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Resenha: Supertramp - Even In The Quietest Moments... (1977)

Por: Tiago Meneses

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Indiscutivelmente um disco bastante valioso dentro da discografia do Supertramp.
4
25/01/2018

Existem poucos discos em que eu ao fazer uma resenha, coloco além da música, as boas lembranças que ele me traz como critério pra dar uma nota. Tanto que da ótica somente musical não me cativa como Crime of the Century ou Breakfast in America, mas por questões pessoais o coloco senão lado a lado, ao menos muito perto de ambos. Como de costume aos lançamentos da época da banda, o disco é recheado de músicas extremamente belas e artísticas e ao mesmo tempo acessíveis.  Vale ressaltar também a conhecida história da capa, em que o piano da foto foi levado para um lado da montanha e deixado de fora dos estúdios Caribou Ranch durante a noite para ficar coberto de neve. 

O disco abre com a famosa, "Give a Little Bit", faixa que continuou o legado de "Bloody Well Right", anterior na ordem da avenida de singles de sucesso da banda. A abertura com riff de guitarra acústica é progressivamente em camadas através de uma série de interações com a bateria, piano e saxofone, todos sempre envolto das letras humanas de Roger Hogdson. Uma belíssima maneira de começar o álbum. 

A próxima é “Lover Boy”, música com Rick Davies liderando os vocais e tocando piano. Os cantos de apoio e o assobio mantém na faixa uma luz de humor e fazem dela uma canção bastante interessante. A guitarra de Hogdson e os vocais de acompanhamento melódicos são discretos, mas dão uma pincelada artística extremamente agradável. 

A faixa título é uma das minhas músicas preferidas da banda. Começa com um canto de pássaros, novamente guitarra acústica e piano se combinam para trazer um som limpo, nítido e melódico ao ouvinte, sonoridade esta que era uma das principais características da banda no final dos anos 70. Os clarinetes lhes dão uma dimensão adicional tanto pastoral quanto bastante nostálgica. 

"Downstream" é daquelas músicas que no show as luzes se apagam e focam apenas no vocalista enquanto o mesmo também toca piano, neste caso um momento solo de Rick Davies. Uma canção padrão de amor e de sonoridade bastante descontraída.

“Babaji” inicia com vocais acompanhados por piano antes que a melodia principal também encorpe a banda. A composição é altamente repetitiva com letras aparentemente espiritualistas que homenageiam o mestre o Himalaia homônimo a canção. Algumas das curtas passagens instrumentais são bem interessantes e o saxofone e outros instrumentos de sopro iluminam mais a música. 

"From Now On" é mais uma faixa liderada pelos vocais de Davies e adivinhem, sim, começa com um piano. Não é muito diferente em sua construção que "Downstream", embora seja mais interessante, longa e com o tempo ligeiramente mais errático. Novamente uma música bastante suave com algumas boas seções aqui e ali que funcionam muito bem. 

A música que fecha o disco é também o seu destaque, “Fool's Overture”, se tornaria o encerramento de concertos da banda por um tempo, pegando a frase final da música, “vamos enlouquecer” literalmente, arrastando personagens fantasiados e músicos auxiliares para o palco para uma exibição de loucura decadente e alegre. Os acordes tranquilos de piano acompanhados por lindos sintetizadores que abrem a música dão lugar a uma miríade de incursões musicais ao longo dos seus mais de dez minutos. O saxofone amplia os parâmetros sonoros quando a voz expressiva de Hodgson entra cantando linhas misteriosas em alcances vocais surpreendentes. O sax retorna de maneira magistral com uma linda orquestração de fundo. A música retorna à melodia feliz com Hogdson novamente cantando a frente antes que a música se dissolva em uma sinfonia. Certamente esta é uma das músicas mais incomuns da banda.

Even In The Quietest Moments…é indiscutivelmente um disco bastante valioso dentro da discografia do Supertramp. Não é uma obra-prima, claro, mas uma realização musical muito bem sucedida e bem vinda em qualquer coleção de boa música que não esteja preza a rótulos. 

Indiscutivelmente um disco bastante valioso dentro da discografia do Supertramp.
4
25/01/2018

Existem poucos discos em que eu ao fazer uma resenha, coloco além da música, as boas lembranças que ele me traz como critério pra dar uma nota. Tanto que da ótica somente musical não me cativa como Crime of the Century ou Breakfast in America, mas por questões pessoais o coloco senão lado a lado, ao menos muito perto de ambos. Como de costume aos lançamentos da época da banda, o disco é recheado de músicas extremamente belas e artísticas e ao mesmo tempo acessíveis.  Vale ressaltar também a conhecida história da capa, em que o piano da foto foi levado para um lado da montanha e deixado de fora dos estúdios Caribou Ranch durante a noite para ficar coberto de neve. 

O disco abre com a famosa, "Give a Little Bit", faixa que continuou o legado de "Bloody Well Right", anterior na ordem da avenida de singles de sucesso da banda. A abertura com riff de guitarra acústica é progressivamente em camadas através de uma série de interações com a bateria, piano e saxofone, todos sempre envolto das letras humanas de Roger Hogdson. Uma belíssima maneira de começar o álbum. 

A próxima é “Lover Boy”, música com Rick Davies liderando os vocais e tocando piano. Os cantos de apoio e o assobio mantém na faixa uma luz de humor e fazem dela uma canção bastante interessante. A guitarra de Hogdson e os vocais de acompanhamento melódicos são discretos, mas dão uma pincelada artística extremamente agradável. 

A faixa título é uma das minhas músicas preferidas da banda. Começa com um canto de pássaros, novamente guitarra acústica e piano se combinam para trazer um som limpo, nítido e melódico ao ouvinte, sonoridade esta que era uma das principais características da banda no final dos anos 70. Os clarinetes lhes dão uma dimensão adicional tanto pastoral quanto bastante nostálgica. 

"Downstream" é daquelas músicas que no show as luzes se apagam e focam apenas no vocalista enquanto o mesmo também toca piano, neste caso um momento solo de Rick Davies. Uma canção padrão de amor e de sonoridade bastante descontraída.

“Babaji” inicia com vocais acompanhados por piano antes que a melodia principal também encorpe a banda. A composição é altamente repetitiva com letras aparentemente espiritualistas que homenageiam o mestre o Himalaia homônimo a canção. Algumas das curtas passagens instrumentais são bem interessantes e o saxofone e outros instrumentos de sopro iluminam mais a música. 

"From Now On" é mais uma faixa liderada pelos vocais de Davies e adivinhem, sim, começa com um piano. Não é muito diferente em sua construção que "Downstream", embora seja mais interessante, longa e com o tempo ligeiramente mais errático. Novamente uma música bastante suave com algumas boas seções aqui e ali que funcionam muito bem. 

A música que fecha o disco é também o seu destaque, “Fool's Overture”, se tornaria o encerramento de concertos da banda por um tempo, pegando a frase final da música, “vamos enlouquecer” literalmente, arrastando personagens fantasiados e músicos auxiliares para o palco para uma exibição de loucura decadente e alegre. Os acordes tranquilos de piano acompanhados por lindos sintetizadores que abrem a música dão lugar a uma miríade de incursões musicais ao longo dos seus mais de dez minutos. O saxofone amplia os parâmetros sonoros quando a voz expressiva de Hodgson entra cantando linhas misteriosas em alcances vocais surpreendentes. O sax retorna de maneira magistral com uma linda orquestração de fundo. A música retorna à melodia feliz com Hogdson novamente cantando a frente antes que a música se dissolva em uma sinfonia. Certamente esta é uma das músicas mais incomuns da banda.

Even In The Quietest Moments…é indiscutivelmente um disco bastante valioso dentro da discografia do Supertramp. Não é uma obra-prima, claro, mas uma realização musical muito bem sucedida e bem vinda em qualquer coleção de boa música que não esteja preza a rótulos. 

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