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Resenha: Pain Of Salvation - In The Passing Light Of Day (2017)

Por: André Luiz Paiz

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Grande retorno em um apanhado de todas as fases da banda
4.5
19/01/2018

Daniel Gildenlöw tinha previamente anunciado, através de entrevistas e pelas mídias sociais, o desejo de conduzir o Pain Of Salvation de volta às raízes, após um pequeno desvio de trajeto com os "Road Salt". Interessante, já que a banda parecia ter sido afetada por um revival anos setenta, o que a fez fugir drasticamente da temática que vinha sendo abordada nos trabalhos anteriores. Até gosto destes álbuns, mas parece ter faltado algo, uma dedicação extra talvez, algo não tão cru e melhor lapidado, como os trabalhos de ouro da banda - "The Perfect Element Part I" (2000) e "Remedy Lane" (2002). Quando o bom "Scarsick” foi lançado, lá em 2007, algo já parecia começar a derrapar em alguns momentos.

Os fãs, desesperados por um novo direcionamento, inspiraram Daniel a relatar o seu grave problema de saúde vivido recentemente através das canções de um novo álbum. É conhecido que a doença que contraiu quase lhe tirou a vida, porém o susto passou e resultou em inspiração extrema. Desta experiência saiu: "In The Passing Light Of Day".

Logo no início da audição com a faixa "On A Tuesday", os riffs de guitarra trazem rapidamente o conforto esperado e a constatação de que o Pain Of Salvation está realmente de volta. Em seguida, somos transportados para as complexidades de "Entropia" e "One Hour By The Concrete Lake", em uma faixa que alterna entre o peso e uma certa leveza. Seguimos no mesmo ambiente, mesclando agora os primeiros álbuns da banda com: "Scarsick", na pesada "Tongue Of God", em que Daniel sussurra as palavras: "I cry in the shower, and smile in the bed" provocando arrepios.
A terceira faixa é "Meaningless", uma música que nos transporta para o excelente "Perfect Element", carregada de emoção e melodia. "Silent Gold" é, em conjunto com "The Taming of a Beast", totalmente lapidada em sonoridade setentista, em que Daniel mostra sua paixão pela música daquele período. Obviamente, ambas nos fazem recordar os "Road Salt", sendo a primeira de maneira mais intimista e quase acústica, e a segunda mais densa e carregada. O resultado das duas é ótimo.
"Full Throttle Tribe" parece ter sido composta durante as sessões de "Remedy Lane", tamanha semelhança com a temática do álbum. Melódica ao extremo, com vocais rasgados no refrão e passagens pesadas e técnicas.
"Reasons" é simplesmente fantástica, pois consegue incorporar em uma única canção toda a musicalidade explorada na carreira da banda. Pesada, densa e melancólica.
"Angels of Broken Things" começa suave e intimista. Em seguida, cresce absurdamente com solos de guitarra fantásticos, lembrando as grandes faixas de "Perfect Element".
"If This is The End" soa como um grito de desespero de Daniel. Uma faixa extremamente melancólica de início, crescendo para um peso absurdo em uma melodia que nos faz lembrar de "Ending Theme" do "Remedy Lane".
No final da tempestade, a calmaria aqui é algo inesperado. Quem poderia dizer que o álbum terminaria com uma declaração de amor de Daniel para sua esposa? Justo! Afinal, seu apoio deve ter sido essencial para a recuperação da doença. São quinze minutos de um tema musical simples, porém muito requintado. Daniel emociona com sua interpretação e torna a canção extremamente interessante.

Antes de encerrar, vale destacar o grande trabalho do agora ex-guitarrista Ragnar Zolberg, que contribuiu eficientemente nas composições e fez também um excelente trabalho nas guitarras.  Ragnar deixou o grupo após desentendimentos com Daniel.

Aqui, em "In The Passing Light Of Day", Daniel Gildenlöw expõe seus medos, sua luta para manter a vontade de viver, suas dores e seu desespero. Aqui deste lado, conseguiu atingir em cheio a nós ouvintes, com um trabalho marcante e que pode ser posicionado sem qualquer hesitação na parte de cima da lista dos melhores trabalhos da carreira da banda.

Grande retorno em um apanhado de todas as fases da banda
4.5
19/01/2018

Daniel Gildenlöw tinha previamente anunciado, através de entrevistas e pelas mídias sociais, o desejo de conduzir o Pain Of Salvation de volta às raízes, após um pequeno desvio de trajeto com os "Road Salt". Interessante, já que a banda parecia ter sido afetada por um revival anos setenta, o que a fez fugir drasticamente da temática que vinha sendo abordada nos trabalhos anteriores. Até gosto destes álbuns, mas parece ter faltado algo, uma dedicação extra talvez, algo não tão cru e melhor lapidado, como os trabalhos de ouro da banda - "The Perfect Element Part I" (2000) e "Remedy Lane" (2002). Quando o bom "Scarsick” foi lançado, lá em 2007, algo já parecia começar a derrapar em alguns momentos.

Os fãs, desesperados por um novo direcionamento, inspiraram Daniel a relatar o seu grave problema de saúde vivido recentemente através das canções de um novo álbum. É conhecido que a doença que contraiu quase lhe tirou a vida, porém o susto passou e resultou em inspiração extrema. Desta experiência saiu: "In The Passing Light Of Day".

Logo no início da audição com a faixa "On A Tuesday", os riffs de guitarra trazem rapidamente o conforto esperado e a constatação de que o Pain Of Salvation está realmente de volta. Em seguida, somos transportados para as complexidades de "Entropia" e "One Hour By The Concrete Lake", em uma faixa que alterna entre o peso e uma certa leveza. Seguimos no mesmo ambiente, mesclando agora os primeiros álbuns da banda com: "Scarsick", na pesada "Tongue Of God", em que Daniel sussurra as palavras: "I cry in the shower, and smile in the bed" provocando arrepios.
A terceira faixa é "Meaningless", uma música que nos transporta para o excelente "Perfect Element", carregada de emoção e melodia. "Silent Gold" é, em conjunto com "The Taming of a Beast", totalmente lapidada em sonoridade setentista, em que Daniel mostra sua paixão pela música daquele período. Obviamente, ambas nos fazem recordar os "Road Salt", sendo a primeira de maneira mais intimista e quase acústica, e a segunda mais densa e carregada. O resultado das duas é ótimo.
"Full Throttle Tribe" parece ter sido composta durante as sessões de "Remedy Lane", tamanha semelhança com a temática do álbum. Melódica ao extremo, com vocais rasgados no refrão e passagens pesadas e técnicas.
"Reasons" é simplesmente fantástica, pois consegue incorporar em uma única canção toda a musicalidade explorada na carreira da banda. Pesada, densa e melancólica.
"Angels of Broken Things" começa suave e intimista. Em seguida, cresce absurdamente com solos de guitarra fantásticos, lembrando as grandes faixas de "Perfect Element".
"If This is The End" soa como um grito de desespero de Daniel. Uma faixa extremamente melancólica de início, crescendo para um peso absurdo em uma melodia que nos faz lembrar de "Ending Theme" do "Remedy Lane".
No final da tempestade, a calmaria aqui é algo inesperado. Quem poderia dizer que o álbum terminaria com uma declaração de amor de Daniel para sua esposa? Justo! Afinal, seu apoio deve ter sido essencial para a recuperação da doença. São quinze minutos de um tema musical simples, porém muito requintado. Daniel emociona com sua interpretação e torna a canção extremamente interessante.

Antes de encerrar, vale destacar o grande trabalho do agora ex-guitarrista Ragnar Zolberg, que contribuiu eficientemente nas composições e fez também um excelente trabalho nas guitarras.  Ragnar deixou o grupo após desentendimentos com Daniel.

Aqui, em "In The Passing Light Of Day", Daniel Gildenlöw expõe seus medos, sua luta para manter a vontade de viver, suas dores e seu desespero. Aqui deste lado, conseguiu atingir em cheio a nós ouvintes, com um trabalho marcante e que pode ser posicionado sem qualquer hesitação na parte de cima da lista dos melhores trabalhos da carreira da banda.

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