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Resenha: Yes - Close To The Edge (1972)

Por: Marcel Z. Dio

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Yes: A realeza do rock
5
14/03/2018

Se o nome Yes é sinônimo de rock progressivo, Close to the Edge é a coroa do rei.
É muito bom ver os jovens ouvindo e comentando sobre um estilo que poderia ficar perdido entre os escombros dos anos 70, por soar datado e pertencer a uma década em que a música ainda era tratada como arte, melhor ainda, é ver a geração nova descobrir o Yes.
O conceitual disco, gira em torno do auto conhecimento e a eterna busca do nirvana espiritual, levando como base o livro Siddharta do alemão Hermann Hesse.

A épica e desafiante faixa homônima é dividida em várias partes, e necessita ter um certo requinte musical para digerir sua proposta, foge do imediatismo do rock básico e do pop.
Seu inicio caótico, revela a habilidade dos músicos na forma estrutural da canção. Todos os instrumentos executando partes diferentes, que se complementam formando uma química mágica.
É meus caros ... bem vindos ao mundo da realeza do rock.
Tudo feito metodicamente e gravado em pequenos trechos a cada sessão, naqueles velhos e bons gravadores de rolo, o que deixava o espontâneo Bill Bruford muito puto, a ponto de sair do Yes, pois queria algo mais livre e sem tantas regras. Se achou isso no King Crimson de Robert Flipp eu já não sei ...
Close to the Edge é cheia de climas e nuances, perpetradas pelo arsenal de teclados e pianos de Rick Wakeman, num trabalho espetacular, como pode ser conferido a partir dos treze minutos. Acordes densos, de órgão tubular, moog e tudo que se tem direito, jogando toda sua bagagem clássica, em quase 20 minutos de puro arroubo progressivo.

Harmônicos de violão abrem a singela "And You and I" uma canção bem acústica, em que o violão e a voz imaculada de Jon Anderson se sobressaem, exceto na parte intermediaria, onde as camadas dos teclados de Wakeman tomam a frente da canção.

"Siberian Khatru" é a faixa mais orgânica e menos pomposa (não no sentido pejorativo) de Close to the Edge, o peso absurdo do baixo, aliado ao estilo singular de Steve Howe, formam a espinha dorsal.
Ouvir Yes, é prestar atenção cada detalhe, percebam a interação espetacular do curto trecho entre os minutos 3:14 e 3:31, em que o baixo costura em cima do Harpsichord de Wakeman, preparando a vinda do steel guitar de Howe.
Apesar de ser a faixa mais curta, Siberian Khatru ganha em peso e dinâmica em relação as outras duas.
Recomendo o live Keys to Ascension I de 1996, pois tem Close to the Edge na íntegra, absolutamente imperdível !!.

Falar dessa obra prima, é entender o rock progressivo como um todo, em sua complexidade, criatividade e linhagem de músicos acima da média, numa época em que as pessoas sentiam a música e tinham tempo para experimentar novas sensações.

Yes: A realeza do rock
5
14/03/2018

Se o nome Yes é sinônimo de rock progressivo, Close to the Edge é a coroa do rei.
É muito bom ver os jovens ouvindo e comentando sobre um estilo que poderia ficar perdido entre os escombros dos anos 70, por soar datado e pertencer a uma década em que a música ainda era tratada como arte, melhor ainda, é ver a geração nova descobrir o Yes.
O conceitual disco, gira em torno do auto conhecimento e a eterna busca do nirvana espiritual, levando como base o livro Siddharta do alemão Hermann Hesse.

A épica e desafiante faixa homônima é dividida em várias partes, e necessita ter um certo requinte musical para digerir sua proposta, foge do imediatismo do rock básico e do pop.
Seu inicio caótico, revela a habilidade dos músicos na forma estrutural da canção. Todos os instrumentos executando partes diferentes, que se complementam formando uma química mágica.
É meus caros ... bem vindos ao mundo da realeza do rock.
Tudo feito metodicamente e gravado em pequenos trechos a cada sessão, naqueles velhos e bons gravadores de rolo, o que deixava o espontâneo Bill Bruford muito puto, a ponto de sair do Yes, pois queria algo mais livre e sem tantas regras. Se achou isso no King Crimson de Robert Flipp eu já não sei ...
Close to the Edge é cheia de climas e nuances, perpetradas pelo arsenal de teclados e pianos de Rick Wakeman, num trabalho espetacular, como pode ser conferido a partir dos treze minutos. Acordes densos, de órgão tubular, moog e tudo que se tem direito, jogando toda sua bagagem clássica, em quase 20 minutos de puro arroubo progressivo.

Harmônicos de violão abrem a singela "And You and I" uma canção bem acústica, em que o violão e a voz imaculada de Jon Anderson se sobressaem, exceto na parte intermediaria, onde as camadas dos teclados de Wakeman tomam a frente da canção.

"Siberian Khatru" é a faixa mais orgânica e menos pomposa (não no sentido pejorativo) de Close to the Edge, o peso absurdo do baixo, aliado ao estilo singular de Steve Howe, formam a espinha dorsal.
Ouvir Yes, é prestar atenção cada detalhe, percebam a interação espetacular do curto trecho entre os minutos 3:14 e 3:31, em que o baixo costura em cima do Harpsichord de Wakeman, preparando a vinda do steel guitar de Howe.
Apesar de ser a faixa mais curta, Siberian Khatru ganha em peso e dinâmica em relação as outras duas.
Recomendo o live Keys to Ascension I de 1996, pois tem Close to the Edge na íntegra, absolutamente imperdível !!.

Falar dessa obra prima, é entender o rock progressivo como um todo, em sua complexidade, criatividade e linhagem de músicos acima da média, numa época em que as pessoas sentiam a música e tinham tempo para experimentar novas sensações.

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