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Resenha: Chico Buarque - Chico (2011)

Por: Tarcisio Lucas

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Chico, apenas Chico, e nada mais!
3.5
05/03/2018

Chico Buarque sempre se destacou pelo seu engajamento político transformado em letras e versos. Desde seu primeiro sucesso, "A Banda", uma música singela, mas que contém uma série de camadas se melhor analisada, passando por "Construção", "Cálice" (junto com Milton), "Geni e o Zepelin", o músico sempre tratou de um universo grande e abrangente em seus trabalhos.
Em atividade ininterrupta desde a década de 60,  o cantor nunca lançou álbuns ruins.
Esse disco, de 2011, não poderia ter um título mais apropriado: "Chico".
Em todos os aspectos, o que temos aqui é um artista despido de suas vestes, suas máscaras.
Do ponto de vista musical, isso se dá especialmente pela economia nas letras - pequenas se comparadas ao monumentos que fez ao longo de sua trajetória - até mesmo nos arranjos, calcados ou no violão ou no piano, em arranjos de muito bom gosto, mas ainda assim...econômicos (não consigo achar palavra mais adequada!).
Talvez essa tenha sido a maior crítica que o álbum recebeu na época de seu lançamento. Afinal, eram 10 canções em pouco mais de 30 minutos de música. Coisa que podemos esperar de um Ramones, mas não de um Chico Buarque.
Pois bem, eu já vejo nisso o grande trunfo do álbum: As músicas são compactas, mas em nenhum momento deixam de mostrar a que vieram. 
Ainda que o lado pessoal seja o grande destaque, ainda é possível vermos um ou outro tema mais polêmico sendo tratado com genialidade - como a crítica velada à religião na música "Querido Diário".
Os sambas de Chico, que algumas vezes atingem patamares grandiosas de arranjos, com coros, sopros,  aqui aparecem singelos, pequenos, como em "Sinhá", e são absolutamente lindos!
Mais algumas vezes é menos, e essa parece ter sido a linha mestra que guiou Chico ao longo de todo esse trabalho. Felizmente, o tempo foi brando com o cantor, e hoje muitos percebem a grande inteligência desse disco.
Como destaque, temos "Rubato", um blues meio jazz, "Tipo um Baião", que quase não é um baião, "Nina", a mais introspectiva do álbum todo, "Sem Você 2", com um arranjo belíssimo de violão.

O próprio nome do disco, "Chico", diz muito. É apenas isso, "Chico", o Chico pessoa, o Chico homem, o Chico do dia a dia, que creio estar muito bem representado na faixa já citada, "Sem Você 2".
Curiosamente, a faixa seguinte à "Sem Você" é "Sou Eu", um samba mais alegre, como se fosse um retrato do "outro lado" do artista. Temos aqui então o artista como um todo, feliz e melancólico, alegre e triste, como afinal somos todos nós, seres humanos.
Muito bom, e faz um bem danado para alma que existam pessoas, como Chico Buarque, que conseguem captar e transformar em arte a difícil arte de ser pessoa, de ser humano!

Chico, apenas Chico, e nada mais!
3.5
05/03/2018

Chico Buarque sempre se destacou pelo seu engajamento político transformado em letras e versos. Desde seu primeiro sucesso, "A Banda", uma música singela, mas que contém uma série de camadas se melhor analisada, passando por "Construção", "Cálice" (junto com Milton), "Geni e o Zepelin", o músico sempre tratou de um universo grande e abrangente em seus trabalhos.
Em atividade ininterrupta desde a década de 60,  o cantor nunca lançou álbuns ruins.
Esse disco, de 2011, não poderia ter um título mais apropriado: "Chico".
Em todos os aspectos, o que temos aqui é um artista despido de suas vestes, suas máscaras.
Do ponto de vista musical, isso se dá especialmente pela economia nas letras - pequenas se comparadas ao monumentos que fez ao longo de sua trajetória - até mesmo nos arranjos, calcados ou no violão ou no piano, em arranjos de muito bom gosto, mas ainda assim...econômicos (não consigo achar palavra mais adequada!).
Talvez essa tenha sido a maior crítica que o álbum recebeu na época de seu lançamento. Afinal, eram 10 canções em pouco mais de 30 minutos de música. Coisa que podemos esperar de um Ramones, mas não de um Chico Buarque.
Pois bem, eu já vejo nisso o grande trunfo do álbum: As músicas são compactas, mas em nenhum momento deixam de mostrar a que vieram. 
Ainda que o lado pessoal seja o grande destaque, ainda é possível vermos um ou outro tema mais polêmico sendo tratado com genialidade - como a crítica velada à religião na música "Querido Diário".
Os sambas de Chico, que algumas vezes atingem patamares grandiosas de arranjos, com coros, sopros,  aqui aparecem singelos, pequenos, como em "Sinhá", e são absolutamente lindos!
Mais algumas vezes é menos, e essa parece ter sido a linha mestra que guiou Chico ao longo de todo esse trabalho. Felizmente, o tempo foi brando com o cantor, e hoje muitos percebem a grande inteligência desse disco.
Como destaque, temos "Rubato", um blues meio jazz, "Tipo um Baião", que quase não é um baião, "Nina", a mais introspectiva do álbum todo, "Sem Você 2", com um arranjo belíssimo de violão.

O próprio nome do disco, "Chico", diz muito. É apenas isso, "Chico", o Chico pessoa, o Chico homem, o Chico do dia a dia, que creio estar muito bem representado na faixa já citada, "Sem Você 2".
Curiosamente, a faixa seguinte à "Sem Você" é "Sou Eu", um samba mais alegre, como se fosse um retrato do "outro lado" do artista. Temos aqui então o artista como um todo, feliz e melancólico, alegre e triste, como afinal somos todos nós, seres humanos.
Muito bom, e faz um bem danado para alma que existam pessoas, como Chico Buarque, que conseguem captar e transformar em arte a difícil arte de ser pessoa, de ser humano!

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