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Resenha: Gentle Giant - Acquiring The Taste (1971)

Por: Tiago Meneses

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Um grande passo em direção à sonoridade que praticamente definiria a banda.
5
27/01/2018

Após uma estreia promissora, em seu segundo álbum o Gentle Giant deu um grande passo em direção à sonoridade que praticamente definiria a banda como uma das mais únicas, inventivas e incomuns da história do rock progressivo. O padrão de musicalidade alcançado em Acquiring the Taste é excepcional não apenas tecnicamente, mas também criativamente. Tudo no seu devido lugar, desde a originalidade em melodia e abordagem à música progressiva, bem como em arranjos e execução. 

O carro abre alas do disco chama-se “Pantagruel's Nativity” e que imediatamente já nos transporta ao som singular do Gentle Giant. Uma atmosfera sombria e sinistra reina por toda a música, mas de maneira “suave” em termos de timbre. As texturas musicais são maravilhosas e fluem de forma plena na música, combinando-a em todos os seus pontos, não deixando nada sobrando ou fora do lugar. As letras parecem estar escritas em um estilo que foi inspirado pelos grandes oratórios de Handel e Purcell, por exemplo. Mas pra tentar ser mais “preciso”, estou particularmente pensando na ópera de "Acis e Galatea" de Handell. A comparação provavelmente é válida, já que a história de Gargantua e Pantagruel se origina no século XVI. A entrega vocal é bastante preciosa e funciona muito bem para transmitir os conhecimentos místicos. 

“Edge of Twilight” possui uma carga bastante assombrosa e acaba sendo ainda melhor aproveitada quando ouvida no escuro. Apesar de aparentemente simples, existem muitos detalhes a serem observados nesta música. As letras funcionam perfeitamente bem para transmitir certo humor assustador. Possui uma percussão em tom bastante bonito após cada verso. 

Em “The House, The Street, The Room” o começo dos vocais faz lembrar um pouco Peter Gabriel. Um clássico exemplo de como a banda conseguia ser extremamente técnica e ao mesmo tempo fazer a música correr muito bem, sem exibicionismos desnecessários. A partir da metade há mudanças na textura onde a música ganha um ar mais agressivo, possui um maravilhoso solo de guitarra wah wah de Gary Green, linhas de baixo impactantes e denso trabalho de hammond. A banda então volta à melodia inicial e em seguida termina em uma coda instrumental bastante interessante, baseada em ideias derivadas do serialismo. 

A continuidade do álbum é através da faixa título e que mantem a exploração no serialismo, mas evitando o total serialismo ou a música concreta, preferindo se aproximar mais da tonalidade do jazz. A trilha é curta e toda instrumental, mas bastante impressionante, com o grupo apresentando lado a lado dissonâncias inesperadas e melodias encantadoras. 

Então que “Wreck" aparece com uma veia mais pesada, na linha de blues-rock pra ser mais exato. Esta faixa possui uma sonoridade bastante padrão, o que não é muito comum quando falamos de Gentle Giant, mas ainda assim, não posso deixar de dizer o quanto ela é refinada e de alguns bons interlúdios clássicos. Mas como eu falei, é um som padrão. Certamente o momento menos impressionante do álbum. 

"The Moon is Down" começa com um baixo em clima descontraído de jazz. O estilo de composição aqui é novamente complexo e na linha característica da banda, com doces harmonias vocais sobre uma construção instrumental cheia variedade de estilos e que a transformam em mais um destaque do disco. 

“Black Cat” contém uma seção clássica de cordas que figura de forma proeminente, fornecendo belíssimas melodias. Possui umas dissonâncias cativantes durante a seção estranha do meio, tendo como resultado mais uma forte declaração musical da banda. 

A música que encerra o disco é "Plain Truth". A guitarra elétrica uiva e chora apenas para que a banda entre com um coro existencialista. A música se cadencia em um hard rock bem orientado, alguns grandes riffs, porém, um pouco “pálido” quando comparado aos destaques do álbum. Mas ainda assim uma adição sólida ao disco. 

Resumindo em poucas palavras: Acquiring the Taste é o caçula da sequência arrasadora de seis discos que a banda produziria. 

Um grande passo em direção à sonoridade que praticamente definiria a banda.
5
27/01/2018

Após uma estreia promissora, em seu segundo álbum o Gentle Giant deu um grande passo em direção à sonoridade que praticamente definiria a banda como uma das mais únicas, inventivas e incomuns da história do rock progressivo. O padrão de musicalidade alcançado em Acquiring the Taste é excepcional não apenas tecnicamente, mas também criativamente. Tudo no seu devido lugar, desde a originalidade em melodia e abordagem à música progressiva, bem como em arranjos e execução. 

O carro abre alas do disco chama-se “Pantagruel's Nativity” e que imediatamente já nos transporta ao som singular do Gentle Giant. Uma atmosfera sombria e sinistra reina por toda a música, mas de maneira “suave” em termos de timbre. As texturas musicais são maravilhosas e fluem de forma plena na música, combinando-a em todos os seus pontos, não deixando nada sobrando ou fora do lugar. As letras parecem estar escritas em um estilo que foi inspirado pelos grandes oratórios de Handel e Purcell, por exemplo. Mas pra tentar ser mais “preciso”, estou particularmente pensando na ópera de "Acis e Galatea" de Handell. A comparação provavelmente é válida, já que a história de Gargantua e Pantagruel se origina no século XVI. A entrega vocal é bastante preciosa e funciona muito bem para transmitir os conhecimentos místicos. 

“Edge of Twilight” possui uma carga bastante assombrosa e acaba sendo ainda melhor aproveitada quando ouvida no escuro. Apesar de aparentemente simples, existem muitos detalhes a serem observados nesta música. As letras funcionam perfeitamente bem para transmitir certo humor assustador. Possui uma percussão em tom bastante bonito após cada verso. 

Em “The House, The Street, The Room” o começo dos vocais faz lembrar um pouco Peter Gabriel. Um clássico exemplo de como a banda conseguia ser extremamente técnica e ao mesmo tempo fazer a música correr muito bem, sem exibicionismos desnecessários. A partir da metade há mudanças na textura onde a música ganha um ar mais agressivo, possui um maravilhoso solo de guitarra wah wah de Gary Green, linhas de baixo impactantes e denso trabalho de hammond. A banda então volta à melodia inicial e em seguida termina em uma coda instrumental bastante interessante, baseada em ideias derivadas do serialismo. 

A continuidade do álbum é através da faixa título e que mantem a exploração no serialismo, mas evitando o total serialismo ou a música concreta, preferindo se aproximar mais da tonalidade do jazz. A trilha é curta e toda instrumental, mas bastante impressionante, com o grupo apresentando lado a lado dissonâncias inesperadas e melodias encantadoras. 

Então que “Wreck" aparece com uma veia mais pesada, na linha de blues-rock pra ser mais exato. Esta faixa possui uma sonoridade bastante padrão, o que não é muito comum quando falamos de Gentle Giant, mas ainda assim, não posso deixar de dizer o quanto ela é refinada e de alguns bons interlúdios clássicos. Mas como eu falei, é um som padrão. Certamente o momento menos impressionante do álbum. 

"The Moon is Down" começa com um baixo em clima descontraído de jazz. O estilo de composição aqui é novamente complexo e na linha característica da banda, com doces harmonias vocais sobre uma construção instrumental cheia variedade de estilos e que a transformam em mais um destaque do disco. 

“Black Cat” contém uma seção clássica de cordas que figura de forma proeminente, fornecendo belíssimas melodias. Possui umas dissonâncias cativantes durante a seção estranha do meio, tendo como resultado mais uma forte declaração musical da banda. 

A música que encerra o disco é "Plain Truth". A guitarra elétrica uiva e chora apenas para que a banda entre com um coro existencialista. A música se cadencia em um hard rock bem orientado, alguns grandes riffs, porém, um pouco “pálido” quando comparado aos destaques do álbum. Mas ainda assim uma adição sólida ao disco. 

Resumindo em poucas palavras: Acquiring the Taste é o caçula da sequência arrasadora de seis discos que a banda produziria. 

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