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Resenha: Camel - Moonmadness (1976)

Por: Tiago Meneses

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Um disco de atmosfera pacífica e sonhadora.
5
07/03/2018

A banda estava sentindo um pouco de ansiedade em voltar a colocar vocais em suas músicas, tendo como resultado nada mais nada menos que Moonmadness. A banda havia atingido bons números no Reino Unido e crescerem seu nome consideravelmente graça ao disco anterior, The Snow Goose, embora que na América do Norte as coisas ainda estivessem mornas. 

Não sei exatamente se em todas as versões tem isso, mas no encarte da remasterizada de 2009, tem um relato de Andy Latimer sobre o fato de a banda ter decidido se afastar de ideias conceituais e colocar um realce maior nas letras. Bom, no disco de fato há vocais, mas a banda não chegou a escapar de cair em tentação conceitual, afinal Moonmadness tem uma temática onde o fio condutor é com base nos efeitos sofrido pelos humanos através da Lua. Outra boa informação do encarte é que cada membro da banda tem a sua personalidade interpretada em alguma das faixas do disco, nesse caso, “Air Born” é Andy Latimer, Peter Bardens é “Chord Chance”, Doug Ferguson é “Another Night”, enquanto que Andy Ward é “Lunar Sea”.

“Aristillus” é a faixa de abertura e que marca o início de uma jornada musical exuberante. Curta, dá ao ouvinte uma sensação de marcha e é encharcada de excelentes melodias de sintetizadores. A progressão é construída cuidadosamente. Uma introdução brilhante ao universo de Moonmadness. 

“Song Within A Song” começa de maneira serena e entra em uma sonoridade celestial onde a flauta é o carro chefe, mas em uma interação dramática e ao mesmo tempo divertida com os teclados. Os vocais são suaves e combinam bastante com as letras oníricas. Após os vocais uma guitarra recheia bem a música até que chega num simples, porém, eficaz solo de sintetizador. A música em sua parte final eleva-se ainda mais que em seu momento anterior.

“Chord Change” é mais uma faixa instrumental, possui uma guitarra com excelentes transições e soa bastante sólida, dando a Latimer uma enorme estrada para que possa brilhar em vários momentos. Tudo flui muito bem e a deixa emocionalmente evocativa. Mudanças súbitas, porém, suaves também ilustram e pincelam as paredes melódicas de mais uma bela obra de arte de um disco clássico. 

"Spirit Of The Water" é uma faixa bastante relaxante contando com a presença apenas de piano e voz. Os vocais de Latimer estão com efeitos que criam uma sensação serena e obscura, como se ele estivesse cantando debaixo d’água, uma atmosfera que funciona perfeitamente com a letra. 

Mirage é o meu disco preferido da banda e "Another Night" é uma música que poderia facilmente ter sido tirada dele, pois possui uma linha mais roqueira, digamos assim, no entanto, também carrega um humor mais épico encontrado aos montes em Moonmadness, sendo assim, é a mistura desses dois elementos que a torna tão especial. 

“Air Born” é uma obra-prima e eu me recuso defini-la de uma maneira que não seja essa. Começa através de uma flauta e piano bastante emotivo e que leva a um dos solos de guitarra mais sinceros da carreira de Latimer. Novamente a banda escolhe por vocais distorcidos. Mas é inegável que o que deixa de fato esta musica especial é a maneira que ocorre o uso de flauta e a sensação atmosférica dada pelo sintetizador. Uma música majestosa. 

O disco encerra com “Lunar Sea”, música que parece crescer a cada audição, causando sempre melhores impressões ao ouvinte. Começa com umas notas de sintetizador e alguns efeitos de bolha (que descobri depois que era o baixista, Doug Ferguson, com a cabeça em um balde d’água), então bateria e baixo aceleram e entra mais um dos solos maravilhosos de Andy Latimer. O solo de teclado que se sucede é uma confirmação do porque Latimer e Bardens serem uma das melhores duplas guitarra/teclado da história do rock progressivo. A música então sofre uma ofensiva jazzística, a banda eleva-se para outra dimensão numa seção rítmica apaixonada liderada por um etéreo trabalho de guitarra. “Lunar Sea” flui brilhantemente, a ferocidade da guitarra começa a ser sufocada pelo sintetizador e um clima de descanso encerra a música. Simplesmente fantástica. 

Talvez Moonmadness não apresente uma música poderosa e enérgica como a encontrada em Mirage, por exemplo, porém, tem a seu favor uma atmosfera pacífica e sonhadora, o deixando um disco mais profundo e diversificado. Liricamente e musicalmente perfeito do começo ao fim. 

Um disco de atmosfera pacífica e sonhadora.
5
07/03/2018

A banda estava sentindo um pouco de ansiedade em voltar a colocar vocais em suas músicas, tendo como resultado nada mais nada menos que Moonmadness. A banda havia atingido bons números no Reino Unido e crescerem seu nome consideravelmente graça ao disco anterior, The Snow Goose, embora que na América do Norte as coisas ainda estivessem mornas. 

Não sei exatamente se em todas as versões tem isso, mas no encarte da remasterizada de 2009, tem um relato de Andy Latimer sobre o fato de a banda ter decidido se afastar de ideias conceituais e colocar um realce maior nas letras. Bom, no disco de fato há vocais, mas a banda não chegou a escapar de cair em tentação conceitual, afinal Moonmadness tem uma temática onde o fio condutor é com base nos efeitos sofrido pelos humanos através da Lua. Outra boa informação do encarte é que cada membro da banda tem a sua personalidade interpretada em alguma das faixas do disco, nesse caso, “Air Born” é Andy Latimer, Peter Bardens é “Chord Chance”, Doug Ferguson é “Another Night”, enquanto que Andy Ward é “Lunar Sea”.

“Aristillus” é a faixa de abertura e que marca o início de uma jornada musical exuberante. Curta, dá ao ouvinte uma sensação de marcha e é encharcada de excelentes melodias de sintetizadores. A progressão é construída cuidadosamente. Uma introdução brilhante ao universo de Moonmadness. 

“Song Within A Song” começa de maneira serena e entra em uma sonoridade celestial onde a flauta é o carro chefe, mas em uma interação dramática e ao mesmo tempo divertida com os teclados. Os vocais são suaves e combinam bastante com as letras oníricas. Após os vocais uma guitarra recheia bem a música até que chega num simples, porém, eficaz solo de sintetizador. A música em sua parte final eleva-se ainda mais que em seu momento anterior.

“Chord Change” é mais uma faixa instrumental, possui uma guitarra com excelentes transições e soa bastante sólida, dando a Latimer uma enorme estrada para que possa brilhar em vários momentos. Tudo flui muito bem e a deixa emocionalmente evocativa. Mudanças súbitas, porém, suaves também ilustram e pincelam as paredes melódicas de mais uma bela obra de arte de um disco clássico. 

"Spirit Of The Water" é uma faixa bastante relaxante contando com a presença apenas de piano e voz. Os vocais de Latimer estão com efeitos que criam uma sensação serena e obscura, como se ele estivesse cantando debaixo d’água, uma atmosfera que funciona perfeitamente com a letra. 

Mirage é o meu disco preferido da banda e "Another Night" é uma música que poderia facilmente ter sido tirada dele, pois possui uma linha mais roqueira, digamos assim, no entanto, também carrega um humor mais épico encontrado aos montes em Moonmadness, sendo assim, é a mistura desses dois elementos que a torna tão especial. 

“Air Born” é uma obra-prima e eu me recuso defini-la de uma maneira que não seja essa. Começa através de uma flauta e piano bastante emotivo e que leva a um dos solos de guitarra mais sinceros da carreira de Latimer. Novamente a banda escolhe por vocais distorcidos. Mas é inegável que o que deixa de fato esta musica especial é a maneira que ocorre o uso de flauta e a sensação atmosférica dada pelo sintetizador. Uma música majestosa. 

O disco encerra com “Lunar Sea”, música que parece crescer a cada audição, causando sempre melhores impressões ao ouvinte. Começa com umas notas de sintetizador e alguns efeitos de bolha (que descobri depois que era o baixista, Doug Ferguson, com a cabeça em um balde d’água), então bateria e baixo aceleram e entra mais um dos solos maravilhosos de Andy Latimer. O solo de teclado que se sucede é uma confirmação do porque Latimer e Bardens serem uma das melhores duplas guitarra/teclado da história do rock progressivo. A música então sofre uma ofensiva jazzística, a banda eleva-se para outra dimensão numa seção rítmica apaixonada liderada por um etéreo trabalho de guitarra. “Lunar Sea” flui brilhantemente, a ferocidade da guitarra começa a ser sufocada pelo sintetizador e um clima de descanso encerra a música. Simplesmente fantástica. 

Talvez Moonmadness não apresente uma música poderosa e enérgica como a encontrada em Mirage, por exemplo, porém, tem a seu favor uma atmosfera pacífica e sonhadora, o deixando um disco mais profundo e diversificado. Liricamente e musicalmente perfeito do começo ao fim. 

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