Today" é em homenagem a John. Uma faixa simples, acústica, triste e melancólica. Esta sim é executada ao vivo desde o início dos anos 2000. Uma música emocionante.
De volta ao pop conduzido pelo piano de Paul, "Ballroom Dancing" agita as coisas. Ótima composição, com boa melodia, refrão "catchy” e bom uso de metais. Destaque para a participação de Linda McCartney nos vocais, como faziam juntos nos Wings.
"The Pound Is Sinking" me lembra o álbum "Back To The Egg" do grupo Wings, embora seja possível encontrar um pouco de cada fase da carreira de Paul aqui. Ótima canção, que mistura estilos e influências. Bravo Paul!
Agora é hora de: "Wanderlust", uma das baladas mais lindas que Paul já compôs. Ah, que saudade dos tempos de Let It Be, em que Paul criava músicas fantásticas sentado em seu piano, deixando a criatividade falar por si só. Aqui, é possível matar um pouco desta saudade e se arrepiar. O ex-Wings Denny Laine participa e contribui com linhas de guitarra e baixo.
"Get It" é mais um dos destaques. Nesta faixa, Paul McCartney canta com ninguém menos que: Carl Perkins, um dos seus ídolos dos anos 50. A faixa é perfeita para a ocasião. Um rock simples e suave.
"Be What You See (Link)" possui trinta segundos com algumas vocalizações de Paul, meio estilo Alan Parsons. Ela, em conjunto com a pop eletrônica "Dress Me Up as a Robber", também parecem ter sido compostas no período de McCartney II. A primeira é legal, já a segunda não se destaca, mas não compromete.
Para encerrar, nada melhor que um dos maiores hits da história do pop. Quem nunca ouviu "Ebony and Ivory" nas rádios? Um dueto e uma mensagem fantástica de Paul com Stevie Wonder em uma música magnífica. Se você não conhece, tudo bem, mas não perca mais tempo e corra atrás assim que concluir sua leitura.

Depois de lançado, "Tug Of War" foi um sucesso e rendeu a Paul várias indicações a diversos prêmios, incluindo o Grammy. Não venceu, mas perdeu para "Toto IV", do Toto, álbum lendário com hits como "Africa" e "Rosana".

O ápice da inspiração de Paul McCartney na fase pós-Beatles está aqui, em "Tug Of War". Confira!

Definitivamente o melhor registro solo de Paul McCartney
5
20/03/2018

Após aventurar-se com o lançamento de McCartney II, composto em sua maioria ainda na fase Wings, Paul McCartney estava determinado a se levantar após a tragédia ocorrida no Japão, em que foi preso por porte de maconha ao adentrar ao país para uma turnê dos Wings. Assim, com o fim do seu antigo grupo, estava pronto para levar adiante a sua carreira solo, agora em definitivo. Com excelente material em mãos, recrutou o grande produtor George Martin - o quinto Beatle - para trabalharem juntos mais uma vez. Além disso, vários convidados participaram das gravações e abrilhantaram ainda mais a qualidade do material aqui proposto.

Durante a produção de "Tug Of War", um fato triste e marcante para a história da música aconteceu: John Lennon acabava de ser assinado por um ser desprezível que se dizia fã, acabando de vez com qualquer possibilidade de reunião de uma das maiores bandas da história. A reação de Paul foi trancar-se em estúdio e concentrar suas emoções na produção do disco, compondo inclusive um tema em homenagem a John: a lindíssima balada "Here Today".

"Tug Of War" inicia com a faixa-título, que também soa como uma homenagem a John. É sabido que Lennon vivia batalhando e protestando contra guerras e disputas políticas. A faixa é linda e, na minha opinião, deveria ser incluída no setlist de Paul das turnês atuais. Começa acústica e alterna com belíssimas orquestrações.
"Take Away" traz a faceta pop de Paul que viria a ser explorada em grande quantidade na sua carreira solo. Um ótimo single. Aqui temos a participação do ex-Beatle Ringo Starr, assim como em "Wanderlust" e "Ballroom Dancing"
"Somebody Who Cares" é mais uma que deveria ser reproduzida ao vivo, naqueles momentos mais intimistas de Paul com o público. Uma peça acústica maravilhosa, que exibe todo o talento de Paul como compositor.
"What's That You're Doing?" parece ter sido remanescente de McCartney II. Nesta faixa, temos o brilhantismo de Stevie Wonder, que assina a composição em conjunto com Paul. Aqui é pop e eletrônico de excelente qualidade.
Como já mencionado, "Here Today" é em homenagem a John. Uma faixa simples, acústica, triste e melancólica. Esta sim é executada ao vivo desde o início dos anos 2000. Uma música emocionante.
De volta ao pop conduzido pelo piano de Paul, "Ballroom Dancing" agita as coisas. Ótima composição, com boa melodia, refrão "catchy” e bom uso de metais. Destaque para a participação de Linda McCartney nos vocais, como faziam juntos nos Wings.
"The Pound Is Sinking" me lembra o álbum "Back To The Egg" do grupo Wings, embora seja possível encontrar um pouco de cada fase da carreira de Paul aqui. Ótima canção, que mistura estilos e influências. Bravo Paul!
Agora é hora de: "Wanderlust", uma das baladas mais lindas que Paul já compôs. Ah, que saudade dos tempos de Let It Be, em que Paul criava músicas fantásticas sentado em seu piano, deixando a criatividade falar por si só. Aqui, é possível matar um pouco desta saudade e se arrepiar. O ex-Wings Denny Laine participa e contribui com linhas de guitarra e baixo.
"Get It" é mais um dos destaques. Nesta faixa, Paul McCartney canta com ninguém menos que: Carl Perkins, um dos seus ídolos dos anos 50. A faixa é perfeita para a ocasião. Um rock simples e suave.
"Be What You See (Link)" possui trinta segundos com algumas vocalizações de Paul, meio estilo Alan Parsons. Ela, em conjunto com a pop eletrônica "Dress Me Up as a Robber", também parecem ter sido compostas no período de McCartney II. A primeira é legal, já a segunda não se destaca, mas não compromete.
Para encerrar, nada melhor que um dos maiores hits da história do pop. Quem nunca ouviu "Ebony and Ivory" nas rádios? Um dueto e uma mensagem fantástica de Paul com Stevie Wonder em uma música magnífica. Se você não conhece, tudo bem, mas não perca mais tempo e corra atrás assim que concluir sua leitura.

Depois de lançado, "Tug Of War" foi um sucesso e rendeu a Paul várias indicações a diversos prêmios, incluindo o Grammy. Não venceu, mas perdeu para "Toto IV", do Toto, álbum lendário com hits como "Africa" e "Rosana".

O ápice da inspiração de Paul McCartney na fase pós-Beatles está aqui, em "Tug Of War". Confira!

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