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Resenha: Gentle Knife - Clock Unwound (2017)

Por: Tiago Meneses

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Música emocionante, vibrante e com um caos controlado.
3.5
26/01/2018

Em seu segundo álbum a banda norueguesa aumentou ainda mais o seu line-up, saindo de dez para onze integrantes. Possui uma enorme beleza em algumas passagens instrumentais. A produção tem uma grande participação neste álbum, pois é a clareza e a separação de todos os envolvidos que impedem que isso se transforme em uma confusão musical lamacenta.

O disco começa com “Prelude: Incipit”, faixa instrumental de pianos em acordes ameaçadores junto de uma trombeta solitária que parece carregar em suas notas a trilha sonora que anuncia o final dos tempos de forma lamentosa, então que a faixa emenda com a próxima. “The Clock Unwound” tem uma levada inicial bastante influenciada por Steven Wilson, a união dos instrumentos dá a música um pouco de vapor punk, depois se deslocam pra uma jornada musical notável e viajante com ótimo solo e linhas de guitarra em momentos enérgicos e uma flauta delicada até que o vocal regresse. Continua com uma cadência sutil até que perto do final fica mais pomposa tendo como carro chefe um solo de sintetizador.

“Fade Away” começa de maneira belíssima, cadenciada por um mellotron tocado sem pressa até que chega à uma seção mais enérgica de moogs e sax mostrando o quanto a banda é equilibrada no estúdio, dando ao ouvinte uma grande sensação orquestral para os arranjos. Possui um tempo rápido e misto que caem para dois ou três estilos diferentes em uma ótima seção instrumental. O uso pungente da flauta destaca o profundo senso da letra que é o de procurar o que está perdido e que nunca mais retornará, a maneira como vocais femininos e masculinos compartilham e harmonizam a conversa lírica funciona muito bem para definir a música. “Smother” novamente faz com que música e letra funcionassem muito bem, a ideia de derrota e perda de tudo mesmo após está perto da conquista. Exímio trabalho de flauta e sintetizador, ótimos acordes melódicos de saxofone, órgão hammond e uma seção rítmica sólida que acompanha uma passagem extremamente variada que muda repentinamente a influencia entre o jazz e o rock.

“Plans Skew” sem dúvida é a faixa mais simples do álbum, quase uma balada. A introdução no violão é belíssima e se constrói sobre um tema de perda onde o mesmo se desenvolve como narrativa ao invés de uma perspectiva de primeira pessoa. Tem um belo trabalho polifônico graças à capacidade da banda de conjurar arranjos de guitarras, saxofones, flautas e teclados. O álbum chega ao fim através de “Resignation”, uma música que é narrada ao invés de cantada, onde podemos imaginar uma alma cansada falando sobre desistir de tudo em uma expressão universal de depressão e perda. A música é oscilante e de atmosfera sepulcral criada por todos os instrumentos, há um aumento na batida e a levada fica mais edificante, guitarras e um órgão são o carro chefe do momento até a faixa regressar ao seu estado “normal”, de cadência lenta e bastante lúgubre onde novamente de maneira assustadora Brian recita o final da letra antes do álbum terminar com arranjos perturbadores.

Música emocionante, vibrante e com um caos controlado onde raramente é visto na cena progressiva atual. É um álbum onde os arranjos são complexos e muito bem executados, faixas convidativas que confortam, acolhem e intrigam. Um disco bastante recomendado.  

Música emocionante, vibrante e com um caos controlado.
3.5
26/01/2018

Em seu segundo álbum a banda norueguesa aumentou ainda mais o seu line-up, saindo de dez para onze integrantes. Possui uma enorme beleza em algumas passagens instrumentais. A produção tem uma grande participação neste álbum, pois é a clareza e a separação de todos os envolvidos que impedem que isso se transforme em uma confusão musical lamacenta.

O disco começa com “Prelude: Incipit”, faixa instrumental de pianos em acordes ameaçadores junto de uma trombeta solitária que parece carregar em suas notas a trilha sonora que anuncia o final dos tempos de forma lamentosa, então que a faixa emenda com a próxima. “The Clock Unwound” tem uma levada inicial bastante influenciada por Steven Wilson, a união dos instrumentos dá a música um pouco de vapor punk, depois se deslocam pra uma jornada musical notável e viajante com ótimo solo e linhas de guitarra em momentos enérgicos e uma flauta delicada até que o vocal regresse. Continua com uma cadência sutil até que perto do final fica mais pomposa tendo como carro chefe um solo de sintetizador.

“Fade Away” começa de maneira belíssima, cadenciada por um mellotron tocado sem pressa até que chega à uma seção mais enérgica de moogs e sax mostrando o quanto a banda é equilibrada no estúdio, dando ao ouvinte uma grande sensação orquestral para os arranjos. Possui um tempo rápido e misto que caem para dois ou três estilos diferentes em uma ótima seção instrumental. O uso pungente da flauta destaca o profundo senso da letra que é o de procurar o que está perdido e que nunca mais retornará, a maneira como vocais femininos e masculinos compartilham e harmonizam a conversa lírica funciona muito bem para definir a música. “Smother” novamente faz com que música e letra funcionassem muito bem, a ideia de derrota e perda de tudo mesmo após está perto da conquista. Exímio trabalho de flauta e sintetizador, ótimos acordes melódicos de saxofone, órgão hammond e uma seção rítmica sólida que acompanha uma passagem extremamente variada que muda repentinamente a influencia entre o jazz e o rock.

“Plans Skew” sem dúvida é a faixa mais simples do álbum, quase uma balada. A introdução no violão é belíssima e se constrói sobre um tema de perda onde o mesmo se desenvolve como narrativa ao invés de uma perspectiva de primeira pessoa. Tem um belo trabalho polifônico graças à capacidade da banda de conjurar arranjos de guitarras, saxofones, flautas e teclados. O álbum chega ao fim através de “Resignation”, uma música que é narrada ao invés de cantada, onde podemos imaginar uma alma cansada falando sobre desistir de tudo em uma expressão universal de depressão e perda. A música é oscilante e de atmosfera sepulcral criada por todos os instrumentos, há um aumento na batida e a levada fica mais edificante, guitarras e um órgão são o carro chefe do momento até a faixa regressar ao seu estado “normal”, de cadência lenta e bastante lúgubre onde novamente de maneira assustadora Brian recita o final da letra antes do álbum terminar com arranjos perturbadores.

Música emocionante, vibrante e com um caos controlado onde raramente é visto na cena progressiva atual. É um álbum onde os arranjos são complexos e muito bem executados, faixas convidativas que confortam, acolhem e intrigam. Um disco bastante recomendado.  

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