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Resenha: Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico (1977)

Por: Tarcisio Lucas

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Rock Progressivo made in Minas!
4.5
05/03/2018

Beto Guedes é uma figura importantíssima dentro do cenário da música brasileira. Além de ter feito parte do lendário Clube da Esquina – ao lado de nomes como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Toninho Horta, Tavinho Moura, entre outros, além de grandes letristas como Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Murilo Antunes –o cantor/compositor tem uma carreira bastante produtiva e regular.
Misturando influências as mais diversas, como a música regional mineira, a Bossa Nova, o Tropicalismo, além do Rock progressivo do Yes, a psicodelia dos Beatles , o que o músico sempre ofereceu foi um som aparentemente simples, gostoso e fácil de digerir, mas que de fato possui grande complexidade musical, instrumental e até mesmo lírica.
Junto com Novelli, Toninho Horta e Danilo Caymmi, o músico já havia lançado 4 anos antes desse “A Página do Relâmpago Elétrico” um disco bastante trabalhado, totalmente calcado no rock progressivo, mas no qual já era totalmente possível discernir o som que faria em sua carreira.

Aqui temos o primeiro lançamento oficial do cantor dentro de sua própria discografia. Entre composição, execução e letras, temos a participação de artistas como Milton Nascimento (na composição de Maria Solidária), Flávio Venturini (na instrumental e totalmente “Yes” Chapéu de Sol), Tavinho Moura, Ronaldo Bastos, Murilo Antunes (na musica “Nascente”, junto com Flávio Venturini), entre outros. Ou seja, quase que uma “continuação” do Clube da Esquina.
O que podemos ouvir é a união perfeita entre o progressivo de seu trabalho anterior com a veia brasileira dos trabalhos seguintes.
Algumas músicas, como “A Página do Relâmpago Elétrico”, “Chapéu de Sol”, “Tanto” apresentam a verve progressiva, especialmente nos timbres dos instrumentos, sendo a maior influência a banda já citada anteriormente, o “Yes”.
No lado mais brasileiro, o que temos é algo bem próximo o que seus conterrâneos estavam fazendo, que era abordar temáticas bastante pessoais com um pouco de regionalismo, em arranjos bem elaborados e complexos.
Algumas musicas deste disco tiveram uma grande penetração midiática, especialmente "Maria Solidária" e "Nascente", ambas transformadas em temas de novela (no caso de Maria Solidária, mais de uma vez), e que até hoje fazem parte do cancioneiro popular forjado naquela época.

O disco se encerra com a música "Belo Horizonte", uma espécie de chorinho "torto", uma homenagem do cantor não apenas à cidade, mas sim à todo o estado de Minas, homenagem essa mais que bem merecida, pois se fizermos uma lista de grandes nomes da música que surgiram ali - lista essa que vai de Milton Nascimento até Sepultura - veremos a grandeza musical desse estado.
Outro ponto característico do cantor é a forma como ele trabalha as letras; de forma bastante imagética. Mesmo quando a proposta é abordar um relacionamento, ele sempre faz referências às cores, ao sol, à mata, ao luar...assim como de seus camaradas Flávio Venturini e Milton, como se a música e a realidade interior do artista pudessem ser expressas de forma precisa pela própria natureza circundante, e vice versa.
Mas o músico vai além de sua geografia: na música "Salve Regina", temos influências claras de musica nordestina, na música "Bandolins" uma série de solos que nos remetem à musica latino americana fora do nosso país, como a música chilena e peruana.

Enfim, Beto Guedes é Minas, Beto Guedes é Brasil, é tudo isso e um pouco mais!

Rock Progressivo made in Minas!
4.5
05/03/2018

Beto Guedes é uma figura importantíssima dentro do cenário da música brasileira. Além de ter feito parte do lendário Clube da Esquina – ao lado de nomes como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Toninho Horta, Tavinho Moura, entre outros, além de grandes letristas como Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Murilo Antunes –o cantor/compositor tem uma carreira bastante produtiva e regular.
Misturando influências as mais diversas, como a música regional mineira, a Bossa Nova, o Tropicalismo, além do Rock progressivo do Yes, a psicodelia dos Beatles , o que o músico sempre ofereceu foi um som aparentemente simples, gostoso e fácil de digerir, mas que de fato possui grande complexidade musical, instrumental e até mesmo lírica.
Junto com Novelli, Toninho Horta e Danilo Caymmi, o músico já havia lançado 4 anos antes desse “A Página do Relâmpago Elétrico” um disco bastante trabalhado, totalmente calcado no rock progressivo, mas no qual já era totalmente possível discernir o som que faria em sua carreira.

Aqui temos o primeiro lançamento oficial do cantor dentro de sua própria discografia. Entre composição, execução e letras, temos a participação de artistas como Milton Nascimento (na composição de Maria Solidária), Flávio Venturini (na instrumental e totalmente “Yes” Chapéu de Sol), Tavinho Moura, Ronaldo Bastos, Murilo Antunes (na musica “Nascente”, junto com Flávio Venturini), entre outros. Ou seja, quase que uma “continuação” do Clube da Esquina.
O que podemos ouvir é a união perfeita entre o progressivo de seu trabalho anterior com a veia brasileira dos trabalhos seguintes.
Algumas músicas, como “A Página do Relâmpago Elétrico”, “Chapéu de Sol”, “Tanto” apresentam a verve progressiva, especialmente nos timbres dos instrumentos, sendo a maior influência a banda já citada anteriormente, o “Yes”.
No lado mais brasileiro, o que temos é algo bem próximo o que seus conterrâneos estavam fazendo, que era abordar temáticas bastante pessoais com um pouco de regionalismo, em arranjos bem elaborados e complexos.
Algumas musicas deste disco tiveram uma grande penetração midiática, especialmente "Maria Solidária" e "Nascente", ambas transformadas em temas de novela (no caso de Maria Solidária, mais de uma vez), e que até hoje fazem parte do cancioneiro popular forjado naquela época.

O disco se encerra com a música "Belo Horizonte", uma espécie de chorinho "torto", uma homenagem do cantor não apenas à cidade, mas sim à todo o estado de Minas, homenagem essa mais que bem merecida, pois se fizermos uma lista de grandes nomes da música que surgiram ali - lista essa que vai de Milton Nascimento até Sepultura - veremos a grandeza musical desse estado.
Outro ponto característico do cantor é a forma como ele trabalha as letras; de forma bastante imagética. Mesmo quando a proposta é abordar um relacionamento, ele sempre faz referências às cores, ao sol, à mata, ao luar...assim como de seus camaradas Flávio Venturini e Milton, como se a música e a realidade interior do artista pudessem ser expressas de forma precisa pela própria natureza circundante, e vice versa.
Mas o músico vai além de sua geografia: na música "Salve Regina", temos influências claras de musica nordestina, na música "Bandolins" uma série de solos que nos remetem à musica latino americana fora do nosso país, como a música chilena e peruana.

Enfim, Beto Guedes é Minas, Beto Guedes é Brasil, é tudo isso e um pouco mais!

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