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Resenha: Steve Hackett - Please Don't Touch! (1978)

Por: Tiago Meneses

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Uma coleção dos seus diversos gostos musicais.
3.5
31/01/2018

Em seu segundo disco, Steve Hackett apresenta uma coleção variada de músicas que não só mostram os consideráveis talentos do músico como compositor e arranjador, mas também seus diversos gostos musicais. A força e a qualidade dos músicos escolhidos como convidados fazem deste na visão de muitos, um disco mais colaborativo e que só existem papeis coadjuvantes sem que ninguém assuma o protagonismo, do que simplesmente seu segundo esforço solo, embora claro, seja assinado com o seu nome. 

Ainda que seja um trabalho menos equilibrado do que os discos que o cercam, provavelmente devido justamente ao número de convidados ou porque o mesmo explora muitas alternativas de som, tornando este um disco mais heterogêneo, certamente continua a ser um dos melhores trabalhos da discografia deste mestre. 

A música de abertura é “Narnia”, nome do mundo fictício criado por C. S. Lewis, sendo a faixa baseada especificamente no livro da série chamado O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Steve Walsh é quem faz os vocais de maneira admirável e mais atenuada em comparação aos seus desempenhos no Kansas. A guitarra acústica de Hackett é suave, mas muito atraente e conduzem bem os vocais, os demais instrumentos ajudam na textura de maneira bastante simples, porém, bela. A única “decepção” é que a música não contem nenhum solo, ou mesmo versos vocais adicionais, o que acabou no fim tirando um pouco o brilho da canção. 

“Carry on up the Vicarage” é uma música estranha, com a introdução meio infantil, até que acontece uma mudança brusca com órgão e mais a entrada de vocais eletrônicos um tanto assustadores. Por conta de sua atmosfera, eu costumo associá-la como trilha de um filme infantil, na linha de algo criado por Tim Burton.  A música é uma homenagem à romancista e “rainha do crime”, Agatha Christie e que conta o conto de algumas mortes misteriosas. Como curiosidade, o órgão utilizado na faixa foi destruído em um incêndio logo após as gravações disco. 

Steve Walsh participa novamente do álbum cantando junto com Steve Hackett em “Racing in A”, uma música sobre perder-se em um carro pelo país. Confesso que não é uma das faixas mais memoráveis do álbum, mas ao menos nos mostra outra faceta do guitarrista. Ao contrário da música de abertura, a voz de Walsh aqui parece um pouco datada. Uma boa música, mas nada mais que isso. 

“Kim” é uma música instrumental em homenagem a sua esposa e que Hackett reescreveu várias vezes em outras várias obras subsequentes. Violão acústico e uso intenso de flauta em uma melodia curta, serena e quase silenciosa que proporciona uma breve pausa no álbum para um momento de reflexão. 

Contendo a participação do ícone Richie Havens, “How Can I?”, encerra a primeira metade do disco. Essa participação inclusive da a interessante distinção a Havens de ser um dos pouquíssimos veteranos de Woodstock a aparecer em um disco oficial de rock progressivo. A voz de Havens é rica, reconfortante e bastante calorosa nesta música. Uma canção de amor, ou talvez nem isso, talvez seja apenas alguns pensamentos sinuosos de um cara que está um tanto sobrecarregado com a vida e suas circunstâncias. A música é mais enriquecida ainda pelo uso delicado, porém, marcante de cordas. 

A próxima faixa é “Hoping Love Will Last”, mas não espere absolutamente nada de progressivo aqui. Ela carrega um humor quase bluesy e uma atmosfera cheia de amor com letras da então diva da Motown, em grande parte desconhecida, Randy Crowford. Uma música belíssima, com bateria silenciosa, muito violino e violoncelo. Hackett novamente surpreende com a sua gama de sons que ele consegue reunir em apenas um álbum. Esta música é um verdadeiro deleite, ainda que seja algo mais “fora da curva” que as demais.

“Land Of A Thousand Autumns” é apenas um interlúdio para a faixa título. "Please Don't Touch" possui teclados, sintetizador e um instrumento pesado de cordas que Steve Hackett prefacia no próprio encarte do álbum com o dizer mais ou menos assim, “para um efeito máximo, essa faixa deve ser ouvida num volume mais alto possível, assim como também deve ser colocado no seu aparelho, o máximo de agudos e graves que você puder. Não deve ser tocada para pessoas com condições cardíacas debilitadas ou que estejam em um estado de mente alucinógenos”. Não sei se é pra tanto, mas é uma boa faixa. 

Através de"The Voice of Necam" Hackett proporciona outra boa peça instrumental. O órgão do começo parece de algum filme antigo. A passagem acústica é belíssima enriquecida por uma brilhante atmosfera de fundo. 

O disco chega ao fim com “Icarus Ascending”, onde Havens mais uma vez demonstra sua maravilhosa voz reforçada pelo som atmosférico e denso criado pelo órgão e guitarra. Esta música emprega vários instrumentos e mudanças em seu tempo e que se acumulam lentamente até chegar a um clímax. 

Please Don't Touch foi um sucesso e mostrou Steve Hackett em muitos níveis da sua capacidade de trazer outros artistas talentosos para alcançar uma ampla gama de estilos em um único disco, e ao mesmo tempo em que também demonstra seu talento como compositor, arranjador e músico. No final das contas um disco muito bom e bastante envolvente. 

Uma coleção dos seus diversos gostos musicais.
3.5
31/01/2018

Em seu segundo disco, Steve Hackett apresenta uma coleção variada de músicas que não só mostram os consideráveis talentos do músico como compositor e arranjador, mas também seus diversos gostos musicais. A força e a qualidade dos músicos escolhidos como convidados fazem deste na visão de muitos, um disco mais colaborativo e que só existem papeis coadjuvantes sem que ninguém assuma o protagonismo, do que simplesmente seu segundo esforço solo, embora claro, seja assinado com o seu nome. 

Ainda que seja um trabalho menos equilibrado do que os discos que o cercam, provavelmente devido justamente ao número de convidados ou porque o mesmo explora muitas alternativas de som, tornando este um disco mais heterogêneo, certamente continua a ser um dos melhores trabalhos da discografia deste mestre. 

A música de abertura é “Narnia”, nome do mundo fictício criado por C. S. Lewis, sendo a faixa baseada especificamente no livro da série chamado O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Steve Walsh é quem faz os vocais de maneira admirável e mais atenuada em comparação aos seus desempenhos no Kansas. A guitarra acústica de Hackett é suave, mas muito atraente e conduzem bem os vocais, os demais instrumentos ajudam na textura de maneira bastante simples, porém, bela. A única “decepção” é que a música não contem nenhum solo, ou mesmo versos vocais adicionais, o que acabou no fim tirando um pouco o brilho da canção. 

“Carry on up the Vicarage” é uma música estranha, com a introdução meio infantil, até que acontece uma mudança brusca com órgão e mais a entrada de vocais eletrônicos um tanto assustadores. Por conta de sua atmosfera, eu costumo associá-la como trilha de um filme infantil, na linha de algo criado por Tim Burton.  A música é uma homenagem à romancista e “rainha do crime”, Agatha Christie e que conta o conto de algumas mortes misteriosas. Como curiosidade, o órgão utilizado na faixa foi destruído em um incêndio logo após as gravações disco. 

Steve Walsh participa novamente do álbum cantando junto com Steve Hackett em “Racing in A”, uma música sobre perder-se em um carro pelo país. Confesso que não é uma das faixas mais memoráveis do álbum, mas ao menos nos mostra outra faceta do guitarrista. Ao contrário da música de abertura, a voz de Walsh aqui parece um pouco datada. Uma boa música, mas nada mais que isso. 

“Kim” é uma música instrumental em homenagem a sua esposa e que Hackett reescreveu várias vezes em outras várias obras subsequentes. Violão acústico e uso intenso de flauta em uma melodia curta, serena e quase silenciosa que proporciona uma breve pausa no álbum para um momento de reflexão. 

Contendo a participação do ícone Richie Havens, “How Can I?”, encerra a primeira metade do disco. Essa participação inclusive da a interessante distinção a Havens de ser um dos pouquíssimos veteranos de Woodstock a aparecer em um disco oficial de rock progressivo. A voz de Havens é rica, reconfortante e bastante calorosa nesta música. Uma canção de amor, ou talvez nem isso, talvez seja apenas alguns pensamentos sinuosos de um cara que está um tanto sobrecarregado com a vida e suas circunstâncias. A música é mais enriquecida ainda pelo uso delicado, porém, marcante de cordas. 

A próxima faixa é “Hoping Love Will Last”, mas não espere absolutamente nada de progressivo aqui. Ela carrega um humor quase bluesy e uma atmosfera cheia de amor com letras da então diva da Motown, em grande parte desconhecida, Randy Crowford. Uma música belíssima, com bateria silenciosa, muito violino e violoncelo. Hackett novamente surpreende com a sua gama de sons que ele consegue reunir em apenas um álbum. Esta música é um verdadeiro deleite, ainda que seja algo mais “fora da curva” que as demais.

“Land Of A Thousand Autumns” é apenas um interlúdio para a faixa título. "Please Don't Touch" possui teclados, sintetizador e um instrumento pesado de cordas que Steve Hackett prefacia no próprio encarte do álbum com o dizer mais ou menos assim, “para um efeito máximo, essa faixa deve ser ouvida num volume mais alto possível, assim como também deve ser colocado no seu aparelho, o máximo de agudos e graves que você puder. Não deve ser tocada para pessoas com condições cardíacas debilitadas ou que estejam em um estado de mente alucinógenos”. Não sei se é pra tanto, mas é uma boa faixa. 

Através de"The Voice of Necam" Hackett proporciona outra boa peça instrumental. O órgão do começo parece de algum filme antigo. A passagem acústica é belíssima enriquecida por uma brilhante atmosfera de fundo. 

O disco chega ao fim com “Icarus Ascending”, onde Havens mais uma vez demonstra sua maravilhosa voz reforçada pelo som atmosférico e denso criado pelo órgão e guitarra. Esta música emprega vários instrumentos e mudanças em seu tempo e que se acumulam lentamente até chegar a um clímax. 

Please Don't Touch foi um sucesso e mostrou Steve Hackett em muitos níveis da sua capacidade de trazer outros artistas talentosos para alcançar uma ampla gama de estilos em um único disco, e ao mesmo tempo em que também demonstra seu talento como compositor, arranjador e músico. No final das contas um disco muito bom e bastante envolvente. 

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