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Resenha: Steve Hackett - Defector (1980)

Por: Tiago Meneses

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Não é o seu melhor, porém, se não existisse você sentiria falta de algo.
3.5
31/01/2018

Defector, quarto disco de Steve Hackett, sofreu um pouco de queda na qualidade se comparado ao seu disco anterior, o aclamado Spectral Mornings, o que não chega a ser nenhum acontecimento digno de espanto, tendo em vista que seu disco anterior foi um dos seus dois melhores esforços. Através deste álbum, Steve queria demonstrar um papel maior dos teclados em suas composições, além, claro, de manter o seu estilo único de guitarra, continuando com sua sonoridade refinada apresentada em discos anteriores. Costumo dizer que este é um disco meio esquecido do guitarrista, onde certamente não é o seu melhor, porém, se não existisse você sentiria falta de algo.  

A faixa de abertura é “The Steppes”, um excelente cartão de visita que considero uma das músicas instrumentais mais fortes do guitarrista. Uma flauta esparsa apresenta o tema principal da música que possui uma estrutura simples e gira em torno de uma ótima harmonia entre teclados, guitarra e baixo. A bateria é tocada de maneira sempre constante. A atmosfera da música da um sentimento meio egípcio e evolui muito bem com um ótimo solo de Hackett. 

“Time to Get Out” é uma composição bastante direta, um rock bem simplório. Contem boas harmonias vocais, aléns de bons trabalhos de guitarra e teclado. As duas pontes da música são muito boas, com a bateria acompanhando um ótimo tema no teclado em uma delas e na outra com algumas grandes ideias de Steve Hackett na guitarra. Um som muito acessível. 

“Slogans” é com certeza a faixa mais sombria do álbum, utilizando de baterias frenéticas e riffs obscuros de mellotron e guitarra. A música tem um ótimo preenchimento com teclados e guitarras sinistras. A princípio a achei uma música bastante pálida, porém, com o tempo a enxerguei algo mais interessante. Nada memorável, mas interessante. 

Tenho um grande carinho por “Leaving”, uma música bastante atmosférica que soa aos meus ouvidos um pouco como, “Entangled”, do disco A Trick of the Tail do Genesis. Considero a sutileza do trabalho de guitarra algo perfeito, já as belas harmonias vocais soam como algo entre Yes e Beach Boys. Toda a música dá uma sensação de uma aura carregada como uma nuvem escura que simboliza uma chuva forte que vai cair, mas que antes também pode arejar com sua brisa. 

“Two Vamps As Guests” é um interlúdio de bastante sutileza. Uma mistura de uma peça quase clássica com alguns teclados agradáveis e aéreos. Apesar de ser uma música com menos de dois minutos, também é muito tocante e emotiva. 

“Jacuzzi” é mais uma ótima música, com um excelente trabalho de flauta que acompanha a guitarra e o teclado. Enquanto as partes da guitarra de Steve têm momentos bastante agradáveis, a estrela da peça é definitivamente a flauta do seu irmão John, especialmente quando ela aparece por cima dos teclados. Considero-a uma das músicas instrumentais de Hackett mais subestimadas. 

Em um disco onde o músico protagonista é um guitarrista, “Hammer In The Sand” toma por alguns minutos o protagonismo através de um piano magistralmente tocado. O mellotron move-se com delicadeza apenas enfatizando a tristeza expressa. No entanto em uma alteração de humor, inesperadamente a música soa mais otimista e feliz. Em um disco de Steve Hackett, neste momento Nick Magnus merece uma salva de palmas exclusivas pela criação de uma faixa tão bela. 

“The Toast” é mais uma música lenta e feliz, os vocais oníricos parecem estar cantando uma canção de ninar numa melodia simples. O trabalho de guitarra é ingênuo, a ponte é ótima, com uma triste melodia e uma flauta perfeitamente colocada. A música volta para a “canção de ninar” do início antes de chegar ao fim. 

Sobre “The Show” eu confesso que não me chama muita atenção. Em relação às demais faixas criadas até então na sua carreira, ela não soava como uma canção típica de Steve Hackett e possuía uma linha mais comercial que os seus outros trabalhos, já insinuando o pouco o que viria no seu próximo disco. Tem um ar 80’s que não gosto. 

A faixa que recebe a bandeirada final é “Sentimental Institution”. Somente alguém eclético em suas criações como Steve Hackett poderia colocar como as quatro últimas músicas do seu álbum uma faixa piano/mellotron instrumental, uma linda lullaby, uma música de melodia pop/funk 80’s e por fim uma balada de estilo anos 50. O teclado usado aqui é ótimo e o vocal é muito bem encaixado na música. Uma final simples, porém, muito bonito para o disco. 

No geral o disco representa muito bem a carreira inicial de Steve Hackett, resumindo o que ele estava fazendo em seus álbuns anteriores. Mas não, Defector não é um álbum incrível, mas é muito bom, e isso mostra que, assim como com seus antigos companheiros de banda, ele poderia ter uma transição relativamente suave para a nova década, o que não o impediria de abraçar algumas tecnologias contemporâneas e que acabaria o fazendo ficar um pouco irritante para uma parte do seu público, mas aí já é outra história pra outra resenha.  

Não é o seu melhor, porém, se não existisse você sentiria falta de algo.
3.5
31/01/2018

Defector, quarto disco de Steve Hackett, sofreu um pouco de queda na qualidade se comparado ao seu disco anterior, o aclamado Spectral Mornings, o que não chega a ser nenhum acontecimento digno de espanto, tendo em vista que seu disco anterior foi um dos seus dois melhores esforços. Através deste álbum, Steve queria demonstrar um papel maior dos teclados em suas composições, além, claro, de manter o seu estilo único de guitarra, continuando com sua sonoridade refinada apresentada em discos anteriores. Costumo dizer que este é um disco meio esquecido do guitarrista, onde certamente não é o seu melhor, porém, se não existisse você sentiria falta de algo.  

A faixa de abertura é “The Steppes”, um excelente cartão de visita que considero uma das músicas instrumentais mais fortes do guitarrista. Uma flauta esparsa apresenta o tema principal da música que possui uma estrutura simples e gira em torno de uma ótima harmonia entre teclados, guitarra e baixo. A bateria é tocada de maneira sempre constante. A atmosfera da música da um sentimento meio egípcio e evolui muito bem com um ótimo solo de Hackett. 

“Time to Get Out” é uma composição bastante direta, um rock bem simplório. Contem boas harmonias vocais, aléns de bons trabalhos de guitarra e teclado. As duas pontes da música são muito boas, com a bateria acompanhando um ótimo tema no teclado em uma delas e na outra com algumas grandes ideias de Steve Hackett na guitarra. Um som muito acessível. 

“Slogans” é com certeza a faixa mais sombria do álbum, utilizando de baterias frenéticas e riffs obscuros de mellotron e guitarra. A música tem um ótimo preenchimento com teclados e guitarras sinistras. A princípio a achei uma música bastante pálida, porém, com o tempo a enxerguei algo mais interessante. Nada memorável, mas interessante. 

Tenho um grande carinho por “Leaving”, uma música bastante atmosférica que soa aos meus ouvidos um pouco como, “Entangled”, do disco A Trick of the Tail do Genesis. Considero a sutileza do trabalho de guitarra algo perfeito, já as belas harmonias vocais soam como algo entre Yes e Beach Boys. Toda a música dá uma sensação de uma aura carregada como uma nuvem escura que simboliza uma chuva forte que vai cair, mas que antes também pode arejar com sua brisa. 

“Two Vamps As Guests” é um interlúdio de bastante sutileza. Uma mistura de uma peça quase clássica com alguns teclados agradáveis e aéreos. Apesar de ser uma música com menos de dois minutos, também é muito tocante e emotiva. 

“Jacuzzi” é mais uma ótima música, com um excelente trabalho de flauta que acompanha a guitarra e o teclado. Enquanto as partes da guitarra de Steve têm momentos bastante agradáveis, a estrela da peça é definitivamente a flauta do seu irmão John, especialmente quando ela aparece por cima dos teclados. Considero-a uma das músicas instrumentais de Hackett mais subestimadas. 

Em um disco onde o músico protagonista é um guitarrista, “Hammer In The Sand” toma por alguns minutos o protagonismo através de um piano magistralmente tocado. O mellotron move-se com delicadeza apenas enfatizando a tristeza expressa. No entanto em uma alteração de humor, inesperadamente a música soa mais otimista e feliz. Em um disco de Steve Hackett, neste momento Nick Magnus merece uma salva de palmas exclusivas pela criação de uma faixa tão bela. 

“The Toast” é mais uma música lenta e feliz, os vocais oníricos parecem estar cantando uma canção de ninar numa melodia simples. O trabalho de guitarra é ingênuo, a ponte é ótima, com uma triste melodia e uma flauta perfeitamente colocada. A música volta para a “canção de ninar” do início antes de chegar ao fim. 

Sobre “The Show” eu confesso que não me chama muita atenção. Em relação às demais faixas criadas até então na sua carreira, ela não soava como uma canção típica de Steve Hackett e possuía uma linha mais comercial que os seus outros trabalhos, já insinuando o pouco o que viria no seu próximo disco. Tem um ar 80’s que não gosto. 

A faixa que recebe a bandeirada final é “Sentimental Institution”. Somente alguém eclético em suas criações como Steve Hackett poderia colocar como as quatro últimas músicas do seu álbum uma faixa piano/mellotron instrumental, uma linda lullaby, uma música de melodia pop/funk 80’s e por fim uma balada de estilo anos 50. O teclado usado aqui é ótimo e o vocal é muito bem encaixado na música. Uma final simples, porém, muito bonito para o disco. 

No geral o disco representa muito bem a carreira inicial de Steve Hackett, resumindo o que ele estava fazendo em seus álbuns anteriores. Mas não, Defector não é um álbum incrível, mas é muito bom, e isso mostra que, assim como com seus antigos companheiros de banda, ele poderia ter uma transição relativamente suave para a nova década, o que não o impediria de abraçar algumas tecnologias contemporâneas e que acabaria o fazendo ficar um pouco irritante para uma parte do seu público, mas aí já é outra história pra outra resenha.  

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