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Resenha: Led Zeppelin - Physical Graffiti (1975)

Por: Tiago Meneses

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O Led Zeppelin no auge da criatividade e refinamento musical.
5
26/01/2018

No início da carreira não é necessário ter um ouvido musicalmente estudado pra perceber que o Led Zeppelin era uma banda de puro hard rock 70’s, mas que sempre estava envolvendo em suas músicas pinceladas de outros elementos como folk, jazz, blues, reggae e funk, criando assim uma atmosfera única para a sua música. Onde ao menos pra mim, tem o auge da criatividade e refinamento musical atingido em Physical Graffiti.

O álbum é uma coleção variada de antigas canções e outras inéditas. Foi o primeiro álbum da banda lançado pelo seu novo selo Swang Song Label. Novamente o que o quarteto (que nessa época já carregava o pesado status de maior banda do mundo) apresenta é um trabalho bastante convincente e que por ser duplo possuía espaço suficiente para notar com mais clareza a individualidade de cada um dos integrantes. Só que pra não dizer que tudo são flores, infelizmente Robert Plant sofreu alguns problemas de garganta na época e em algumas das novas músicas esses problemas afetaram seu canto, tornando-o um pouco mais cru e às vezes ligeiramente refreado, porém, algo incapaz de tirar o brilhantismo do disco. 

O disco já abre de uma ótima maneira através de "Custard Pie", uma música dominada pela sempre exímia bateria de John Bonhan e muito boas linhas de baixo. A guitarra também é um destaque principalmente pela metade da música através de um solo tipicamente pageano. Muito boa também é a harmônica na parte final da música. “The Rover” é uma das minhas músicas preferidas do Led Zeppelin, começa com um trabalho simples de bateria, porém, muito bom, tem uma atmosfera atraente e flutuante, principalmente pelas melodias de bom gosto vindas da guitarra de Jimmy Page. 

"In My Time of Dying" é certamente outro dos pontos mais altos da carreira da banda. Fortemente plantada nas raízes do blues-rock é a música mais longa que a banda gravou. Os vocais emocionais acompanhados pela slide guitar é excelente, a cozinha sempre sólida digna de uma das melhores da história do rock. Quando a música explode, sinceramente, considero uma das melhores realizações da banda. É arrepiante quando Jimmy Page muda o tom de sua guitarra para executar um solo matador. Curioso ver Robert Plant quando a música já se encaminha para o final, repetir a frase “O meu Jesus...”, pois é exatamente o que o ouvinte pode está falando diante de um som desta qualidade, a faixa então segue de maneira enérgica até terminar de uma forma relaxante, com a voz de Plant desaparecendo lentamente. Um verdadeiro épico.  

“House of the Holly” é um rock da melhor qualidade com riffs pesados de guitarra, direto e acessível, construídos em versículos repetitivos. Curioso que esta música foi rejeitada para o álbum que leva o mesmo nome dela, situação parecida com que aconteceu com “Sheer Heart Attack” do Queen. Liricamente, "Trampled Under Foot" usa peças de carros como metáforas para falar do corpo feminino, e como a música anterior, depende da repetição e intensidade de construção para mostrar sua força. Tem uma influência funk que não a deixa envelhecer nunca. Notável também é o uso de clavinete por parte de John Paul Jones. 

“Kashmir” é outro clássico da banda, uma trilha magistral e inovadora que foi escrita ao longo de três anos por Plant, Page e Bonham. Musicalmente é muito agradável e interessante em meio a várias “cenas” teatrais que se desenvolvem lentamente. A principal progressão da música é construída em um riff ascendente desenvolvido por Jimmy Page acompanhado por Jones que adiciona de maneira maravilhosa uma orquestração, onde á também momentos de metais. Apesar do nome Caxemira traduzido, claro) e a inspiração confessa da banda na composição, sua sonoridade tanto musical quanto vocal, é tão rica que cria uma atmosfera que mais parece que o nome se trata de algum lugar místico e imaginativo que transcende uma localização física na Terra. 

“In The Light” é uma das músicas mais estranhas entre todas as da banda. Uma introdução de sintetizadores e guitarra. A música tem uma levada lenta com os vocais de Plant contribuindo ainda mais para a atmosfera mística da música. Destaque também para o piano elétrico de Jones que é inspirador. Como informação adicional, a faixa era originalmente uma balada ao piano chamada, "Everybody Makes It Through”, mas seus versos foram reescritos e sua instrumentação reformulada totalmente. “Bron-Yr-Aur	“ é curta, mas uma belíssima e reflexiva peça instrumental executada de maneira acústica somente por Jimmy Page. 

"Down By the Seaside" é uma das músicas do Led Zeppelin que considero mais subestimadas. De sonoridade country/folk nota-se uma inspiração em Crosby, Stills, Nash e Young. Extremamente agradável e gratificante, os efeitos de guitarras estão entre um dos meus momentos preferidos na carreira de Page, sendo que as texturas criadas são o complemento ascendente perfeito para o piano elétrico. Um momento extremamente suave e belo do álbum. "Ten Years Gone" é uma música requintada com excelentes contribuições de cada membro. O arranjo de abertura é apenas um simples toque de guitarra e baixo antes de se lançar em um majestoso riff pesado que divide as estrofes do verso. A guitarra de Page nesta música não é nada menos que sensacional, tanto base quanto solo. Na ponte que ocorre no meio é onde a cozinha de Bonham e Jones é elevada a seus melhores. A crescente emocional com que o ouvinte é aplacado também é um dos destaques da música. Importante mencionar também sobre os versos poéticos de Plant, falando de amor, destino, arrependimento, redenção enquanto canta numa voz bastante sombria e reservada, lembrando sua decisão dolorosa de abandonar sua namorada adolescente para perseguir seus sonhos musicais.

Após a intensidade emocional da faixa anterior, agora é a vez de “Night Flight”, música de uma levada rock mais leve e que deve grande parte do seu poder musical ao órgão hammond de Jones, com Page adicionando apenas umas “lambidas” rítmicas na guitarra, quase como que seus papeis estivesse invertidos aqui. Os vocais de Plant são bastante dinâmicos e fortes ao longo da faixa, quase ao ponto de percebermos certo esforço pra atingir seus objetivos na música.  “The Wanton Song” começa com um riff meio estranho, mas feroz e a bateria não tem ambiguidade, dois interlúdios contém texturas muito boas de guitarras. Não me ganhou de primeira como as demais, mas hoje vejo uma força incrível nesta música, além de uma performance vocal sensacional de Plant. 

"Boogie with Stu" não passa de uma verdadeira bobagem improvisada no estúdio durante as sessões de Led Zeppelin IV, apresentando Ian Stewart no piano, Jimmy Page no Bandolin, deixando Plant ter sua única sessão na guitarra (por aí se tiram o quanto estavam levando a “sério” isso). Depois deste momento cômico, Page volta para a guitarra e Jones assume o bandolim para tocarem “Black Country Woman" , no que seria a última música acústica da banda em seus registros de estúdio originais. Tem quase a metade conduzida pelo bandolim e guitarra até que ganha mais estrutura com o acréscimo da sempre excelente bateria de Bonham. O uso de harmônica também deu uma cara ótima a música. O disco chega ao fim com, “Sick Again”, um blues-rock poderoso, porém do tipo bastante comum, mas que completa bem o disco. Musicalmente tem uma guitarra overdub e chorosa muito boa, além de algumas performances impressionantes, mas no final das contas as boas ideias da música não parecem estar bem misturadas, com momentos de vocais e baixo um pouco perdidos atrás de bateria e guitarra.

Se a banda tivesse lançado apenas as músicas novas, já tornaria o disco um épico, mas o acréscimo de material antigo de certa forma deixou o resultado mais impactante. Não é sempre que um disco duplo não traz com ele momentos que sirvam apenas para enchimento. Apesar de eu ter mencionado algumas pouquíssimas situações “menos brilhantes”, Physical Graffiti é um disco em que cada faixa faz o papel que se espera dela, ou seja, engrandece o resultado final da obra. Um verdadeiro clássico absoluto. 

O Led Zeppelin no auge da criatividade e refinamento musical.
5
26/01/2018

No início da carreira não é necessário ter um ouvido musicalmente estudado pra perceber que o Led Zeppelin era uma banda de puro hard rock 70’s, mas que sempre estava envolvendo em suas músicas pinceladas de outros elementos como folk, jazz, blues, reggae e funk, criando assim uma atmosfera única para a sua música. Onde ao menos pra mim, tem o auge da criatividade e refinamento musical atingido em Physical Graffiti.

O álbum é uma coleção variada de antigas canções e outras inéditas. Foi o primeiro álbum da banda lançado pelo seu novo selo Swang Song Label. Novamente o que o quarteto (que nessa época já carregava o pesado status de maior banda do mundo) apresenta é um trabalho bastante convincente e que por ser duplo possuía espaço suficiente para notar com mais clareza a individualidade de cada um dos integrantes. Só que pra não dizer que tudo são flores, infelizmente Robert Plant sofreu alguns problemas de garganta na época e em algumas das novas músicas esses problemas afetaram seu canto, tornando-o um pouco mais cru e às vezes ligeiramente refreado, porém, algo incapaz de tirar o brilhantismo do disco. 

O disco já abre de uma ótima maneira através de "Custard Pie", uma música dominada pela sempre exímia bateria de John Bonhan e muito boas linhas de baixo. A guitarra também é um destaque principalmente pela metade da música através de um solo tipicamente pageano. Muito boa também é a harmônica na parte final da música. “The Rover” é uma das minhas músicas preferidas do Led Zeppelin, começa com um trabalho simples de bateria, porém, muito bom, tem uma atmosfera atraente e flutuante, principalmente pelas melodias de bom gosto vindas da guitarra de Jimmy Page. 

"In My Time of Dying" é certamente outro dos pontos mais altos da carreira da banda. Fortemente plantada nas raízes do blues-rock é a música mais longa que a banda gravou. Os vocais emocionais acompanhados pela slide guitar é excelente, a cozinha sempre sólida digna de uma das melhores da história do rock. Quando a música explode, sinceramente, considero uma das melhores realizações da banda. É arrepiante quando Jimmy Page muda o tom de sua guitarra para executar um solo matador. Curioso ver Robert Plant quando a música já se encaminha para o final, repetir a frase “O meu Jesus...”, pois é exatamente o que o ouvinte pode está falando diante de um som desta qualidade, a faixa então segue de maneira enérgica até terminar de uma forma relaxante, com a voz de Plant desaparecendo lentamente. Um verdadeiro épico.  

“House of the Holly” é um rock da melhor qualidade com riffs pesados de guitarra, direto e acessível, construídos em versículos repetitivos. Curioso que esta música foi rejeitada para o álbum que leva o mesmo nome dela, situação parecida com que aconteceu com “Sheer Heart Attack” do Queen. Liricamente, "Trampled Under Foot" usa peças de carros como metáforas para falar do corpo feminino, e como a música anterior, depende da repetição e intensidade de construção para mostrar sua força. Tem uma influência funk que não a deixa envelhecer nunca. Notável também é o uso de clavinete por parte de John Paul Jones. 

“Kashmir” é outro clássico da banda, uma trilha magistral e inovadora que foi escrita ao longo de três anos por Plant, Page e Bonham. Musicalmente é muito agradável e interessante em meio a várias “cenas” teatrais que se desenvolvem lentamente. A principal progressão da música é construída em um riff ascendente desenvolvido por Jimmy Page acompanhado por Jones que adiciona de maneira maravilhosa uma orquestração, onde á também momentos de metais. Apesar do nome Caxemira traduzido, claro) e a inspiração confessa da banda na composição, sua sonoridade tanto musical quanto vocal, é tão rica que cria uma atmosfera que mais parece que o nome se trata de algum lugar místico e imaginativo que transcende uma localização física na Terra. 

“In The Light” é uma das músicas mais estranhas entre todas as da banda. Uma introdução de sintetizadores e guitarra. A música tem uma levada lenta com os vocais de Plant contribuindo ainda mais para a atmosfera mística da música. Destaque também para o piano elétrico de Jones que é inspirador. Como informação adicional, a faixa era originalmente uma balada ao piano chamada, "Everybody Makes It Through”, mas seus versos foram reescritos e sua instrumentação reformulada totalmente. “Bron-Yr-Aur	“ é curta, mas uma belíssima e reflexiva peça instrumental executada de maneira acústica somente por Jimmy Page. 

"Down By the Seaside" é uma das músicas do Led Zeppelin que considero mais subestimadas. De sonoridade country/folk nota-se uma inspiração em Crosby, Stills, Nash e Young. Extremamente agradável e gratificante, os efeitos de guitarras estão entre um dos meus momentos preferidos na carreira de Page, sendo que as texturas criadas são o complemento ascendente perfeito para o piano elétrico. Um momento extremamente suave e belo do álbum. "Ten Years Gone" é uma música requintada com excelentes contribuições de cada membro. O arranjo de abertura é apenas um simples toque de guitarra e baixo antes de se lançar em um majestoso riff pesado que divide as estrofes do verso. A guitarra de Page nesta música não é nada menos que sensacional, tanto base quanto solo. Na ponte que ocorre no meio é onde a cozinha de Bonham e Jones é elevada a seus melhores. A crescente emocional com que o ouvinte é aplacado também é um dos destaques da música. Importante mencionar também sobre os versos poéticos de Plant, falando de amor, destino, arrependimento, redenção enquanto canta numa voz bastante sombria e reservada, lembrando sua decisão dolorosa de abandonar sua namorada adolescente para perseguir seus sonhos musicais.

Após a intensidade emocional da faixa anterior, agora é a vez de “Night Flight”, música de uma levada rock mais leve e que deve grande parte do seu poder musical ao órgão hammond de Jones, com Page adicionando apenas umas “lambidas” rítmicas na guitarra, quase como que seus papeis estivesse invertidos aqui. Os vocais de Plant são bastante dinâmicos e fortes ao longo da faixa, quase ao ponto de percebermos certo esforço pra atingir seus objetivos na música.  “The Wanton Song” começa com um riff meio estranho, mas feroz e a bateria não tem ambiguidade, dois interlúdios contém texturas muito boas de guitarras. Não me ganhou de primeira como as demais, mas hoje vejo uma força incrível nesta música, além de uma performance vocal sensacional de Plant. 

"Boogie with Stu" não passa de uma verdadeira bobagem improvisada no estúdio durante as sessões de Led Zeppelin IV, apresentando Ian Stewart no piano, Jimmy Page no Bandolin, deixando Plant ter sua única sessão na guitarra (por aí se tiram o quanto estavam levando a “sério” isso). Depois deste momento cômico, Page volta para a guitarra e Jones assume o bandolim para tocarem “Black Country Woman" , no que seria a última música acústica da banda em seus registros de estúdio originais. Tem quase a metade conduzida pelo bandolim e guitarra até que ganha mais estrutura com o acréscimo da sempre excelente bateria de Bonham. O uso de harmônica também deu uma cara ótima a música. O disco chega ao fim com, “Sick Again”, um blues-rock poderoso, porém do tipo bastante comum, mas que completa bem o disco. Musicalmente tem uma guitarra overdub e chorosa muito boa, além de algumas performances impressionantes, mas no final das contas as boas ideias da música não parecem estar bem misturadas, com momentos de vocais e baixo um pouco perdidos atrás de bateria e guitarra.

Se a banda tivesse lançado apenas as músicas novas, já tornaria o disco um épico, mas o acréscimo de material antigo de certa forma deixou o resultado mais impactante. Não é sempre que um disco duplo não traz com ele momentos que sirvam apenas para enchimento. Apesar de eu ter mencionado algumas pouquíssimas situações “menos brilhantes”, Physical Graffiti é um disco em que cada faixa faz o papel que se espera dela, ou seja, engrandece o resultado final da obra. Um verdadeiro clássico absoluto. 

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