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Resenha: John Lennon - Imagine (1971)

Por: André Luiz Paiz

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Album Cover
John Lennon introspectivo, ácido e apaixonado
4.5
03/02/2018

"Imagine" é o quinto álbum de estúdio lançado pelo ex-Beatle John Lennon. Desconsiderando os seus trabalhos experimentais, é o segundo álbum de banda e considerado por muitos o seu melhor trabalho.

As gravações do álbum foram iniciadas em fevereiro de 1971. John contou com uma presença ilustre: o também ex-Beatle George Harrison aceitou participar de algumas sessões de gravação, levando consigo o seu amigo e também baixista Klaus Voormann. As primeiras faixas registradas foram "It's So Hard" e "I Don't Want to Be a Soldier". "Imagine" é um álbum completo, pois conta com uma variedade enorme de influências e sentimentos. É um álbum mais denso e cru, mas com melodias belíssimas. 

A amizade de John Lennon e Paul McCartney estava extremamente abalada, já que Paul havia recentemente registrado algumas canções com letras direcionadas a John em seu último álbum, "RAM". O lado positivo, é que Lennon estava inspirado e determinado a ser simplesmente melhor que Paul. Como negativo, estava inundado de sentimentos pesados e pronto para revidar. Recomendo aos fãs que assistam o documentário Gimme Some Truth - The Making of John Lennon's "Imagine", que demonstra claramente a dedicação de Lennon não só em fazer um ótimo álbum, mas em competir com seu grande rival.

A faixa-título dispensa comentários. Mundialmente famosa e uma das mais belas baladas de todos os tempos. A letra é um lamento de John em relação ao mundo e demonstra uma certa esperança na união das pessoas que desejam mudar a sociedade. Howard Smith, jornalista que entrevistou John e Yoko por diversas vezes no passado, conta que Lennon se sentia assombrado pela maravilhosa canção de Paul: "Yesterday". John não se conformava que Paul tinha conseguido transformar em algo tão grande, uma canção tão simples e pequena. Quando compôs "Imagine", John mostrou para Howard, que teceu elogios à faixa, porém foi surpreendido por uma pergunta: "Mas, é tão boa quanto Yesterday?". Smith desconversou e disse que era impossível compará-las.
"Crippled Inside" é um country rock delicioso e de extrema qualidade, com excelentes linhas de piano.
"Jealous Guy" é uma balada belíssima, que soa como um pedido de desculpas de John a Yoko por ser ciumento demais. Curiosamente, a faixa é remanescente das sessões do "White Album" dos Beatles e inicialmente se chamava: "Child Of Nature".
"It's So Hard" é a primeira faixa mais rock do álbum. Segue o caminho das canções rock do seu trabalho anterior, "John Lennon/Plastic Ono Band". Gosto bastante.
"I Don't Want to Be a Soldier" também é rock. Uma boa faixa de protesto em relação às pressões da sociedade.
Ainda em tema de protesto, "Gimme Some Truth" é a canção que menos prefiro. Letra confusa e melodia fraca fazem jus ao fato de ter sido descartada nas sessões de "Get Back/Let It Be" dos Beatles.
"Oh My Love" é mais uma balada magnífica de John. Vê-lo registrando a canção juntamente com Harrison no documentário é emocionante.
Eis que chegamos ao famoso ataque de John a Paul. "How Do You Sleep?" é uma faixa rock fenomenal, sendo uma das melhores composições de John. Porém, a letra é desprezível, por conter ofensas totalmente desnecessárias.
"How?" é uma das baladas mais belas que John já fez. Uma música reflexiva, com grandes passagens e momentos emocionantes.
Fãs de John Lennon e Beatles conhecem Yoko Ono, não é? Incompreendida por alguns, a sua louca paixão pela esposa era frequentemente demonstrada em suas canções. "Oh Yoko!" encerra o álbum em uma faixa rock meio folk, que agrada alguns e desagrada outros.

O produtor Phil Spector também merece destaque pelo seu trabalho. Conseguiu ótima sonoridade e deu às faixas a atmosfera ideal.

Fãs de Beatles, principalmente da segunda fase, podem mergulhar sem medo na carreira solo de Lennon. Se quiserem começar pelo melhor, ouçam "Imagine".

John Lennon introspectivo, ácido e apaixonado
4.5
03/02/2018

"Imagine" é o quinto álbum de estúdio lançado pelo ex-Beatle John Lennon. Desconsiderando os seus trabalhos experimentais, é o segundo álbum de banda e considerado por muitos o seu melhor trabalho.

As gravações do álbum foram iniciadas em fevereiro de 1971. John contou com uma presença ilustre: o também ex-Beatle George Harrison aceitou participar de algumas sessões de gravação, levando consigo o seu amigo e também baixista Klaus Voormann. As primeiras faixas registradas foram "It's So Hard" e "I Don't Want to Be a Soldier". "Imagine" é um álbum completo, pois conta com uma variedade enorme de influências e sentimentos. É um álbum mais denso e cru, mas com melodias belíssimas. 

A amizade de John Lennon e Paul McCartney estava extremamente abalada, já que Paul havia recentemente registrado algumas canções com letras direcionadas a John em seu último álbum, "RAM". O lado positivo, é que Lennon estava inspirado e determinado a ser simplesmente melhor que Paul. Como negativo, estava inundado de sentimentos pesados e pronto para revidar. Recomendo aos fãs que assistam o documentário Gimme Some Truth - The Making of John Lennon's "Imagine", que demonstra claramente a dedicação de Lennon não só em fazer um ótimo álbum, mas em competir com seu grande rival.

A faixa-título dispensa comentários. Mundialmente famosa e uma das mais belas baladas de todos os tempos. A letra é um lamento de John em relação ao mundo e demonstra uma certa esperança na união das pessoas que desejam mudar a sociedade. Howard Smith, jornalista que entrevistou John e Yoko por diversas vezes no passado, conta que Lennon se sentia assombrado pela maravilhosa canção de Paul: "Yesterday". John não se conformava que Paul tinha conseguido transformar em algo tão grande, uma canção tão simples e pequena. Quando compôs "Imagine", John mostrou para Howard, que teceu elogios à faixa, porém foi surpreendido por uma pergunta: "Mas, é tão boa quanto Yesterday?". Smith desconversou e disse que era impossível compará-las.
"Crippled Inside" é um country rock delicioso e de extrema qualidade, com excelentes linhas de piano.
"Jealous Guy" é uma balada belíssima, que soa como um pedido de desculpas de John a Yoko por ser ciumento demais. Curiosamente, a faixa é remanescente das sessões do "White Album" dos Beatles e inicialmente se chamava: "Child Of Nature".
"It's So Hard" é a primeira faixa mais rock do álbum. Segue o caminho das canções rock do seu trabalho anterior, "John Lennon/Plastic Ono Band". Gosto bastante.
"I Don't Want to Be a Soldier" também é rock. Uma boa faixa de protesto em relação às pressões da sociedade.
Ainda em tema de protesto, "Gimme Some Truth" é a canção que menos prefiro. Letra confusa e melodia fraca fazem jus ao fato de ter sido descartada nas sessões de "Get Back/Let It Be" dos Beatles.
"Oh My Love" é mais uma balada magnífica de John. Vê-lo registrando a canção juntamente com Harrison no documentário é emocionante.
Eis que chegamos ao famoso ataque de John a Paul. "How Do You Sleep?" é uma faixa rock fenomenal, sendo uma das melhores composições de John. Porém, a letra é desprezível, por conter ofensas totalmente desnecessárias.
"How?" é uma das baladas mais belas que John já fez. Uma música reflexiva, com grandes passagens e momentos emocionantes.
Fãs de John Lennon e Beatles conhecem Yoko Ono, não é? Incompreendida por alguns, a sua louca paixão pela esposa era frequentemente demonstrada em suas canções. "Oh Yoko!" encerra o álbum em uma faixa rock meio folk, que agrada alguns e desagrada outros.

O produtor Phil Spector também merece destaque pelo seu trabalho. Conseguiu ótima sonoridade e deu às faixas a atmosfera ideal.

Fãs de Beatles, principalmente da segunda fase, podem mergulhar sem medo na carreira solo de Lennon. Se quiserem começar pelo melhor, ouçam "Imagine".

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