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Resenha: Paul McCartney - McCartney II (1980)

Por: André Luiz Paiz

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Paul se aventurando em McCartney II
3.5
01/02/2018

Em 1979, logo após o lançamento do bom álbum "Back To The Egg" do Wings, Paul ainda residia em sua fazenda escocesa. Ao retornar para casa após os eventos de produção e lançamento do disco, levou consigo um novo equipamento sonoro e estava inspirado a testá-lo o quanto antes.
Brincando com seu novo aparelho, Paul rapidamente registrou a faixa "Check My Machine", posteriormente lançada como bônus de algumas versões deste álbum. Pouco depois, já tinha mais de vinte canções gravadas. Empolgado com o resultado de "Wonderful Christmastime", a lançou como seu primeiro single solo desde 1971, em conjunto com a faixa "Rudolph the Red-Nosed Reggae", uma canção estranha remanescente das sessões do Wings. As demais faixas foram temporariamente arquivadas.

Com o Wings ainda na ativa, Paul colocou uma pausa em sua diversão doméstica e começou os preparos para uma nova turnê de divulgação de "Back To The Egg". A turnê passaria pelo Japão, fato este que empolgava McCartney, já que seria a primeira vez desde 1966, quando os Beatles passaram por lá. Paul ficou anos impossibilitado de visitar o país devido aos seus problemas com a polícia britânica, que em 1973 descobriu uma plantação de maconha em sua fazenda.
Tudo certo! Banda ensaiada, alguns shows realizados e o resultado era extremamente satisfatório. Boas canções no repertório, Paul cantando muito e acompanhado de ótimos músicos. Até que, ao chegar no Japão, os músicos tiveram que passar pela inspeção de bagagem. Na mala de Paul, um saquinho de duzentas e poucas gramas de maconha, o suficiente para encerrar em definitivo a carreira da banda. Paul e Linda foram presos. Uma exposição negativa em massa repercutiu para o mundo todo, causando uma reflexão tremenda na cabeça de Paul que, ao retornar para casa, nunca mais trouxe o Wings de volta.
Triste, mas como o tempo tudo cura, após um intervalo, Paul voltou a trabalhar com as canções produzidas por ele pouco antes da turnê. Assim, decide lapidar e lançar o material.

"McCartney II" é completamente diferente de tudo o que o Wings já produziu. Também não se parece em nada com "McCartney" e "RAM", primeiros álbuns de Paul. É um álbum aventureiro, em que Paul toca todos os instrumentos e demonstra criatividade com grandes acertos, mas também alguns erros. O que pode-se com certeza afirmar, é que este lançamento é importantíssimo por marcar o retorno da carreira solo de Paul e ser responsável por lhe trazer inspiração para seguir em frente.

O disco abre com um hit: "Coming Up", que ganhou grande atenção da mídia. Logo é possível notar a sonoridade mais eletrônica e cheia de efeitos que o álbum traz. A canção possui um ótimo refrão e merece o destaque recebido. Figurou bastante no setlist dos shows da década de 90.
A "catchy" "Temporary Secretary" é um electropop interessante. Claro que é necessário encontrar os pontos positivos dentro da faixa, pois pode se tornar um pouco irritante. Paul parece gostar, pois trouxe a faixa para seu repertório das últimas turnês. Eu gosto mais de: "On the Way", um blues rock excelente. O que a diferencia das típicas faixas do estilo é que possui a atmosfera do restante do álbum.
Um das muitas virtudes de Paul McCartney é a sua habilidade para compôr baladas. "Waterfalls" é lindíssima e melancólica, que desperta uma sensação de solidão, talvez sentida por Paul em alguns momentos durante a composição de algumas faixas. Conduzida aos teclados e com ótimas vocalizações, entra fácil para a lista das melhores de toda a sua carreira.
"Nobody Knows" é a primeira que nos faz lembrar um pouco do Wings, com faixas como: "Famous Groupies", só que um pouco mais blues rock. Vai bem e não decepciona.
"Front Parlour" é a primeira das instrumentais, que mostram Paul simplesmente brincando com os aparelhos sequenciadores. Para os fãs, esta não empolga muito.
Uma faixa que é merecida da mesma atenção que "Waterfalls" é: "Summer's Day Song". Possui o mesmo clima e a mesma temática. Gosto demais! Em alguns momentos me arrepia.
"Frozen Japanese" possui um título que, com certeza é uma ironia ao evento já citado anteriormente ocorrido no Japão. É mais uma faixa eletrônica e instrumental, porém esta possui melodia acessível e a audição é agradável.
"Bugey Music" é uma brincadeira de Paul com base no livro infantil chamado "Fungus The Bogeyman". Uma canção de blues rock estranha e que definitivamente não cativa.
"Darkroom" é interessante. Diferente, mais uma vez por misturar um pouco de blues rock com eletrônico. Aqui, como possui boa estrutura e um refrão legal, novamente nos faz lembrar um pouco dos tempos de Wings. Paul disse que simplesmente identificou que a palavra "Darkroom" possui boa sonoridade e pode ser utilizada em vários contextos. Assim, ficou brincando com ela.
Agora sim, finalmente temos somente Paul e o violão, para encerrar o álbum com uma grande faixa. "One Of These Days" é intimista e mais uma vez solitária e delicada. Uma linda faixa, que poderia fazer parte daquele momento do show em que Paul pega o violão e fica só, com o público encantado à sua frente.

O álbum oficial termina com "One Of These Days", porém algumas versões vieram acompanhadas pelas faixas: "Check My Machine", que está entre as faixas mais estranhas de Paul (revista Rolling Stone), "Secret Friend", que não fica tão distante da anterior, "Goodnight Tonight", uma faixa legal dos Wings, e "Blue Sway", lançada recentemente na Archive Collection. É uma faixa eletrônica muito boa, que parece ter sido modificada e produzida para este lançamento, pois a sonoridade é bem diferente.

"McCartney II", apesar de um álbum diferente de tudo o que Paul já fez, surgiu para lhe mostrar que o mundo ainda se interessava e precisava de sua música. Assim, Paul conseguiu nova inspiração e se viu pronto para lançar em seguida, um dos melhores álbuns de sua carreira: "Tug Of War", que conta com a produção do saudoso e espetacular George Martin, o Quinto Beatle.

Paul se aventurando em McCartney II
3.5
01/02/2018

Em 1979, logo após o lançamento do bom álbum "Back To The Egg" do Wings, Paul ainda residia em sua fazenda escocesa. Ao retornar para casa após os eventos de produção e lançamento do disco, levou consigo um novo equipamento sonoro e estava inspirado a testá-lo o quanto antes.
Brincando com seu novo aparelho, Paul rapidamente registrou a faixa "Check My Machine", posteriormente lançada como bônus de algumas versões deste álbum. Pouco depois, já tinha mais de vinte canções gravadas. Empolgado com o resultado de "Wonderful Christmastime", a lançou como seu primeiro single solo desde 1971, em conjunto com a faixa "Rudolph the Red-Nosed Reggae", uma canção estranha remanescente das sessões do Wings. As demais faixas foram temporariamente arquivadas.

Com o Wings ainda na ativa, Paul colocou uma pausa em sua diversão doméstica e começou os preparos para uma nova turnê de divulgação de "Back To The Egg". A turnê passaria pelo Japão, fato este que empolgava McCartney, já que seria a primeira vez desde 1966, quando os Beatles passaram por lá. Paul ficou anos impossibilitado de visitar o país devido aos seus problemas com a polícia britânica, que em 1973 descobriu uma plantação de maconha em sua fazenda.
Tudo certo! Banda ensaiada, alguns shows realizados e o resultado era extremamente satisfatório. Boas canções no repertório, Paul cantando muito e acompanhado de ótimos músicos. Até que, ao chegar no Japão, os músicos tiveram que passar pela inspeção de bagagem. Na mala de Paul, um saquinho de duzentas e poucas gramas de maconha, o suficiente para encerrar em definitivo a carreira da banda. Paul e Linda foram presos. Uma exposição negativa em massa repercutiu para o mundo todo, causando uma reflexão tremenda na cabeça de Paul que, ao retornar para casa, nunca mais trouxe o Wings de volta.
Triste, mas como o tempo tudo cura, após um intervalo, Paul voltou a trabalhar com as canções produzidas por ele pouco antes da turnê. Assim, decide lapidar e lançar o material.

"McCartney II" é completamente diferente de tudo o que o Wings já produziu. Também não se parece em nada com "McCartney" e "RAM", primeiros álbuns de Paul. É um álbum aventureiro, em que Paul toca todos os instrumentos e demonstra criatividade com grandes acertos, mas também alguns erros. O que pode-se com certeza afirmar, é que este lançamento é importantíssimo por marcar o retorno da carreira solo de Paul e ser responsável por lhe trazer inspiração para seguir em frente.

O disco abre com um hit: "Coming Up", que ganhou grande atenção da mídia. Logo é possível notar a sonoridade mais eletrônica e cheia de efeitos que o álbum traz. A canção possui um ótimo refrão e merece o destaque recebido. Figurou bastante no setlist dos shows da década de 90.
A "catchy" "Temporary Secretary" é um electropop interessante. Claro que é necessário encontrar os pontos positivos dentro da faixa, pois pode se tornar um pouco irritante. Paul parece gostar, pois trouxe a faixa para seu repertório das últimas turnês. Eu gosto mais de: "On the Way", um blues rock excelente. O que a diferencia das típicas faixas do estilo é que possui a atmosfera do restante do álbum.
Um das muitas virtudes de Paul McCartney é a sua habilidade para compôr baladas. "Waterfalls" é lindíssima e melancólica, que desperta uma sensação de solidão, talvez sentida por Paul em alguns momentos durante a composição de algumas faixas. Conduzida aos teclados e com ótimas vocalizações, entra fácil para a lista das melhores de toda a sua carreira.
"Nobody Knows" é a primeira que nos faz lembrar um pouco do Wings, com faixas como: "Famous Groupies", só que um pouco mais blues rock. Vai bem e não decepciona.
"Front Parlour" é a primeira das instrumentais, que mostram Paul simplesmente brincando com os aparelhos sequenciadores. Para os fãs, esta não empolga muito.
Uma faixa que é merecida da mesma atenção que "Waterfalls" é: "Summer's Day Song". Possui o mesmo clima e a mesma temática. Gosto demais! Em alguns momentos me arrepia.
"Frozen Japanese" possui um título que, com certeza é uma ironia ao evento já citado anteriormente ocorrido no Japão. É mais uma faixa eletrônica e instrumental, porém esta possui melodia acessível e a audição é agradável.
"Bugey Music" é uma brincadeira de Paul com base no livro infantil chamado "Fungus The Bogeyman". Uma canção de blues rock estranha e que definitivamente não cativa.
"Darkroom" é interessante. Diferente, mais uma vez por misturar um pouco de blues rock com eletrônico. Aqui, como possui boa estrutura e um refrão legal, novamente nos faz lembrar um pouco dos tempos de Wings. Paul disse que simplesmente identificou que a palavra "Darkroom" possui boa sonoridade e pode ser utilizada em vários contextos. Assim, ficou brincando com ela.
Agora sim, finalmente temos somente Paul e o violão, para encerrar o álbum com uma grande faixa. "One Of These Days" é intimista e mais uma vez solitária e delicada. Uma linda faixa, que poderia fazer parte daquele momento do show em que Paul pega o violão e fica só, com o público encantado à sua frente.

O álbum oficial termina com "One Of These Days", porém algumas versões vieram acompanhadas pelas faixas: "Check My Machine", que está entre as faixas mais estranhas de Paul (revista Rolling Stone), "Secret Friend", que não fica tão distante da anterior, "Goodnight Tonight", uma faixa legal dos Wings, e "Blue Sway", lançada recentemente na Archive Collection. É uma faixa eletrônica muito boa, que parece ter sido modificada e produzida para este lançamento, pois a sonoridade é bem diferente.

"McCartney II", apesar de um álbum diferente de tudo o que Paul já fez, surgiu para lhe mostrar que o mundo ainda se interessava e precisava de sua música. Assim, Paul conseguiu nova inspiração e se viu pronto para lançar em seguida, um dos melhores álbuns de sua carreira: "Tug Of War", que conta com a produção do saudoso e espetacular George Martin, o Quinto Beatle.

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