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Resenha: Yes - Drama (1980)

Por: Tiago Meneses

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Um disco de personalidade diferente de todos os outros da banda.
3
26/01/2018

Existe vida após a morte? Existe vida inteligente em outro planeta? Assim como existem esses questionamentos comuns no dia a dia do ser humano, também é fácil encontrar em meio ao universo de amantes de rock progressivo se existe Yes sem Jon Anderson. A resposta em relação às duas primeiras eu não sei responder, afinal, me faltam provas, já em relação à última questão o disco Drama fala por si só. 

Em Drama, além de Chris Squire, Steve Howe e Alan White, Yes apresenta um novo tecladista e como já dito no começo, novo vocalista. Os desempenhos nos teclados de Geoff Downes são agradáveis, energizado e contido, complementado as gramas verdes das melodias adicionando flores quando necessário. O que talvez seja mais notório, acredito, é a sua habilidade surpreendentemente moderna e nova sem ser muito indulgente. Mas e quanto a Trevor Horn? Bom, mesmo que sua voz lembrasse a de Jon, não conseguiu atingir as notas mais altas com a mesma propriedade (algo que era mais difícil ainda nos concertos da época), além de que sua voz às vezes é um pouco forçada e plana demais. Mas ainda assim, ele soa como Jon em diversas partes, principalmente quando apoiado por Howe e Squire, por isso, acho bastante injusto aqueles que apenas o execram sem dar-lhe algum crédito, afinal, sua atitude foi a de assumir um posto bastante difícil. 

Drama começa com “Machine Messiah”, música que abre através de uma guitarra pesada de Steve Howe e algumas linhas lentas, mas bem cadenciadas e sucedidas de Chris Squire e Alan White. A música segue pesada até a entrada de um teclado bonito e bem típico dos anos 80 de Geoff, então que Trevor começa a cantar, como eu havia comentado, bons vocais, mas nada de especial. De qualquer maneira o importante é que Squire e Howe estão lá para apoia-lo. Por volta da metade da música há uma caída de ritmo com bela guitarra acústica e vocal, além de um teclado etéreo em segundo plano, até que, claro, a música volta para o seu tempo principal. A seção acústica acaba sendo reiniciada mais a frente até que a música finaliza em uma nota misteriosa e ameaçadora. Em geral, uma ótima maneira de começar um disco que certamente estava sendo mau visto por muitos. A guitarra de Steve Howe foi quem roubou a cena, principalmente no solo antes da primeira seção acústica, a cozinha de Chris e Alan mostraram o que é uma seção de ritmo dinâmica e fantástica. Podemos entender exatamente o que eu havia dito no começo em relação aos teclados de Geoff, preencheram o espaço sonoro sem dominá-lo. Trevor segurou as pontas, mas nada mais que isso. 

Apesar de conter menos de um minuto e meio, “White Car” tem seu encanto. Muito bem orquestrada serve como um grande amortecedor entre duas músicas maiores sem deixar de permanecer fiel ao espirito do álbum. 

“Does It Really Happen?” é uma música pop e bem humorada e que serve como uma excelente vitrine para o baixo de Squire e os teclados de Downes. Falando em Downes, não seria exagero dizer que mais do que qualquer outro músico ele é quem faz a música ser o que é. A cozinha impulsiona a faixa a um ritmo rápido e divertido e os vocais são os melhores até este momento do álbum. É uma música que não tem nada de incrível ou impressionante, mas de qualquer maneira ainda é agradável. 

“Into the Lens” é uma boa músical, que tem uns vocais que mostram uma grande capacidade de Trevor, porém as letras são atrozes pra dizer o mínimo e de um refrão irritante. Mas como eu disse, musicalmente é boa, tem um trabalho de guitarra e teclado bem legais, mesmo que em estruturas simples e pouco (ou quase nada) progressiva. O baixo é sutil, mas ao mesmo tempo forte. No final é uma música pop de mais de oito minutos de instrumentação sólida e estrutura básica. 

“Run Through The Light” não é impressionante, mas tem algumas coisas agradáveis, violão acústico e peças de teclados bastante bonitas, além de umas boas melodias vocais. Mas quem mais nutre e eleva a qualidade da música certamente é o baixo de Squire em linhas marcantes e características.

“Tempus Fugit” é a faixa que finaliza o disco, mostrando que Drama é uma obra onde os maiores destaques se encontram em suas extremidades. Uma música de boa velocidade bem ritmada pela cozinha, alguns flashes impressionantes de guitarra, os vocais são bons e ficam melhor ainda quando harmonizados com Steve e Chris. Downes mais uma vez contribui com peças de teclado subjugadas e sólidas que têm uma grande presença e importância. Em termos de complexidade certamente é o suprassumo do álbum e sempre me deixa com a impressão de que poderia ter sido maior, quem sabe um épico e não uma faixa de somente pouco mais de cinco minutos. 

Qualquer admirador do Yes de mente mais aberta deve ter Drama na sua coleção. Musicalmente é bastante leve e tem uma personalidade diferente de todos os álbuns criados pela banda seja antes ou depois dele. É um disco tão essencial quanto seus mais belos e conceituais discos da década de 70? Claro que não, mas é digno e bom o bastante para figurar nas prateleiras de qualquer coleção de rock progressivo. 

Um disco de personalidade diferente de todos os outros da banda.
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26/01/2018

Existe vida após a morte? Existe vida inteligente em outro planeta? Assim como existem esses questionamentos comuns no dia a dia do ser humano, também é fácil encontrar em meio ao universo de amantes de rock progressivo se existe Yes sem Jon Anderson. A resposta em relação às duas primeiras eu não sei responder, afinal, me faltam provas, já em relação à última questão o disco Drama fala por si só. 

Em Drama, além de Chris Squire, Steve Howe e Alan White, Yes apresenta um novo tecladista e como já dito no começo, novo vocalista. Os desempenhos nos teclados de Geoff Downes são agradáveis, energizado e contido, complementado as gramas verdes das melodias adicionando flores quando necessário. O que talvez seja mais notório, acredito, é a sua habilidade surpreendentemente moderna e nova sem ser muito indulgente. Mas e quanto a Trevor Horn? Bom, mesmo que sua voz lembrasse a de Jon, não conseguiu atingir as notas mais altas com a mesma propriedade (algo que era mais difícil ainda nos concertos da época), além de que sua voz às vezes é um pouco forçada e plana demais. Mas ainda assim, ele soa como Jon em diversas partes, principalmente quando apoiado por Howe e Squire, por isso, acho bastante injusto aqueles que apenas o execram sem dar-lhe algum crédito, afinal, sua atitude foi a de assumir um posto bastante difícil. 

Drama começa com “Machine Messiah”, música que abre através de uma guitarra pesada de Steve Howe e algumas linhas lentas, mas bem cadenciadas e sucedidas de Chris Squire e Alan White. A música segue pesada até a entrada de um teclado bonito e bem típico dos anos 80 de Geoff, então que Trevor começa a cantar, como eu havia comentado, bons vocais, mas nada de especial. De qualquer maneira o importante é que Squire e Howe estão lá para apoia-lo. Por volta da metade da música há uma caída de ritmo com bela guitarra acústica e vocal, além de um teclado etéreo em segundo plano, até que, claro, a música volta para o seu tempo principal. A seção acústica acaba sendo reiniciada mais a frente até que a música finaliza em uma nota misteriosa e ameaçadora. Em geral, uma ótima maneira de começar um disco que certamente estava sendo mau visto por muitos. A guitarra de Steve Howe foi quem roubou a cena, principalmente no solo antes da primeira seção acústica, a cozinha de Chris e Alan mostraram o que é uma seção de ritmo dinâmica e fantástica. Podemos entender exatamente o que eu havia dito no começo em relação aos teclados de Geoff, preencheram o espaço sonoro sem dominá-lo. Trevor segurou as pontas, mas nada mais que isso. 

Apesar de conter menos de um minuto e meio, “White Car” tem seu encanto. Muito bem orquestrada serve como um grande amortecedor entre duas músicas maiores sem deixar de permanecer fiel ao espirito do álbum. 

“Does It Really Happen?” é uma música pop e bem humorada e que serve como uma excelente vitrine para o baixo de Squire e os teclados de Downes. Falando em Downes, não seria exagero dizer que mais do que qualquer outro músico ele é quem faz a música ser o que é. A cozinha impulsiona a faixa a um ritmo rápido e divertido e os vocais são os melhores até este momento do álbum. É uma música que não tem nada de incrível ou impressionante, mas de qualquer maneira ainda é agradável. 

“Into the Lens” é uma boa músical, que tem uns vocais que mostram uma grande capacidade de Trevor, porém as letras são atrozes pra dizer o mínimo e de um refrão irritante. Mas como eu disse, musicalmente é boa, tem um trabalho de guitarra e teclado bem legais, mesmo que em estruturas simples e pouco (ou quase nada) progressiva. O baixo é sutil, mas ao mesmo tempo forte. No final é uma música pop de mais de oito minutos de instrumentação sólida e estrutura básica. 

“Run Through The Light” não é impressionante, mas tem algumas coisas agradáveis, violão acústico e peças de teclados bastante bonitas, além de umas boas melodias vocais. Mas quem mais nutre e eleva a qualidade da música certamente é o baixo de Squire em linhas marcantes e características.

“Tempus Fugit” é a faixa que finaliza o disco, mostrando que Drama é uma obra onde os maiores destaques se encontram em suas extremidades. Uma música de boa velocidade bem ritmada pela cozinha, alguns flashes impressionantes de guitarra, os vocais são bons e ficam melhor ainda quando harmonizados com Steve e Chris. Downes mais uma vez contribui com peças de teclado subjugadas e sólidas que têm uma grande presença e importância. Em termos de complexidade certamente é o suprassumo do álbum e sempre me deixa com a impressão de que poderia ter sido maior, quem sabe um épico e não uma faixa de somente pouco mais de cinco minutos. 

Qualquer admirador do Yes de mente mais aberta deve ter Drama na sua coleção. Musicalmente é bastante leve e tem uma personalidade diferente de todos os álbuns criados pela banda seja antes ou depois dele. É um disco tão essencial quanto seus mais belos e conceituais discos da década de 70? Claro que não, mas é digno e bom o bastante para figurar nas prateleiras de qualquer coleção de rock progressivo. 

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