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Resenha: Steve Hackett - Spectral Mornings (1979)

Por: Tiago Meneses

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Composições maravilhosas, atmosfera e diversidade constantemente interessantes
5
30/01/2018

A esta altura de sua carreira, Steve Hackett, um dos meus maiores ídolos, concretizava uma forte posição como músico solo. Certamente que a sua saída do Genesis dois anos antes havia sido um bom negócio, especialmente pelo sucesso que o guitarrista atingiu com o seu segundo disco, Please Don't Touch. Spectral Mornings não foi apenas um disco de sucesso, mas uma das suas obras mais relevantes. O disco oferece diferentes estilos de música e combina em seus melhores tipos de sons possíveis. Steve Hackett podia expressar livremente tudo o que ele tinha dentro de si, ele poderia fazer solos, tocar músicas acústicas e seções de guitarra elétricas chamativas sempre que ele quisesse, e ele foi capaz de criar algo realmente complexo e elaborado e que não tinha permissão para fazer enquanto estava no Genesis. 

Spectral Mornings apesar de ser o terceiro disco do músico, consuma ser o primeiro creditado somente a ele, já que algumas pessoas argumentam que em sua estreia ele teve a valiosa ajuda de Phil Collins e Mike Rutherford e que em Please Do not Touch grandes músicos como Ritchie Havens, Phil Ehart, Steve Walsh e Chester Thompson o apoiaram. Com isso, muitos continuavam a duvidar que o bom velho Steve não conseguiria fazer nada sozinho. O disco também serviu pra fechar a boca de todas estas pessoas, pois foi composto quase que exclusivamente por Hackett e sua banda, formada com seu irmão e um grupo de músicos sólidos, mas quase desconhecidos. Todas as faixas são perfeitamente equilibradas, nem uma música é apenas um preenchimento ou fraca, os sons vão do Rock progressivo complexo para faixas de inspiração japonesa e trilhas acústicas extremamente bonitas sempre com a qualidade em alta. 

O disco abre com “Every Day”, certamente uma das melhores composições de Steve Hackett em toda a sua carreira. Música consistente, complexa, mudanças radicais. Não diria com certeza, mas acho que é a faixa que Steve Hackett soa mais próximo do que apresentava nos seus dias com o Genesis, colocando bastante ênfase nas atmosferas e misturando guitarra com os teclados de Nick Magnus, que de certa maneira lembram o estilo de Tony Banks. Uma daquelas músicas onde absolutamente tudo é perfeito. 

“The Virgin And The Gypsy” é uma música delicada com suave violão de 12 cortas e vocais multi harmonia. O interlúdio instrumental de flauta também é belíssimo e adiciona uma camada sombria e introspectiva a canção. É uma das músicas favoritas de Steve Hackett e que ele sempre costuma se lembrar de tocá-la nos seus concertos. 

“The Red Flower Of Tachai Blooms Everywhere” é uma música de sonoridade bastante oriental, onde Hackett toca koto (instrumento japonês de cordas e que tem um som muito característico) extremamente bem. A atmosfera também tem bastante participação de Magnus através de um trabalho de mellotron espiritual. Uma faixa suficientemente curta para manter-se sempre original e não perder o encanto. 

“Clocks - The Angel Of Mons” é mais uma das músicas instrumentais do álbum. Bastante forte, atmosférica e extremamente obscura, onde além do sempre notório trabalho de guitarra, aqui é necessário mencionar também a solidez de John Shearer na bateria, que inclui um momento solo. 

Já me deparei com algumas pessoas que gostam deste álbum, mas não costumam apreciar muito a “The Ballad Of The Decomposing Man”, sinceramente, eu não só aprecio como adoro esta musica. Começa semelhante a algo gravado nas duas primeiras décadas do século XX com um forte toque de Vaudeville, mas é importante lembrar que este tipo de abordagem de canção que parece está fora do lugar e com um ar até meio de comédia não era nenhuma novidade, onde podemos citar como exemplos anteriores as músicas “Seaside Rendezvous” do Queen, além de “Jeremy Bender” e “The Sheriff” do Emerson Lake & Palmer. Mas nesse caso Hackett adiciona alguns toques de ragtime e jazz primitivo muito agradável. Pra completar, de repente, antes do final, a música nos surpreende com uma sonoridade caribenha. Uma música com uma mistura bastante interessante de sons, estilos, influencias peculiares, mas que no final das contas deu muito certo. 

Em “Lost Time in Cordoba” é a hora de Hackett provar suas habilidades como guitarrista clássico/acústico. Extremamente bonita e evidenciando o óbvio que é o fato de Steve Hackett ser um dos melhores (pra mim o melhor) artista de guitarra acústica em todo o rock progressivo. O trabalho é dinâmico e de enorme energia. Destaque também para algumas linhas flutuantes de flauta muito bem compostas por John Hacket.

“Tigermoth” é sensacional, com uma atmosfera obscura, poderia facilmente ter sido tirada do disco de estreie de Hackett, Voyage of the Acolyte, mesmo soando um pouco mais deprimente, ou pra ser mais preciso, nostálgica. Começa com um riff muito pesado, bom trabalho de mellotron e uma dinâmica excelente entre baixo e bateria. Hackett como sempre, mais uma vez brilha na guitarra. Quando os vocais entram eles invocam um grande sentimento de um pai indo à guerra e não voltando. 

Spectral Mornings chega ao fim através da faixa título trazendo um sentimento bem diferente ao álbum que o da sua introdução. Este é o momento que mais faz lembrar seus tempos de Genesis, a banda quase recria algo realizado durante os quatro álbuns de sua era. Nick Magnus novamente faz linhas muito parecidas com Tony Banks, Dick Cadbury seria um Mike Rutherford um pouco mais obscuro, porém, a semelhança na bateria entre John Shearer e Phil Collins é impressionante, quase uma homenagem. Um final perfeito para um disco sensacional. 

Não existe um disco melhor pra se recomendar quando falamos de pessoas neófitas em relação à carreira solo de Steve Hackett. Um verdadeiro caldeirão de composições maravilhosas, atmosfera e diversidade constantemente interessantes.

Composições maravilhosas, atmosfera e diversidade constantemente interessantes
5
30/01/2018

A esta altura de sua carreira, Steve Hackett, um dos meus maiores ídolos, concretizava uma forte posição como músico solo. Certamente que a sua saída do Genesis dois anos antes havia sido um bom negócio, especialmente pelo sucesso que o guitarrista atingiu com o seu segundo disco, Please Don't Touch. Spectral Mornings não foi apenas um disco de sucesso, mas uma das suas obras mais relevantes. O disco oferece diferentes estilos de música e combina em seus melhores tipos de sons possíveis. Steve Hackett podia expressar livremente tudo o que ele tinha dentro de si, ele poderia fazer solos, tocar músicas acústicas e seções de guitarra elétricas chamativas sempre que ele quisesse, e ele foi capaz de criar algo realmente complexo e elaborado e que não tinha permissão para fazer enquanto estava no Genesis. 

Spectral Mornings apesar de ser o terceiro disco do músico, consuma ser o primeiro creditado somente a ele, já que algumas pessoas argumentam que em sua estreia ele teve a valiosa ajuda de Phil Collins e Mike Rutherford e que em Please Do not Touch grandes músicos como Ritchie Havens, Phil Ehart, Steve Walsh e Chester Thompson o apoiaram. Com isso, muitos continuavam a duvidar que o bom velho Steve não conseguiria fazer nada sozinho. O disco também serviu pra fechar a boca de todas estas pessoas, pois foi composto quase que exclusivamente por Hackett e sua banda, formada com seu irmão e um grupo de músicos sólidos, mas quase desconhecidos. Todas as faixas são perfeitamente equilibradas, nem uma música é apenas um preenchimento ou fraca, os sons vão do Rock progressivo complexo para faixas de inspiração japonesa e trilhas acústicas extremamente bonitas sempre com a qualidade em alta. 

O disco abre com “Every Day”, certamente uma das melhores composições de Steve Hackett em toda a sua carreira. Música consistente, complexa, mudanças radicais. Não diria com certeza, mas acho que é a faixa que Steve Hackett soa mais próximo do que apresentava nos seus dias com o Genesis, colocando bastante ênfase nas atmosferas e misturando guitarra com os teclados de Nick Magnus, que de certa maneira lembram o estilo de Tony Banks. Uma daquelas músicas onde absolutamente tudo é perfeito. 

“The Virgin And The Gypsy” é uma música delicada com suave violão de 12 cortas e vocais multi harmonia. O interlúdio instrumental de flauta também é belíssimo e adiciona uma camada sombria e introspectiva a canção. É uma das músicas favoritas de Steve Hackett e que ele sempre costuma se lembrar de tocá-la nos seus concertos. 

“The Red Flower Of Tachai Blooms Everywhere” é uma música de sonoridade bastante oriental, onde Hackett toca koto (instrumento japonês de cordas e que tem um som muito característico) extremamente bem. A atmosfera também tem bastante participação de Magnus através de um trabalho de mellotron espiritual. Uma faixa suficientemente curta para manter-se sempre original e não perder o encanto. 

“Clocks - The Angel Of Mons” é mais uma das músicas instrumentais do álbum. Bastante forte, atmosférica e extremamente obscura, onde além do sempre notório trabalho de guitarra, aqui é necessário mencionar também a solidez de John Shearer na bateria, que inclui um momento solo. 

Já me deparei com algumas pessoas que gostam deste álbum, mas não costumam apreciar muito a “The Ballad Of The Decomposing Man”, sinceramente, eu não só aprecio como adoro esta musica. Começa semelhante a algo gravado nas duas primeiras décadas do século XX com um forte toque de Vaudeville, mas é importante lembrar que este tipo de abordagem de canção que parece está fora do lugar e com um ar até meio de comédia não era nenhuma novidade, onde podemos citar como exemplos anteriores as músicas “Seaside Rendezvous” do Queen, além de “Jeremy Bender” e “The Sheriff” do Emerson Lake & Palmer. Mas nesse caso Hackett adiciona alguns toques de ragtime e jazz primitivo muito agradável. Pra completar, de repente, antes do final, a música nos surpreende com uma sonoridade caribenha. Uma música com uma mistura bastante interessante de sons, estilos, influencias peculiares, mas que no final das contas deu muito certo. 

Em “Lost Time in Cordoba” é a hora de Hackett provar suas habilidades como guitarrista clássico/acústico. Extremamente bonita e evidenciando o óbvio que é o fato de Steve Hackett ser um dos melhores (pra mim o melhor) artista de guitarra acústica em todo o rock progressivo. O trabalho é dinâmico e de enorme energia. Destaque também para algumas linhas flutuantes de flauta muito bem compostas por John Hacket.

“Tigermoth” é sensacional, com uma atmosfera obscura, poderia facilmente ter sido tirada do disco de estreie de Hackett, Voyage of the Acolyte, mesmo soando um pouco mais deprimente, ou pra ser mais preciso, nostálgica. Começa com um riff muito pesado, bom trabalho de mellotron e uma dinâmica excelente entre baixo e bateria. Hackett como sempre, mais uma vez brilha na guitarra. Quando os vocais entram eles invocam um grande sentimento de um pai indo à guerra e não voltando. 

Spectral Mornings chega ao fim através da faixa título trazendo um sentimento bem diferente ao álbum que o da sua introdução. Este é o momento que mais faz lembrar seus tempos de Genesis, a banda quase recria algo realizado durante os quatro álbuns de sua era. Nick Magnus novamente faz linhas muito parecidas com Tony Banks, Dick Cadbury seria um Mike Rutherford um pouco mais obscuro, porém, a semelhança na bateria entre John Shearer e Phil Collins é impressionante, quase uma homenagem. Um final perfeito para um disco sensacional. 

Não existe um disco melhor pra se recomendar quando falamos de pessoas neófitas em relação à carreira solo de Steve Hackett. Um verdadeiro caldeirão de composições maravilhosas, atmosfera e diversidade constantemente interessantes.

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