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    Four Moments (1975)

    3.5 Por: Tiago Meneses

Resenha: Sebastian Hardie - Four Moments (1975)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 182

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Album Cover
O disco australiano mais significativo de rock progressivo 70's.
3.5
21/02/2018

Algo que todo amante de rock progressivo dos anos 70 sabe é que a cena australiana era bastante pequena. Inclusive, considerando os fortes laços comerciais e culturais que eles tiveram com a Inglaterra e Estados Unidos, essa “pobreza” de números de bandas de progressivo é até estranha. De qualquer forma, isso não impedia com que existissem músicos fazendo um som de qualidade no país. Sebastie Hardie possui fortes influências em Camel, Yes e Focus, seu disco Four Moments certamente merecia mais atenção. 

Mas antes de qualquer coisa algo tem que ser mencionado, a música encontrada no disco dificilmente é original ou intrincada como a feita por outras bandas, inclusive as que as influenciaram, mas por outro lado são bem emocionantes, feitas com paixão e dedicação. Todos eram excelentes instrumentistas, com uma capacidade de composição que impressiona e as músicas são extremamente bem feitas, organizadas e executadas. Mario Millo, por exemplo, é o tipo de guitarrista que não está nenhum pouco preocupado em mostrar muito virtuosismo, ele trabalha bem em equipe através de solos confortantes, cheios de sentimento e beleza. Um estilo parecido com Jan Akkermann, o que convenhamos, não é nenhum demérito em termos de comparação. 

“Glories Shall Be Released”, faixa de abertura do disco, é também a música mais polida e comercial, o que não quer dizer que não tenha uma boa qualidade também. Começa de maneira bastante sinfônica, tendo os teclados orquestrais complementados por uma guitarra melódica. A introdução é bastante longa e pega dois terços da música, liderada por teclados eufônicos e sempre muito bem acompanhados por uma cozinha de bom ritmo, os vocais são bem feitos e embora seja a música menos expressiva do disco, certamente era realmente a melhor delas para ser a introdução. 

“Dawn of Our Sun” é maravilhosa, começa com uma incrível paisagem sonora através de uns sons assombrosos de flauta feito no teclado, uma linha psicodélica de guitarra, salpicos de címbalos que adicionam ao som uma sensação onírica. Quando os vocais entram, aumenta ainda mais a sensação de mistério. Uma faixa onde a melancolia da letra é aumentada pela guitarra e principalmente pela maneira edificante com que é usado o mellotron. 

"Journey Through Our Dreams" começa com um vocal suave acompanhado de uma guitarra acústica. A música então ganha mais corpo com a entrada dos demais instrumentos, com destaque para o mellotron que dá um ar sinfônico à música. Por volta de sua metade entra um belo solo de guitarra, trabalho feito com bastante sentimento, então que os sintetizadores assumem o controle que até então era da guitarra. Há ainda na parte final uma seção de mellotron e vocal bastante emocional. 

“Everything Is Real” é a música mais curta do disco, simples e direta, onde os sintetizadores é quem toma a liderança até chegar ao seu final sereno através do mellotron, repetindo a mesma linha já apresentada anteriormente. 

“Rosanna” resumidamente é uma excelente exibição de guitarra melódica e trabalhos emocionantes de sintetizadores. Tudo é desenvolvido com bastante requinte e elegância harmoniosa. Belíssima e capaz de trazer uma enorme sensação de paz para o ouvinte. 

“Openings” fecha o disco com chave de ouro através dos seus treze minutos e belas paisagens sonoras. As influências em Camel são abundantes, principalmente pelo estilo de guitarra. A melodia é bonita e muito relaxante com sintetizadores e orquestrações tranquilas. O órgão é excelente, principalmente quando se lança em um solo e brilha com mais efervescência. A musicalidade onírica é algo simplesmente soberba, e o estilo violino utilizado por vezes pela guitarra sobre as texturas espaciais do mellotron é exemplar, assim como os solos mais enérgicos. Excelente também é a maneira como o riff mais pesado de guitarra encaixa no final, mudando a música para um estilo diferente, porém, usando a mesma melodia e um ritmo mais rápido. 

Como eu já disse, não fascina nem pela originalidade ou virtuosismo musical, no geral, na verdade tudo flui simples, porém, com grande beleza. Não dá pra comparar com as obras mais significativas do rock progressivo que estavam saindo e já havia saído no mesmo período, mas ainda assim sobre Four Moments, podemos dizer facilmente um fato irrefutável, se trata do disco de rock progressivo mais significativo dos anos 70 vindo da Austrália. 

O disco australiano mais significativo de rock progressivo 70's.
3.5
21/02/2018

Algo que todo amante de rock progressivo dos anos 70 sabe é que a cena australiana era bastante pequena. Inclusive, considerando os fortes laços comerciais e culturais que eles tiveram com a Inglaterra e Estados Unidos, essa “pobreza” de números de bandas de progressivo é até estranha. De qualquer forma, isso não impedia com que existissem músicos fazendo um som de qualidade no país. Sebastie Hardie possui fortes influências em Camel, Yes e Focus, seu disco Four Moments certamente merecia mais atenção. 

Mas antes de qualquer coisa algo tem que ser mencionado, a música encontrada no disco dificilmente é original ou intrincada como a feita por outras bandas, inclusive as que as influenciaram, mas por outro lado são bem emocionantes, feitas com paixão e dedicação. Todos eram excelentes instrumentistas, com uma capacidade de composição que impressiona e as músicas são extremamente bem feitas, organizadas e executadas. Mario Millo, por exemplo, é o tipo de guitarrista que não está nenhum pouco preocupado em mostrar muito virtuosismo, ele trabalha bem em equipe através de solos confortantes, cheios de sentimento e beleza. Um estilo parecido com Jan Akkermann, o que convenhamos, não é nenhum demérito em termos de comparação. 

“Glories Shall Be Released”, faixa de abertura do disco, é também a música mais polida e comercial, o que não quer dizer que não tenha uma boa qualidade também. Começa de maneira bastante sinfônica, tendo os teclados orquestrais complementados por uma guitarra melódica. A introdução é bastante longa e pega dois terços da música, liderada por teclados eufônicos e sempre muito bem acompanhados por uma cozinha de bom ritmo, os vocais são bem feitos e embora seja a música menos expressiva do disco, certamente era realmente a melhor delas para ser a introdução. 

“Dawn of Our Sun” é maravilhosa, começa com uma incrível paisagem sonora através de uns sons assombrosos de flauta feito no teclado, uma linha psicodélica de guitarra, salpicos de címbalos que adicionam ao som uma sensação onírica. Quando os vocais entram, aumenta ainda mais a sensação de mistério. Uma faixa onde a melancolia da letra é aumentada pela guitarra e principalmente pela maneira edificante com que é usado o mellotron. 

"Journey Through Our Dreams" começa com um vocal suave acompanhado de uma guitarra acústica. A música então ganha mais corpo com a entrada dos demais instrumentos, com destaque para o mellotron que dá um ar sinfônico à música. Por volta de sua metade entra um belo solo de guitarra, trabalho feito com bastante sentimento, então que os sintetizadores assumem o controle que até então era da guitarra. Há ainda na parte final uma seção de mellotron e vocal bastante emocional. 

“Everything Is Real” é a música mais curta do disco, simples e direta, onde os sintetizadores é quem toma a liderança até chegar ao seu final sereno através do mellotron, repetindo a mesma linha já apresentada anteriormente. 

“Rosanna” resumidamente é uma excelente exibição de guitarra melódica e trabalhos emocionantes de sintetizadores. Tudo é desenvolvido com bastante requinte e elegância harmoniosa. Belíssima e capaz de trazer uma enorme sensação de paz para o ouvinte. 

“Openings” fecha o disco com chave de ouro através dos seus treze minutos e belas paisagens sonoras. As influências em Camel são abundantes, principalmente pelo estilo de guitarra. A melodia é bonita e muito relaxante com sintetizadores e orquestrações tranquilas. O órgão é excelente, principalmente quando se lança em um solo e brilha com mais efervescência. A musicalidade onírica é algo simplesmente soberba, e o estilo violino utilizado por vezes pela guitarra sobre as texturas espaciais do mellotron é exemplar, assim como os solos mais enérgicos. Excelente também é a maneira como o riff mais pesado de guitarra encaixa no final, mudando a música para um estilo diferente, porém, usando a mesma melodia e um ritmo mais rápido. 

Como eu já disse, não fascina nem pela originalidade ou virtuosismo musical, no geral, na verdade tudo flui simples, porém, com grande beleza. Não dá pra comparar com as obras mais significativas do rock progressivo que estavam saindo e já havia saído no mesmo período, mas ainda assim sobre Four Moments, podemos dizer facilmente um fato irrefutável, se trata do disco de rock progressivo mais significativo dos anos 70 vindo da Austrália. 

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