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Resenha: Rick Wakeman - Journey To The Centre Of The Earth (1974)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Uma demonstração de talento individual, enorme coragem e arranjos sólidos.
4.5
02/02/2018

Pretensioso, egomaníaco, pomposo, superestimado, excessivamente empolado e altissonante foram apenas alguns dos inúmeros adjetivos que ouvi em relação a este disco durante anos lendo opiniões a seu respeito, onde de certa forma eu consigo enxergar um pouco o motivo pra isso tudo, embora eu não ligue pra nada que ninguém fala. O que eu sei é que se trata de um disco que nos dá a oportunidade de ouvirmos o melhor tecladista da história do rock progressivo acompanhado de uma banda bastante competente e a Orquestra Sinfônica de Londres. 

Não é segredo pra ninguém que Rick Wakeman tem um ego superlativo, mas profissionalmente é impecável, um verdadeiro gênio, ninguém toca todos os tipos de teclados com a mesma habilidade que ele e atua como um homem de frente ao mesmo tempo, alguns podem amá-lo e outros odiá-lo, mas é inevitavelmente e de um senso comum que se trata de um dos mais seminais tecladista/pianista surgido no século passado. 

Bastamos imaginar um garoto de apenas 24 anos vestindo uma capa brilhante cercado por quase 300 músicos onde à maioria tinham pelo menos o dobro da idade dele em um Royal Albert Hall lotado, onde mesmo assim ele consegue manter-se como sendo o centro deste pequeno universo. Wakeman pode não ser uma pessoa fácil de ligar, mas seus feitos não caíram do céu e tudo o que conquistou foi por mérito, dedicação e coração naquilo que ama fazer. 

A primeira faixa, “The Journey/Recollection”, começa de maneira explosiva com uma introdução orquestral completa. Durante mais de vinte minutos este épico é também bastante dinâmico, com muitas mudanças, passagens vocais suaves cantadas pelas vozes normalmente terríveis de Gary Pickford e principalmente Ashley Holt, mas que aqui se adequaram muito bem, seções mais frenéticas lideradas por teclados, cordas agressivas tipicamente rock and roll e uma narração correta de David Hennings, que com seu inglês bastante educado e fino, assume a responsabilidade de carregar todo o peso da história. Uma ótima música em tudo. 

“A Bate/The Forest” é uma música mais complexa, começando com uma narração que descreve a batalha de dois monstros marinhos, um com a cabeça de lagarto e os dentes de um crocodilo (ictiossauro), o outro uma serpente com cabeça de tartaruga (plesiosaurus), mas esta minha descrição detalhada é até bastante pálida em comparação com a música magnífica e as vozes adequadas. Os teclados de Rick e a guitarra de Mike Egan criam uma mistura perfeita através de um rock barroco clássico, pesado e que coloca o ouvinte no ringue para ver não só a grande luta, mas também uma grande tempestade, onde Wakeman faz o melhor em seu minimoog. A segunda seção (The Forest) situa-nos no momento em que a expedição atinge o centro da terra (uma planície seguida por uma floresta). A música é extremamente bonita e novamente as vozes estranhas de Pickford e Holt são perfeitas para a situação. A partir deste pondo, tudo leva ao fim da jornada, a ascensão da profundidade ao topo do Monte Etna é perfeitamente retratada com um fragmento da peça Peter Gynt de Edvard Grieg, mais precisamente a parte “In the Hall of the Mountain King”. 

Journey to the Centre of the Earth não é exatamente um disco que eu indicaria pra qualquer pessoa, pois nem sempre é fácil de entrar na sua música, mas mesmo assim eu o considero um dos principais discos ao vivo da história do rock progressivo, e o tenho como peça importante dentro da minha educação musical. Mas ao contrário do que às vezes pode ocorrer com outros discos, neste caso pra ser classificado como um excelente registro, não tem a ver com fator nostálgico, Journey to the Centre of the Earth tem seu mérito musical próprio pra receber seus elogios.  Um disco que é uma demonstração de talento individual, enorme coragem e arranjos sólidos, uma peça musical absolutamente essencial.

Uma demonstração de talento individual, enorme coragem e arranjos sólidos.
4.5
02/02/2018

Pretensioso, egomaníaco, pomposo, superestimado, excessivamente empolado e altissonante foram apenas alguns dos inúmeros adjetivos que ouvi em relação a este disco durante anos lendo opiniões a seu respeito, onde de certa forma eu consigo enxergar um pouco o motivo pra isso tudo, embora eu não ligue pra nada que ninguém fala. O que eu sei é que se trata de um disco que nos dá a oportunidade de ouvirmos o melhor tecladista da história do rock progressivo acompanhado de uma banda bastante competente e a Orquestra Sinfônica de Londres. 

Não é segredo pra ninguém que Rick Wakeman tem um ego superlativo, mas profissionalmente é impecável, um verdadeiro gênio, ninguém toca todos os tipos de teclados com a mesma habilidade que ele e atua como um homem de frente ao mesmo tempo, alguns podem amá-lo e outros odiá-lo, mas é inevitavelmente e de um senso comum que se trata de um dos mais seminais tecladista/pianista surgido no século passado. 

Bastamos imaginar um garoto de apenas 24 anos vestindo uma capa brilhante cercado por quase 300 músicos onde à maioria tinham pelo menos o dobro da idade dele em um Royal Albert Hall lotado, onde mesmo assim ele consegue manter-se como sendo o centro deste pequeno universo. Wakeman pode não ser uma pessoa fácil de ligar, mas seus feitos não caíram do céu e tudo o que conquistou foi por mérito, dedicação e coração naquilo que ama fazer. 

A primeira faixa, “The Journey/Recollection”, começa de maneira explosiva com uma introdução orquestral completa. Durante mais de vinte minutos este épico é também bastante dinâmico, com muitas mudanças, passagens vocais suaves cantadas pelas vozes normalmente terríveis de Gary Pickford e principalmente Ashley Holt, mas que aqui se adequaram muito bem, seções mais frenéticas lideradas por teclados, cordas agressivas tipicamente rock and roll e uma narração correta de David Hennings, que com seu inglês bastante educado e fino, assume a responsabilidade de carregar todo o peso da história. Uma ótima música em tudo. 

“A Bate/The Forest” é uma música mais complexa, começando com uma narração que descreve a batalha de dois monstros marinhos, um com a cabeça de lagarto e os dentes de um crocodilo (ictiossauro), o outro uma serpente com cabeça de tartaruga (plesiosaurus), mas esta minha descrição detalhada é até bastante pálida em comparação com a música magnífica e as vozes adequadas. Os teclados de Rick e a guitarra de Mike Egan criam uma mistura perfeita através de um rock barroco clássico, pesado e que coloca o ouvinte no ringue para ver não só a grande luta, mas também uma grande tempestade, onde Wakeman faz o melhor em seu minimoog. A segunda seção (The Forest) situa-nos no momento em que a expedição atinge o centro da terra (uma planície seguida por uma floresta). A música é extremamente bonita e novamente as vozes estranhas de Pickford e Holt são perfeitas para a situação. A partir deste pondo, tudo leva ao fim da jornada, a ascensão da profundidade ao topo do Monte Etna é perfeitamente retratada com um fragmento da peça Peter Gynt de Edvard Grieg, mais precisamente a parte “In the Hall of the Mountain King”. 

Journey to the Centre of the Earth não é exatamente um disco que eu indicaria pra qualquer pessoa, pois nem sempre é fácil de entrar na sua música, mas mesmo assim eu o considero um dos principais discos ao vivo da história do rock progressivo, e o tenho como peça importante dentro da minha educação musical. Mas ao contrário do que às vezes pode ocorrer com outros discos, neste caso pra ser classificado como um excelente registro, não tem a ver com fator nostálgico, Journey to the Centre of the Earth tem seu mérito musical próprio pra receber seus elogios.  Um disco que é uma demonstração de talento individual, enorme coragem e arranjos sólidos, uma peça musical absolutamente essencial.

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