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Resenha: Pink Floyd - Meddle (1971)

Por: Tiago Meneses

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O precedente de uma popularidade dilatada da banda na cultura mainstream
5
22/02/2018

Primeiramente vamos deixar claro que não importa se você gosta mais da fase inicial da banda, conhecida como a mais psicodélica, pois antes disso tudo existe um fato do qual ninguém deve fugir, que foi a partir de Meddle que o Pink Floyd começou a moldar a sua música da maneira que consagrou o grupo nos anos 70, foi o primeiro disco com a essência da banda.  Pode ser visto também como primeiro passo de uma transição da música floydiana. 

Interessante perceber que antes dos aclamados The Wall, Dark Side of the Moon e Wish you Were Here, a banda criou uma obra-prima bastante diferente. Não se trata de um disco conceitual, mas uma jornada musical que mostra uma grande variedade de estilos. As letras não são do tipo que exigem, mas sugerem, sendo o papel da música fazer o resto entre a conversa ouvinte e banda. Talvez a coisa mais maravilhosa de Meddle seja o fato de que a banda realmente estava funcionando como uma banda, todos os talentos podem ser claramente ouvidos e ninguém grita ninguém grita mais que ninguém. 

As gravações das faixas ao contrário do que se pode imaginar e que de fato normalmente acontece, não tiveram total atenção da banda, sendo que ocorriam somente quando o grupo conseguia tempo para entrar no estúdio entre seus compromissos de turnê. 

A capa do álbum como de costume foi projetada pela Hipnosis, via Storm Thorgerson e que mostra uma fotografia dando um close numa orelha vista debaixo d’água coletando ondas de som. Porém, inicialmente Thorgerson havia sugerido que o close da foto tivesse sido no ânus de um babuíno, mas a ideia acabou sendo vetada pela banda, pois eles preferiram que fosse de uma “orelha subaquática”. No final das contas, Thorgerson aparentemente acabou gostando da ideia, embora mais tarde tenha afirmado que Meddle foi o seu pior trabalho com o Pink Floyd.

O disco já entra na mente do ouvinte chutando a porta através de “One Of These Days”, faixa predominantemente instrumental e que tem o famoso uso de dois baixos, sendo um deles tocado por David Gilmour. O sintetizador pontilha o vento cada vez mais selvagem e a percussão sutil por meio de címbalos reversos imita e intensifica a sensação de vento. A guitarra começa a rosnar e intensificar ainda mais a música, então que o seu famoso riff de baixo a segura até que seus únicos vocais é dito por Nick Mason através da frase, “One of these days I'm going to cut you into little pieces” (Um dia desses eu vou corta-lo em pedacinhos), segundo Waters a música é uma constatação dolorosa da situação da sociedade contemporânea. Outra banda podia fazer com que o ouvinte sentisse que se trata de uma introdução muito longa pra ocasião, mas quando se fala de Pink Floyd, falamos dos mestres do uso de espaço musical sem fazer com que caiam na monotonia. O restante do corpo da música é bastante pulsante, um bombardeio sonoro principalmente por parte de Gilmour que faz provavelmente o seu solo mais poderoso até aquele momento. 

Se de certa forma o disco possui uma abertura sombria e agressiva, “A Pillow of Winds” (nome que segundo o próprio Mason é uma referência ao jogo chinês, Mahjong)  é a calmaria, suavidade e a luz perfeita para o momento. Pela primeira vez apresenta vocais cantados, soando de forma bastante orgânica e pastoral, com guitarras acústicas e elétricas, além de decorações de slide guitar. Nota-se uma sonoridade obscura adjacente que de certa forma antecipa o tom encontrado no disco The Wall. Mesmo possuindo um ar melancólico, não necessariamente exala tristeza, Meddle começou com uma espécie de Yng-Yang.

Sempre considerei “Fearless” um trabalho muito subestimado do Pink Floyd e que começa a mudar a atmosfera do álbum, criando um som mais animado e vivaz e que é reconfortante e estimulante ao mesmo tempo. Liricamente como o nome já sugere tem uma ideia de encarar adversidade de forma destemida, algo que pessoalmente sempre tive dificuldade em fazer, por isso vejo essa música como algo além, como uma mensagem pra mim. O vocal de Gilmour está maravilhosamente bem, assim como os trabalhos de guitarra, já Wright coloca alguns excelentes detalhes de pianos que fazem dessa música um dos momentos mais incríveis do álbum. Não posso deixar de mencionar também o final da música em que é reproduzido o coro entoado pelo torcida do time do Liverpool cantando, “You'll Never Walk Alone" dos compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, mas apesar do time inglês terem começado com isso, hoje vários outros clubes pela Europa também adotaram o hino. 

Como faixa seguinte o Pink Floyd escolhe um tipo de música bastante diferente que as apresentadas até o momento, “San Tropez” tem a cara de um Domingo preguiçoso, possui lindos elementos de jazz, especialmente pelo piano de Wright. O bluesy da slide guitar de Gilmour cria uma sensação única e descontraída que é um verdadeiro deleite. “San Tropez” é completamente relaxante e despretensiosa.

“Seamus” é uma faixa peculiar, do tipo que inicialmente é inclusive tentadora a ser ignorada, mas como de costume o Pink Floyd consegue oferecer algo a mais que somente ouvir um cachorro uivando, tudo é ótimo, os detalhes e a textura do piano blues executado de maneira cuidadosa e descontraída, a slide guitar e algo como uma guitarra portuguesa ou algum outro tipo de cistre, além do baixo que faz apenas uma pequena sombra e completa  o conjunto instrumental extremamente bem. O nome da música também é o nome do cachorro que faz participação, cujo dono era Stevie Marriot. A pequena letra também explica o papel de Seamus na música, ele chora do lado de fora da casa enquanto seu dono está na parte de dentro da casa, mais precisamente na cozinha. 

Meddle chega ao fim não com a que considero a melhor música do disco ou a melhor música do Pink Floyd, mas sim, a melhor música dentre todas as músicas que me abraçam e confortam a minha vida. “Echoes” desde o seu ping inicial até o ping de encerramento é um verdadeiro desdobramento orgânico de vinte e três minutos de eventos quase sem precedentes na história do rock, e uma jornada impecável de experimento que sugere a música abordada pela banda mais tarde, por exemplo, as sublimes e suaves guitarras que remetem a “Shine on you Crazy Diamond”, a banda alimenta o ouvinte pouco a pouco o levando suavemente através de uma náutica atmosfera que pode ser vivida simplesmente fechando os olhos. Gilmour e Wright então começam cantando em dueto maravilhosamente bem, os instrumentos mostram-se bastante restritos diante dos vocais, mas sempre após os versos há uma passagem muito semelhante ao tema principal da música “Phantom of the Opera” de Andrew Lloyd Webber, Roger Waters inclusive já disse que a banda foi plagiada por Webber, mas ele nunca o quis entrar com processo, pois em suas palavras, “a vida é muito curta para entrar com uma ação judicial contra o genial Andrew Lloyd Webber”. Gilmour ainda faz um excelente solo de guitarra com certo peso antes da música tomar uma nova direção. A linha abordada agora pela banda possui bastante groove, com destaque maior para a guitarra de David Gilmour e os teclados de Richard Wright. A música então entra em uma atmosfera sómbria, Gilmour consegue ilustrar a imagem de habitantes demoníacos encontrados em um mergulho profundo e cria imagens de todo tipo de coisas relacionadas ao mar. De sonoridade fria e cavernosa, mostra a reminiscência da experimentação encontrada em Ummagumma, mas desta vez com um propósito maior. Podemos facilmente sentir a nossa alma planar neste novo mundo, maravilhando-nos com o cenário, mas a paisagem marinha muda logo abaixo, e continuamos em nossa jornada, uma vez que o ping familiar é ouvido de novo. A guitarra pesada e os pratos cristalinos anunciam a iminência de outra passagem crescente e intensiva, através de cavernas sombrias, mas aproximando-se gradualmente da superfície, assim como a luz aparece e atravessa as águas em colunas, quando os vocais enfim ressurgem é como se estivesse passado apenas um segundo desde o último verso, como se as vozes também fosse um estalar de dedos que finaliza uma hipnose. Após mais alguns versos, a banda novamente volta à passagem semelhante a “Phantom of the Opera”, mas desta vez ficando mais intensa e enérgica, até que aos poucos a calmaria vai se estabelecendo e “Echoes” chegando ao fim. 
 
Magnífico, suntuoso, esplêndido, palavras não faltam pra definir Meddle, porém, nenhuma delas será o bastante. Nenhuma coleção de rock progressivo está completa sem este disco, tudo está no seu devido lugar e não há o porquê de querer mudar uma nota que seja. Meddle é o precedente de uma popularidade dilatada da banda na cultura mainstream. Obrigatório. 

O precedente de uma popularidade dilatada da banda na cultura mainstream
5
22/02/2018

Primeiramente vamos deixar claro que não importa se você gosta mais da fase inicial da banda, conhecida como a mais psicodélica, pois antes disso tudo existe um fato do qual ninguém deve fugir, que foi a partir de Meddle que o Pink Floyd começou a moldar a sua música da maneira que consagrou o grupo nos anos 70, foi o primeiro disco com a essência da banda.  Pode ser visto também como primeiro passo de uma transição da música floydiana. 

Interessante perceber que antes dos aclamados The Wall, Dark Side of the Moon e Wish you Were Here, a banda criou uma obra-prima bastante diferente. Não se trata de um disco conceitual, mas uma jornada musical que mostra uma grande variedade de estilos. As letras não são do tipo que exigem, mas sugerem, sendo o papel da música fazer o resto entre a conversa ouvinte e banda. Talvez a coisa mais maravilhosa de Meddle seja o fato de que a banda realmente estava funcionando como uma banda, todos os talentos podem ser claramente ouvidos e ninguém grita ninguém grita mais que ninguém. 

As gravações das faixas ao contrário do que se pode imaginar e que de fato normalmente acontece, não tiveram total atenção da banda, sendo que ocorriam somente quando o grupo conseguia tempo para entrar no estúdio entre seus compromissos de turnê. 

A capa do álbum como de costume foi projetada pela Hipnosis, via Storm Thorgerson e que mostra uma fotografia dando um close numa orelha vista debaixo d’água coletando ondas de som. Porém, inicialmente Thorgerson havia sugerido que o close da foto tivesse sido no ânus de um babuíno, mas a ideia acabou sendo vetada pela banda, pois eles preferiram que fosse de uma “orelha subaquática”. No final das contas, Thorgerson aparentemente acabou gostando da ideia, embora mais tarde tenha afirmado que Meddle foi o seu pior trabalho com o Pink Floyd.

O disco já entra na mente do ouvinte chutando a porta através de “One Of These Days”, faixa predominantemente instrumental e que tem o famoso uso de dois baixos, sendo um deles tocado por David Gilmour. O sintetizador pontilha o vento cada vez mais selvagem e a percussão sutil por meio de címbalos reversos imita e intensifica a sensação de vento. A guitarra começa a rosnar e intensificar ainda mais a música, então que o seu famoso riff de baixo a segura até que seus únicos vocais é dito por Nick Mason através da frase, “One of these days I'm going to cut you into little pieces” (Um dia desses eu vou corta-lo em pedacinhos), segundo Waters a música é uma constatação dolorosa da situação da sociedade contemporânea. Outra banda podia fazer com que o ouvinte sentisse que se trata de uma introdução muito longa pra ocasião, mas quando se fala de Pink Floyd, falamos dos mestres do uso de espaço musical sem fazer com que caiam na monotonia. O restante do corpo da música é bastante pulsante, um bombardeio sonoro principalmente por parte de Gilmour que faz provavelmente o seu solo mais poderoso até aquele momento. 

Se de certa forma o disco possui uma abertura sombria e agressiva, “A Pillow of Winds” (nome que segundo o próprio Mason é uma referência ao jogo chinês, Mahjong)  é a calmaria, suavidade e a luz perfeita para o momento. Pela primeira vez apresenta vocais cantados, soando de forma bastante orgânica e pastoral, com guitarras acústicas e elétricas, além de decorações de slide guitar. Nota-se uma sonoridade obscura adjacente que de certa forma antecipa o tom encontrado no disco The Wall. Mesmo possuindo um ar melancólico, não necessariamente exala tristeza, Meddle começou com uma espécie de Yng-Yang.

Sempre considerei “Fearless” um trabalho muito subestimado do Pink Floyd e que começa a mudar a atmosfera do álbum, criando um som mais animado e vivaz e que é reconfortante e estimulante ao mesmo tempo. Liricamente como o nome já sugere tem uma ideia de encarar adversidade de forma destemida, algo que pessoalmente sempre tive dificuldade em fazer, por isso vejo essa música como algo além, como uma mensagem pra mim. O vocal de Gilmour está maravilhosamente bem, assim como os trabalhos de guitarra, já Wright coloca alguns excelentes detalhes de pianos que fazem dessa música um dos momentos mais incríveis do álbum. Não posso deixar de mencionar também o final da música em que é reproduzido o coro entoado pelo torcida do time do Liverpool cantando, “You'll Never Walk Alone" dos compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, mas apesar do time inglês terem começado com isso, hoje vários outros clubes pela Europa também adotaram o hino. 

Como faixa seguinte o Pink Floyd escolhe um tipo de música bastante diferente que as apresentadas até o momento, “San Tropez” tem a cara de um Domingo preguiçoso, possui lindos elementos de jazz, especialmente pelo piano de Wright. O bluesy da slide guitar de Gilmour cria uma sensação única e descontraída que é um verdadeiro deleite. “San Tropez” é completamente relaxante e despretensiosa.

“Seamus” é uma faixa peculiar, do tipo que inicialmente é inclusive tentadora a ser ignorada, mas como de costume o Pink Floyd consegue oferecer algo a mais que somente ouvir um cachorro uivando, tudo é ótimo, os detalhes e a textura do piano blues executado de maneira cuidadosa e descontraída, a slide guitar e algo como uma guitarra portuguesa ou algum outro tipo de cistre, além do baixo que faz apenas uma pequena sombra e completa  o conjunto instrumental extremamente bem. O nome da música também é o nome do cachorro que faz participação, cujo dono era Stevie Marriot. A pequena letra também explica o papel de Seamus na música, ele chora do lado de fora da casa enquanto seu dono está na parte de dentro da casa, mais precisamente na cozinha. 

Meddle chega ao fim não com a que considero a melhor música do disco ou a melhor música do Pink Floyd, mas sim, a melhor música dentre todas as músicas que me abraçam e confortam a minha vida. “Echoes” desde o seu ping inicial até o ping de encerramento é um verdadeiro desdobramento orgânico de vinte e três minutos de eventos quase sem precedentes na história do rock, e uma jornada impecável de experimento que sugere a música abordada pela banda mais tarde, por exemplo, as sublimes e suaves guitarras que remetem a “Shine on you Crazy Diamond”, a banda alimenta o ouvinte pouco a pouco o levando suavemente através de uma náutica atmosfera que pode ser vivida simplesmente fechando os olhos. Gilmour e Wright então começam cantando em dueto maravilhosamente bem, os instrumentos mostram-se bastante restritos diante dos vocais, mas sempre após os versos há uma passagem muito semelhante ao tema principal da música “Phantom of the Opera” de Andrew Lloyd Webber, Roger Waters inclusive já disse que a banda foi plagiada por Webber, mas ele nunca o quis entrar com processo, pois em suas palavras, “a vida é muito curta para entrar com uma ação judicial contra o genial Andrew Lloyd Webber”. Gilmour ainda faz um excelente solo de guitarra com certo peso antes da música tomar uma nova direção. A linha abordada agora pela banda possui bastante groove, com destaque maior para a guitarra de David Gilmour e os teclados de Richard Wright. A música então entra em uma atmosfera sómbria, Gilmour consegue ilustrar a imagem de habitantes demoníacos encontrados em um mergulho profundo e cria imagens de todo tipo de coisas relacionadas ao mar. De sonoridade fria e cavernosa, mostra a reminiscência da experimentação encontrada em Ummagumma, mas desta vez com um propósito maior. Podemos facilmente sentir a nossa alma planar neste novo mundo, maravilhando-nos com o cenário, mas a paisagem marinha muda logo abaixo, e continuamos em nossa jornada, uma vez que o ping familiar é ouvido de novo. A guitarra pesada e os pratos cristalinos anunciam a iminência de outra passagem crescente e intensiva, através de cavernas sombrias, mas aproximando-se gradualmente da superfície, assim como a luz aparece e atravessa as águas em colunas, quando os vocais enfim ressurgem é como se estivesse passado apenas um segundo desde o último verso, como se as vozes também fosse um estalar de dedos que finaliza uma hipnose. Após mais alguns versos, a banda novamente volta à passagem semelhante a “Phantom of the Opera”, mas desta vez ficando mais intensa e enérgica, até que aos poucos a calmaria vai se estabelecendo e “Echoes” chegando ao fim. 
 
Magnífico, suntuoso, esplêndido, palavras não faltam pra definir Meddle, porém, nenhuma delas será o bastante. Nenhuma coleção de rock progressivo está completa sem este disco, tudo está no seu devido lugar e não há o porquê de querer mudar uma nota que seja. Meddle é o precedente de uma popularidade dilatada da banda na cultura mainstream. Obrigatório. 

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