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Resenha: Galahad - Seas Of Change (2018)

Por: Tiago Meneses

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Um disco de muitas reviravoltas em momentos obscuros e de leveza.
4
25/01/2018

Então que dou início à minha temporada de 2018 de rock progressivo ouvindo o disco mais novo da banda inglesa Galahad. Disco que na verdade se trata “apenas” de uma música de quarenta e dois minutos dividida em doze partes, porém, tudo começou com a ideia de uma faixa de sete minutos, mas ela evoluiu para uma peça estendida por causa do fluxo de inspiração que atingiu os músicos. Por conta deste estilo vanguardista é comum que a música passeie por várias direções. Contém uma mistura de estilos musicais, como folk pastoral, rock tradicional, guitarras mais pesadas, algumas linhas de música eletrônica entre outros.

Certamente eu estava bastante ansioso por este lançamento já que sou um grande admirador da banda a um bom tempo. Sempre adorei o fato de enquanto eles têm seu som comercial, nunca tiveram medo de experimentar e se entregarem aos seus limites. Tendo com exceção do último disco, Quiet Storms, seguido um caminho mais pesado. Seas of Change foi uma ótima oportunidade para mostrar a banda mesclando suas várias faces musicais para nos dar um verdadeiro caldeirão de tudo o que já foram e agora são. 

Confesso que fiquei um pouco triste em saber que o excelente guitarrista de longa data, Roy Keyworth, saiu da banda, mas também alegre com o retorno do extremamente talentoso Lee Abraham, ainda empolgado com seu último e maravilhoso disco solo, Colours, que empunhando as guitarras deu um ímpeto refrescante à banda. Dean Baker, tecladista do grupo, está de parabéns por ter escrito toda a música e os arranjos, um trabalho impressionante na criação de uma "sensação épica" de um álbum, uma verdadeira festa para os sentimentos auditivos. Um tecladista excepcional, mágico na criação de efeitos. Os vocais de Stu Nicholson onde às vezes as palavras lutam para encontrar seu lugar no ritmo, (um problema que também ouço no Pendragon de Nick Barret) estão sólidos e no seu melhor, dando à música bastante brilho. E como não deveria deixar de mencionar, a cozinha tem contribuições formidáveis, Spencer Luckman na bateria e percussão combinado com o retorno de Tim Ashton no baixo. O álbum também apresenta a convidada honorária, Sarah Bolter, polvilhando o álbum com flauta, clarinete e sax soprano. 

A música se inicial de maneira prolongada embebida com sintetizador e depois um piano delicado. Efeitos orquestrais e notas cristalinas nos levam para o que parece ser uma espécie de jantar formal, onde ouvimos uma voz pomposa e humoristicamente colocando a cena. Os sons do cravo são acompanhados pela amável flauta antes de uma explosão de bateria e mellotron, em seguida a peça se volta para a guitarra e uma passagem sonora e ecoante até o primeiro desempenho vocal, isso cerca de depois de seis minutos de música. Tudo começa a ficar mais interessante à frente, tanto em termos de narrativa lírica quanto pela música turbulenta, multicamada e variada. As guitarras são poderosas e os teclados majestosos conduzidos de uma maneira bastante influenciada aparentemente por Guiding Light do IQ. Algo que eu achei divertido neste disco e que nem sempre agrada muitas pessoas, é que ele não é um álbum de “ouvido casual”, é preciso encontrar o tempo para experimentar e absorver a peça inteira. 

Gostaria de abrir mais um parêntese para falar sobre o já mencionado Lee Abraham e o seu retorno à banda. Seu recrutamento certamente ajudou a revigorar a banda. O músico vem desenvolvendo sua carreira solo de maneira cada vez mais confiante e com isso obtendo resultando mais impressionantes em alguns de ótima qualidade nos últimos anos. O plano original era usar o produtor Karl Groom nas guitarras principais e alguns guitarristas convidados nas edições adicionais, mas isso não se mostrou prático. Então Abraham foi convidado a tocar inicialmente como convidado, mas se ofereceu para fazer o álbum inteiro, e depois de impressionar a banda com a qualidade e alcance de suas contribuições, ele se juntou formalmente à banda, mas ao invés de ser baixista como em outrora, agora como guitarrista. Suas performances são excelentes, particularmente seus solos que soam bastante excitantes. 

Estes discos contendo apenas uma música não costumam ser fáceis de serem descritos em seus detalhes, mas grosso modo muito pode ser dito mesmo assim. Certamente aqui o ouvinte irá encontrar muitas reviravoltas em momentos obscuros e de leveza dando ao disco um resultado progressivo e prazeroso. Ainda é Janeiro, mas não acharia exagero já imaginá-lo como um dos destaques de 2018. 

Um disco de muitas reviravoltas em momentos obscuros e de leveza.
4
25/01/2018

Então que dou início à minha temporada de 2018 de rock progressivo ouvindo o disco mais novo da banda inglesa Galahad. Disco que na verdade se trata “apenas” de uma música de quarenta e dois minutos dividida em doze partes, porém, tudo começou com a ideia de uma faixa de sete minutos, mas ela evoluiu para uma peça estendida por causa do fluxo de inspiração que atingiu os músicos. Por conta deste estilo vanguardista é comum que a música passeie por várias direções. Contém uma mistura de estilos musicais, como folk pastoral, rock tradicional, guitarras mais pesadas, algumas linhas de música eletrônica entre outros.

Certamente eu estava bastante ansioso por este lançamento já que sou um grande admirador da banda a um bom tempo. Sempre adorei o fato de enquanto eles têm seu som comercial, nunca tiveram medo de experimentar e se entregarem aos seus limites. Tendo com exceção do último disco, Quiet Storms, seguido um caminho mais pesado. Seas of Change foi uma ótima oportunidade para mostrar a banda mesclando suas várias faces musicais para nos dar um verdadeiro caldeirão de tudo o que já foram e agora são. 

Confesso que fiquei um pouco triste em saber que o excelente guitarrista de longa data, Roy Keyworth, saiu da banda, mas também alegre com o retorno do extremamente talentoso Lee Abraham, ainda empolgado com seu último e maravilhoso disco solo, Colours, que empunhando as guitarras deu um ímpeto refrescante à banda. Dean Baker, tecladista do grupo, está de parabéns por ter escrito toda a música e os arranjos, um trabalho impressionante na criação de uma "sensação épica" de um álbum, uma verdadeira festa para os sentimentos auditivos. Um tecladista excepcional, mágico na criação de efeitos. Os vocais de Stu Nicholson onde às vezes as palavras lutam para encontrar seu lugar no ritmo, (um problema que também ouço no Pendragon de Nick Barret) estão sólidos e no seu melhor, dando à música bastante brilho. E como não deveria deixar de mencionar, a cozinha tem contribuições formidáveis, Spencer Luckman na bateria e percussão combinado com o retorno de Tim Ashton no baixo. O álbum também apresenta a convidada honorária, Sarah Bolter, polvilhando o álbum com flauta, clarinete e sax soprano. 

A música se inicial de maneira prolongada embebida com sintetizador e depois um piano delicado. Efeitos orquestrais e notas cristalinas nos levam para o que parece ser uma espécie de jantar formal, onde ouvimos uma voz pomposa e humoristicamente colocando a cena. Os sons do cravo são acompanhados pela amável flauta antes de uma explosão de bateria e mellotron, em seguida a peça se volta para a guitarra e uma passagem sonora e ecoante até o primeiro desempenho vocal, isso cerca de depois de seis minutos de música. Tudo começa a ficar mais interessante à frente, tanto em termos de narrativa lírica quanto pela música turbulenta, multicamada e variada. As guitarras são poderosas e os teclados majestosos conduzidos de uma maneira bastante influenciada aparentemente por Guiding Light do IQ. Algo que eu achei divertido neste disco e que nem sempre agrada muitas pessoas, é que ele não é um álbum de “ouvido casual”, é preciso encontrar o tempo para experimentar e absorver a peça inteira. 

Gostaria de abrir mais um parêntese para falar sobre o já mencionado Lee Abraham e o seu retorno à banda. Seu recrutamento certamente ajudou a revigorar a banda. O músico vem desenvolvendo sua carreira solo de maneira cada vez mais confiante e com isso obtendo resultando mais impressionantes em alguns de ótima qualidade nos últimos anos. O plano original era usar o produtor Karl Groom nas guitarras principais e alguns guitarristas convidados nas edições adicionais, mas isso não se mostrou prático. Então Abraham foi convidado a tocar inicialmente como convidado, mas se ofereceu para fazer o álbum inteiro, e depois de impressionar a banda com a qualidade e alcance de suas contribuições, ele se juntou formalmente à banda, mas ao invés de ser baixista como em outrora, agora como guitarrista. Suas performances são excelentes, particularmente seus solos que soam bastante excitantes. 

Estes discos contendo apenas uma música não costumam ser fáceis de serem descritos em seus detalhes, mas grosso modo muito pode ser dito mesmo assim. Certamente aqui o ouvinte irá encontrar muitas reviravoltas em momentos obscuros e de leveza dando ao disco um resultado progressivo e prazeroso. Ainda é Janeiro, mas não acharia exagero já imaginá-lo como um dos destaques de 2018. 

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